domingo, 28 de dezembro de 2014

Capítulos da História de Itajaí ou "o que a memória não guardou"




Olhar a cidade pela janela de minha casa suscita imaginar as escrituras do espaço urbano, as dimensões físicas e mesmo imagináveis da cidade, como nos foi apresentado por Ítalo Calvino. Dentro de sua concretude o urbano desenha campos de memórias submersas, aguardando um toque de curiosidade, provocar um atrito, uma certa ressonância nas teias da memória para que o anjo de Paul Klee, se faça História e possa olhar outros campos de lutas e representações da história.

Nessas lutas de representações no campo da escrita histórica, nos deparamos com silêncios provenientes da maneira como a cidade e suas vias ganham uma narrativa, procurando dar um sentido a cidade e a sua História. Ao se tornar palco de uma narrativa simbólica através das ruas e monumentos a cidade ganha os contornos de uma luta de representações, onde o indizível, o não dito ecoa num silêncio atordoante, mesmo quando dito.

Itajaí não se exime desse processo de nomeações e representações do espaço urbano. Suas ruas renomeadas após a implementação da República no final do século XIX, ruas como Conde D’Eu, (rebatizada como Lauro Müller), Pedro II, transformada em XV de novembro, rua Vitória (nome dado devido a Guerra do Paraguai), tornou-se rua Felipe Schimidt.

Uma narrativa republicana, instituiu uma nomeação para a cidade, produzindo um discurso em concordância com os preceitos políticos e de poder instituídos a partir daquele momento. Essa narrativa constituiu uma narrativa do silêncio, falas passaram a serem ditas apenas numa superfície fina e escorregadia afim de não pronunciar outras falas.
Procurando riscar o verniz dessa fina superfície, eis um elemento interessante da História de Itajaí, a rua Pedro Ferreira, no período imperial chegou a se chamar rua do comércio, Itajaí nasce entre as ruas Pedro Ferreira, Lauro Müller e Hercílio Luz formando um T. A partir dessas ruas, o comércio ligado a atividade portuária se fez principalmente a partir da segunda metade do século XIX.

Voltamos então a rua Pedro Ferreira, qual motivo levou a rua do comércio ser rebatizada com o nome de Pedro Ferreira? O que ele representou para cidade? a chegada do Dr. Pedro Ferreira e Silva, nascido em 1861 na Vila de Sant’Anna do Catú, na Bahia, que estudou medicina na faculdade da Bahia, graduando-se em 1885 e transferindo-se para Itajaí em 1886.




Diploma de Pedro Ferreira e Silva. Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí.
 


 A chegada desse jovem médico a Itajaí provocou um deslocamento na maneira de olhar a cidade, pois era proveniente de uma escola de medicina com prestígio reconhecido em todo o país e com forte influência nas discussões acerca da saúde pública entre a década de 80 e 90 do século XIX. Da faculdade baiana saíram intelectuais como Nina Rodrigues e Afrânio Peixoto, que vão incorporar as discussões da medicina legal com uma tônica para a eugenia.



A presença do Dr. Pedro Ferreira constitui-se em um diálogo com as discussões intelectuais de outras regiões, que não só do Rio de Janeiro, cidade irradiadora das discussões acerca da modernidade.
Aqui se percebe desencadear práticas discursivas imbricadas aos investimentos destinados à constituição de novos espaços de sociabilidade, a novos códigos de conduta e comportamento no espaço urbano. Provavelmente Pedro Ferreira e Lauro Müller mantinham contato. Pedro Ferreira ocupou a Presidência da Câmara de Vereadores enquanto Lauro Müller era Senador da República; em 1904, Pedro Ferreira é Superintendente Municipal e Lauro era responsável pela reforma do porto do Rio.
 
Observamos aqui o estatuto de homem de ciência implícito em Pedro Ferreira e Silva, tornando-o figura pública na cidade, constituindo-se em Itajaí um contato importante do PRC (partido republicano catarinense) com Felipe Schmidt (Primo de Lauro Müller) e Lauro Müller, que nas primeiras décadas do século XX, teve importante participação política na implantação da República. Pedro Ferreira e Silva foi sócio fundador do IHGB/SC em 1896, foi deputado estadual e Superintendente de Itajaí.

A emergência intelectual de Pedro Ferreira e Silva, tornou invisível o fato de se tratar de um intelectual formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, responsável juntamente com a Faculdade de direito do Recife (Pernambuco), pela formação de vários intelectuais, formadores de uma “intelligentsia” brasileira, espalhando-se por várias regiões do Brasil. Colocando a região Nordeste como grande centro produtor intelectual e cultural entre a segunda metade do século XIX e durante grande parte do século XX.
Outro elemento silenciado, Pedro Ferreira e Silva era afrodescendente, o que na história local passou a “vistas grossas”. A foto de Pedro Ferreira mais exposta é de aproximadamente de 1910, um ano antes de sua partida terrena, fica perceptível o processo de branqueamento realizado na fotografia, para deixa-lo mais próximo do que se desejava na época em termos de “estética intelectual” para a elite branca.

 


Pedro Ferreira e Silva em 1888 e 1910.



Pedro Ferreira, foi mais um dos intelectuais a ser negligenciado, ou, “branqueado” para responder a uma narrativa histórica desejada, dar sentido a uma narrativa uniforme, sem divergências ou diferenças. No entanto, nos descaminhos da História, memórias e dizeres são pronunciados, cabe ao historiador buscar “o que a memória não guardou”.


 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

100 Anos de um inusitado evento.

Hoje 25 de dezembro é lembrado um inusitado evento ocorrido a 100 anos, durante o primeiro ano da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Tropas entrincheiradas do Império alemão e britânica cessaram o combate e confraternizaram o natal promovendo uma ceia. O fato também contou com uma partida de futebol entre ambas as frentes.
 

Uma guerra impactante, produtora de profundas marcas na Europa, alterando os rumos do século XX, tornou-se cenário de momentos de esperança e possibilidade de vislumbrar alguma fraternidade, dividindo experiências, lembranças, saudades e esperanças.
Segue o trailer do filme de 2012.




domingo, 3 de agosto de 2014

Notícia da Semana Atualidades (ONU)

Por que ninguém ouve a ONU?

Como o mais importante organismo mundial da diplomacia perdeu relevância e se tornou impotente diante dos crescentes conflitos em Gaza, na Ucrânia e na Síria

Mariana Queiroz Barboza (mariana.barboza@istoe.com.br)

Criada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, sob o pilar de que a paz deve ser estabelecida por meios pacíficos, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem se mostrado cada vez mais impotente diante do acirramento de conflitos que se espalham pelo mundo. A violência entre Israel e o Hamas, que contabiliza mais 1,4 mil vítimas – a maioria civis –, é um exemplo de sua ineficácia. Apesar de o Conselho de Segurança ter exigido um cessar-fogo imediato após uma reunião de emergência na segunda-feira 28, isso não impediu que os bombardeios continuassem dos dois lados. Na quinta-feria 31, uma trégua foi acordada entre as partes, mas ela seria descumprida horas depois. No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descartou o fim da operação militar em Gaza até que seu Exército completasse a missão de destruir os túneis construídos pela força terrorista Hamas com o objetivo de atacar Israel. Detalhe: a negociação mais promissora de uma trégua definitiva tem sido conduzida pelo Egito.
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SEM TRÉGUA
Prédio da ONU em Nova York e explosão em Gaza: a rotina da entidade
inclui reuniões de emergência, declarações contra a violência
e pedidos de cessar-fogo, mas poucos dão ouvido
Como uma organização dirigida por consensos, a ONU expõe a falência da cooperação supranacional, mesmo nas situações mais graves, quando há aliados em jogo. “O Conselho de Segurança é um órgão politizado, em que qualquer resolução passa por interesses nacionais”, afirma Mark Lagon, diretor de estudos políticos globais e segurança da Universidade de Georgetown. “O problema é que os membros permanentes têm seus protegidos e congelam o Conselho”, diz Ruth Wedgwood, professora de Direito Internacional e Diplomacia na Universidade Johns Hopkins. “Se não concordam entre si, não há muito o que possa ser feito.” Em termos práticos, os Estados Unidos impedem qualquer ação mais enérgica contra Israel, enquanto a Rússia faz o mesmo em relação à Síria e a outros aliados. Desde o fim da Guerra Fria, segundo levantamento do jornal americano “The New York Times”, os Estados Unidos utilizaram seu poder de veto 14 vezes e a Rússia, 11.
Na falta de um consenso no Conselho de Segurança – além de EUA e Rússia, França, Reino Unido e China têm poder de veto –, iniciativas independentes têm ganhado importância. Diante da incapacidade da ONU de chegar a um entendimento sobre punir a Rússia pela anexação da Crimeia e por apoiar rebeldes separatistas no leste da Ucrânia, os EUA e os países da União Europeia optaram por sanções econômicas e diplomáticas fora do âmbito da entidade. Na semana passada, uma nova rodada foi imposta. Em resposta, a Rússia disse que a energia que fornece ao mercado europeu ficaria mais cara. Para Jan Oberg, diretor da Transnational Foundation for Peace and Future Research, isso mostra que são os próprios Estados-membros que têm “marginalizado” as Nações Unidas. O especialista, que já participou de mais de 20 missões internacionais da ONU, compara o orçamento anual do órgão, ao redor de US$ 3 bilhões, com os gastos militares globais no mesmo período. “Os Estados-membros gastam US$ 1,7 trilhão se preparando para a guerra, porque pensam que segurança é Exército, mas estão dispostos a investir menos de 0,2% disso na paz”, diz.
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O esvaziamento da ONU cresce na medida em que muitas nações decidem se engajar militarmente mesmo sem o aval da entidade. Foi assim que, em agosto do ano passado, os americanos e britânicos cogitaram uma intervenção militar na Síria. Eles acusavam o presidente Bashar al-Assad por um ataque com armas químicas em Damasco. Embora a guerra civil, que já dura três anos, esteja longe de um desfecho, a ação só foi descartada depois que o presidente russo, Vladimir Putin, mediou um acordo para a entrega do arsenal químico em poder de Assad. Em 2003, os Estados Unidos e o Reino Unido também não convenceram Alemanha, França e Rússia sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Ainda assim, eles invadiram o país. O mesmo aconteceu na guerra do Kosovo, em 1999, quando a Otan ignorou a decisão do Conselho de Segurança da ONU de não intervir no conflito. O veto coube à Rússia, que apoiava a Iugoslávia, depois desmembrada em várias nações independentes.
O grande avanço da ONU ressaltado pelos especialistas está na assistência humanitária. Com soldados levemente armados, as missões de paz coordenadas pela entidade não lutam para derrotar nenhum Exército, mas para evitar novvas tensões e proteger os civis em terra. Um exemplo é a missão enviada ao Chipre, que tem sido hábil em controlar as hostilidades entre cipriotas gregos e turcos desde os anos 60. Para Mark Lagon, mais dinheiro deveria ser destinado aos programas de refugiados e de combate à fome, que são capazes de salvar milhares de vidas todos os anos. Na semana passada, o braço das Nações Unidas que cuida dos refugiados palestinos, a UNRWA, pediu US$ 187 milhões extras. Seu porta-voz, Chris Gunness, chegou a chorar numa entrevista à tevê árabe Al-Jazeera após o ataque a uma escola em Gaza. Diante da impotência da ONU para suscitar ações concretas, Gunness não poderia produzir uma metáfora melhor.
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Montagem sobre fotos: TIMOTHY A. CLARY, ASHRAF AMRA – AFP PHOTO 
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/375687_POR+QUE+NINGUEM+OUVE+A+ONU+?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sábado, 31 de maio de 2014

Documentário O Complexo de Vira-Lata


Notícia da Semana Atualidades (Copa do Mundo)

# Vai ter uma grande copa...apesar de todos os problemas

Mesmo com as obras inacabadas, dinheiro público jogado fora e a violência dos protestos, os brasileiros estão prestes a desfrutar de um período histórico: o melhor campeonato de futebol em décadas

Amauri Segalla

Na semana passada, quem esteve na Granja Comary, em Teresópolis, local de treinos da Seleção Brasileira de Futebol, observou um espetáculo que se repete quase todos os dias. Nas primeiras horas da manhã, uma densa neblina cinzenta encobre o lugar, mas pouco depois ela é substituída por um sol luminoso. Não poderia haver imagem mais precisa para descrever as contradições da Copa do Mundo no Brasil. A Copa da incompetência, das obras prometidas e não entregues, dos protestos violentos e do oportunismo das greves está envolta por uma espessa camada de sombras, como se nuvens escuras anunciassem uma tempestade que se aproxima. Mas há uma outra Copa também, tão radiante quanto os dias ensolarados de Teresópolis, e que poderá ser conhecida e reverenciada nos pés hábeis de craques como Neymar e dos jogadores brasileiros concentrados na Granja Comary. Sim, vai ter Copa, mas não uma só. Uma escancara, para o mundo inteiro ver, as profundas mazelas nacionais. A outra será um torneio extraordinário de futebol, provavelmente o melhor em décadas, marcado por talentos excepcionais, rivalidades à flor da pele, embates para entrar na história.
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ÍDOLO
Neymar na saída de um amistoso do Brasil:
o que ele tem a ver com o dinheiro público desperdiçado?
As duas faces da Copa são expostas todos os dias – e certamente cada vez mais, até o apito final da competição. Na terça-feira 27, durante um protesto contra o Mundial, um índio disparou uma flecha em direção a um grupo de policiais que acompanhava o ato em Brasília. O artefato atingiu a perna de um soldado, ferindo-o. Na mesma terça, o lateral-esquerdo Marcelo, o último jogador que faltava para completar o grupo dos 23 convocados, se apresentou na Granja Comary. A flechada e o sorriso farto de Marcelo ao se encontrar com o técnico Luiz Felipe Scolari são exemplos acabados do que está por vir. De um lado, confrontos que produzem vítimas. De outro, a festa do futebol.
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PROTESTO
Índio dispara flecha contra policiais diante do Estádio Mané Garrincha,
em Brasília. Abaixo, o soldado atingido
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Por que, afinal, tantas pessoas amam odiar a Copa no Brasil? Desde as legítimas manifestações que começaram em junho do ano passado, construiu-se a imagem de que o Mundial é responsável pelas desgraças da nação. Essa percepção está correta? Talvez ela seja resultado de uma mentira contada a partir de 2007, quando o Brasil foi escolhido sede da Copa. Autoridades de governos, integrantes notáveis do Comitê Organizador Local (COL) e a própria imprensa disseram, ou pelo menos insinuaram, que o torneio de futebol seria o antídoto para todos os males nacionais. Teríamos, enfim, aeroportos reluzentes, estradas seguras, metrôs confortáveis, segurança pública eficiente. Quase nada disso virou realidade. Pior ainda: ao desapontamento juntaram-se denúncias de corrupção e muito dinheiro jogado na lata do lixo. O resultado é conhecido. Hoje em dia, um contingente enorme de brasileiros associa imediatamente Copa a roubalheira, futebol a ineficiência, Fifa a abusos. Daí a possibilidade de amplos protestos durante a Copa. Para contê-los, o governo federal aposta na militarização das ruas, com tanques do Exército e policiais da Força Nacional de Segurança.
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FESTA
Ruas decoradas em Natal: por que não admitir que a
Copa é bacana para um País como o Brasil? 
A Copa será realizada num momento em que o Brasil dá motivos para o descontentamento. Basta dar uma olhada em alguns indicadores para conhecer o alto grau de incivilidade a que nos submetemos diariamente. Na semana passada, saíram os resultados do “Mapa da Violência”, estudo anual que detalha as mortes por causas extremas. O Brasil retrocedeu mais de três décadas, atingindo a maior taxa de homicídios de que se tem registro desde 1980. Isso depois de incontáveis anún­cios de políticas de segurança e após vultosos investimentos financeiros. Só os brasileiros sabem como tem sido difícil admirar o País. O transporte público é horrível. A economia não anda. Hospitais matam em vez de salvar. Falta água. Tudo é caro. São flagelos demais para uma nação inteira ignorar. “A população nas ruas é uma indicação de que os canais existentes para exercer a cidadania não são suficientes”, diz Gustavo Azenha, diretor do centro de estudos brasileiros da Columbia University.
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FORÇAS NAS RUAS
Tropa do Exército na base aérea de Salvador (abaixo) e treinamento
de policiais em Brasília: atentos às manifestações
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E o futebol, como fica nessa história? Reconheça-se que fizemos quase tudo errado, mas por que não admitir que é bacana demais uma Copa do Mundo no Brasil? Por que não separar os problemas da nação de algo totalmente diferente – as jogadas geniais, os dribles desconcertantes, os gols sensacionais? O que Neymar tem a ver com o dinheiro público despejado vergonhosamente nos estádios? Ou Messi? Ou Cristiano Ronaldo? Os três são as maiores estrelas do torneio e certamente entrarão para a história como figuras gigantescas do futebol. Por que não desfrutar, neste momento único, do que elas têm para oferecer? Dentro dos gramados, a Copa do Brasil vai reunir, como poucas vezes se viu, uma constelação de craques no auge da forma, seleções que são verdadeiros esquadrões e tudo isso sob os olhos de uma torcida que sabe celebrar como ninguém. “Como o Brasil é o País mais festejado do mundo do futebol, cria-se a expectativa de ser uma Copa inesquecível”, diz Tostão, titular da Seleção tricampeã em 1970 e hoje um analista reconhecidamente independente. 
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Mesmo fora do universo do futebol, a Copa não deixará apenas legados nefastos. Há algo de positivo também. No turismo, espera-se a chegada de 600 mil visitantes, mas esse não é o único ponto favorável. “Com a Copa, o Brasil vai economizar na propaganda dos destinos, o que normalmente tem um custo enorme”, diz Elzário Pereira da Silva Júnior, presidente da Associação Brasileira de Profissionais do Turismo. “O Mundial será benéfico para o turismo do País inclusive depois de acabar.” Em termos de infraestrutura, a Copa acelerou obras importantes. É um absurdo as reformas dos aeroportos não terem terminado a tempo, mas elas pelo menos estão em andamento. Sem a Copa, as autoridades teriam disposição política para começá-las? Muitas obras de mobilidade urbana também saíram do papel graças ao torneio de futebol. No Rio, o corredor expresso Transcarioca, que liga a Barra ao Aeroporto do Galeão, terá 20 de suas 45 estações funcionando durante os jogos, e as demais devem ficar prontas até o final do ano. Em Itaquera, onde se dará a partida inaugural, as obras viárias do entorno do estádio devem melhor a vida dos moradores do bairro periférico de São Paulo. A Copa trará nuvens pesadas para os céus brasileiros, mas o sol brilhará também.
Com reportagem de Camila Brandalise
Fotos: Sérgio Lima/Folhapress, Bruno Kelly/Reuters; Luciano da Matta/A Tarde/Ag. O Globo; Andre Borges/ComCopa 
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/365953_VAI+TER+UMA+GRANDE+COPA+APESAR+DE+TODOS+OS+PROBLEMAS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Notíca da Semana Atualidades (Missão da ONU no Congo)

Um brasileiro no coração das trevas

A dura missão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da mais importante operação da ONU no mundo. Ele tem a tarefa de dar fim ao maior conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial, com quase seis milhões de mortos

Por Yan Boechat (yan@istoe.com.br) (textos e fotos), enviado especial ao Congo

As primeiras horas da manhã da quinta-feira 17 de abril estavam especialmente quentes na densa floresta que serve de fronteira natural entre a República Democrática do Congo e Uganda. Antes de se embrenhar pela vereda de terra entre as árvores, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz retirou o colete à prova de balas e o capacete. ?Se algo acontecer, é preciso ser ágil?, explicou. ?O caminho é perigoso, as emboscadas são comuns.? O general tinha usado esse equipamento de mais de 15 quilos, capaz de segurar balas de fuzil AK-47, durante todo o trajeto de 40 quilômetros entre o batalhão da ONU na cidade de Beni e a trilha que o levaria a uma base rebelde conquistada pelo Exército congolês uma semana antes.
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Santos Cruz vestia a farda camuflada das Forças Armadas brasileiras. No ombro esquerdo, a bandeira do Brasil. No direito, a palavra ?comandos?, que em todo o mundo militar carrega o mesmo significado: ali está um soldado das tropas de elite, um cara durão, preparado para sobreviver na adversidade. Três pequenas estrelas costuradas nas pontas do colarinho o distinguem como um general de divisão. Além do FAL, o fuzil usado pelo Exército brasileiro há quase três décadas, Santos Cruz levava uma pistola Glock 9mm no coldre colado à coxa direita.
À medida que avançava, o acesso no terreno úmido da floresta tropical a poucos quilômetros ao sul da linha do Equador ia se estreitando. O sol logo desapareceu sob a copa das árvores. Santos Cruz teve a sensação de que estava na Amazônia. ?É igual ao Brasil, não muda nada?, disse. Na longa marcha até a principal base conquistada do grupo inimigo, a paisagem dava ideia de como havia sido o combate: troncos perfurados por tiros, árvores derrubadas pelo impacto das RPGs, o chão coberto por um tapete metálico de cápsulas deflagradas. Cartazes escritos à mão indicavam a localização de minas e explosivos. Um pouco mais adiante, covas rasas ao lado da trilha ainda exalavam o cheiro forte dos corpos recém-enterrados pelos vencedores. ?Muitos foram queimados, outros enterramos aqui mesmo, é menos trabalho?, explicou um soldado congolês ao lado do amontoado de terra fofa onde as moscas tentavam encontrar caminho para chegar aos restos putrefatos dos inimigos.
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Foram três horas de uma caminhada tensa. Com os rebeldes ainda a poucos quilômetros dali, o risco de uma emboscada não recomendava pausas para descanso. A tropa só parou ao chegar a Medina, um vilarejo improvisado no meio da floresta que o grupo radical islâmico ADF usava como uma de suas maiores bases no Congo. Logo começaram a surgir da floresta centenas de soldados. Sujos e cansados, carregando colares de munição e armamento pesado, eles saudavam Santos Cruz. Pela primeira vez, viam naquele front de batalha um militar tão graduado da ONU. O general brasileiro apertou a mão dos oficiais que combateram os rebeldes islâmicos. Aos soldados, distribuiu cigarros congoleses baratos, comprados a US$ 1 o maço.
?Force Commander?
No Congo, a patente de Santos Cruz importa menos que seu cargo na hierarquia militar da ONU. Ele é o comandante-geral da Monusco, a maior e mais importante missão das Nações Unidas no mundo, com um contingente de mais de 22 mil homens de 20 diferentes países e orçamento anual de quase US$ 1,5 bilhão. É uma missão histórica, em que o conceito de manutenção da paz foi alterado para imposição da paz. Não se trata apenas de semântica. Os capacetes azuis, pela primeira vez desde 1948, têm autorização para caçar, prender e matar aqueles que o Conselho de Segurança considerar inimigos. Na prática, isso significa que os soldados das Nações Unidas podem dar o primeiro tiro, tornando-se, assim, uma força de agressão ? a primeira desde a criação da organização.
O militar brasileiro foi indicado e responde ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e ao Conselho de Segurança. No Congo, ele divide o comando da missão com um representante civil, o alemão Martin Kobler. São os dois que têm, ao menos oficialmente, a última palavra em qualquer decisão, militar e civil. A guerra no Congo dura quase 20 anos e já deixou cerca de 5,5 milhões de pessoas mortas. Nenhum outro conflito armado matou tantos seres humanos desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de ser o primeiro brasileiro a comandar forças militares de agressão desde a campanha da FEB na Itália, um ano e pouco atrás, em Brasília, onde mora, Santos Cruz estava mais preocupado com caminhões-pipa no Nordeste brasileiro do que com guerrilheiros africanos. O general foi compulsoriamente para a reserva em 2012, ao ser preterido para ascender à patente de general de exército. Com a carreira militar encerrada, trabalhava na divisão militar da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, em Brasília, cuidando de assuntos como a participação do Exército na distribuição de água potável em regiões afetadas pela seca. ?Eu havia abandonado a farda, estava lá, engravatado, num gabinete da Esplanada, quando recebi, em março de 2013, uma ligação de Nova York?, contou ele à ISTOÉ no mês passado, enquanto comia com as mãos uma coxa de galinha frita na cantina do quartel-general da ONU em Goma, a capital da província do Kivu do Norte, onde estão concentrados 95% dos capacetes azuis no país. ?Foi uma surpresa , mas não demorei três segundos para aceitar aquele convite inesperado.?
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ATIVO
Santos Cruz viaja pelo menos três vezes por semana a regiões
isoladas do leste do Congo; em casa, gosta de assistir
aos telejornais da rede de tevê Al Jazeera
Santos Cruz é um homem que ri pouco. Natural da cidade de Rio Grande, no litoral gaúcho, o general aparenta ter bem menos que os 62 anos que vai completar no dia 1º de junho. Mantém seus 74 quilos com uma rotina de atleta. Corre dez quilômetros, dia sim, dia não, e segue um programa rígido de exercícios físicos. O sotaque forte dos gaúchos se foi faz tempo, assim como o hábito de tomar chimarrão. O militar deixou o Rio Grande do Sul aos 15 anos, quando foi aceito na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, em 1968. ?O que ficou foi a paixão pelo Internacional de Porto Alegre?, diz ele. Toda vez que seu time vence o Grêmio, Santos Cruz liga para um irmão torcedor do rival.
Em Goma, o general brasileiro vive em uma confortável casa de dois quartos, próxima do quartel-general da ONU, que divide com um alto funcionário civil das Nações Unidas. Dois brasileiros fazem a escolta pessoal do general e um grupo de seis soldados das forças especiais uruguaias, equipados com fuzis FAL e uma caminhonete com uma metralhadora Mag instalada na carroceria, completam o time da segurança. Se ele está em casa, os uruguaios fazem patrulha em frente ao seu portão. Se ele se desloca, lá estão os mesmos soldados cercando seu veículo. O general não dá um passo sem que ao menos oito homens estejam acompanhando seus movimentos.

Carlos Alberto dos Santos Cruz, casado, três filhos e avô de um menino, fez uma carreira típica no Exército brasileiro. Poucos anos depois de graduar-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1974, seguiu para o que parece ser a obsessão dos militares nacionais: a Amazônia. Lá se tornou um especialista em guerra na selva. Nas duas décadas seguintes, sempre esteve, de uma forma ou de outra, próximo da floresta. Comandou pelotões de fronteira na região Norte e um batalhão de infantaria em Mato Grosso. Não à toa, dos seis brasileiros que lhe prestam assistência direta no Congo, quatro são especialistas em guerra na selva ou têm experiência na Amazônia.
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Agressividade
A grande virada na carreira do general veio em 2006, quando foi apontado como o chefe militar da missão da ONU no Haiti. Foi por conta de sua ação enérgica na tomada da favela Cité Soleil, um enclave de criminosos em Porto Príncipe, a capital do país, que o general brasileiro chamou a atenção dos burocratas das Nações Unidas. Quase 40 dias de batalha ? com baixas civis duramente criticadas por organizações humanitárias ? garantiram a tomada do local pelas tropas da Minustah, majoritariamente brasileiras. Ao final do período em que liderou a missão, a ONU pediu ao Brasil que mantivesse Santos Cruz no comando da operação por pelo menos mais um ano. O Exército, no entanto, recusou o pedido e o general gaúcho retornou ao País. ?A atitude agressiva e a determinação em agir e correr riscos foram determinantes para que seu nome fosse lembrado em Nova York. Ele está aqui no Congo por causa do Haiti e não pela influência política do Brasil no Conselho de Segurança?, diz um experiente analista de inteligência das Nações Unidas.
No amplo complexo militar e civil que a ONU montou em Goma para ser o quartel-general de sua missão no Congo, Santos Cruz é um dos poucos oficiais a andar armado o tempo todo. A pistola 9mm sempre está ao alcance da mão e, por onde se desloca, carrega o fuzil FAL de fabricação argentina que pegou emprestado do batalhão uruguaio instalado na cidade. Mesmo em seu escritório ? uma sala simples, de cerca de seis metros quadrados, instalada em um contêiner ?, invariavelmente o fuzil está encostado na parede, ao lado de sua cadeira. ?Ele gosta de manter essa imagem, mostrando aos soldados que, mais que um general, é um soldado como todos eles?, diz o major Pethias Mdoka, do Exército Malaui, que atuou diretamente com o brasileiro no último ano.
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Santos Cruz chegou ao Congo em julho de 2013, num momento de fragilidade da missão. Após quase 15 anos atuando no país, a ONU tinha sofrido sua maior derrota e humilhação havia poucos meses. Em novembro de 2012 um grupo rebelde supostamente financiado por Uganda, o M23, derrotou o Exército congolês, invadiu Goma e forçou os capacetes azuis a se refugiarem nos quartéis, deixando a população civil à mercê dos invasores. Foi a partir dessa derrota que as Nações Unidas decidiram criar uma força especial de ataque, a Force Intervention Brigade (FIB), e dar carta branca para o ataque. Santos Cruz recebeu a missão de expulsar o M23 de Goma, retomar a cidade e reconquistar a confiança da população e da comunidade internacional na ONU.
A grande batalha
Na longa planície que liga Goma ao vilarejo de Kibati, o primeiro foguete disparado por um lançador Katiuscha de fabricação russa caiu cerca de 400 metros abaixo da trincheira escavada no topo do pequeno morro em que Santos Cruz observava a movimentação das tropas. O segundo, 400 metros atrás. ?Foi uma ação típica de ajuste de tiro da artilharia. Eles sabiam que estávamos lá e tentavam nos acertar?, contou o general. A terceira explosão aconteceu a menos de 30 metros. Deitados na trincheira, os militares puderam ouvir os estilhaços voando sobre suas cabeças. Em seguida, o M23 passou a atingir a periferia de Goma, logo atrás da elevação onde estava Santos Cruz. ?Foi naquele momento que decidi atacar e ordenei que nossos helicópteros e nossa artilharia abrissem fogo contra eles.?
Naquela tarde do dia 21 de agosto de 2013, pela primeira vez na história, a ONU abandonou sua política de isenção e neutralidade e partiu para o ataque, apoiando o Exército congolês tanto com artilharia e fogo aéreo quanto com homens no solo. ?Foi uma batalha intensa, com centenas de mortos e com características muito semelhantes àquelas da Segunda Guerra Mundial?, disse o general. Da trincheira, observando o avanço das tropas e os disparos de artilharia, vieram-lhe à cabeça velhos filmes da Segunda Guerra. ?E de repente eu estava lá, como um dos personagens, participando daquele filme?, contou ele.
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Logo no primeiro dia de combate, com foguetes e morteiros explodindo a poucos metros da base de comando, Santos Cruz começou a forjar a imagem do general que gosta de estar no campo de batalha. ?Ele mostrou que não é um político, que não aceita ficar no escritório e trata os soldados de igual para igual?, disse à ISTOÉ o general tanzaniano James Mwakibolwa, que atuou na defesa de Goma. Ao longo de toda a campanha contra o M23, o general brasileiro esteve no front. Hoje, ao menos três vezes por semana, vai de helicóptero às áreas mais remotas do leste do Congo para ver de perto como estão sendo conduzidas as operações contra as dezenas de grupos armados que permanecem ativos na região. Para muitos na ONU, Santos Cruz se expõe em excesso. ?Esse não é o papel de um general, de um ?force comander?. Ele é um alvo muito valioso e parece fazer isso apenas para criar uma imagem de durão?, critica um oficial indiano. Já Santos Cruz tem uma explicação mais singela. ?Eu poderia dizer que vou ao front por questões estratégicas, para incentivar meus homens ou mesmo para dar a impressão à população local de que a ONU se importa com ela?, disse o general pouco antes de embarcar em um helicóptero Orix a caminho de uma vila atacada em meados de abril por um grupo rebelde. ?Tudo isso é verdade, mas o que me leva mesmo ao front é o fato de que eu gosto muito de estar lá, de estar perto dos soldados. Eles me dão coragem e me rejuvenescem.?
A batalha de Goma durou sete dias e forçou o M23 a recuar. A cidade estava liberada e em dois meses o grupo rebelde financiado por Uganda, um dos mais bem armados da região, foi derrotado. ?Santos Cruz chegou ao Congo com uma atitude absolutamente distinta da de todos os outros comandantes que estiveram por lá na última década, uma atitude muito proativa. É claro que essa não é a solução para todos os problemas, mas, sem dúvida, trouxe mudanças?, diz Jason Stearns, autor do aclamado ?Dancing in the Glory of Monsters: The Collapse of the Congo and the Great War of Africa? (Dançando pelos Monstros: o Colapso do Congo e a Grande Guerra da África), ainda não publicado no Brasil.
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A guerra do Congo é um conflito complexo, com muitos atores e interesses econômicos e geopolíticos variados. Seu início tem raízes no genocídio perpetrado pela etnia hutu contra os tutsis, em Ruanda, há 20 anos. A matança desestabilizou toda a região dos Grandes Lagos Africanos, no centro do continente, e dragou para a guerra seis países ? Ruanda e Uganda, de um lado, e Congo, Tanzânia, Zimbábue e Angola, do outro. O Congo foi o palco de todas as batalhas do que ficou conhecido como a Grande Guerra Africana.
Oficialmente, o conflito terminou com um acordo de paz em 2002. Com o país destruído, com a absoluta ausência do Estado e uma diversidade de riquezas em uma vasta área sem controle e lei, dezenas de grupos armados passaram a dominar regiões inteiras do país. Desde então, o leste do Congo vive uma guerra sem-fim, com milícias lutando entre si, contra o próprio Exército congolês e contra exércitos estrangeiros, como as Forças Armadas de Ruanda, que ainda caçam os hutus responsáveis pelo genocídio de 20 anos atrás. Os civis são as maiores vítimas. Estima-se que até hoje entre 5,5 milhões e seis milhões de pessoas tenham morrido. Outros três milhões vivem em campos de refugiados. Dezenas de milhares de mulheres foram vítimas de estupros coletivos, que se tornaram uma arma de guerra.
Diante de um cenário tão complexo, Santos Cruz sabe que não será por meio de armas, tanques e helicópteros que a situação será resolvida. ?A saída sempre é política e passa pelo fortalecimento do Estado?, disse ele. ?Minha missão aqui é proteger os civis e desarmar os grupos rebeldes, que, na verdade, são apenas criminosos que se aproveitam da ausência do Estado. O problema não é étnico ou ideológico, como pode ter sido no início, há duas décadas. Hoje a razão desse conflito é econômica, porque esse é um dos países mais ricos do mundo.?
O Congo possui vastas reservas minerais. Estima-se que em seu subsolo esteja guardado algo como US$ 24 trilhões em ouro, cobalto, cobre, diamante e coltan, um mineral amplamente utilizado na produção de notebooks e celulares e do qual o país é o dono da maior reserva do mundo. Quase todos os grupos rebeldes que atuam no leste do país exploram essas riquezas e usam nações vizinhas para exportá-las para os Estados Unidos, Europa e Ásia. ?Não resta muito a Santos Cruz além de ser o homem corajoso desse show?, observou Fidel Bafilemba, um dos coordenadores da organização Enought Project, que acompanha de perto a crise congolesa há vários anos. ?Não há muito o que ele possa fazer sem que a comunidade internacional tome a decisão de parar de importar as riquezas minerais do Congo a preços baixíssimos, como ocorre hoje.?
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A posição de Fidel não é muito diferente da de outros integrantes de entidades que atuam no país. A organização Médicos Sem Fronteiras, que mantém no Congo sua maior operação no mundo, também é bastante crítica ao novo papel que a ONU vem tendo no conflito. ?A decisão de abandonar o papel de neutralidade está comprometendo todo o serviço humanitário que tem sido desenvolvido aqui nos últimos anos?, diz Bertrand Perrochet, chefe da missão belga da Médicos Sem Fronteiras no Congo. ?A população não sabe mais se um helicóptero branco da ONU vai distribuir medicamentos ou balas.?
No início da tarde do sábado 19 de abril, o general Santos Cruz embarcou na caminhonete Land Cruiser blindada que tem à sua disposição para saborear um típico churrasco gaúcho no batalhão do Uruguai, o Urubatt. O quartel-general do contingente de mais de 700 soldados uruguaios fica nas proximidades do aeroporto de Goma e é uma espécie de segunda casa para o general e para os seis brasileiros que atuam diretamente como seus motoristas, auxiliares administrativos e seguranças. Nos 15 dias em que a reportagem de ISTOÉ acompanhou a rotina do militar brasileiro, Santos Cruz só foi capaz de soltar uma gargalhada nas duas vezes em que esteve no Urubatt. Ali parece ser o único lugar em que ele consegue relaxar. ?Eu respeito muito as ONGs, mas acho que muito mais poderia ser feito. Milhões e milhões são gastos aqui, mas não há coordenação, não se vê esse dinheiro sendo aplicado diretamente na melhoria do país.? Ele trata as críticas que recebe como meras especulações. ?Ainda não houve um caso concreto de problemas pela cor dos veículos ou helicópteros.?
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Santos Cruz é presença constante nas festas mensais promovidas pelo batalhão do Uruguai e que atraem tanto militares quanto civis a serviço da ONU. Batizadas de Tango Bar, as noitadas são agitadas e a pista de dança, quase sempre animada com música latina, é incrementada pela sirene vermelha de um caminhão estacionado ao lado do bar montado para atender a clientela sedenta por momentos de descontração. Na última festa, organizada no dia 12 de abril, Santos Cruz vestia calça jeans, uma camisa social branca e um colete de lã vermelho. Aproveitou a pista de dança para descontrair.
Nas próximas semanas, Santos Cruz será oficializado pelo Conselho de Segurança da ONU como o escolhido para liderar a missão no Congo por mais um ano. Apesar de não confirmar, ele já foi consultado por Nova York se aceitaria ficar mais 12 meses à frente da Monusco ? e aceitou. ?Quando voltar para o Brasil, vou andar a cavalo?, conta ele, um praticante do Concurso Completo de Equitação, espécie de triatlo hípico responsável por matar quase uma dezena de cavaleiros no mundo todos os anos. ?O concurso completo é o esporte que mais se aproxima de uma batalha militar, você corre riscos o tempo todo e eu preciso disso para viver.?
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 Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/362169_UM+BRASILEIRO+NO+CORACAO+DAS+TREVAS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Marco Civil da Internet)

Internet

O marco civil faz história e manda recado

O Brasil lidera o ataque à hegemonia dos EUA na internet. Por Cynara Menezes
por Cynara Menezes publicado 02/05/2014 10:01, última modificação 02/05/2014 14:34
Nelson Almeida / AFP
Ao lado da presidenta Dilma Rousseff na abertura do evento NetMundial em São Paulo, Tim Berners-Lee, considerado o “pai da internet”, deu o tom da calorosa recepção internacional que se seguiria à aprovação do Marco Civil. “Estou pedindo que todos os países sigam o exemplo do Brasil e da Europa. É um exemplo fantástico de como o governo pode ter um papel positivo no desenvolvimento da rede”, disse.
Embora a imprensa brasileira tenha preferido destacar a decisão da ministra Rosa Weber, do STF, a favor da realização de uma CPI exclusiva da Petrobras, vários jornais do mundo trouxeram artigos sobre a aprovação de forma entusiástica, sobretudo na França, país coorganizador do evento. O jornal Le Monde trouxe reportagem de primeira página sob o título “O Brasil lidera a batalha contra a hegemonia norte-americana na web”.
O presidente da Associação Francesa para a Nomeação de Domínios de Internet em Cooperação (Afnic), Mattieu Weil, que estava em São Paulo para o evento, declarou-se otimista. “Nós não vamos fazer a revolução em dois dias, mas o Brasil está bem posicionado para fazer avançar a reforma da governança da internet. Está próximo aos princípios europeus, e, ao mesmo tempo, possui a confiança dos países menos desenvolvidos.”
A sanção também foi alvo dos elogios de Vinton Cerf, outro dos criadores da internet e atualmente vice-presidente do Google, como uma “iniciativa multipartidária que oferece importantes garantias para proteger a plataforma web e os direitos dos usuários”, e também de Nnenna Nuakanma, uma das criadoras da Fundação de Software Livre e Open Source para a África, que parabenizou os brasileiros.
O objetivo dos ativistas da rede é chegar a uma espécie de Constituição mundial da internet que possa garantir no futuro que endereços, nomes de domínios e protocolos não estejam mais, como hoje, sob a tutela dos EUA. Como disse a ministra francesa para as relações digitais, Axelle Lemaire, em São Paulo: “A web não deveria ser como o Velho Oeste, onde o que vale é a lei do mais forte”. Um disparo direto ao domínio norte-americano.
Vários especialistas apontaram que o Marco Civil brasileiro avança no sentido de mudar a governança da internet no mundo. “A neutralidade torna inadmissível qualquer restrição da rede por motivos comerciais ou de qualquer outra natureza”, disse Dilma Rousseff. Pela primeira vez, a presidenta foi ao Facebook responder ao vivo às dúvidas dos internautas em relação ao projeto, principalmente quanto à possibilidade de “censura” que vários setores quiseram associar ao projeto. Pelo contrário, disse Dilma, a lei “assegura a liberdade de expressão, a privacidade e o respeito aos direitos humanos”.
À frente do projeto como relator há três anos, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) denunciou haver uma guerra de informação contra o projeto, que começou com a resistência das teles à neutralidade da rede e continua agora no campo da “guerra política”. “Ou é desinformação, desconhecimento sobre o projeto, ou é guerra política, para que a sociedade civil fique contra. Esta história de dizer que se pretende tolher a liberdade de expressão, por exemplo, é uma mentira sem tamanho. É um antídoto contra a censura, isso sim”, disse Molon.
O princípio da neutralidade, um dos itens centrais do Marco Civil e o mais combatido pelo lobby das teles, estabelece que a rede deve ser igual para todos, sem diferença quanto ao tipo de uso. Ou seja, ao comprar um plano de internet o usuário paga somente pela velocidade contratada e não de acordo com o tipo de conteúdo (vídeos, e-mails, chats) que pretende acessar. No dia seguinte à sanção por Dilma, as operadoras de telefonia já estavam nos jornais dizendo que poderão vender serviços diferenciados, cobrando mais.
“Isso não se pode fazer, seria quebrar a neutralidade”, disse Molon. Embora o Marco Civil preveja que os provedores de conexão ficam proibidos de guardar os registros de acesso a aplicações da internet, houve polêmica sobre o artigo 15, alvo de pedido de veto à presidenta por ativistas. O artigo prevê que as empresas devem manter o registro do rastro digital do usuário por seis meses, o que foi visto como ameaça à privacidade.
Para Alessandro Molon, trata-se de falta de entendimento sobre a lei.  “Sem essa guarda de dados seria impossível combater a impunidade. Foi um pedido da Polícia Federal e do Ministério Público, mas o que as pessoas não sabem é que os dados são sigilosos e só podem ser revelados sob ordem judicial”, disse o deputado, admitindo, porém, que a presidenta Dilma ainda pode fazer modificações no artigo na redação do decreto que regulamentará o Marco Civil.
A sessão do Senado que aprovou o projeto, na terça-feira 22, esquentou, com bate-boca entre os senadores Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, e o petista Lindbergh Farias, que pretende se lançar ao governo do Rio. Aécio pediu um mês de prorrogação para análise e criticou a “pressa” do governo em sua aprovação. Lindbergh rebateu dizendo que os tucanos davam um “tiro no pé” ao querer atrasar a votação do projeto, que contava com mais de 350 mil assinaturas pedindo urgência. Começou uma troca de acusações sobre quem trabalha mais ou menos e a sessão precisou ser suspensa para acalmar os ânimos.
Após a aprovação, o clima no Palácio do Planalto era de franca comemoração, a despeito da decisão de Rosa Weber. Entre os assessores da presidenta, o Marco Civil já era considerado o “grande gol do ano”. Com uma vitória particular para Dilma, que, ao reforçar a investida contra o domínio norte-americano na internet, se viu vingada das denúncias de espionagem de seu governo feitas por Edward Snowden no ano passado.
“Esses fatos são inaceitáveis e continuam sendo inaceitáveis. Atentam contra a própria natureza da internet”, criticou a presidenta ao discursar na abertura do NetMundial. A africana Nnenna Nwakanma, que representava a sociedade civil no evento, fez questão de agradecer a Snowden na abertura. “Para todos nós que amamos a internet, e todos nós que estamos aqui, e a alguém chamado Edward, Edward Snowden, obrigado”, disse Nwakanma. Dilma sorriu e aplaudiu de pé.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/797/o-marco-faz-historia-e-manda-recado-3282.html
 

domingo, 13 de abril de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Ucrânia, Rússia e EUA)

Ucrânia: Negócio EUA-Rússia


Por Pepe Escobar
Diário Liberdade
Ucrânia - Redecastorphoto - Quando vocês estiverem lendo isso, a Rússia já terá invadido a Ucrânia. Pelo menos, é o que o Supremo Comandante Aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, o general da Força Aérea dos EUA, Philip Breedlove, anda espalhando. Breedlove-Supremo diz que os russos estão "prontos p'ra sair em ataque" e podem facilmente tomar o leste da Ucrânia. A imprensa-empresa ocidental já tirou do armário os coletes à prova de bala.

"O coração da matéria – encoberto por uma barreira de histeria – é que nem Washington nem Moscou querem que a Ucrânia apodreça como ferida purulenta"

Mas comparem-se Breedlove-Supremo e um diplomata adulto, o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que pediu à Otan que por favor desescale essa retórica pró-guerra "irracional", que também inclui pôr fim oficial a toda a cooperação civil e militar com a Rússia e movimentos militares no Leste da Europa.
Disputa
Enquanto a Otan – abreviatura de Divisão Europeia do Pentágono – entra em surto, sobretudo quando fala seu Secretário-Geral, o ridículo Anders Fogh Rasmussen, dinamarquês, que está de partida, vejamos o que realmente se passa, baseados em vazamentos dos dois campos, de Lavrov e do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry.
O coração da matéria – encoberto por uma barreira de histeria – é que nem Washington nem Moscou querem que a Ucrânia apodreça como ferida purulenta. Moscou disse a Washington, oficialmente, que não tem intenção de "invadir" a Ucrânia. E Washington contou a Moscou que, apesar de toda sua retórica demente, não quer expandir a Otan nem para a Ucrânia, nem para a Geórgia.
Faça Washington o que fizer, não conseguirá convencer o Kremlin de que o putsch em Kiev não foi orquestrado, em grande parte, por bandidos aliados ao Kaghanato dos Nulands – da Secretária-Assistente de Estado dos EUA, Victoria Nuland. Ao mesmo tempo, o Kremlin sabe que o tempo corre a seu favor – e que, assim, até considerar a "invasão" do leste da Ucrânia seria totalmente contraproducente.
Facções de Kiev
Juntem a briga de gatos entre as enlouquecidas facções em Kiev, dos fascistas de "Santa" Yulia "Matem todos os russos" Timoshenko; a Gazprom aumentando o preço do gás natural, em 80%; e o Fundo Monetário Internacional pronto para lançar mais um de seus sujos ajustes estruturais na Ucrânia, que fará a Grécia parecer Cinderela brincando num jardim de rosas, e tudo que Moscou precisa fazer é sentar, relaxar e assistir à carnificina (interna).
O mesmo se aplica aos países bálticos – que, nos termos da histeria da Otan, podem ser invadidos semana que vem. Como os países do Báltico são parte da Otan, é esperável, sim, que os Robocops de Bruxelas enlouqueçam total. Mas só neoconservadores arrogantes/ ignorantes marca-registrada acreditam que Moscou romperia complexas relações políticas/comerciais com a Europa – especialmente com a Alemanha – arriscando uma guerra quente pelos países bálticos. Os alemães não querem guerra nem fria nem quente. Ainda que, em evento extremamente improvável, isso acontecesse, o que faria a Otan super-macho, sob ordens do Pentágono? Invadir território russo?
Não se aproveita, nem como piada ruim.

"Quanto à prioridade de Berlin, é pelo menos tentar afastar a União Europeia de um crash monumental, que implica manter a bordo o Clube Med e a Europa Central igualmente devastados economicamente, ao mesmo tempo em que combate contra o crescimento de um imundo neofascismo 'normalizado'"

Por falar de piada ruim, difícil superar Olli Rehn, Vice-Presidente da kafkeana Comissão Europeia, a dizer que "no interesse de manter a paz e a estabilidade em nosso continente", a União Europeia contribuirá para o pacote do FMI/capitalismo-de-desastre de 11 bilhões de euros ($15 bilhões de dólares norte-americanos) para detonar, desculpe, digo "ajudar" a Ucrânia, e, isso, quando cidadãos da União Europeia estão desempregados e/ou lançados à miséria, aos milhões.
Quanto à prioridade de Berlin, é pelo menos tentar afastar a União Europeia de um crash monumental, que implica manter a bordo o Clube Med e a Europa Central igualmente devastados economicamente, ao mesmo tempo em que combate contra o crescimento de um imundo neofascismo "normalizado". "Massivo erro de avaliação", aos olhos dos alemães, não dá nem para o começo. Por que acrescentar um confronto com Moscou a essa bouillabaise indigerível?
Novo eixo em casa
Epifanias de alta arrogância, como o editorial doThe Guardian de 31/3[1] ("ele ganhou uma península, mas perdeu um país") são sem sentido. O mesmo vale para a servil Polônia, em surto, pedindo mais "proteção" à máfia de Bruxelas.
Como esperado, a imprensa-empresa ocidental está espalhando que Putin teria "piscado", quando telefonou ao presidente Obama dos EUA para tentar acertar um pacote-solução – que inclui, crucialmente importante, a federalização da Ucrânia. O governo Obama, apesar de congregar a mais espantosa seleção de mediocridades, sabe que essa é a única via racional à frente. E não há "pressão" que dobre Moscou. Vão longe os dias a go-go de impor qualquer coisa a Boris Yeltsin, beberrão serial. Ao mesmo tempo, Moscou é negociador realista – e sabe perfeitamente que a única solução possível para a Ucrânia tem de ser construída com Washington.
Sem Otan
A Ucrânia assim é, na essência, um detalhe – a "Europa" não passa de assistidor fraco e dependente. Com quem contar, na "Europa"? Com aquela não−entidade estilo Magritte, sem cara, Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy? Quem já esteve em Bruxelas sabe que "Europa" permanece como grupamento de principados que se bicam em incontáveis línguas. Maquiavel facilmente a definiria nesses termos.
Além do mais, o governo Obama não tem nem ideia do que quer na Ucrânia. Uma "democracia constitucional"? Moscou pode até concordar com isso, embora sabendo, baseada em montes e montes de razões históricas/culturais, que o plano está condenado ao fracasso. Mas a linha vermelha dos russos já foi demarcada por eles, alto e claro, várias e várias vezes: nada de bases da Otan na Ucrânia.
Negociadores racionais em Washington – minoria comprovada – com certeza já perceberam que se não se joga bola com Moscou, a Rússia jogará muito duro no contexto das negociações no P5+1 (membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha) sobre o dossiê nuclear iraniano.
Só cegos não verão que Moscou e Teerã caminham na direção de uma parceria estratégica mais próxima, como Moscou e Pequim. Já há em casa um eixo geopolítico estratégico real – Moscou-Pequim-Teerã – e todo o mundo em desenvolvimento já percebeu que é aí que está a ação verdadeira. Mas no que tenha a ver com a Ucrânia, o fato mais flagrante é que, aí, se trata, completamente, de EUA e Rússia.

Fonte: http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/4024-ucrania-negocio-eua-russia

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Forças de Segurança Nacional)

Com 2.700 militares, forças de segurança ocupam sábado o Complexo da Maré

Blindados do Exército e da Marinha serão usados na operação, além de aeronaves, viaturas de transporte e de logística

Agência Brasil

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O efetivo que ocupará as 15 favelas do Complexo da Maré no próximo sábado (5) será de 2.700 homens. A denominada Operação São Francisco contará com 2.050 integrantes da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, que tem sede no Rio de Janeiro, 450 da Marinha e 200 da Polícia Militar, além de uma equipe da 21ª Delegacia de Polícia.

As informações foram divulgadas hoje (3), em entrevista coletiva, pelo general Ronaldo Lundgren, chefe do Centro de Operações do Comando Militar do Leste (CML). A força de pacificação atuará até o dia 31 de julho deste ano, dentro do conceito jurídico de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Segundo Lundgren, a ação de sábado será embasada na experiência anterior, adquirida em operações no Haiti e no Complexo do Alemão. Haverá um número telefônico 0800 para denúncias,  inclusive sobre a atuação dos militares. "A tropa esta preparada para atuar. Não quero dizer que não possam ocorrer falhas, mas vamos atuar para corigi-las", disse o general.

Blindados do Exército e da Marinha serão usados na operação, além de aeronaves, viaturas de transporte e de logística. Os militares ocuparão pontos estratégicos nas comunidades, para preservação da ordem pública e proteção das pessoas e do patrimônio. O comando da força de pacificação será do general Roberto Escoto.

De acordo com o general Lundgren, não haverá mandado de busca coletivo, como na operação do último domingo (30), quando o conjunto de favelas foi ocupado pelas policias Civil e Militar. "Não pedimos mandado de busca coletivo. Vamos agir pontualmente", explicou o general.
Fonte:  http://www.istoe.com.br/reportagens/355997_COM+2+700+MILITARES+FORCAS+DE+SEGURANCA+OCUPAM+SABADO+O+COMPLEXO+DA+MARE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Como Montar uma Aula: Planejamento