sexta-feira, 14 de março de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Brasil destino de refugiados)

Brasil se consolida como destino para refugiados do mundo todo

Número de solicitações aprovadas cresceu 227% entre 2012 e 2013

Terra

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O número de refugiados no Brasil chegou a 5.196, segundo dados do Ministério da Justiça contabilizados até 10 de fevereiro deste ano. De acordo com o levantamento, somente no ano passado, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) aprovou o pedido de refúgio para 651 estrangeiros diante de 199 consentidos em 2012, um crescimento de 227%. Houve aumento também no total de solicitações enviadas ao governo brasileiro: foram 5,2 mil no ano passado, um acréscimo de 149% se comparado com 2012.

A fama da receptividade brasileira com os refugiados vem desde a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1951, ocorrida em Genebra, na Suíça, que elaborou o Estatuto dos Refugiados, do qual o Brasil é signatário. De acordo com a legislação brasileira, refugiado é todo aquele que foi forçado a abandonar o país de origem para preservar a sua vida e a de sua família por temores fundados de perseguição causados por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas.

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão Pires Junior, aponta dois fatores como responsáveis pelo crescimento no número de refugiados. O primeiro deles está relacionado às estatísticas de pesquisa que têm apontado uma alteração no fluxo tradicional de migrantes. Antes, as migrações ocorriam do eixo norte para o sul, agora se dão no eixo sul-sul, entre nações em desenvolvimento.

A segunda causa citada pelo secretário está ligada ao fato de o Brasil ter consolidado a imagem de uma terra de oportunidades em virtude dos grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016. Para Abrão, o Brasil atingiu um nível desenvolvimento econômico equilibrado e sustentável do mesmo modo que tem afirmado a sua tradição em ser um País democrático e receptivo. “A conjunção desses fatores faz com que aquelas pessoas que necessitam de proteção para suas vidas cada vez mais enxerguem no Brasil um porto seguro. Portanto, essa elevação no número de pedidos de refugiados está diretamente relacionada a uma melhoria na imagem pública do nosso País no exterior”, completou.

De acordo com o levantamento do Ministério da Justiça, os refugiados no Brasil são de 80 nacionalidades diferentes. Colômbia (1.152), Angola (1.062), República Democrática do Congo (617), Síria (333) e Libéria (258) são os países com maior número de pedidos aprovados. Na outra ponta da lista, estão nações que possuem apenas um refugiado em terras brasileiras: Uruguai, Ucrânia, Romênia, Nicarágua, Moçambique, Kuwait, Índia, Hungria, Estados Unidos, Eslovênia e Cabo Verde.

“Quando uma pessoa está sob risco, a primeira atitude dela é a de buscar proteção aonde ela alcançar imediatamente. Agora, se ela tem condições de buscar proteção em um país onde ela possa se planejar, o que a experiência nos mostra é que o que mais motiva as pessoas ao escolher um país é, primeiro, a proximidade e o visto. Depois, a proximidade cultural, a presença de familiares naquele país, a presença de amigos, a presença de comunidades de conterrâneos em número significativo e, evidentemente, que nesse processo ela levará em conta se o país para onde está se dirigindo é capaz de dar a proteção ao que ela precisa”, salientou o secretário nacional de Justiça.

No Brasil, em média, a análise de pedido de refúgio tem levado em torno de oito a dez meses após ingresso na Coordenação Geral de Assuntos para Refugiados, incluída a fase de recurso, quando interposta pelo solicitante junto ao Ministério da Justiça. “Ainda durante a solicitação do processo de refúgio o estrangeiro passa a ter direitos iguais a qualquer brasileiro. Ele pode requisitar documentação, contribuir, pagar seus tributos. A única coisa que muda efetivamente para o momento em que o refúgio for efetivamente concluído é a situação jurídica duradoura”, disse Abrão.

Se o pedido for negado, o estrangeiro precisa deixar o País em até oito dias sob pena de deportação. No entanto, a legislação permite que ele recorra da decisão ou tente a permanência por outras formas. “Caso o pedido tenha sido indeferido pelo Conare, ele poderá ingressar com recurso junto ao Ministério da Justiça ou poderá solicitar ao Conselho Nacional de Migração alguma outra regularização que seja por outros critérios econômicos que não aqueles de perseguição que ele nos fez”, completou o secretário.

Bagagem cultural

“Os refugiados são pessoas que trazem uma bagagem cultural, profissional, no caso dos jovens e adultos, que podem contribuir tanto para a própria economia do nosso País quanto para melhorar a nossa sociedade culturalmente. É importante que a sociedade entenda isso e que possa, dentro da sua capacidade, acolher essas pessoas e permitir que elas reconstruam a vida delas no Brasil”, ressaltou Luiz Fernando Godinho Santos, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) no Brasil.

A entidade tem um escritório central em Brasília e está presente por meio de parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas. “O Brasil tem uma legislação moderna, uma sociedade civil engajada, comprometida e envolvida com essa resposta aos refugiados que chegam ao Brasil e a gente analisa isso de forma positiva.

Esse aumento do número é um retrato momentâneo. No ano que vem pode cair ou aumentar”, avalia Godinho, complementando que o fato de o Brasil ser um país livre de conflitos, diversificado étnica e culturalmente, e com liberdade para praticar credos e expressar opiniões contribui para tornar o País atraente aos olhos dos refugiados.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/352381_BRASIL+SE+CONSOLIDA+COMO+DESTINO+PARA+REFUGIADOS+DO+MUNDO+TODO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 7 de março de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Crise na Ucrânia)

Governo da Ucrânia diz que 30 mil soldados russos ocupam Crimeia

Conselho Superior da região autônoma ucraniana adotou medida que possibilita sua reunificação com a Rússia

Agência Brasil

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O Serviço de Fronteiras da Ucrânia (SGU) informou hoje (7) que Moscou já deslocou cerca de 30 mil de seus soldados para a República Autônoma da Crimeia. O diretor de Recursos Humanos do SGU, Mikail Koval, não informou, no entanto, quantos soldados ucranianos estão na Crimeia, mas assegurou que todos os agentes de fronteiras e das forças armadas da Ucrânia na região permanecem em seus postos.

O Conselho Superior da Crimeia (Parlamento regional) adotou ontem (6) uma medida que possibilita sua reunificação com a Rússia, da qual fez parte até 1954, e convocou um referendo sobre o assunto para o dia 16 de março.

Em Kiev, o presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchinov, reagiu duramente aos eventos registrados na Crimeia, referindo-se à consulta popular como “ilegal e ilegítima”. Ainda segundo ele, o governo estuda uma forma de dissolver o Parlamento da Crimeia.

O secretário-geral adjunto das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic, que chegou ontem à Ucrânia, viajará para a Crimeia e tentará visitar outras localidades no Leste do país. Ele contará com a ajuda de sete especialistas em direitos humanos, dois dos quais já estão na Ucrânia. Os demais devem chegar em Kiev no fim de semana.

A visita de Simonovic, antigo ministro da Justiça croata, acontece depois de Robert Serry, enviado especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas para a crise na Crimeia, ter sido obrigado a abandonar a península após um episódio com homens armados.

As autoridades locais da Crimeia, no Sul da Ucrânia, não reconhecem o novo governo de Kiev e defendem o regresso ao poder do presidente deposto Viktor Ianukovich, entretanto internado em estado grave num hospital de Moscou por ter sofrido um enfarte.

A crise política na Ucrânia começou a 21 de novembro, com a contestação popular da decisão do Presidente de suspender a aproximação à Europa e reforçar os laços com a Rússia.
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/351321_GOVERNO+DA+UCRANIA+DIZ+QUE+30+MIL+SOLDADOS+RUSSOS+OCUPAM+CRIMEIA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Notícia da semana Atualidades (A morte de Rubens Paiva)

Ditadura

CNV aponta autores da morte de Rubens Paiva

O comandante do DOI do 1º Exército é apontado como responsável por assassinar o deputado
por Agência Brasil publicado 28/02/2014 09:41, última modificação 28/02/2014 09:52
Renato Araújo/Agência Brasil
 
                                   O ex-deputado Rubens Paiva
 
 
Cristina Indio do Brasil
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, declarou na quinta-feira 27 que o general José Antônio Nogueira Belham e o tenente  Antônio Hughes de Carvalho são os autores da morte e da ocultação do cadáver de Rubens Paiva. “Sem dúvida alguma o oficial Hughes, porque se envolveu diretamente nos atos de tortura e, pelo fato de ser comandante da unidade, estando presente no local, participando das circunstâncias da morte de Rubens Paiva, o general Belham, à época major e comandante do DOI [Destacamento de Operações e Informações]”, disse Dallari ao participar da apresentação do relatório preliminar de pesquisa do caso Rubens Paiva feito pela CNV.
Durante o período de novembro de 1970 a maio de 1971, o general Belhan era comandante do DOI do 1º Exército, na zona norte do Rio, para onde foi transferido Rubens Paiva depois de ter passado pelo Quartel da 3ª Zona Aérea, localizado próximo ao Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. Ele foi para a unidade da Aeronáutica após ser preso, em casa, no Leblon, zona sul do Rio, por seis agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa).
De acordo com o coordenador, em depoimento à comissão no dia 13 de junho de 2013, o general Belham, que na época da morte de Rubens Paiva era major, negou ter conhecimento de torturas a Rubens Paiva e ainda acrescentou que, nos dias 20 e 21 de janeiro de 1971, estava de férias e, portanto, ausente do local. O general, que hoje tem 80 anos e mora em Brasília, não quer prestar outro depoimento e nem dar novos esclarecimentos à Comissão Nacional da Verdade.
Dallari disse que documentos conseguidos pela comissão indicam que o general Belham fez um deslocamento sigiloso e ainda recebeu diárias do Exército. Para o coordenador da CNV, isso comprova que ele interrompeu as férias. O depoimento de um militar, identificado apenas como Agente Y, informa sobre um encontro entre este militar, que estava  acompanhado do chefe da 2ª Seção do Batalhão de Polícia do Exército, capitão Ronald Leão, e o general na sala de trabalho de Belhan no dia 21 de janeiro de 1971.
No encontro, segundo o agente, ele contou que tinha acabado de ver o ex-deputado e as condições de saúde do parlamentar não eram boas. O Agente Y disse ainda que Rubens Paiva não resistiria mais às torturas. “Falamos, pessoalmente, com o então major Belham, o que fora visto, alertando-o para possíveis consequências”, disse em depoimento.
O Agente Y prestou depoimento nos dias 24 de abril de 2013,  27 de janeiro de 2014 e em 24 de fevereiro de 2014. Nos três, segundo o secretário executivo da comissão, André Saboia, ele deu detalhes de como funcionava a estrutura de torturas e apontou o tenente Antônio Hughes de Carvalho, morto em 2005, como torturador. No depoimento prestado na segunda-feira (24) identificou a foto de Hughes como o agente que viu praticando torturas em Rubens Paiva de forma extremante violenta.
A CNV teve acesso também a um depoimento de Amilcar Lobo, que na época era tenente-médico, no qual ele informa que atendeu o ex-parlamentar na madrugada do dia 21 e constatou que o preso estava com hemorragia abdominal, por ruptura hepática, e, por isso, deveria ser hospitalizado, o que não ocorreu.
A Comissão Nacional da Verdade pretende também pedir a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara Federal para investigar o local para onde foi levado o corpo de Rubens Paiva. Dallari explicou que esta é a maneira de conseguir que o general Belham dê a informação. Para os integrantes da CNV, é a única dúvida que resta sobre o caso da morte e desaparecimento de Rubens Paiva.
A comissão pretende encaminhar o pedido ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, até o fim de março. “Uma CPI de curtíssima duração que tivesse por finalidade justamente apurar a ocultação do cadáver de Rubens Paiva e o testemunho-chave é o testemunho do general Belham, que, perante uma comissão parlamentar de inquérito, se sentirá sensibilizado a elucidar este último elemento que falta para a solução deste mistério”, esclareceu Dallari.
Eleito deputado federal pelo PTB, Rubens Paiva foi cassado logo após o golpe militar de 1964. Depois de ser exilado, voltou ao Brasil. Em 1971 foi preso e levado para o Cisa e depois transferido para o DOI, onde morreu no dia 21 de janeiro.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/comissao-nacional-da-verdade-aponta-autores-da-morte-de-rubens-paiva-5727.html/view

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Protestos e eleições na Ucrânia)

Governo e oposição fecham acordo para eleição antecipada na Ucrânia

Plano prevê ainda uma reforma constitucional e a criação de um governo de coalizão em 48 horas

AFP

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O governo e a oposição da Ucrânia fecharam um acordo nesta sexta-feira que prevê uma eleição presidencial antecipada em dezembro, um governo de coalizão e uma reforma constitucional.

O acordo, que deve ser assinado durante esta manhã, segundo a presidência ucraniana, estipula um retorno à Constituição de 2004, que dá mais poderes ao Parlamento, e a formação de um governo de coalizão em 48 horas, que deverá incluir representantes da oposição.

Segundo a oposição, mais de 100 pessoas morreram, em sua maioria manifestantes, desde terça-feira nos confrontos em Maidan, ou Praça da Independência, epicentro há três meses da pior crise registrada no país desde a independência em 1991. O ministério da Saúde divulgou um balanço de 75 mortos e 76 feridos "em estado grave".

Os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha e Polônia conversaram durante horas com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovytch, e com líderes opositores para tentar conter a violência. O chanceler francês, Laurent Fabius, destacou que o acordo ainda estava sendo debatido e que o texto definitivo deve ser divulgado durante esta sexta-feira, 21.

A agência de classificação financeira Standard & Poor's rebaixou nesta sexta-feira a nota da Ucrânia após a violência dos últimos dias, o que pode prejudicar o apoio financeiro russo e a solvência do país.

A nota da Ucrânia caiu para "CCC", que corresponde a um país próximo da falta de pagamento. A perspectiva é negativa, o que significa que a agência pode rebaixar novamente a classificação a curto ou médio prazo.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/349172_GOVERNO+E+OPOSICAO+FECHAM+ACORDO+PARA+ELEICAO+ANTECIPADA+NA+UCRANIA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Notícia da Semana Atualidades (Bélgica legaliza eutanásia para menores de idade)

Bélgica legaliza eutanásia para menores de idade

País é o primeiro a permitir a eutanásia para menores com doenças terminais. A eutanásia de adultos é legal desde 2002

Terra

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Os deputados belgas aprovaram nesta quinta-feira, 13, uma lei que autoriza a eutanásia aos menores de idade com uma doença incurável, sem fixar uma idade mínima, 12 anos após autorizá-la para os adultos. A lei, chamada "right-to die" ("o direito de morrer", em português) foi aprovada com 86 votos a favor, 44 contra e 12 abstenções.

Com a aprovação, a Bélgica tornou-se o primeiro país a permitir a eutanásia para crianças de qualquer idade com doenças terminais. O projeto de lei, já aprovado pelo Senado em dezembro, tem apoio popular na Bélgia e vai além da pioneira lei holandesa, que estabeleceu 12 anos como a idade mínima para que a criança possa ser considerada madura o suficiente para decidir pela eutanásia.

Líderes cristãos, muçulmanos e judeus criticaram o projeto numa rara declaração conjunta. "O assunto aqui são crianças doentes em estado terminal, que sofrem muito e cuja morte está próxima", disse Carina Van Cauter, parlamentar favorável ao projeto.

Crianças que buscam terminar com as suas vidas devem ser "capazes de discernimento", diz a lei. Psicólogos devem examiná-las para confirmar que elas têm consciência do que estão fazendo. Os pais também precisam aprovar. Para entrar em vigor, a lei terá de ser assinada pelo rei Philippe.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/348035_BELGICA+LEGALIZA+EUTANASIA+PARA+MENORES+DE+IDADE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Notícia da Semana Atualidades (Nelson Mandela)

Homenageado ao morrer, Mandela já foi odiado por líderes ocidentais

Reino Unido, Estados Unidos e Israel estão entre os países que mantiveram apoio ao regime do apartheid quando grande parte do mundo já condenava o segregacionismo

Terra
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Após a morte de Nelson Mandela ser anunciada na noite de quarta-feira, líderes mundiais se apressaram para prestar homenagem ao ex-presidente sul-africano e ressaltar a importância de seu legado para o mundo. Mas Mandela nem sempre foi um aclamado herói mundial.
Durante muitos anos, mesmo quando a oposição ao regime do apartheid já era generalizada, líderes ocidentais continuaram considerando Mandela um terrorista. 

Em 1987, a então premiê britânica Margaret Thatcher disse: "O CNA - Congresso Nacional Africano, partido de Mandela - é uma típica organização terrorista...Qualquer um que pense que ele vá governar a África do Sul está vivendo na terra do faz de contas". 

Entre congressistas britânicos, a opinião sobre Mandela era ainda pior. "Quanto tempo mais a premiê vai permitir ser chutada no rosto por este terrorista negro?", questionou o parlamentar conservador Terry Dicks após Mandela recusar um encontro com Thatcher em Londres, em 1990. Seu colega de partido, Teddy Taylor, foi ainda mais enfático em seu repúdio: "Nelson Mandela deveria ser baleado". 

Nos Estados Unidos, a opinião sobre Mandela também não era favorável entre os governantes dos anos 80. Durante o seu governo, o presidente americano Ronald Reagan colocou o CNA na lista de organizações terroristas. Em 1981, ele disse que o regime sul-africano - baseado no segregacionismo entre brancos e negros - era "essencial para o mundo livre". 

Em 1985, o então congressista Dick Cheney, que depois viria a ser vice-presidente de George Bush, votou contra uma moção pedindo para que Mandela fosse solto. Em 2004, Cheney defendeu seu posicionamento ao afirmar que Mandela "tinha uma dedicação de longa data ao comunismo e a saudar terroristas". 

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos apoiaram o regime do apartheid, enquanto a União Soviética ajudou a financiar a oposição liderada pelo Congresso Nacional Africano. Em 1990, uma matéria do jornal The New York Times revelou que a agência de espionagem americana CIA ajudou o governo sul-africano a prender Mandela em 1962. 

Apenas em 2008, Mandela e o CNA deixaram a lista americana de organizações e terroristas em observação. Até então, Mandela precisava de uma permissão especial para viajar ao país. 

Outro país que se manteve ligado ao regime segregacionista sul-africano foi Israel. Durante muitos anos, o governo israelense manteve laços econômicos e relações estratégicas com o regime do apartheid. Apenas em 1987, quando se encontrava como único país desenvolvido ainda a apoiar a minoria branca, Israel denunciou o apartheid. Nesta sexta-feira, o governo israelense lamentou a morte de Mandela afirmando que o "mundo perdeu um grande líder que mudou o curso da história" e que ele foi um "apaixonado defensor da democracia". 

Em entrevista ao jornalista Larry King em 2000, o próprio Mandela reconheceu essa contradição. "Eu era chamado de terrorista ontem, mas quando saí da cadeia, muitas pessoas me abraçaram, incluindo meus inimigos (...) hoje sou admirado por essas pessoas que diziam que eu era terrorista".

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