domingo, 16 de setembro de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Morte do embaixador dos EUA na Líbia)


A volta do pesadelo americano

Atentado que provocou a morte do embaixador dos EUA na Líbia faz renascer o temor de nova onda terrorista e aumenta tensão política entre Barack Obama e Mitt Romney

Laura Daudén
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AL QAEDA 
A organização pode estar por trás dos violentos protestos na Líbia
A conteceu na terça-feira 11 de setembro, dia em que os Estados Unidos pararam para lembrar os 11 anos dos ataques contra o World Trade Center. John Christopher Stevens, embaixador americano na Líbia, e outros três funcionários do Departamento de Estado foram mortos em circunstâncias ainda controversas durante uma ofensiva contra o consulado da cidade de Benghazi. Atribuída a muçulmanos furiosos com a divulgação de um filme que apresenta o profeta Maomé como um bufão, a ação terrorista foi a primeira em 33 anos a provocar a morte de um embaixador dos Estados Unidos. Se é cedo para dimensionar os efeitos da tragédia, é razoável supor que ela vai provocar transformações. Faltando menos de dois meses para as eleições presidenciais que vão definir o futuro de Barack Obama, os atentados têm potencial para mudar radicalmente os rumos da disputa, colapsar os novos governos do mundo árabe e arruinar a estratégia militar americana para a região.
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CONVULSÃO 
Protestos tomaram conta da embaixada dos EUA no Cairo (acima). O embaixador 
Stevens (abaixo) seria morto horas depois em ataque ao consulado de Benghazi
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As primeiras informações mostram que o ataque na Líbia diferiu em muitos aspectos dos protestos que ocorreram na semana passada do Marrocos à Indonésia e deixaram centenas de feridos e pelo menos oito mortos. Ainda que as justificativas apresentadas para as manifestações tenham sido as mesmas – a difamação cometida pelo misterioso diretor do filme –, há indícios de que o ataque de Benghazi tenha sido orquestrado previamente por milícias salafistas. A Ansar Al-Sharia, que vem desafiando o frágil governo líbio com diversos ataques contra mesquitas, encabeça as suspeitas. Ao seu lado pode estar uma célula da Al Qaeda. Não é uma possibilidade descabida. Ao contrário dos outros manifestantes, os líbios estavam bem organizados e fortemente armados com metralhadoras e lança-granadas. Outro detalhe preocupa a Casa Branca: poucas horas antes do ataque que matou Stevens, a Al Qaeda postou um vídeo na internet conclamando seus seguidores líbios a vingar, no dia 11 de setembro, a morte do militante Abu Yahya al-Libi, assassinado em junho por um avião não tripulado americano. “No início os protestos eram da mesma natureza, uma reação ao que as pessoas consideraram um insulto ao profeta”, afirmou à ISTOÉ Jocelyne Cesari, da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos. “Mas o assassinato do embaixador foi resultado de uma operação política de um grupo jihadista que se aproveitou da ocasião para alcançar seus objetivos.” A resposta do presidente Barack Obama refletiu essa preocupação. “Não se enganem, a justiça será feita”, disse ele em um pronunciamento oficial na quarta-feira 12. Pouco depois, autoridades do Departamento de Estado afirmaram que dois destróieres, cinquenta marines especializados em ações antiterroristas e aviões não tripulados estavam a caminho da Líbia para aumentar a segurança das representações americanas no país. A movimentação conta com o respaldo do governo líbio, que chegou a prender quatro suspeitos na noite da quinta-feira 14 sem, no entanto, especificar sua participação no ataque. A reação de Obama acalmou provisoriamente os ânimos em seu comitê de campanha, ainda atordoado pelas bravatas que o candidato republicano Mitt Romney e seus porta-vozes se dispuseram a repetir em meio à crise. Romney vem sendo duramente criticado por capitalizar politicamente a morte de cidadãos americanos.

A troca de farpas entre os candidatos impôs um novo tema à campanha eleitoral, até agora centrada em assuntos domésticos. Obama será cobrado por seu alinhamento com os grupos que protagonizaram a chamada Primavera Árabe, especialmente no caso do Egito, país que recebe US$ 2 bilhões de ajuda americana por ano. O estremecimento das relações pôde ser sentido em uma entrevista de Obama a um canal de televisão na quinta-feira 13: “O Egito não é um aliado, nem um inimigo.” Pouco depois, um porta-voz da Casa Branca viu-se obrigado a esclarecer que o país era um “parceiro próximo” e que as relações não haviam mudado. O desgaste político não será só de Obama. Pela primeira vez, Mitt Romney terá de mostrar quais são seus planos para o Oriente Médio e de que maneira sua estratégia difere das falidas políticas republicanas. Pouco antes de morrer, Stevens escreveu um e-mail que revelou suas expectativas otimistas para a Líbia. “As pessoas sorriem mais e estão muito mais abertas aos estrangeiros”, afirmou. “Espero que dure.”  
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Fotos: Esam Al-Fetori, Mohamed Abd El Ghany-REUTERS; Ben Curtis/ap

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