sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Protestos e eleições na Ucrânia)

Governo e oposição fecham acordo para eleição antecipada na Ucrânia

Plano prevê ainda uma reforma constitucional e a criação de um governo de coalizão em 48 horas

AFP

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O governo e a oposição da Ucrânia fecharam um acordo nesta sexta-feira que prevê uma eleição presidencial antecipada em dezembro, um governo de coalizão e uma reforma constitucional.

O acordo, que deve ser assinado durante esta manhã, segundo a presidência ucraniana, estipula um retorno à Constituição de 2004, que dá mais poderes ao Parlamento, e a formação de um governo de coalizão em 48 horas, que deverá incluir representantes da oposição.

Segundo a oposição, mais de 100 pessoas morreram, em sua maioria manifestantes, desde terça-feira nos confrontos em Maidan, ou Praça da Independência, epicentro há três meses da pior crise registrada no país desde a independência em 1991. O ministério da Saúde divulgou um balanço de 75 mortos e 76 feridos "em estado grave".

Os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha e Polônia conversaram durante horas com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovytch, e com líderes opositores para tentar conter a violência. O chanceler francês, Laurent Fabius, destacou que o acordo ainda estava sendo debatido e que o texto definitivo deve ser divulgado durante esta sexta-feira, 21.

A agência de classificação financeira Standard & Poor's rebaixou nesta sexta-feira a nota da Ucrânia após a violência dos últimos dias, o que pode prejudicar o apoio financeiro russo e a solvência do país.

A nota da Ucrânia caiu para "CCC", que corresponde a um país próximo da falta de pagamento. A perspectiva é negativa, o que significa que a agência pode rebaixar novamente a classificação a curto ou médio prazo.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/349172_GOVERNO+E+OPOSICAO+FECHAM+ACORDO+PARA+ELEICAO+ANTECIPADA+NA+UCRANIA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Bélgica legaliza eutanásia para menores de idade)

Bélgica legaliza eutanásia para menores de idade

País é o primeiro a permitir a eutanásia para menores com doenças terminais. A eutanásia de adultos é legal desde 2002

Terra

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Os deputados belgas aprovaram nesta quinta-feira, 13, uma lei que autoriza a eutanásia aos menores de idade com uma doença incurável, sem fixar uma idade mínima, 12 anos após autorizá-la para os adultos. A lei, chamada "right-to die" ("o direito de morrer", em português) foi aprovada com 86 votos a favor, 44 contra e 12 abstenções.

Com a aprovação, a Bélgica tornou-se o primeiro país a permitir a eutanásia para crianças de qualquer idade com doenças terminais. O projeto de lei, já aprovado pelo Senado em dezembro, tem apoio popular na Bélgia e vai além da pioneira lei holandesa, que estabeleceu 12 anos como a idade mínima para que a criança possa ser considerada madura o suficiente para decidir pela eutanásia.

Líderes cristãos, muçulmanos e judeus criticaram o projeto numa rara declaração conjunta. "O assunto aqui são crianças doentes em estado terminal, que sofrem muito e cuja morte está próxima", disse Carina Van Cauter, parlamentar favorável ao projeto.

Crianças que buscam terminar com as suas vidas devem ser "capazes de discernimento", diz a lei. Psicólogos devem examiná-las para confirmar que elas têm consciência do que estão fazendo. Os pais também precisam aprovar. Para entrar em vigor, a lei terá de ser assinada pelo rei Philippe.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/348035_BELGICA+LEGALIZA+EUTANASIA+PARA+MENORES+DE+IDADE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Notícia da Semana Atualidades (Nelson Mandela)

Homenageado ao morrer, Mandela já foi odiado por líderes ocidentais

Reino Unido, Estados Unidos e Israel estão entre os países que mantiveram apoio ao regime do apartheid quando grande parte do mundo já condenava o segregacionismo

Terra
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Após a morte de Nelson Mandela ser anunciada na noite de quarta-feira, líderes mundiais se apressaram para prestar homenagem ao ex-presidente sul-africano e ressaltar a importância de seu legado para o mundo. Mas Mandela nem sempre foi um aclamado herói mundial.
Durante muitos anos, mesmo quando a oposição ao regime do apartheid já era generalizada, líderes ocidentais continuaram considerando Mandela um terrorista. 

Em 1987, a então premiê britânica Margaret Thatcher disse: "O CNA - Congresso Nacional Africano, partido de Mandela - é uma típica organização terrorista...Qualquer um que pense que ele vá governar a África do Sul está vivendo na terra do faz de contas". 

Entre congressistas britânicos, a opinião sobre Mandela era ainda pior. "Quanto tempo mais a premiê vai permitir ser chutada no rosto por este terrorista negro?", questionou o parlamentar conservador Terry Dicks após Mandela recusar um encontro com Thatcher em Londres, em 1990. Seu colega de partido, Teddy Taylor, foi ainda mais enfático em seu repúdio: "Nelson Mandela deveria ser baleado". 

Nos Estados Unidos, a opinião sobre Mandela também não era favorável entre os governantes dos anos 80. Durante o seu governo, o presidente americano Ronald Reagan colocou o CNA na lista de organizações terroristas. Em 1981, ele disse que o regime sul-africano - baseado no segregacionismo entre brancos e negros - era "essencial para o mundo livre". 

Em 1985, o então congressista Dick Cheney, que depois viria a ser vice-presidente de George Bush, votou contra uma moção pedindo para que Mandela fosse solto. Em 2004, Cheney defendeu seu posicionamento ao afirmar que Mandela "tinha uma dedicação de longa data ao comunismo e a saudar terroristas". 

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos apoiaram o regime do apartheid, enquanto a União Soviética ajudou a financiar a oposição liderada pelo Congresso Nacional Africano. Em 1990, uma matéria do jornal The New York Times revelou que a agência de espionagem americana CIA ajudou o governo sul-africano a prender Mandela em 1962. 

Apenas em 2008, Mandela e o CNA deixaram a lista americana de organizações e terroristas em observação. Até então, Mandela precisava de uma permissão especial para viajar ao país. 

Outro país que se manteve ligado ao regime segregacionista sul-africano foi Israel. Durante muitos anos, o governo israelense manteve laços econômicos e relações estratégicas com o regime do apartheid. Apenas em 1987, quando se encontrava como único país desenvolvido ainda a apoiar a minoria branca, Israel denunciou o apartheid. Nesta sexta-feira, o governo israelense lamentou a morte de Mandela afirmando que o "mundo perdeu um grande líder que mudou o curso da história" e que ele foi um "apaixonado defensor da democracia". 

Em entrevista ao jornalista Larry King em 2000, o próprio Mandela reconheceu essa contradição. "Eu era chamado de terrorista ontem, mas quando saí da cadeia, muitas pessoas me abraçaram, incluindo meus inimigos (...) hoje sou admirado por essas pessoas que diziam que eu era terrorista".

sábado, 30 de novembro de 2013

Notícia da Semana Atualidades (Acidente no Itaquerão)

A dividida da FIFA

Como o acidente no Itaquerão e a discussão sobre a mudança do horário dos jogos marcados para as 13h podem tirar parte do brilho da festa do sorteio das chaves na Copa

Rodrigo Cardoso
Assista ao vídeo:
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O sorteio das chaves da Copa do Mundo, na sexta-feira 6, na Costa do Sauípe, deve esquentar o clima no País nesta reta final antes do início do torneio. Um acidente ocorrido na quarta-feira 28 na Arena Corinthians fará com que os cartolas da Fifa, durante a estadia na caliente Bahia de todos os santos, deixem o clima de festa de lado para se debruçarem sobre um assunto espinhoso. Na ocasião, a entidade terá de revalidar a abertura do Mundial no Itaquerão, cuja conclusão das obras sofrerá um atraso de cerca de três meses, depois que um guindaste que içava o último módulo da estrutura de cobertura se partiu e derrubou a peça de 420 toneladas sobre a fachada do estádio. Dois funcionários morreram no local.
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ESPANTO
O estrago feito pelo acidente que danificou a fachada
da Arena Corinthians e matou dois operários
Não há como adiar essa decisão, já que, com o sorteio em Sauípe, serão definidas as cidades onde as seleções irão jogar e, claro, as que forem direcionadas para a sede de São Paulo têm de saber em qual campo irão atuar. Seis partidas estão programadas para acontecer na nova casa do Corinthians. A situação da Arena preocupa. Apesar de apenas 5% do estádio ter sido interditado pela Defesa Civil para que seja feita uma perícia, o Ministério Público paulista pode pedir a paralisação total das obras. Não se sabe se o acidente ocorreu por algum problema técnico do guindaste, por falha humana ou porque o solo cedeu enquanto a peça era içada. Presente no estádio no momento do acidente, Andrés Sánchez, ex-presidente do Corinthians, acredita que uma fatalidade explica o ocorrido. Um dia depois da tragédia, os nove guindastes da obra do Itaquerão foram interditados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. “A obra vai atrasar, com certeza. A data Fifa não me interessa, quero saber da segurança da operação”, disse Antônio Pereira do Nascimento, coordenador do Programa de Construção Civil, em São Paulo, do MP.
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PORTA-VOZ
Presente no estádio no momento do acidente, Andrés Sánchez,
ex-presidente do Corinthians, diz que o acidente foi uma fatalidade
Se a perícia, que pode levar 30 dias, for ágil e não complicar a situação do Corinthians comprovando que o acidente não causou danos estruturais ao prédio, tudo leva a crer que a conclusão do estádio, que deveria ocorrer este mês, ficará para fevereiro ou março. Para o arquiteto Eduardo de Castro Mello, responsável pelo projeto do estádio Mané Garrincha, em Brasília, trata-se de uma expectativa muito otimista, considerando-se os problemas de logística que a Odebrecht, a empresa responsável pela construção do Itaquerão, irá enfrentar. “Fabricar outra estrutura como aquela, transportá-la para a obra e trazer outra grua para substituir a que quebrou e era a única no Brasil não é tão simples. E, em fim de ano, complica mais ainda”, afirma ele. “A gente torce para que seja feito um milagre e tudo se resolva.”
Acidentes seguidos de mortes também foram registrados em duas outras arenas da Copa, em Brasília e Manaus, onde uma pessoa morreu em cada uma delas. A proximidade do início do Mundial e a falta de um plano B da Fifa para São Paulo deverão forçar a entidade a mudar o cronograma e esperar a conclusão do Itaquerão. Pesa ainda o fato de a entidade ter marcado para São Paulo, em junho de 2014, o seu congresso anual. A rede hoteleira da capital paulista é considerada pelos cartolas a única capaz de receber os representantes de 209 associações que aqui estarão para o evento.
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PREOCUPAÇÃO
O homem forte da Fifa, Joseph Blatter, não terá vida tranquila, no Brasil,
durante a semana do sorteio dos grupos da Copa: assuntos espinhosos em pauta
Outro tema que a Fifa irá tratar a portas fechadas na Bahia, longe do clima de festa, será a pressão para mudar o horário de 24 dos 64 jogos marcados para as 13h. “Simulamos recentemente quatro partidas começando às 13h em quatro cidades e instalamos chips que mediram por telemetria a temperatura do corpo nos 11 jogadores de um dos times”, conta Rinaldo Martorelli, presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol. “Provamos cientificamente que há riscos para a saúde dos atletas e fui até a Fifa entregar o documento de 25 páginas.” Já na Copa das Confederações, realizada em meados de junho, jogadores das Seleções da Espanha e da Itália reclamaram publicamente do calor durante as partidas.
O Comitê Organizador Local (COL) confirmou que os cartolas vão se reunir, antes do sorteio, para decidir sobre esse tema também. “A saúde dos atletas tem de estar em primeiro lugar. Mas marcam-se jogos às 13h por causa da tevê, que é quem mais injeta dinheiro na Copa”, diz Carlos Alberto Parreira, coordenador-técnico da Seleção, favorável à disputa de partidas a partir das 16h. Esse é outro embate que promete. “A cada 1% de peso perdido por causa da desidratação o rendimento do atleta cai 5%”, explica o fisiologista Turíbio Leite Barros Neto, do instituto Vita. Apesar do sorteio dos grupos, como se vê, o clima ainda não está para festa.
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Fotos: EDUARDO VIANA/AFP PHOTO/LANCEPRESS; EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO; Enrique De La Osa/REUTERS 

sábado, 23 de novembro de 2013

Notícia da Semana Atualidades ( As Prisões do Mensalão)

A vida no cárcere

Como a chegada dos prisioneiros ilustres à Penitenciária da Papuda muda a rotina dentro e fora da maior cadeia do Distrito Federal

Izabelle Torres e Josie Jeronimo
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Foram poucas as vezes que personagens ilustres da política e da economia brasileiras cruzaram os muros das penitenciárias do País como presidiários comuns. No sábado 16, Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu, figuras fundamentais na longa jornada que levou o Partido dos Trabalhadores do ABC paulista ao Palácio do Planalto, se transformaram na exceção da regra. Junto com a banqueira Kátia Rabello e outros políticos e empresários condenados no julgamento do mensalão, o grupo teve o destino que até hoje o País parecia reservar apenas a negros e pobres. Detidos desde o dia anterior, quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, decretou a prisão de parte dos condenados do mensalão, naquele sábado os três dos mais poderosos homens do partido que está no poder no Brasil há mais de uma década deixaram, ao menos oficialmente, de se chamar Delúbio, Genoino e Zé. Dentro da Penitenciária da Papuda, passaram a ser identificados apenas pelos números que todos os condenados do sistema prisional brasileiro recebem ao começar a cumprir suas penas.
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PRESOS
Condenados têm dificuldade para se adaptar às
restrições impostas pela nova vida na cadeia
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A situação, por quase inédita, se tornou inusitada. Dentro e fora da Papuda ninguém sabia, ao certo, como proceder com presos tão ilustres. Os agentes penitenciários se esforçaram ao máximo para tentar tratar Delúbio, Genoino e José Dirceu como mais três presidiários comuns. Ofereceram colchões velhos, finos e não exatamente cheirosos para cobrir as camas de concreto, forneceram a mesma refeição que todos os outros detentos recebem e, até, trataram os condenados famosos com a típica frieza que marca a relação de captores e capturados. Mas, apesar disso tudo, não colocaram em prática a regra que determina que todos os presidiários tenham seus cabelos cortados com máquina dois e a barba sempre aparada. Com uma semana de cadeia, José Dirceu manteve as suas já famosas madeixas grisalhas intactas e o cavanhaque de Genoino não perdeu sequer um fio. Há relatos de que até o controvertido bigode de Delúbio Soares se manteve intacto.
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A ex-dona do Banco Rural Kátia Rabello e a ex-secretária de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, só chegaram ao complexo da Papuda na terça-feira 19. As duas, ao contrário dos condenados masculinos, estão presas nas dependências do 19o Batalhão da Polícia Militar, dentro da própria penitenciária. As duas têm tomado banhos de sol no pátio do batalhão, sempre acompanhadas por agentes prisionais.
Desde o dia 15, quando se entregaram à Polícia Federal, os condenados do mensalão têm tido dificuldade para se adequar à nova rotina de presidiários. O primeiro choque de realidade veio quando entraram na sala de custódia da ala federal da Papuda. Todos eles levavam pequenos volumes com objetos pessoais, como barbeadores elétricos, aparelhos eletrônicos para música, nécessaire com produtos de higiene pessoal. Tudo foi confiscado pelos agentes. Os condenados passaram quatro horas em pé na sala de custódia, enquanto suas coisas eram catalogadas e guardadas, e as celas eram higienizadas para recebê-los.
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Com as pernas doendo pela longa espera, os novos detentos estavam ansiosos pela chegada às celas. Inicialmente ficaram nas individuais na ala federal, que têm seis metros quadrados cada uma. À noite, se depararam com o cubículo com o chão devidamente varrido, mas as espumas que cobriam a cama de alvenaria tinham aparência e cheiro de suor. Alguns deles tiveram a impressão de que os colchonetes haviam servido a outros detentos na noite anterior. Ainda agitados, os mensaleiros sofreram para encarar a escuridão e o desconforto. Os comprimidos contra insônia levados por Delúbio foram barrados. Dirceu reclamou de dificuldade para dormir tão cedo, uma vez que o toque de recolher e o apagar das luzes no presídio acontece às 20h. Os oito livros que levara para os momentos de insônia não tiveram serventia.
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CHEGADA
Já no primeiro dia como prisioneiros,
condenados tiveram bens pessoais apreendidos
Na segunda-feira 18, o juiz de execuções penais, Ademar Vasconcelos, autorizou a ida dos presos em regime semiaberto para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR). Dirceu, Genoino e Delúbio ganharam o direito de circular nos corredores do setor. No lugar da cela individual, foram para uma coletiva, uma espécie de galpão com pouco mais que 25 metros quadrados, equipado com três beliches. Além dos mensaleiros, outros dois presos em regime semiaberto ocupam a cela coletiva. A maior frustração dos mensaleiros que chegaram ao CIR foi a falta de acesso à internet nos computadores da biblioteca da Papuda. Os advogados solicitaram ao juiz de execução pelo menos 15 minutos diários de acesso à rede. O pedido ainda não foi atendido. É na biblioteca que os livros de Dirceu ficam confiscados.
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Na Papuda, os presos do semiaberto acordam às 6h da manhã. O silêncio das celas é quebrado por detentos que passam arrastando carrinhos de metal com canecas de plástico e sacos com pães feitos na padaria da Papuda. É o café da manhã dos nove mil presos, inclusive dos condenados do mensalão. Cada preso ganha apenas um pão besuntado de margarina de latão, quantidades industriais compradas em licitação. Não tem segunda dose. O pão seco e dormido – armazenado em estoque – é acompanhado por uma caneca de leite com achocolatado, geralmente servido quente. A má qualidade e a quentura do líquido no calor do Cerrado fez com que a bebida ganhasse o nome de “Chernobyl”. Às 11h30 começa a distribuição das marmitas de alumínio, a chamada “xepa”. No cardápio não há espaço para verduras e legumes. Arroz, feijão, farofa de farinha de mandioca. Só a porção de carne é diferente, variando entre carne assada, cozida ou frango. Os detentos comem com colher de plástico.
Na ala do semiaberto, as visitas não são obrigadas a passar pelo mesmo sistema rígido de triagem feito nos outros setores. A partir da apresentação de documentos na primeira cancela da Papuda, o visitante demora cerca de 20 minutos para falar com os presos. Mesmo assim, José Dirceu pediu que a filha de três anos não fosse ao presídio. Não quer que ela se submeta ao ambiente. Delúbio também implorou à família que não levem o pai, Antonio Soares. Seu Catonho, como é conhecido, tem 83 anos e o ex-tesoureiro do PT teme que sua saúde seja abalada ao ver o filho preso.
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No Congresso, distante pouco mais de 100 quilômetros do maior complexo prisional do Distrito Federal, não havia outro assunto a dominar as rodas de parlamentares no cafezinho da Câmara ou do Senado. Ao longo da semana ao menos três comboios de parlamentares cruzaram os portões da Papuda para conversar com os presos. Em geral, foram conversas rápidas, mas as blusas de cor azul-clara, com a palavra “interno” impressa em branco no lado esquerdo do peito, e as calças surradas com as quais os três estavam vestidos foram os detalhes que parecem ter mais impressionado os parlamentares. Mais de um deputado fez questão de descrever as franciscanas vestimentas dos ex-colegas.
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ALÍVIO
Carcereiros não rasparam as madeixas grisalhas de Dirceu
nem o emblemático cavanhaque de José Genoino
Nas conversas, os três mais ouviram do que falaram. Um dos momentos de maior euforia ocorreu na segunda-feira 18, quando o grupo de deputados que visitava os encarcerados contou que havia manifestações de apoio na rua. Eles ficaram sabendo também, que no último dia 15, enquanto se entregavam à Polícia Federal país afora, o Movimento dos Sem-Terra (MST), historicamente ligado ao PT, ocupava fazendas na região de São Paulo. Seu líder, José Rainha Junior, não fez cerimônia ao anunciar a insatisfação do movimento com as prisões e garantir que mais manifestações estão sendo articuladas. Em resposta ao apoio recebido, Dirceu, Genoino e Delúbio divulgaram na terça-feira 19 uma carta manuscrita agradecendo e afirmando que não aceitariam humilhação.
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Assim como os outros moradores da Papuda, Dirceu, Delúbio e os outros condenados custarão R$ 1.500 mensais aos cofres públicos, com direito a três refeições diárias. Muitos reclamam que a comida não é suficiente. No presídio há uma lanchonete. No local é possível comprar sanduíche de presunto a R$ 4, e refrigerante, por R$ 5. Além do “lanche”, há produtos como papel higiênico, creme dental e sabonete. É frequente a falta de produtos de higiene pessoal. O jantar é servido até às 18h. Quando terminam a ceia, os presos gritam palavras de ordem, ensaiam uivos e acabam com o silêncio da unidade prisional. O protesto é chamado de “o lamento das 18h”. Uma ladainha com a qual os condenados do mensalão terão que se acostumar.
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VISITA
Ao menos três comboios com parlamentares cruzaram os mais de 100 km
que separam o Congresso Nacional da Penitenciária da Papuda para ver
de perto como estão vivendo os ex-colegas de plenário na cadeia
Fotos: Ezequiel Neves / Ag. O Globo; Marcelo Ferreira/CB/D.A Press; Sérgio Lima/Folhapress; Adriano Machado

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