domingo, 30 de setembro de 2012

Notícia da Semana Atualidades (20 anos do Impeachment de Collor)


Há 20 anos, Fernando Collor de Mello sofria processo de impeachment

Collor foi o primeiro presidente da República eleito pelo voto direto após o regime militar

AGÊNCIA BRASIL


collor (Foto: Sergio Lima/ABr)










Há exatos 20 anos, o Brasil assistiu à abertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, aprovado por 441 votos na Câmara dos Deputados. Collor foi o primeiro presidente da República eleito pelo voto direto após o regime militar, ao derrotar em segundo turno o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
As primeiras denúncias contra Collor surgiram após os 100 primeiros dias de mandato e diziam respeito a um esquema de corrupção montado pelo ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias – conhecido como PC Farias. As denúncias, intensamente divulgadas pela imprensa, culminaram com a criação de uma comissão parlamentar mista de inquérito, a CPI do PC.
As denúncias de corrupção, associadas ao desgaste do então presidente em função da implementação de planos de estabilização da economia, levaram mais tarde à mobilização popular e à aprovação do pedido de impeachment. Os planos econômicos, chamados de Collor I e Collor II, consistiam basicamente em tentar controlar a inflação, que já vinha alta desde o governo anterior de José Sarney. No primeiro momento os planos surtiram efeito, mas o confisco do dinheiro da população nos bancos e a volta da alta da inflação começaram a provocar insatisfação do povo com o presidente.
Muitas empresas e até pessoas físicas faliram quando o governo determinou que todas as contas bancárias poderiam ter saldo máximo de Cr$ 50 mil (cinquenta mil cruzeiros, a moeda da época). Impedidos de arcar com os compromissos financeiros, os empresários foram os primeiros a abandonar o apoio a Collor. Além disso, denúncias como as de desvio de dinheiro público para a construção dos jardins na residência oficial, chamada de Casa da Dinda, e o pagamento de vultosas despesas do casal presidencial, com dinheiro das empresas de PC Farias, levaram o povo às ruas pedindo a saída do presidente.
Duas entrevistas foram determinantes para a mobilização popular. Primeiro o irmão do presidente, Pedro Collor, à revista Veja, denunciando o chamado esquema PC e o desvio de verbas públicas para as empresas do ex-tesoureiro de campanha. Depois, o motorista Francisco Eriberto França confirmou à revista Isto É ter feito pagamentos para Fernando Collor e sua esposa, Rosane Collor, com cheques e valores que buscava nas empresas de PC Farias.
A conclusão dos trabalhos da CPI do PC, com relatório que considerou as denúncias procedentes, foi outro fator que incentivou a mobilização popular. O movimento Fora Collor era formado principalmente por estudantes, os chamados "Caras Pintadas", e por mais pessoas ligadas às universidades, os professores. Diante do clamor da sociedade civil, os presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavanère, e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, o pedido de impeachment com mais de 20 mil assinaturas.
Pinheiro acolheu o pedido e designou o então deputado Nelson Jobim como relator, que posteriormente apresentou parecer favorável ao impedimento do presidente da República de prosseguir no mandato. No dia 29 de setembro de 1992, Ibsen Pinheiro abriu a sessão de votação pelo impeachment de Fernando Collor de Melo em um Congresso Nacional cercado por milhares de manifestantes Caras Pintadas. Com 441 votos favoráveis, 38 contrários, 23 ausências e 1 abstenção, a Câmara dos Deputados decidiu pelo afastamento imediato do presidente da República de suas funções e autorizou o Senado Federal a abrir processo de cassação de mandato e dos direitos políticos.
No dia 2 de outubro, Collor foi comunicado de seu afastamento temporário pelo período que durasse o processo de impeachment e o então vice-presidente da República, Itamar Franco, assumiu o cargo. Itamar permaneceria na cadeira presidencial até o fim do mandato, em 1994. A cassação de Fernando Collor de Melo foi confirmada por 76 votos favoráveis e dois contrários no Senado Federal, em 29 de dezembro de 1992. O ex-presidente ainda tentou uma manobra para evitar a perda de seus direitos políticos. Depois de aberta a sessão no Senado, o advogado de defesa de Collor, José Moura Rocha, apresentou aos senadores a carta de renúncia dele. A tentativa, no entanto, foi em vão, e a cassação foi confirmada.
Em 1994, o ex-presidente foi absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF) da acusação de corrupção passiva por falta de provas. A absolvição na ação penal, entretanto, não o livrou da suspensão dos direitos políticos por oito anos, a contar da data do que seria o término do seu mandato presidencial, em 1994. Collor voltou à cena política do país apenas em 2002, quando tentou se eleger governador de seu estado, Alagoas, mas foi derrotado. Em 2006, ele se elegeu senador e passou a ocupar uma cadeira no plenário que cassou seus direitos políticos. Em 2010, o senador Collor tentou novamente governar seu estado, mas ficou em terceiro lugar nas eleições. O mandato dele no Senado termina em fevereiro de 2015.
AS

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Entrevista com Zygmunt Bauman

Entrevista com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês radicado na Inglaterra, tratando das crise econômica e das tensões provocadas pela crise na Inglaterra em 2011.



domingo, 23 de setembro de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Ascensão social dos Afro-descendentes)


Uma classe média mais negra

Antes concentrados na base da pirâmide de rendimentos, os negros são 80% dos 35 milhões de pessoas que subiram socialmente, apontando para um país mais homogêneo

Flávio Costa, Mariana Brugger e Natália Martino
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RUMO AO EXTERIOR
Rosana Paz e Nelson Oliveira preparam a viagem do filho Felipe à Disney
Há dez anos, os cariocas Edilson Martins Pinto, 41 anos, e Vera Lúcia Nascimento, 42, começaram a namorar. Ele, um designer freelancer, e ela, psicóloga formada que trabalhava como atendente de telemarketing, viviam uma vida sem luxos e dependiam da ajuda dos pais, especialmente quando resolveram se casar. Dois anos depois, nasceu Nina e a situação apertou. As famílias deram o enxoval e compraram as fraldas da criança. Em poucos anos, tudo mudou. Quando Daniel nasceu, em 2010, o casal dispensou até o chá de bebê. A família de Edilson faz parte dos 80% dos negros que ascenderam à classe média segundo a pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, divulgada na semana passada. No total, 35 milhões de brasileiros subiram para essa faixa social na última década.
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“Nós não tínhamos os luxos que temos. Já cortaram nossa luz por falta de pagamento quando nos casamos. Hoje, tenho quatro computadores, smartphone, duas televisões de LED, empregada doméstica e planejo até nossa primeira viagem internacional”, conta Edilson, que guarda dinheiro na poupança. Nina, 7 anos, estuda em uma boa escola particular e Daniel irá para a creche no ano que vem. Depois de driblar uma falência há cinco anos e montar uma empresa de design em 3D em casa mesmo, Edilson melhorou de vida e agora os vencimentos mensais da família somam R$ 4 mil, o que os deixa no topo da faixa intermediária definida pela SAE, cuja renda per capita varia de R$ 291 a R$ 1.019.
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A ascensão dos negros é um dos fenômenos mais importantes da nova classe média. Agora, eles são mais da metade dos integrantes dessa faixa social que há dez anos era 38% da população e hoje chega a 53%, ou 104 milhões de pessoas. É um grupo que detém uma massa de renda de R$ 680 bilhões. Desse total, R$ 352,9 bilhões são rendimentos de negros, quase o dobro do que os R$ 158,1 bilhões verificados há uma década. “A população negra era maioria absoluta da classe D e com a diminuição da desigualdade nos últimos anos é natural que ela tenha alcançado melhoras econômicas mais substanciais”, diz Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto de Pesquisas Data Popular, que subsidiou a pesquisa da SAE. Ao contrário do grupo de baixa renda que apenas tenta sobreviver, quem sobe para a classe média se preocupa com o futuro, em como manter os ganhos alcançados e em ascender mais. Eles começam a ter acesso a planos de saúde e investem em educação.
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SONHOS REALIZADOS
A família Santos: antes os móveis eram reciclados.
Hoje eles têm casa própria, carro e computador
Estudante de pedagogia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a jovem Stephane Santos, 20 anos, ainda lembra dos dias difíceis da família que migrou de Minas Gerais para São Paulo em busca de oportunidades. No início, o pai, Josélio, 49 anos, sustentava a mulher, Maria Margarete, 45, e os filhos trabalhando como pedreiro. Sem dinheiro para comprar móveis, um suporte e uma tábua faziam as vezes de mesa, tudo era reciclado. “Ganhávamos da igreja uma cesta básica mensal e uma bolsa em um curso de informática para mim e para minha irmã”, lembra Sthefane. A casa própria era o grande sonho da família, mas naquele momento tratava-se de um desejo quase inalcançável. Esse cenário começou a mudar quando Margarete aprendeu o ofício de bordadeira e entrou no mercado de trabalho há sete anos.
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QUALIDADE 
Edilson e Vera Lúcia decidiram colocar os filhos em escolas 
particulares para que eles tenham acesso à boa educação
As meninas, ainda adolescentes, além de estudar, começaram a trabalhar com a mãe para complementar os rendimentos e então os sonhos começaram a se realizar. Com uma renda familiar de pouco mais de R$ 3 mil, hoje os Santos têm casa própria quitada, carro, computador, eletrodomésticos, vida cultural e viajam para Minas todo ano para ver os parentes. “Antes, só os visitávamos quando acontecia uma tragédia e eles nos enviavam dinheiro para a viagem. Agora viajamos para vê-los todo ano”, diz Stephane. João Elias, o caçula da família, 12 anos, talvez seja o maior beneficiado da bonança. “Ele não vai começar a trabalhar cedo como as meninas. Vamos investir na educação dele”, afirma, Maria Margarete.

Na década que passou, 6% da classe média ascendeu à alta. Com isso, a diversificação racial está chegando à elite, grupo do qual os baianos Rosana Paz, assessora parlamentar de 41 anos, e Nelson Oliveira, engenheiro de 43, fazem parte. Com dois carros na garagem e casa na praia, o casal prepara a viagem do filho de 14 anos à Disney nas férias. “Temos planos também de ir para Paris, que é um sonho do meu marido”, afirma Rosana, filha de uma lavadeira e de um guarda-civil que se formou em letras com a ajuda dos seis irmãos mais velhos. Diante dessas mudanças, a tendência, dizem os especialistas, é que o preconceito seja superado. “Não porque a discriminação vai diminuir, mas porque as pessoas vão perceber que se não tratarem bem esse grupo perderão uma parcela importante dos clientes para a concorrência”, afirma o antropólogo Reinaldo da Silva Soares, que defendeu uma tese de mestrado na Universidade de São Paulo (USP) sobre os negros na classe média.
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Colaborou Michel Alecrim 
Fonte: Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
Fotos: João Castellano, Rodrigo Castro - ag.istoé

domingo, 16 de setembro de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Morte do embaixador dos EUA na Líbia)


A volta do pesadelo americano

Atentado que provocou a morte do embaixador dos EUA na Líbia faz renascer o temor de nova onda terrorista e aumenta tensão política entre Barack Obama e Mitt Romney

Laura Daudén
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AL QAEDA 
A organização pode estar por trás dos violentos protestos na Líbia
A conteceu na terça-feira 11 de setembro, dia em que os Estados Unidos pararam para lembrar os 11 anos dos ataques contra o World Trade Center. John Christopher Stevens, embaixador americano na Líbia, e outros três funcionários do Departamento de Estado foram mortos em circunstâncias ainda controversas durante uma ofensiva contra o consulado da cidade de Benghazi. Atribuída a muçulmanos furiosos com a divulgação de um filme que apresenta o profeta Maomé como um bufão, a ação terrorista foi a primeira em 33 anos a provocar a morte de um embaixador dos Estados Unidos. Se é cedo para dimensionar os efeitos da tragédia, é razoável supor que ela vai provocar transformações. Faltando menos de dois meses para as eleições presidenciais que vão definir o futuro de Barack Obama, os atentados têm potencial para mudar radicalmente os rumos da disputa, colapsar os novos governos do mundo árabe e arruinar a estratégia militar americana para a região.
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CONVULSÃO 
Protestos tomaram conta da embaixada dos EUA no Cairo (acima). O embaixador 
Stevens (abaixo) seria morto horas depois em ataque ao consulado de Benghazi
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As primeiras informações mostram que o ataque na Líbia diferiu em muitos aspectos dos protestos que ocorreram na semana passada do Marrocos à Indonésia e deixaram centenas de feridos e pelo menos oito mortos. Ainda que as justificativas apresentadas para as manifestações tenham sido as mesmas – a difamação cometida pelo misterioso diretor do filme –, há indícios de que o ataque de Benghazi tenha sido orquestrado previamente por milícias salafistas. A Ansar Al-Sharia, que vem desafiando o frágil governo líbio com diversos ataques contra mesquitas, encabeça as suspeitas. Ao seu lado pode estar uma célula da Al Qaeda. Não é uma possibilidade descabida. Ao contrário dos outros manifestantes, os líbios estavam bem organizados e fortemente armados com metralhadoras e lança-granadas. Outro detalhe preocupa a Casa Branca: poucas horas antes do ataque que matou Stevens, a Al Qaeda postou um vídeo na internet conclamando seus seguidores líbios a vingar, no dia 11 de setembro, a morte do militante Abu Yahya al-Libi, assassinado em junho por um avião não tripulado americano. “No início os protestos eram da mesma natureza, uma reação ao que as pessoas consideraram um insulto ao profeta”, afirmou à ISTOÉ Jocelyne Cesari, da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos. “Mas o assassinato do embaixador foi resultado de uma operação política de um grupo jihadista que se aproveitou da ocasião para alcançar seus objetivos.” A resposta do presidente Barack Obama refletiu essa preocupação. “Não se enganem, a justiça será feita”, disse ele em um pronunciamento oficial na quarta-feira 12. Pouco depois, autoridades do Departamento de Estado afirmaram que dois destróieres, cinquenta marines especializados em ações antiterroristas e aviões não tripulados estavam a caminho da Líbia para aumentar a segurança das representações americanas no país. A movimentação conta com o respaldo do governo líbio, que chegou a prender quatro suspeitos na noite da quinta-feira 14 sem, no entanto, especificar sua participação no ataque. A reação de Obama acalmou provisoriamente os ânimos em seu comitê de campanha, ainda atordoado pelas bravatas que o candidato republicano Mitt Romney e seus porta-vozes se dispuseram a repetir em meio à crise. Romney vem sendo duramente criticado por capitalizar politicamente a morte de cidadãos americanos.

A troca de farpas entre os candidatos impôs um novo tema à campanha eleitoral, até agora centrada em assuntos domésticos. Obama será cobrado por seu alinhamento com os grupos que protagonizaram a chamada Primavera Árabe, especialmente no caso do Egito, país que recebe US$ 2 bilhões de ajuda americana por ano. O estremecimento das relações pôde ser sentido em uma entrevista de Obama a um canal de televisão na quinta-feira 13: “O Egito não é um aliado, nem um inimigo.” Pouco depois, um porta-voz da Casa Branca viu-se obrigado a esclarecer que o país era um “parceiro próximo” e que as relações não haviam mudado. O desgaste político não será só de Obama. Pela primeira vez, Mitt Romney terá de mostrar quais são seus planos para o Oriente Médio e de que maneira sua estratégia difere das falidas políticas republicanas. Pouco antes de morrer, Stevens escreveu um e-mail que revelou suas expectativas otimistas para a Líbia. “As pessoas sorriem mais e estão muito mais abertas aos estrangeiros”, afirmou. “Espero que dure.”  
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Fotos: Esam Al-Fetori, Mohamed Abd El Ghany-REUTERS; Ben Curtis/ap

domingo, 9 de setembro de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Golpe Militar no Chile)


Chile: milhares marcham por vítimas da ditadura de Pinochet

Encapuzados investiram contra polícia e foram dispersados com água e gases

Ativistas participam de manifestação pelas vítimas da ditadura de Pinochet em Santiago
Ativistas participam de manifestação pelas vítimas da ditadura de Pinochet em Santiago (Martin Bernetti/AFP)
Milhares de chilenos participaram neste domingo de uma passeata em memória dos detidos e desaparecidos da ditadura de Augusto Pinochet, no 39° aniversário do golpe que derrubou Salvador Allende no dia 11 de setembro de 1973. O protesto seguiu pelas ruas vizinhas ao palácio presidencial de La Moneda, onde a polícia montou forte guarda para evitar que os manifestantes se aproximassem do final do cemitério.
Homens encapuzados lançaram pedras em escritórios de instituições públicas, destruíram semáforos e enfrentaram agentes da polícia, em quem atiraram pedras e bombas incendiárias. Eles acabaram dispersados com gases e jatos de água.
Rota - Carregando cartazes, bandeiras chilenas e do Partido Comunista (PC) e gritando palavras de ordem, os manifestantes partiram da praça Los Héroes, no centro de Santiago, e caminharam até o cemitério geral, onde está localizado o Memorial do Detido Desaparecido e Executado Político, que lembra as vítimas do regime militar. 
"Marchamos para lembrar aqueles que perderam suas vidas durante a ditadura cruel de Pinochet", disse Carolina, uma das manifestantes que carregava a foto de um familiar desaparecido durante os 17 anos de ditadura, entre 1973 e 1990.
A ditadura de Pinochet matou mais de 3.000 pessoas e outras 37.000 vítimas foram presas e torturadas. Os tribunais chilenos mantêm abertas 350 ações por desaparecimentos, torturas, prisões ilegais ou conspirações que datam do período ditatorial e envolvem cerca de 700 militares e agentes civis.
(Com agência France-Presse)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Greves no Brasil)


Quem são os grevistas que desafiam o Brasil

A maior paralisação de servidores federais da história impede que remédios cheguem aos hospitais, afrouxa a segurança nas fronteiras e gera prejuízo de R$ 1 bilhão. Saiba como atuam, quanto ganham e os planos dos líderes do movimento

Claudio Dantas Sequeira e Adriana Nicacio
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Nos últimos três meses, o País vem enfrentando uma onda de greves que paralisa boa parte dos serviços públicos federais. Na contabilidade dos grevistas, 350 mil trabalhadores já cruzaram os braços – na sexta-feira 24, estimava-se que 200 mil permaneciam sem dar expediente – para reivindicar principalmente aumento salarial, no que já é considerada a maior greve da história do serviço público brasileiro. Nem as paralisações na gestão Fernando Henrique Cardoso, as mobilizações no início do primeiro mandato de Lula e protestos setorizados, como os de controladores de voo em 2006, se comparam ao movimente atual, seja em duração, grau de planejamento e senso de oportunidade – ou oportunismo. A greve que começou pequena em maio, com professores universitários, logo absorveu os servidores administrativos das universidades e, em poucas semanas, abarcou dezenas de categorias. No fim de junho, quando aderiram à onda os funcionários das agências reguladoras, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além dos auditores fiscais, o governo se deparou com uma situação dramática. A greve atingiu serviços fundamentais e estratégicos, como a aduana, a vigilância sanitária e a segurança de fronteiras. O prejuízo até agora ultrapassa R$ 1 bilhão, mas os danos sociais são incalculáveis.
Um exemplo dessas perdas está na retenção de mercadorias no Porto de Santos. Os funcionários da Anvisa impediram que milhares de remédios essenciais contra o câncer e reagentes para o diagnóstico da gripe H1N1 chegassem aos hospitais. A escassez de kits sorológicos também obrigou alguns hospitais públicos a descartar milhares de bolsas de sangue que perderam a validade. Em outro efeito colateral do movimento grevista, a suspensão da fiscalização em rodovias e aeroportos serviu como espécie de sinal verde ao crime organizado. Na terça-feira 21, policiais rodoviários afixaram na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), uma placa com a frase: “Passagem livre para tráfico de drogas e armas.” Dentro do governo, a ação foi interpretada como um perigoso sinal de radicalização.
O radicalismo como instrumento de negociação se tornou a principal marca do atual movimento grevista, que vem sendo conduzido por uma associação entre antigas lideranças do funcionalismo com uma nova geração de sindicalistas. Várias dessas estrelas emergentes têm pouca ou nenhuma tradição na luta sindical. Raramente saem de seus gabinetes para negociar e, por seus altos salários e perfil empresarial, ganharam da presidenta Dilma Rousseff a alcunha de “grevistas de sangue azul”. Esse grupo é considerado a elite do funcionalismo público, com salários de R$ 10 mil a R$ 25 mil, altamente qualificado, com cursos de pós-graduação, mestrado e até doutorado. Alguns sindicalistas  andam de carro importado e usam as redes sociais da internet para definir estratégias de ação. Lideranças tradicionais, insatisfeitas com os controles de gastos e a estabilização no número de servidores do Executivo, aceitaram colocar-se a reboque da turma de “sangue azul”. Dessa maneira, tentam deter avanços que o governo vem implementando na gestão do funcionalismo público. A criação de fundos de pensão que reduzem privilégios de algumas castas de servidores foi tão mal recebida pelos sindicalistas quanto a legislação sobre transparência pública, que expôs os vencimentos de cada um deles.
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SEM TRABALHAR
Servidores federais, de diversas áreas do governo, durante protesto
em São Paulo: serviços essenciais à população foram afetados
Um dos principais líderes do grupo dos novos nobres grevistas chama-se Pedro Delarue Tolentino Filho, presidente do Sindifisco e representante da chamada União das Carreiras de Estado, que reúne as 22 categorias mais bem remuneradas do Executivo, entre elas Banco Central, gestores públicos, CVM e Itamaraty. Com 54 anos, o auditor fiscal é formado em economia e ganha R$ 19,4 mil por mês. Em junho, embolsou R$ 23 mil, em virtude de gratificações. Mora na elegante Barra da Tijuca, no Rio Janeiro, sua mulher trabalha na iniciativa privada e a filha estuda em colégio particular. Delarue entrou para o sindicalismo na década de 1990 e rapidamente alcançou postos de comando no Sindifisco, cuja presidência ele assumiu em 2007. O sindicalista não se preocupa com o rótulo de sangue azul, diz que os auditores “não são apenas a elite do serviço público, mas do País”, e revela detalhes do planejamento da greve. “Decidimos no ano passado que não aceitaríamos mais enrolação do governo.”
Outros líderes grevistas de “sangue azul” são Álvaro Sólon de França, que preside a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), e Wilson Roberto de Sá, do Sindicado Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical). Sólon tem salário bruto de R$ 21,5 mil e, com gratificações, o valor alcança mensalmente R$ 25,2 mil. Roberto de Sá, por sua vez, recebe R$ 18 mil, que sobem para R$ 21,4 mil com os benefícios. Morador de São Gonçalo, no Rio, passa a semana em Brasília, onde aluga uma quitinete e malha numa badalada academia. Também estão nesse grupo os presidentes da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Souza Ribeiro, da Associação Nacional dos Servidores Efetivos das Agências Reguladoras (Aner), Paulo Rodrigues Mendes, e da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários, Pedro da Silva Cavalcanti. Ribeiro ganha R$ 17,5 mil e Mendes, R$ 13,2 mil – até 2005, seu salário era de R$ 3,5 mil. Já Cavalcanti retira R$ 13 mil mensalmente, com gratificação inclusa, frequenta uma academia da Asa Sul e mora num bairro nobre do Recife. Para esses servidores, o sindicalismo está longe de ser uma atividade política. Alguns são até filiados a partidos, como o PT e PSB, mas não militam. A ausência de um conteúdo político nas manifestações é outra característica desse novo sindicalismo, que busca, acima de tudo, resultados financeiros.
Todo o planejamento do atual movimento grevista obedeceu a princípios comuns da iniciativa privada. O financiamento das atividades foi pensado com antecedência. Delarue, do Sindifisco, criou duas novas contribuições só para bancar o projeto de greve. Por seis meses, os filiados contribuíram com 0,1% do salário para um fundo de mobilizações e 0,6% para o fundo de greve. Foram recolhidos R$ 17 milhões, que estão sendo usados para pagar os salários de quem teve o ponto cortado pelo Executivo. Os fiscais agropecuários reunidos na Anffa também tiveram de dar uma contribuição a mais. Nos últimos 11 meses, todos os servidores recolhem 10% de seus salários para um fundo de emergência. Em maio e junho, quando o movimento esquentou, esse percentual dobrou. Hoje, a associação tem um caixa de R$ 9 milhões para enfrentar o governo. Em agosto, 11.495 grevistas de todas as categorias sofreram baixas em seu contracheque.
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PARADOS
Policiais federais (acima) no anúncio da operação-padrão
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AMEAÇA
Em posto da Polícia Rodoviária, faixa diz passagem livre para tráfico de drogas e armas
Com esse dinheiro, as lideranças sindicais esperam manter os protestos mesmo depois de 31 de agosto, prazo limite para o Ministério do Planejamento fechar o orçamento de 2013. Lideranças ouvidas por ISTOÉ estimam entre R$ 100 mil e R$ 450 mil o custo mensal para manter a mobilização, com gastos de pessoal, material de panfletagem, acampamentos e publicidade em rádios e tevês. Uma assembleia nos dias 1o e 2 de setembro definirá os rumos da greve, mas já há previsão de paralisação para 11, 12 e 13 do mesmo mês. Segundo os dirigentes sindicais, mesmo sem perspectivas de reajuste imediato, a pressão vai continuar, e a segurança dos grandes eventos virou elemento de barganha nesse processo. “Até agora foram feitas paralisações pontuais”, diz o delegado Marcos Leôncio Ribeiro, da ADPF. “Mas teremos a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e a Olimpíada.” Delarue reforça o poder dos grevistas. “Não temos dificuldade em organizar novas operações-padrão e paralisações.”
De parte do governo, a tendência também é o endurecimento. “Quem não aceitar o reajuste de 15,8% não terá nada”, afirma um assessor da Presidência. Para as categorias que aceitarem o acordo, novas negociações só poderão ocorrer em 2016. Pensando nisso, o governo fracionou o reajuste nos próximos três anos. Outra estratégia para enfraquecer os grevistas é levantar as fragilidades de cada categoria, para uma negociação individual posterior. Na busca por informações, o Palácio do Planalto infiltrou agentes da ABIN, da P2 (Polícia Militar) e do Exército nas assembleias e acampamentos. Também determinou o monitoramento das principais lideranças. “Brasília virou uma praça de guerra de arapongagem”, revela um agente. Francisco Sabino, vice-presidente da Fenapef, que reúne os agentes da PF, confirma que descobriu arapongas oficiais infiltrados em reuniões de sua entidade. “Estão nos acompanhando em quase todos os Estados.” Para burlar a espionagem, Sabino diz que seus colegas têm optado por se comunicar por rádio e evitado fazer reservas em hotéis ou comprar passagens com antecedência.
A motivação para manter os servidores mobilizados após o dia 31 tem a ver também com demandas que vão além da questão salarial, como reestruturação de carreira, equiparação salarial, definição de 1º de maio como data-base e uma política de reposição inflacionária, que será embutida na discussão sobre a regulamentação das greves de servidores. “A grande diferença dessa mobilização para as anteriores é que conseguimos unificar uma pauta geral, então o governo não tem como nos dividir e enfraquecer”, afirma Josemilton da Costa, presidente da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef). A entidade reúne o maior número de servidores públicos, cerca de 1,2 milhão, chamados de “carreirão”, normalmente com salários mais baixos. O próprio Josemilton, que uniu seu movimento ao dos de sangue azul, ganha pouco mais de R$ 3,2 mil como agente administrativo do Ministério da Fazenda. Tem hábitos franciscanos, mora numa quitinete em Copacabana e despacha de um gabinete sem ar-condicionado.
Diferenças salariais à parte, Josemilton demonstra estar afinado com a estratégia de radicalização dos demais líderes grevistas. “Quem elegeu Dilma foram os mesmos movimentos sociais que elegeram Lula”, diz. “A resistência em negociar pode levá-la ao isolamento. É um preço alto a pagar.” A opinião do sindicalista é compartilhada pela psicóloga Marinalva Barbosa, presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), principal entidade dos professores federais – de 59 universidades, 57 paralisaram suas atividades, assim como 33 dos 38 institutos tecnológicos. “O governo não sabe negociar”, diz. Com 47 anos e doutorado na USP, ela recebe R$ 11 mil como professora associada na Universidade Federal do Amapá. Para os sindicalistas, falta jogo de cintura por parte do governo. Estão insatisfeitos com o diálogo com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, e o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. Interlocutor oficial do governo com os representantes dos servidores, a agenda de Mendonça registra 180 reuniões desde março,  numa média de duas horas para cada encontro. Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a falta de uma saída é reflexo do esgotamento de um modelo de negociação. “É preciso negociar com antecedência”, afirma. “Não adianta deixar para última hora.” Enquanto o impasse não termina, milhões de brasileiros continuam sofrendo os efeitos perversos do movimento grevista. Reivindicar melhores salários é legítimo, o que não é certo é deixar um País inteiro refém do movimento.
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Com reportagem Alan Rodrigues e Pedro Marcondes de Moura

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O novo caminho de Dilma

por Antonio Carlos Prado e Fabíola Perez

A presidenta Dilma Rousseff abriu um novo caminho na condução da política econômica do Brasil. Se até o momento ela olhou prioritariamente para o estímulo ao consumo, na última semana ficou claro que passará a olhar também para investimentos na infraestrutura. O primeiro passo nessa direção foi dado com o anúncio do maior pacote de concessões para rodovias e ferrovias de toda a história do País: aporte da iniciativa privada na ordem de R$ 133 bilhões com o objetivo de impulsionar a economia a contar do ano que vem. Na primeira etapa serão duplicados 5,7 mil quilômetros de rodovias e construídos dez mil quilômetros de ferrovias com investimento de R$ 80 bilhões – a meta é que o valor seja integralizado em três décadas. “Nós não estamos nos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida. Estamos fazendo uma parceria para ampliar a infraestrutura e saldar uma dívida de atraso em investimentos logísticos”, disse a presidenta.

Fonte: http://www.istoe.com.br/assuntos/semana/0


 


 


 

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Olimpíadas Rio 2016)


"O Rio inteiro vai ser sacudido"

Presidente da Empresa Olímpica Municipal afirma que o legado da Olimpíada já está na cidade, mas alerta que alguns dos benefícios só serão percebidos muito depois de 2016

João Marcello Erthal e Giancarlo Lepiani
Maria Silvia é presidente da Empresa Olímpica Municipal
Maria Silvia é presidente da Empresa Olímpica Municipal (Marcelo Piu / Agência O Globo)
O bordão “imagina na Copa” costuma alertar para nossos pontos fracos. Mas em Londres, por exemplo, os problemas com ingressos mostram que ninguém é infalível. Quando li sobre os mísseis nos telhados em Londres, pensei na repercussão por aqui: ‘Imagina no Rio?’
Diante de um imenso mapa da Cidade do Rio, com círculos que demarcam intervenções para os Jogos Olímpicos de 2016, a presidente da Empresa Olímpica Municipal responde mensagens pelo celular, cobra detalhes de um assessor e orienta equipes reunidas que discutem projetos em outro andar do prédio. O ritmo de trabalho não é novo para Maria Silvia Bastos Marques, a executiva que já comandou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Icatu Hartford e foi secretária de Fazenda do Rio, para listar apenas algumas de suas empreitadas até aqui. A diferença, agora, não está só no tamanho do projeto – o maior evento do mundo, como destaca -, mas no grau de complexidade de algo que envolve três esferas de governo, licitações, parcerias com o setor privado e um compromisso acima de tudo: o de garantir o tal “legado” da Olimpíada.
A correria na empresa olímpica, um QG montado no Estácio, a meio caminho entre o centro e a zona sul do Rio, é típica dos momentos que antecedem um grande lançamento. Para os atletas, a primeira Olimpíada brasileira começa em quatro anos, mas para os gestores públicos e o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) o centro do mundo passa a ser o Rio no minuto seguinte ao encerramento dos jogos em Londres. A cobrança, as pressões e as comparações com o evento britânico de 9,3 bilhões de libras (28,5 bilhões de reais) multiplicam-se a partir desta segunda-feira.
Pouco antes de embarcar para os compromissos em Londres, a mulher que comanda a transformação do Rio rumo a 2016 conversou com o site de VEJA sobre o maior projeto já realizado no Brasil.
Muito se fala sobre o legado dos Jogos Olímpicos. Isso vai ser percebido imediatamente?
O legado da Olimpíada já está no Rio. As transformações até agora já justificariam o investimento. O projeto do porto, as mudanças urbanas e o ganho de qualidade para a cidade são indiscutíveis. A reforma que ocorre no centro é ambiciosa. No entanto, também é algo antigo, uma ideia de 20 anos atrás que não virava realidade. Há coisas que não aparecem tanto, como a regularização fundiária. Algumas melhorias têm um tempo maior de maturação. Por onde passa o BRT (sistema de faixas exclusivas de ônibus articulados) há uma reorganização geral da cidade, e há ganho de qualidade de vida e redução de poluição. Mas a requalificação completa dos bairros pode ocorrer num espaço de até duas décadas.
No Rio, as comparações levam a população a aguardar algo parecido com o que foi feito em Barcelona, onde houve uma transformação urbanística e para o esporte. É essa sua expectativa?
Sim e não. Temos pontos em comum com Barcelona, mas lá era mais fácil. Eles não tinham a violência, favelas. A cidade deles é menor, e os jogos também foram. Barcelona tem perto de 2 milhões de habitantes, nós temos 6 milhões. As semelhanças existem, e há objetivos parecidos. Estamos requalificando o porto, como eles. Mas não há comparação exata, porque as cidades têm problemas específicos. O Rio sempre foi complicado do ponto de vista administrativo, por ter sido capital federal, capital do Império. São questões que não existem em São Paulo, Belo Horizonte ou outra grande cidade.
E em relação a Londres?
Em Londres os esportes estão concentrados, o que concentra também o poder de transformação. No Rio há uma área maior envolvida, e o benefício também vai se distribuir mais. A candidatura foi muito concentrada na Barra da Tijuca. Mas o prefeito conseguiu transferir uma parte disso para o Porto. E isso foi importante, porque criou um projeto imobiliário numa região que vinha adormecida. As vilas de mídia e de árbitros depois se tornam um conjunto residencial, vendido preferencialmente para servidores do município. É uma ação de trazer de volta as moradias para o centro do Rio. O impacto positivo é muito grande e já vemos isso: casinhas são reformadas, numa cadeia que vem transformando a cidade.
Como se garante que um projeto tenha um benefício efetivo, além dos objetivos dos jogos?
Estamos criando indicadores no município para acompanhar isso ao longo dos próximos dez anos. As transformações importantes mudam a história de uma cidade, tanto que até hoje falamos de Pereira Passos (prefeito do Rio no início do século XX, que abriu a Avenida Rio Branco e reformou o centro). A Empresa Olímpica Municipal é a ponta visível do município. Por trás, estão todas as secretarias. O Parque Olímpico é um exemplo de como trabalhamos. Ele fará parte de um ‘cluster’ olímpico, do qual também fazem parte o Riocentro, o Parque dos Atletas e a Vila dos Atletas. Desenhamos para isso segurança, transporte, acessibilidade. E quando olhamos para o parque vemos que ele é mais que tudo isso junto. Estamos começando um projeto, por enquanto chamado de ‘Last Mile’ (última milha), para definir o percurso a partir de agora e olhar tudo de forma integrada.
O fato de termos a Copa do Mundo antes dos Jogos Olímpicos é um facilitador, ou isso é impressão?
As Olimpíadas são o maior evento do mundo. A Copa do Mundo é algo “mega” para a televisão. Mas para uma cidade não há comparação. As pessoas só terão essa noção quando isso estiver acontecendo no Rio: são 46 campeonatos ao mesmo tempo. Em Londres, a expectativa era da ordem de 10 milhões de turistas circulando em um intervalo de quatro semanas, e a nossa previsão é de que o Rio tenha um pouco mais. Por outro lado, ter toda essa gente voltando para seus países de origem e divulgando imagens, experiências, histórias da cidade, será maravilhoso.
Há uma grande preocupação com a infraestrutura da cidade.
Os desafios são imensos. Desde já, enquanto cuidamos de obras, planejamos para não ter problemas lá na frente. Por exemplo, sabemos que o Brasil não tem geradores de energia suficientes para a demanda em 2016, e isso tem que ser resolvido. Também não há ambulâncias disponíveis para tudo isso. No Galeão, vão desembarcar 700 cavalos. Não são animais comuns, mas cavalos olímpicos. Isso nunca aconteceu, porque antes isso era feito por Campinas, mas a quarentena necessária e os seguros, caríssimos, nos obrigam a trazer a operação para o Rio.
Recentemente, na Rio+20, tivemos problemas com hospedagem. Isso preocupa?
A rede hoteleira vai dobrar até 2016. Temos 19.000 quartos hoje na cidade. Em construção e licenciados, já são mais 9.000. Além da ampliação, os hotéis existentes estão se aprimorando. Tenho um amigo que sempre fica em um hotel em Ipanema. Na última semana, ele reclamou comigo, porque precisou ficar em Botafogo. O motivo era a reforma do hotel em que ele costumava se hospedar. Isso é ótimo para a cidade. O brasileiro é crítico, e o carioca parece ser ainda mais. Na Rio+20 a cidade se saiu muito bem. O bordão “imagina na Copa” costuma alertar para nossos pontos fracos. Mas em Londres, por exemplo, os problemas com ingressos mostram que ninguém é infalível. Quando li sobre os mísseis nos telhados em Londres, pensei na repercussão por aqui: ‘Imagina no Rio?’
A população comprou a ideia desde o início em Londres?
Na época da candidatura, a cidade não era majoritariamente favorável. O benefício para o morador tradicional realmente não é tão grande. Mas quem sente mais é o morador da área afetada. No Rio temos uma oportunidade imensa de melhorar a vida das pessoas. E o Rio inteiro vai ser sacudido. A máxima a que recorro é: se não incomodou, não está mudando. Todo mundo vai ter que se sentir incomodado em algum momento. No caso do metrô a batalha da comunicação foi mal jogada. Uma parte da população ficou contra um projeto que é importante para ela própria. Na estação General Osório, haverá um transtorno enorme. Todo mundo tem medo da mudança. Cabe a nós explicar bem o benefício que vem depois dela.
As críticas aos Jogos Pan-americanos de 2007 prejudicam a aceitação do projeto?
As pessoas ficaram mais desconfiadas. Não tenho razão nem interesse para defender o Pan, mas vejo que os equipamentos foram importantes para ganharmos a disputa. Penso que dificilmente a candidatura do Rio seria vencedora se não fossem os equipamentos do Pan. O Comitê Olímpico dificilmente bancaria a candidatura de uma cidade sem tradição e que não tivesse nada pronto. E os equipamentos vão ser usados: Engenhão, Maria Lenk, HSBC Arena. Só o velódromo não poderá receber competições. Na época em que foi feito o velódromo, a pista poderia até ser apropriada, mas o desenho do projeto já era inadequado.
Como é feita a passagem de bastão de Londres para o Rio?
Londres colabora muito com o Rio. Eles são muito profissionais, querem transferir tecnologia. Em novembro, teremos um ‘debriefing’, e eles vêm ao Rio para passar a experiência das olimpíadas. Este processo é uma exigência do COI. Eles passam para a Rio2016 a experiência, o que é importantíssimo para nós. Seis meses depois dos jogos, o trabalho da empresa olímpica continua. No Rio, vamos até dezembro de 2016, e teremos esse período para devolver aos governos tudo o que produzimos.
Já houve algo no Brasil que se compare ao tamanho e à complexidade dos Jogos Olímpicos?
Certamente não. Os Jogos Olímpicos são imensos. As coisas se somam. Nosso Parque Olímpico é pequeno em relação ao de Londres, porque vamos usar o Engenhão, o Maracanã. Mas ainda assim é algo imenso, que não pode ser pensado só para o que acontece durante os Jogos. Os acessos têm estações de BRT. Nos momentos de pico, o volume de usuários será enorme, mas isso não pode ser dimensionado pensando só assim. Temos que criar acessos definitivos e temporários, pensando em atender a população também depois do evento, mas considerando a melhor relação de custo para isso. Tudo estará em evidência, e não podemos errar a mão. Para cada projeto, temos que pensar no “modo jogos”, no “modo legado”, no custo temporário e no que vai acontecer depois das competições.
Que aprendizado o Rio consegue extrair de Londres, do ponto de vista de gestão da cidade?
Como esperávamos, os britânicos são brilhantes, e os Jogos são um sucesso de planejamento e execução. Mas é preciso considerar que Londres tem estágio de maturidade completamente diferente. Agora, depois da Olimpíada, entra em ação a Legacy Company, uma agência de desenvolvimento dos britânicos para expandir os benefícios gerados por todo esse investimento. Mas há uma batalha em especial que eles venceram com maestria: a da comunicação. Conseguiram vender muito bem os jogos para a população. O Parque Olímpico teve um projeto de integração com a comunidade. Foram tão competentes que começaram com um orçamento de 3 bilhões de libras, terminaram com 9,3 bilhões (28,5 bilhões de reais) e entram para a história com o discurso de que economizaram 500 mil libras.
E quanto isso vai custar no Rio?
É precipitado falar de um valor total agora. Partimos de um orçamento de 23,8 bilhões de reais na candidatura, com o dólar a 2 reais. Mas isso é um quebra-cabeça. A matriz de responsabilidade não é estanque, é um documento dinâmico, que vem desde o dossiê de candidaturas. E o orçamento evolui com a mudança de projetos, de traçados, de locais para as instalações. Algumas mudanças são sugestões e pedidos do COI. E isso é ótimo para nós, pois há uma transferência de tecnologia de que não dispomos. Temos projetos praticamente prontos e outros que sequer foram licitados. Se multiplicarmos isso com governos municipal, estadual e federal, a conta fica muito complexa. Há também a incorporação de módulos que não estavam no orçamento inicial. O Comitê Olímpico Internacional acompanha todos os movimentos e está atento a isso. Em Londres, foi criada uma verbalização única, um comitê que referendava todos os números, e dali saía uma informação única. Não sei se isso será possível no Brasil. A estrutura federativa de lá é muito diferente da nossa. Quando tivermos todos os projetos em nível de maturidade de projetos básico ou executivo licitados, poderemos ter ideia precisa do total. Atualmente ainda somamos bananas com laranjas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Entrada da Venezuela no Mercosul)


Sem Paraguai, Mercosul oficializa entrada da Venezuela

Atualizado em  31 de julho, 2012 - 15:45 (Brasília) 18:45 GMT
Presidentes dos países do Mercosul
Presidentes (da esq. para a dir.) Hugo Chávez, Dilma Rousseff, José Mujica e Cristina Kirchner
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira em Brasília, em reunião do Mercosul que selou a adesão de seu país ao bloco, que o ingresso de seu país inicia um "período de aceleração da história".
"“A partir de hoje entramos em um novo período de aceleração da história que estamos construindo, de mudanças históricas, políticas e geográficas", afirmou o venezuelano.
A reunião, convocada em caráter extraordinário, ocorre sem a presença do Paraguai, suspenso pelo bloco após a destituição de seu presidente Fernando Lugo, em junho. Pleiteada desde 2006, a entrada da Venezuela dependia apenas de aprovação do Congresso paraguaio.
Com a suspensão, abriu-se uma brecha para incorporar Caracas na última cúpula do bloco, em junho. O Paraguai, no entanto, estuda formas de contestar o ingresso venezuelano.
Nesta terça-feira, o presidente Federico Franco afirmou que a adesão voltará a ser analisada pelo Congresso paraguaio, que poderá aceitá-la ou rechaçá-la.

Momento 'histórico'

Em seu discurso, Chávez comparou a entrada da Venezuela com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dez anos.
"Sinto que o evento de hoje, a entrada da Venezuela no Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que este povo querido do Brasil elegeu como seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O povo do Brasil elegeu o Lula e começou a mudar a história".
Ele afirmou ainda que a adesão coincide com um novo ciclo político na Venezuela. Em outubro, o país terá eleições presidenciais, em que Chávez concorrerá a um novo mandato de seis anos. O venezuelano está no cargo desde 1999.
Além de Chávez e da presidente Dilma Rousseff, também participaram da cerimônia os presidentes do Uruguai, José Pepe Mujica, e da Argentina, Cristina Kirchner.
Em discurso, Dilma disse que os presidentes do Mercosul têm “consciência de que há importante trabalho técnico a ser feito para garantir plena incorporação da Venezuela ao bloco”
A partir do fim de agosto, um grupo de trabalho terá 180 dias para definir um cronograma de adequação da Venezuela ao Mercosul. O prazo é prorrogável pelo mesmo período de 180 dias. Para que a adesão ocorra de fato, a Venezuela terá de fazer uma série de ajustes tarifários.
Ainda assim, a presidente afirmou que a adesão do país amplia as capacidades do Mercosul, reforça seus recursos e abre oportunidades a empreendimentos.

Petróleo

“A Venezuela que tem reservas de petróleo e gás entre maiores do mundo tem buscado nos últimos anos uma industrialização que aumente a perspectiva de integrar a produção e empreendimentos conjuntos entre países”.
Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul passa a contar com população de 270 milhões de habitantes, ou 70% da população da América do Sul.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o PIB do bloco alcançará US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano), e seu território passará a 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul).
Em comunicado, o Itamaraty afirma que "a incorporação da Venezuela altera o posicionamento estratégico do bloco, que passa a estender-se do Caribe ao extremo sul do continente. O Mercosul se afirma, também, como potência energética global tanto em recursos renováveis quanto em não renováveis".

Como Montar uma Aula: Planejamento