terça-feira, 24 de maio de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Chegam a 500 os voos cancelados por causa de vulcão islandês
24 de maio de 2011  13h58  atualizado às 15h51


Após cancelamento de voo devido às cinzas do vulcão, mulher espera no saguão do aeroporto de Edimburgo, na Escócia. Foto: AP
Após cancelamento de voo devido às cinzas do vulcão, mulher espera no saguão do aeroporto de Edimburgo, na Escócia
Foto: AP

A nuvem de cinzas expelida pelo vulcão islandês Grimsvotn deixou em terra nesta terça-feira milhares de passageiros, principalmente na Escócia, com a paralização do tráfico aéreo no norte europeu. Hoje, a Eurocontrol já anunciou o cancelamento de 500 voos devido à nuvem de cinzas, que obrigou o presidente americano, Barack Obama, a antecipar sua saída da Irlanda, na segunda-feira, rumo a Londres.
"A nuvem chegou na Escócia e na Irlanda do Norte", explicou o chefe de operações do órgão de controle do tráfico aéreo europeu (Eurocontrol), Brian Flynn.
"Até o fim do dia, a nuvem deve alcançar o sul da Escandinávia, a Dinamarca e parte do norte da Alemanha. Depois, deve continuar para o sul e alcançar primeiro a França e depois a Espanha, mas é difícil saber quando", afirmou.
A Comissão Européia anunciou nesta terça feira que não prevê o fechamento de uma grande área do espaço aéreo da União Europeia (EU).
Os europeus devem se preparar para "uma semana muito difícil para os passageiros das companhias aéreas", declarou à imprensa o ministro dos transportes Siim Kallas, no entanto, "não nos anteciparemos fechando uma grande parte do espaço aéreo como no ano passado".
"As cinzas (do vulcão) são diferentes, as condições meteorológicas são diferentes e a resposta européia é diferente", com uma coordenação reforçada entre as autoridades nacionais, que devem decidir se fecham o seu espaço aéreo, afirmou.
Companhias aéreas como British Airways, KLM, Easyjet e Aer Lingus suspenderam seus voos com destino final na Escócia até, pelo menos, esta terça-feira à tarde.
Uma informação animadora da Agência de Meteorologia Islandesa apontou que a nuvem de cinzas continuou diminuindo durante a noite e a madrugada.
"A erupção é muito mais fraca do que no primeiro dia" sábado, disse à AFP uma porta-voz da agência.
A autoridade finlandesa de aviação Finavia considerou que a densidade da nuvem era muito reduzida para atrapalhar o tráfego aéreo. A Noruega, afetada pelas cinzas na manhã de terça-feira, apenas registrou perturbações menores e voltou com as atividades normais desde a tarde.
A fragilidade da ameaça fez com que a companhia aérea irlandesa de baixo custo Ryanair não suspendesse os voos. Um voo de teste feito na manhã de terça-feira, na Escócia, através de uma "zona vermelha" mostrou "a ausência de cinzas, o que confirma a opinião da Ryanair no sentido de que não há nenhuma ameaça", segundo a companhia.
Os aeroportos de Glasgow e Edimburgo já foram afetados na noite de segunda-feira. Os aeroportos de Aberdeen e Inverness permanecerão fechados nas próximas horas, segundo a autoridade britânica de regulação de tráfico aéreo (NATS, National Air Traffic Services).
Além dos aeroportos da Escócia, os aeroportos de Londonderry (Irlanda do Norte) e Newcastle (norte de Inglaterra) também foram fechados.
Com medo de um caos aéreo como o do ano passado, quando a erupção de outro vulcão islandês fechou o espaço aéreo de boa parte da Europa por quase um mês, as autoridades aéreas reiteraram que o espaço aéreo deve permanecer aberto.
Na época a medida foi considerada "exagerada" por muitas companhias aéreas.
Desta vez, as autoridades não impuseram nenhuma decisão, e deixaram que cada companhia aérea decidisse por critério próprio, contanto que provem ter um "plano de emergência em caso de dificuldades".
Segundo o ministro dos Transportes britânico, Philip Hammond, o país "está muito melhor preparado" do que em 2010 para lidar com a situação, uma vez que aumentou em 20 vezes o limite de concentração de cinzas para autorizar voos.
O vulcão Grimsvotn, o mais ativo da Islândia, registrou no sábado passado a erupção inicial mais violenta dos últimos cem anos, provocando uma imensa nuvem de cinzas.
A atividade diminuiu na noite de segunda-feira, e a coluna de fumaça já é muito mais baixa do que na véspera, informou nesta terça-feira o Escritório de Meteorologia da Islândia, "provavelmente" em consequência da diminuição das emissões e dos ventos fortes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Reflexões

Fragmento acerca do Regime Militar em Santa Catarina

Por Chico Braun

O texto abaixo, é um fragmento sobre as perseguições realizadas pelo regime militar em Santa Catarina, que desde a implantação do golpe em 31 de março de 1964, reprimiu, perseguiu e torturou políticos, sindicalistas e estudantes. O caso de higino João Pio é mais um dos que sofreram com as perseguições do regime autoritário em Santa Catarina.

A historiografia catarinense ainda tem muito a desvelar sobre a atuação política de estudantes, sindicalistas e outros que pereceram diante o autoritarismo e falta de bom senso  provocados pelo regime através da tortura.

As perseguições seguiam em Santa Catarina e nem o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú, Higino João Pio (PSD) não escapou das teias obscuras os órgãos repressivos. Higino João Pio foi mais um dos políticos catarinense a sofrer com as arbitrariedades do ato institucional nº5 (A-5).


Figura 4: Higino João Pio foi mais uma vítima dos porões da ditadura sua história ainda necessita ser contada. http://www.hpioconstrutora.com.br/index.php/balneario_camboriu/


Higino João Pio havia recentemente se filiado ao PSD e nas eleições municipais de 1965 derrotou Paulo Wilerich da UDN tornando-se prefeito de Balneário Camboriú. Isso provocou um desencontro político entre Higino e a UDN que era seu antigo partido e que formaram na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, instituindo ampla oposição ao prefeito, os vereadores da oposição iniciam uma investigação em 1966.

Depois de uma rápida investigação comandada por vereadores de oposição, a Câmara enviou um documento que pedia a condenação do prefeito ao Ministério Público, que devolveu o processo com a justificativa de ‘ilegitimidade dos denunciantes’. Os vereadores levaram então para votação em plenário. Resultado: 4 a 3 pelo arquivamento do processo. Não satisfeitos, os vereadores recorreram à Polícia Federal de Curitiba e à Procuradoria Geral, tentando garantir a prisão preventiva do prefeito. Pouco mais de um ano depois, o SNI requisitou à Câmara os originais do processo (ASSUNÇÃO, 2004, P. 73).

Em seguida os vereadores e partidários da oposição solicitaram a aplicação do A-I 5, e o enquadramento de Higino no artigo 4º reivindicando a cassação do mandato e averiguação de enriquecimento ilícito. Esse foi o ponto para que os militares, definitivamente acionassem a repressão, Higino João Pio foi preso na prefeitura junto com assessores e levado a Florianópolis, no quartel da Escola dos Aprendizes da Marinha.

Seus assessores foram interrogados e posteriormente liberado ficando Higino João Pio, preso e incomunicável. Em 3 de março de 1969, a família foi comunicada de sua morte a versão oficial descrevia morte por enforcamento com um arame, dentro do banheiro do quartel, indicando que Higino João Pio havia cometido suicídio.

A Comissão Especial que tratou dos casos de mortes e desaparecimentos e indenização as famílias pela lei 9.140/95 refutou a versão de suicídio e indicando no texto da comissão:
‘A cena montada para a versão de suicídio é mais do que clara e bem mais evidente, num só primeiro olhar, do que a própria motivação política de assassinato, para a qual foi necessária busca de provas’ (ASSUNÇÃO, 2004, P. 74).

O caso de Higino João Pio é mais um exemplo de que a repressão do regime militar em Santa Catarina foi exercido de maneira brutal e covarde na tentativa de silenciar vozes ou resolver rusgas políticas, demonstrando o vergonhoso caráter autoritário do regime.

Referências:

ASSUNÇÃO, Luis Fernando. Assassinados pela ditadura – Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 2004.
WELCH, Clifford Andrew. Jôfre Corrêa Netto, Capitão camponês (1921 a 2002). São Paulo: Expressão Popular, 2010.

domingo, 15 de maio de 2011

Notícia da Semana Atualidades


A difícil reconstrução da cidadania

Seis meses após a ocupação das favelas do Alemão, a vida mudou para melhor, embora a convivência entre Exército e população não seja fácil e o tráfico de varejo continue existindo

Wilson Aquino
chamada.jpg
CONVIVÊNCIA
A população reclama da truculência das forças de segurança e os soldados, de desacato
img2.jpg
Seis meses depois, o Exército não é visto como um invasor, está longe de ser uma visita agradável e mais parece um vizinho de difícil convivência. Mas a vida dos moradores do Complexo do Alemão, o gigantesco conglomerado de 13 favelas, na zona norte do Rio de Janeiro, ocupado por forças de segurança em novembro do ano passado, melhorou. Na época, o País todo assistiu pela televisão, horrorizado, à fuga ao vivo de centenas de bandidos pelas matas. Desde então, livre dos traficantes, a vida no Alemão mudou. No entanto, vizinhos, todos sabem, costumam brigar. Por isso, o resgate da cidadania desses cariocas que viviam à margem da lei passa pela convergência das contradições atuais.

Antes, as favelas eram totalmente dominadas por traficantes. Não havia divergências porque onde mandam os fuzis não há voz dissonante. Eram os bandidos que diziam de quem a população deveria comprar o botijão de gás ou quem tinha razão quando um casal se desentendia. Isso mudou. As notificações de brigas domésticas começam a aparecer em delegacias e, nos últimos seis meses, foram registrados apenas três homicídios – antes, nem sequer havia contagem oficial. No rastro da investigação sobre o assassinato do jornalista Tim Lopes, capturado por traficantes quando fazia reportagem numa favela, a polícia encontrou pilhas de restos mortais de outras pessoas. Também o roubo de carros caiu em mais de 60%. No entanto, o tráfico de drogas no varejo continua em atividade nas entranhas da favela. A população formada por cerca de 400 mil pessoas aguarda a implantação das 12 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que serão permanentes e substituirão os militares.
img3.jpg
PARECE, MAS NÃO É
Armas de brinquedo apreendida pela polícia
O Alemão está melhor, mas ainda muito longe da paz. A morte do eletricista Wallace Moreira Amorim, 31 anos, mostra o entrelaçamento dos conflitos. Segundo a família, ele era um trabalhador, pai de três filhos, que foi executado por traficantes, na quarta-feira 4, porque teria reclamado de rapazes que fumavam maconha na porta de sua casa, na favela Nova Brasília. O coronel do Exército Nilson Maciel, chefe do Estado-Maior das Forças de Pacificação, deu outra versão à ISTOÉ. De acordo com ele, Amorim foi assassinado porque estava anunciando que iria formar uma milícia numa localidade vizinha conhecida como Loteamento. “Nossas investigações levam a crer que o episódio é o desfecho de uma guerra antiga”, diz Maciel. Qualquer que seja a versão correta, o certo é que a história não retrata o dia a dia de uma comunidade 100% pacificada.

Quando o próprio comandante das Forças de Pacificação, o general César Leme Justo, admite que os traficantes de segunda linha ainda atuam na área, fica mais claro que a lei das armas ainda tem alguma força. “Existe o tráfico no varejo. Acabar com ele é uma utopia. Mas podemos conter com trabalho inteligente e cacete em cima”, diz. Os traficantes demonstram ter percebido que os tempos são outros. Discretamente, transportam drogas em sacolas de supermercados e até recolhem os vestígios de consumo deixados por usuários. “Eles estão muito cuidadosos. Criaram até uma equipe de limpeza que fica catando os papelotes vazios largados no chão pelos consumidores”, conta o coronel Maciel. Além dos mais de mil soldados que se revezam no patrulhamento do morro, as forças de segurança instalaram câmeras para monitorar a movimentação. Nelas, vê-se a venda de drogas, mas o armamento pesado, marca registrada das facções, foi banido.
img1.jpg
“Existe o tráfico no varejo. Acabar com ele é uma utopia”
General César Leme Justo, comandante das Forças de Pacificação
Praticamente todos os dias ocorre uma prisão de envolvidos, ou suspeitos, com crimes. Na sexta-feira 6, por exemplo, um dos gerentes do tráfico, Robson Pereira da Silva, foi preso quando tentava sair de Nova Brasília com a féria do dia: R$ 6 mil, mais 100 trouxinhas de maconha e dois papelotes de cocaína. Porém, oito entre dez ocorrências registradas pelos soldados dizem respeito a desacato a autoridade. “Por ter estado tanto tempo sob um poder arbitrário, essa população não desenvolveu o hábito de respeitar a autoridade constituída não delinquente”, explica o sociólogo Gláucio Soares, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio (Uerj). Ele lembra, também, que muitos soldados não foram treinados para administrar uma região como essa, mas para a guerra. A interação é uma luta diária.

Nesse novo caminho para a cidadania os conflitos são inevitáveis. O caso do operário Leandro José da Silva, 20 anos, que trabalha nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade, é um exemplo. No sábado 7, ele tentava espairecer bebendo com amigos no bar do Enéas, point da praça do Capão, parte alta de uma favela, quando uma patrulha do Exército chegou para revistar o pessoal. Houve reação e muita confusão. “Jogaram gás de pimenta nos meus olhos. Quando caí, mais de 15 soldados me chutaram e ainda levei três tiros de bala de borracha”, contou Silva, exibindo as marcas da agressão no peito, na costas e em uma das pernas.
img.jpg
ÍNDICES
Nos últimos seis meses houve apenas três mortes no Alemão e os roubos de carro caíram 60%
“A preocupação é que esses conflitos venham a minar o processo que salva vidas todos os dias”, afirma o professor Soares. Cada parte tem suas alegações. “Eu sei que eles estão fazendo o serviço deles, mas para que esculachar o morador?”, reclama a copeira Silvana Alves, 35 anos, que também já foi vítima do gás de pimenta. “O pessoal está tomando uma cervejinha, curtindo um som e, de repente, eles chegam jogando gás de pimenta. Assim não dá!”, endossa o comerciante Enéas Oliveira Carvalho, 47 anos, dono do bar do Enéas. “Não posso permitir que nossos soldados sejam insultados. A turma entorna e aí vem o desacato”, justifica o general Leme Justo. Tem noites que o ar está irrespirável na praça do Capão devido ao gás do spray de pimenta. “A gente fica com vontade de tossir, com a garganta ressecada e com ânsia de vômito. É horrível”, diz a dona de casa Tatiana Cardoso dos Santos, 31 anos.

Porém, vigiar o morro é uma missão de alto risco para militares. “Já tentaram atropelar com carro e moto os soldados que ficam nas barreiras. Teve uma tropa cercada por mais de 30 moradores enfurecidos. Temos que manter a autoridade para não morrer nem ser achincalhados”, afirma o comandante Leme Justo. Os perigos descritos pelo general são as reações truculentas dos moradores contra as revistas e as ordens dos soldados para fechamento de bares e redução do volume dos aparelhos de som. O Complexo do Alemão ainda é um território violento, mas a população começa a ter mais direitos nas ruas apertadas e sujas do local. Por mais que briguem, o Exército e a comunidade têm o mesmo objetivo, que é pavimentar uma sociedade pacificada no futuro. E, se não for pedir muito, com respeito.
G_Complexo_Alemao-1.jpg

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Reflexões

As Mães e a Democracia


Por Chico Braun


Hoje comemoramos o dia das mães no Brasil, são diversas as representações acerca do papel das mães na família e na sociedade. Uma imagem interessante talvez seja o amor incondicional devotado por seus filhos, uma mãe não tem limites quando se trata do filho amado.


Esse amor devotado, é perceptível nas "Madres de Plaza de Mayo" (Mães da Praça de Maio) na Argentina, mesmo depois de quase três décadas do fim do regime militar argentino, ainda se encontram na praça de Maio reivindicando justiça aos filhos desaparecidos durante a ditadura.


Isso é um exemplo claro de exercício de cidadania, bom senso e justiça social ante o absurdo da repressão, violência e tortura produzidas pelos Estados autoritários. Apesar de ignóbil os países onde se instalaram ditaduras entre os anos de 1960 e 1970 na América Latina entre eles o Brasil, deixaram claro suas intenções anti-democráticas, cassando direitos políticos, proibindo eleições diretas e outras ações.





Essas ações deixaram marcas profundas na América do Sul, e vivemos nos últimos vinte anos uma experiência democrática. 


No dia das mães, me deparei com um fato que no mínimo provoca um incomodo ou um sentimento de indignação quando o ex-presidente dos Estados Unidos no governo George W. Bush, Dick Cheney defendeu a tortura como forma de combater o terrorismo. Isso deixaria furioso o jurista Norberto Bobbio pois, é uma total afronta ao princípio básico de qualquer Estado democrático que é o direito a cidadania e a liberdade.


Uma declaração desse tom coloca aponta uma miopia política e conceitual de alguns políticos como Cheney e Bush, declarando publicamente um Estado autoritário travestido numa democracia que exerce indiscriminadamente terrorismo de Estado contra o Afeganistão e Iraque em nome de uma pretensa liberdade.


Espero que Mr. Cheney um dia possa tirar "a trave do olho" e aprender com as Mães da Praça de Maio, os princípios básicos da democracia e do bom senso. 

domingo, 8 de maio de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Clube do terror

A morte de Osama bin Laden não livra o mundo do terrorismo. Como mártir, ele inspira mais de uma dezena de grupos radicais espalhados por todos os continentes que ameaçam a segurança do planeta

Yan Boechat e Claudio Dantas Sequeira
img3.jpg
PROCURADOS
Principais terroristas na lista do FBI e o valor da recompensa oferecida por eles
1- ISNILON TOTONI HAPILON
Filipino, 25 anos, integrante da Abu Sayyaf
US$ 5 milhões
2- FAHD MOHAMMED AHMED AL-QUSO
Iemenita, 36 anos, Integrante da Al-Qaeda
US$ 5 milhões
3- ABDULLAH AHMED ABDULLAH
Egípcio, 48 anos, integrante da Al-Qaeda
US$ 5 milhões
4- OSAMA BIN LADEN
Saudita, 54 anos, criador da Al-Qaeda
MORTO US$ 27 milhões
5- AYMAN AL-ZAWAHIRI
Egípcio, 60 anos, Número 1 da Al-Qaeda
US$ 25 milhões
6- ALI SAED BIN ALI EL-HOORIE
Saudita, 45 anos, integrante do Hezbollah
US$ 5 milhões
A morte do maior terrorista de todos os tempos trouxe alívio e apreensão. A eliminação do saudita Osama bin Laden foi uma vitória histórica contra aquele que era considerado o inimigo número 1 dos Estados Unidos – e, em menor escala, do Ocidente cristão. Mas seu fim também tende a alimentar um forte sentimento de vingança no seio da rede terrorista que ele comandava, a Al-Qaeda, e todas as suas ramificações. Enclausurado em uma espécie de bunker de luxo no Paquistão nos últimos cinco anos, Bin Laden já não tinha a mesma influência operacional dos tempos em que comandava sua organização dos campos de treinamento afegãos. No entanto, mesmo sem seu controle direto, a Al-Qaeda e grupos terroristas feitos sob sua imagem e semelhança espalhados pela Ásia, Oriente Médio e norte da África continuam ativos, apenas aguardando uma brecha nos esquemas de segurança. Hoje, pelo menos dez organizações que sustentam suas lutas com base no terror estão operativas no mundo e parte dos homens que ajudaram Bin Laden a construir a mais efetiva organização terrorista da história moderna continua à solta, preparando-se para atacar novamente. Os principais nomes dessa lista de procurados ilustram a abertura desta reportagem.
Agências de segurança de todo o mundo passaram a última semana debruçadas sobre relatórios, mapas e informações secretas a fim de analisar e projetar quais seriam as reações desses grupos à morte de Bin Laden. No pior dos cenários, os vingadores do terrorista saudita poderiam lançar um ataque nuclear contra os EUA. Em 2008, o egípcio Sharif al Masri, hoje preso na base de Guantánamo, surpreendeu os agentes da CIA e do FBI que o interrogavam ao responder a uma pergunta sobre o que aconteceria se Bin Laden fosse capturado ou morto. “Uma bomba nuclear seria detonada nos EUA”, disse Al Masri. O depoimento aparece num informe secreto elaborado em setembro daquele ano pelo Departamento de Defesa americano sobre outro terrorista, o líbio Abu Faraj al Libi, homem da Al-Qaeda responsável por experimentos de guerra nuclear, química e bacteriológica em campos de treinamento no Afeganistão. Estreito colaborador de Bin Laden, Al Libi seria um dos poucos membros da cúpula do grupo terrorista autorizado a dar ordem para um eventual ataque.
De acordo com a ficha do líbio, a Al-Qaeda possui um artefato nuclear, mas tem dificuldade para transportá-lo. A bomba, segundo Al Masri, estaria escondida na Europa e somente Al Libi saberia sua exata localização. O plano para detoná-la nos EUA envolveria terroristas europeus “descendentes de árabes ou asiáticos” e Libi dispunha de uma equipe de 50 suicidas para a operação.

As informações colhidas, em geral sob tortura, nos depoimentos de Guantánamo nunca foram confirmadas na prática. Mas também em momento algum foram descartadas. Na visão de analistas de segurança, um ataque nuclear, ainda que de pequena magnitude, é pouco provável, ao menos neste momento. “A possibilidade é baixa”, diz o brasileiro Salvador Ghelfi Raza, analista de segurança e integrante de uma equipe de consultores internacionais da Casa Branca. “Bombas nucleares emitem radiação, e até agora nenhuma agência, governamental ou não, detectou qualquer nível de vazamento que pudesse indicar que material radioativo estivesse circulando livremente pelo mundo”, diz Raza.
img.jpg
Juventude confortável
Filho de um rico empreendedor imobiliário iemenita, Osama bin Laden teve uma juventude repleta de luxos ocidentais. Nesta foto ele aparece com toda a família em Bruxelas, na Bélgica, durante uma viagem de férias
Um ataque de grande magnitude para vingar a morte de Osama bin Laden é o sonho de seus seguidores. Na sexta-feira 6, a Al-Qaeda reconheceu pela primeira vez a morte de seu líder e prometeu “caçar” os Estados Unidos para vingar Osama. Um dia antes começaram a surgir as primeiras informações sobre computadores e discos rígidos, além de 100 CDs, DVDs e pen-drives apreendidos na casa de Bin Laden. De acordo com informações do governo americano, a Al-Qaeda planejava atacar um trem nos Estados Unidos para comemorar os dez anos do 11 de setembro. “As linhas de transmissão, a malha rodoviária, os aeroportos são potenciais alvos”, afirma Raza. Em um primeiro momento, reconhecem analistas, os alvos preferenciais dos vingadores de Osama devem ser fora do território americano. “Haverá muitas reações violentas da Al-Qaeda contra alvos americanos em células no Iêmen e no Iraque”, afirma o analista Ali al-Fil, do centro de estudos Ibn Khaldun, no Cairo.
A vingança à morte de Osama é apenas parte, pequena até, da ameaça terrorista. Seu desaparecimento não elimina nem mesmo enfraquece de forma concreta os diversos grupos que usam a violência contra alvos civis mundo afora na tentativa de alcançar objetivos políticos, em geral atrelados a questões religiosas. Há tempos Osama já não tinha controle direto sobre as franquias da Al-Qaeda no Iraque, no Iêmen ou no norte da África, sem contar as células independentes nos Estados Unidos, França Itália e Inglaterra, onde o MI5, o serviço de espionagem britânico, estima que haja cerca de dois mil seguidores de Bin Laden. E embora os vínculos entre a Al-Qaeda e outros grupos militantes espalhados pelo mundo, como o Jemaah Islamya, na Indonésia, e o Abu Sayyaf, nas Filipinas, tenham se enfraquecido nos últimos anos, a morte do terrorista saudita pode ajudar a reaproximá-los. Na quarta-feira 4, por exemplo, houve várias manifestações nesse sentido nos países-sedes dessas organizações. “Foi Bin Laden quem venceu. Ele teve a vitória com a qual sonhava: morrer fuzilado como mártir por seus inimigos”, afirmou Son Hadi, porta-voz do grupo islâmico indonésio Jema’ah Ansharut Tauhid, fundado pelo clérigo Abu Bakar Bashir. Da mesma forma, a Frente de Defensores Islâmicos, também da Indonésia, promoveu uma reunião em sua sede em Jacarta para manifestar gratidão pelos “serviços” prestados pelo “mártir” Bin Laden. “Que no futuro nasçam outros Osamas que tenham ainda mais bravura para combater pelo Islã”, escreveu a organização em um cartaz pendurado na fachada da sede.
img2.jpg
O fanatismo religioso
Foi nas madrassas que o Taliban e depois Bin Laden encontraram o cenário perfeito para a formação de terroristas suicidas. Originalmente escolas religiosas no Paquistão e no Afeganistão, as madrassas se tornaram centros de cooptação e preparação para o martírio de jovens muçulmanos a partir da década de 90. O nome Taliban é o plural de talib, estudante na língua local do Afeganistão

Não há dúvida de que a morte de Bin Laden fecha um capítulo traumático da história ocidental. Só não está claro ainda se esse encerramento é simbólico ou prático. No fim das contas, o filho de uma rica família de empreendedores imobiliários iemenitas que se instalaram na Arábia Saudita na primeira metade do século passado conquistou um de seus maiores objetivos: criar uma ideologia unificadora que tem como principal objetivo destruir a influência ocidental sobre o mundo islâmico. A Al-Qaeda nunca escondeu que a estratégia de construir um grande califato passava por forçar as potências ocidentais a embarcar em uma espécie de nova Cruzada. Tentou isso em 1998, ao explodir uma bomba no subsolo do World Trade Center, e alcançou seu objetivo três anos depois, ao destruir as mesmas torres gêmeas e levar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha para duas desastradas guerras.

Dessa forma, Osama conseguiu galvanizar um método de terror novo, que até seu surgimento estava praticamente restrito a uma região específica do mundo. A figura do homem-bomba, do terrorista suicida e das madrassas que servem como escolas de assassinos é recente, assim como é recente a estratégia terrorista dos grupos islâmicos. Ela surgiu pela primeira vez na história em 1968 com o sequestro de um avião da El Al que fazia o voo entre Atenas e Cairo. Naquela época, o terrorismo era quase uma exclusividade dos grupos de extrema esquerda de inspirações marxistas ou maoístas. O primeiro ataque suicida de grande magnitude só ocorreu 15 anos depois, quando um caminhão repleto de bombas foi jogado contra uma base militar americana em Beirute, matando 241 soldados dos Estados Unidos.

Ao forçar os ataques ocidentais ao mundo muçulmano, Osama globalizou o terror islâmico. Apenas nos meses que se seguirão uma avaliação mais clara poderá ser feita sobre o impacto de sua morte sobre esses tantos grupos que o tinham como um líder ideológico e espiritual. Há quem avalie que o movimento se tornará menos global, preocupado com causas mais locais, como a criação de um estado independente ou a implantação de uma corrente religiosa. Mas há também quem acredite que a morte de Bin Laden vai ampliar o foco mundial do terror, fazendo do terrorista uma espécie de Che Guevara islâmico. “É uma questão simbólica. Os terroristas perderam o seu líder carismático, quase espiritual”, afirma o americano John Ikenberry, professor de relações internacionais da Universidade de Princeton. Para os Estados Unidos, no entanto, isso, neste momento, parece importar pouco. O foco parece continuar na caça aos responsáveis pelo 11 de setembro. “Trata-se sobretudo de detectar as ameaças que estão em marcha e de alcançar outros objetivos no seio da Al-Qaeda, como Zawahiri”, disse Michael Leiter, diretor do Centro Nacional Antiterrorismo dos EUA, referindo-se ao sheik egípcio Ayman Al Zawihi, o sucessor de Bin Laden. Em meio a tantas dúvidas, a tantas interpretações distintas, apenas uma coisa continua certa: o mundo ainda não está livre da ameaça terrorista nem mais seguro após a morte do maior terrorista da história.
img1.jpg
Terror bem perto da fronteira do Brasil
Quem quiser encontrar um agente da CIA, do Mossad ou do MI5 na América do Sul, basta entrar em qualquer mesquita da região da Tríplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina. O local, que sempre foi alvo da preocupação dos EUA por causa da presença de uma grande comunidade árabe, atraiu ainda mais as atenções das agências de segurança internacionais depois da descoberta de uma foto das Cataratas do Iguaçu num esconderijo de Osama bin Laden, no Afeganistão. Do lado brasileiro, Foz do Iguaçu serve como santuário de extremistas, tanto para o fluxo de informações como de recursos financeiros e de pessoas, dizem os Estados Unidos. No final do ano passado, o WikiLeaks revelou o conteúdo de um telegrama diplomático no qual o Departamento de Estado pede a seus representantes que investiguem a possível presença da Al-Qaeda, de grupos radicais como Hezbollah e Hamas, além de “agentes estatais iranianos”. A principal suspeita é de que a fronteira comum entre os três países serve como fonte de financiamento desses grupos e abrigou os autores dos atentados contra a embaixada de Israel e da associação mutual judia Amia, em Buenos Aires. Os dois ataques deixaram mais de 100 mortos. Os Estados Unidos mantêm estreita cooperação com as agências de inteligência dos países da Tríplice Fronteira. A PF e a Abin trocam constantemente informações com os americanos e, apesar de não possuir legislação antiterrorismo, procura enquadrar suspeitos no código penal. O último relatório global sobre o tema, divulgado pelos EUA no final de 2010, elogiou as medidas tomadas pelo governo brasileiro no combate ao terror na América Latina. “Em julho, o chefe da Divisão de Inteligência da Polícia Federal afirmou que um indivíduo preso em abril tinha ligações com a Al-Qaeda”, diz o documento, em referência às declarações do delegado Daniel Lorenz sobre a detenção do libanês Khaled Hussein Ali.
G_mapa-terror.jpg
G_ataques_Bin-Laden.jpg

Como Montar uma Aula: Planejamento