segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O novo caminho de Dilma

por Antonio Carlos Prado e Fabíola Perez

A presidenta Dilma Rousseff abriu um novo caminho na condução da política econômica do Brasil. Se até o momento ela olhou prioritariamente para o estímulo ao consumo, na última semana ficou claro que passará a olhar também para investimentos na infraestrutura. O primeiro passo nessa direção foi dado com o anúncio do maior pacote de concessões para rodovias e ferrovias de toda a história do País: aporte da iniciativa privada na ordem de R$ 133 bilhões com o objetivo de impulsionar a economia a contar do ano que vem. Na primeira etapa serão duplicados 5,7 mil quilômetros de rodovias e construídos dez mil quilômetros de ferrovias com investimento de R$ 80 bilhões – a meta é que o valor seja integralizado em três décadas. “Nós não estamos nos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida. Estamos fazendo uma parceria para ampliar a infraestrutura e saldar uma dívida de atraso em investimentos logísticos”, disse a presidenta.

Fonte: http://www.istoe.com.br/assuntos/semana/0


 


 


 

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Olimpíadas Rio 2016)


"O Rio inteiro vai ser sacudido"

Presidente da Empresa Olímpica Municipal afirma que o legado da Olimpíada já está na cidade, mas alerta que alguns dos benefícios só serão percebidos muito depois de 2016

João Marcello Erthal e Giancarlo Lepiani
Maria Silvia é presidente da Empresa Olímpica Municipal
Maria Silvia é presidente da Empresa Olímpica Municipal (Marcelo Piu / Agência O Globo)
O bordão “imagina na Copa” costuma alertar para nossos pontos fracos. Mas em Londres, por exemplo, os problemas com ingressos mostram que ninguém é infalível. Quando li sobre os mísseis nos telhados em Londres, pensei na repercussão por aqui: ‘Imagina no Rio?’
Diante de um imenso mapa da Cidade do Rio, com círculos que demarcam intervenções para os Jogos Olímpicos de 2016, a presidente da Empresa Olímpica Municipal responde mensagens pelo celular, cobra detalhes de um assessor e orienta equipes reunidas que discutem projetos em outro andar do prédio. O ritmo de trabalho não é novo para Maria Silvia Bastos Marques, a executiva que já comandou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Icatu Hartford e foi secretária de Fazenda do Rio, para listar apenas algumas de suas empreitadas até aqui. A diferença, agora, não está só no tamanho do projeto – o maior evento do mundo, como destaca -, mas no grau de complexidade de algo que envolve três esferas de governo, licitações, parcerias com o setor privado e um compromisso acima de tudo: o de garantir o tal “legado” da Olimpíada.
A correria na empresa olímpica, um QG montado no Estácio, a meio caminho entre o centro e a zona sul do Rio, é típica dos momentos que antecedem um grande lançamento. Para os atletas, a primeira Olimpíada brasileira começa em quatro anos, mas para os gestores públicos e o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) o centro do mundo passa a ser o Rio no minuto seguinte ao encerramento dos jogos em Londres. A cobrança, as pressões e as comparações com o evento britânico de 9,3 bilhões de libras (28,5 bilhões de reais) multiplicam-se a partir desta segunda-feira.
Pouco antes de embarcar para os compromissos em Londres, a mulher que comanda a transformação do Rio rumo a 2016 conversou com o site de VEJA sobre o maior projeto já realizado no Brasil.
Muito se fala sobre o legado dos Jogos Olímpicos. Isso vai ser percebido imediatamente?
O legado da Olimpíada já está no Rio. As transformações até agora já justificariam o investimento. O projeto do porto, as mudanças urbanas e o ganho de qualidade para a cidade são indiscutíveis. A reforma que ocorre no centro é ambiciosa. No entanto, também é algo antigo, uma ideia de 20 anos atrás que não virava realidade. Há coisas que não aparecem tanto, como a regularização fundiária. Algumas melhorias têm um tempo maior de maturação. Por onde passa o BRT (sistema de faixas exclusivas de ônibus articulados) há uma reorganização geral da cidade, e há ganho de qualidade de vida e redução de poluição. Mas a requalificação completa dos bairros pode ocorrer num espaço de até duas décadas.
No Rio, as comparações levam a população a aguardar algo parecido com o que foi feito em Barcelona, onde houve uma transformação urbanística e para o esporte. É essa sua expectativa?
Sim e não. Temos pontos em comum com Barcelona, mas lá era mais fácil. Eles não tinham a violência, favelas. A cidade deles é menor, e os jogos também foram. Barcelona tem perto de 2 milhões de habitantes, nós temos 6 milhões. As semelhanças existem, e há objetivos parecidos. Estamos requalificando o porto, como eles. Mas não há comparação exata, porque as cidades têm problemas específicos. O Rio sempre foi complicado do ponto de vista administrativo, por ter sido capital federal, capital do Império. São questões que não existem em São Paulo, Belo Horizonte ou outra grande cidade.
E em relação a Londres?
Em Londres os esportes estão concentrados, o que concentra também o poder de transformação. No Rio há uma área maior envolvida, e o benefício também vai se distribuir mais. A candidatura foi muito concentrada na Barra da Tijuca. Mas o prefeito conseguiu transferir uma parte disso para o Porto. E isso foi importante, porque criou um projeto imobiliário numa região que vinha adormecida. As vilas de mídia e de árbitros depois se tornam um conjunto residencial, vendido preferencialmente para servidores do município. É uma ação de trazer de volta as moradias para o centro do Rio. O impacto positivo é muito grande e já vemos isso: casinhas são reformadas, numa cadeia que vem transformando a cidade.
Como se garante que um projeto tenha um benefício efetivo, além dos objetivos dos jogos?
Estamos criando indicadores no município para acompanhar isso ao longo dos próximos dez anos. As transformações importantes mudam a história de uma cidade, tanto que até hoje falamos de Pereira Passos (prefeito do Rio no início do século XX, que abriu a Avenida Rio Branco e reformou o centro). A Empresa Olímpica Municipal é a ponta visível do município. Por trás, estão todas as secretarias. O Parque Olímpico é um exemplo de como trabalhamos. Ele fará parte de um ‘cluster’ olímpico, do qual também fazem parte o Riocentro, o Parque dos Atletas e a Vila dos Atletas. Desenhamos para isso segurança, transporte, acessibilidade. E quando olhamos para o parque vemos que ele é mais que tudo isso junto. Estamos começando um projeto, por enquanto chamado de ‘Last Mile’ (última milha), para definir o percurso a partir de agora e olhar tudo de forma integrada.
O fato de termos a Copa do Mundo antes dos Jogos Olímpicos é um facilitador, ou isso é impressão?
As Olimpíadas são o maior evento do mundo. A Copa do Mundo é algo “mega” para a televisão. Mas para uma cidade não há comparação. As pessoas só terão essa noção quando isso estiver acontecendo no Rio: são 46 campeonatos ao mesmo tempo. Em Londres, a expectativa era da ordem de 10 milhões de turistas circulando em um intervalo de quatro semanas, e a nossa previsão é de que o Rio tenha um pouco mais. Por outro lado, ter toda essa gente voltando para seus países de origem e divulgando imagens, experiências, histórias da cidade, será maravilhoso.
Há uma grande preocupação com a infraestrutura da cidade.
Os desafios são imensos. Desde já, enquanto cuidamos de obras, planejamos para não ter problemas lá na frente. Por exemplo, sabemos que o Brasil não tem geradores de energia suficientes para a demanda em 2016, e isso tem que ser resolvido. Também não há ambulâncias disponíveis para tudo isso. No Galeão, vão desembarcar 700 cavalos. Não são animais comuns, mas cavalos olímpicos. Isso nunca aconteceu, porque antes isso era feito por Campinas, mas a quarentena necessária e os seguros, caríssimos, nos obrigam a trazer a operação para o Rio.
Recentemente, na Rio+20, tivemos problemas com hospedagem. Isso preocupa?
A rede hoteleira vai dobrar até 2016. Temos 19.000 quartos hoje na cidade. Em construção e licenciados, já são mais 9.000. Além da ampliação, os hotéis existentes estão se aprimorando. Tenho um amigo que sempre fica em um hotel em Ipanema. Na última semana, ele reclamou comigo, porque precisou ficar em Botafogo. O motivo era a reforma do hotel em que ele costumava se hospedar. Isso é ótimo para a cidade. O brasileiro é crítico, e o carioca parece ser ainda mais. Na Rio+20 a cidade se saiu muito bem. O bordão “imagina na Copa” costuma alertar para nossos pontos fracos. Mas em Londres, por exemplo, os problemas com ingressos mostram que ninguém é infalível. Quando li sobre os mísseis nos telhados em Londres, pensei na repercussão por aqui: ‘Imagina no Rio?’
A população comprou a ideia desde o início em Londres?
Na época da candidatura, a cidade não era majoritariamente favorável. O benefício para o morador tradicional realmente não é tão grande. Mas quem sente mais é o morador da área afetada. No Rio temos uma oportunidade imensa de melhorar a vida das pessoas. E o Rio inteiro vai ser sacudido. A máxima a que recorro é: se não incomodou, não está mudando. Todo mundo vai ter que se sentir incomodado em algum momento. No caso do metrô a batalha da comunicação foi mal jogada. Uma parte da população ficou contra um projeto que é importante para ela própria. Na estação General Osório, haverá um transtorno enorme. Todo mundo tem medo da mudança. Cabe a nós explicar bem o benefício que vem depois dela.
As críticas aos Jogos Pan-americanos de 2007 prejudicam a aceitação do projeto?
As pessoas ficaram mais desconfiadas. Não tenho razão nem interesse para defender o Pan, mas vejo que os equipamentos foram importantes para ganharmos a disputa. Penso que dificilmente a candidatura do Rio seria vencedora se não fossem os equipamentos do Pan. O Comitê Olímpico dificilmente bancaria a candidatura de uma cidade sem tradição e que não tivesse nada pronto. E os equipamentos vão ser usados: Engenhão, Maria Lenk, HSBC Arena. Só o velódromo não poderá receber competições. Na época em que foi feito o velódromo, a pista poderia até ser apropriada, mas o desenho do projeto já era inadequado.
Como é feita a passagem de bastão de Londres para o Rio?
Londres colabora muito com o Rio. Eles são muito profissionais, querem transferir tecnologia. Em novembro, teremos um ‘debriefing’, e eles vêm ao Rio para passar a experiência das olimpíadas. Este processo é uma exigência do COI. Eles passam para a Rio2016 a experiência, o que é importantíssimo para nós. Seis meses depois dos jogos, o trabalho da empresa olímpica continua. No Rio, vamos até dezembro de 2016, e teremos esse período para devolver aos governos tudo o que produzimos.
Já houve algo no Brasil que se compare ao tamanho e à complexidade dos Jogos Olímpicos?
Certamente não. Os Jogos Olímpicos são imensos. As coisas se somam. Nosso Parque Olímpico é pequeno em relação ao de Londres, porque vamos usar o Engenhão, o Maracanã. Mas ainda assim é algo imenso, que não pode ser pensado só para o que acontece durante os Jogos. Os acessos têm estações de BRT. Nos momentos de pico, o volume de usuários será enorme, mas isso não pode ser dimensionado pensando só assim. Temos que criar acessos definitivos e temporários, pensando em atender a população também depois do evento, mas considerando a melhor relação de custo para isso. Tudo estará em evidência, e não podemos errar a mão. Para cada projeto, temos que pensar no “modo jogos”, no “modo legado”, no custo temporário e no que vai acontecer depois das competições.
Que aprendizado o Rio consegue extrair de Londres, do ponto de vista de gestão da cidade?
Como esperávamos, os britânicos são brilhantes, e os Jogos são um sucesso de planejamento e execução. Mas é preciso considerar que Londres tem estágio de maturidade completamente diferente. Agora, depois da Olimpíada, entra em ação a Legacy Company, uma agência de desenvolvimento dos britânicos para expandir os benefícios gerados por todo esse investimento. Mas há uma batalha em especial que eles venceram com maestria: a da comunicação. Conseguiram vender muito bem os jogos para a população. O Parque Olímpico teve um projeto de integração com a comunidade. Foram tão competentes que começaram com um orçamento de 3 bilhões de libras, terminaram com 9,3 bilhões (28,5 bilhões de reais) e entram para a história com o discurso de que economizaram 500 mil libras.
E quanto isso vai custar no Rio?
É precipitado falar de um valor total agora. Partimos de um orçamento de 23,8 bilhões de reais na candidatura, com o dólar a 2 reais. Mas isso é um quebra-cabeça. A matriz de responsabilidade não é estanque, é um documento dinâmico, que vem desde o dossiê de candidaturas. E o orçamento evolui com a mudança de projetos, de traçados, de locais para as instalações. Algumas mudanças são sugestões e pedidos do COI. E isso é ótimo para nós, pois há uma transferência de tecnologia de que não dispomos. Temos projetos praticamente prontos e outros que sequer foram licitados. Se multiplicarmos isso com governos municipal, estadual e federal, a conta fica muito complexa. Há também a incorporação de módulos que não estavam no orçamento inicial. O Comitê Olímpico Internacional acompanha todos os movimentos e está atento a isso. Em Londres, foi criada uma verbalização única, um comitê que referendava todos os números, e dali saía uma informação única. Não sei se isso será possível no Brasil. A estrutura federativa de lá é muito diferente da nossa. Quando tivermos todos os projetos em nível de maturidade de projetos básico ou executivo licitados, poderemos ter ideia precisa do total. Atualmente ainda somamos bananas com laranjas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Entrada da Venezuela no Mercosul)


Sem Paraguai, Mercosul oficializa entrada da Venezuela

Atualizado em  31 de julho, 2012 - 15:45 (Brasília) 18:45 GMT
Presidentes dos países do Mercosul
Presidentes (da esq. para a dir.) Hugo Chávez, Dilma Rousseff, José Mujica e Cristina Kirchner
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira em Brasília, em reunião do Mercosul que selou a adesão de seu país ao bloco, que o ingresso de seu país inicia um "período de aceleração da história".
"“A partir de hoje entramos em um novo período de aceleração da história que estamos construindo, de mudanças históricas, políticas e geográficas", afirmou o venezuelano.
A reunião, convocada em caráter extraordinário, ocorre sem a presença do Paraguai, suspenso pelo bloco após a destituição de seu presidente Fernando Lugo, em junho. Pleiteada desde 2006, a entrada da Venezuela dependia apenas de aprovação do Congresso paraguaio.
Com a suspensão, abriu-se uma brecha para incorporar Caracas na última cúpula do bloco, em junho. O Paraguai, no entanto, estuda formas de contestar o ingresso venezuelano.
Nesta terça-feira, o presidente Federico Franco afirmou que a adesão voltará a ser analisada pelo Congresso paraguaio, que poderá aceitá-la ou rechaçá-la.

Momento 'histórico'

Em seu discurso, Chávez comparou a entrada da Venezuela com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dez anos.
"Sinto que o evento de hoje, a entrada da Venezuela no Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que este povo querido do Brasil elegeu como seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O povo do Brasil elegeu o Lula e começou a mudar a história".
Ele afirmou ainda que a adesão coincide com um novo ciclo político na Venezuela. Em outubro, o país terá eleições presidenciais, em que Chávez concorrerá a um novo mandato de seis anos. O venezuelano está no cargo desde 1999.
Além de Chávez e da presidente Dilma Rousseff, também participaram da cerimônia os presidentes do Uruguai, José Pepe Mujica, e da Argentina, Cristina Kirchner.
Em discurso, Dilma disse que os presidentes do Mercosul têm “consciência de que há importante trabalho técnico a ser feito para garantir plena incorporação da Venezuela ao bloco”
A partir do fim de agosto, um grupo de trabalho terá 180 dias para definir um cronograma de adequação da Venezuela ao Mercosul. O prazo é prorrogável pelo mesmo período de 180 dias. Para que a adesão ocorra de fato, a Venezuela terá de fazer uma série de ajustes tarifários.
Ainda assim, a presidente afirmou que a adesão do país amplia as capacidades do Mercosul, reforça seus recursos e abre oportunidades a empreendimentos.

Petróleo

“A Venezuela que tem reservas de petróleo e gás entre maiores do mundo tem buscado nos últimos anos uma industrialização que aumente a perspectiva de integrar a produção e empreendimentos conjuntos entre países”.
Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul passa a contar com população de 270 milhões de habitantes, ou 70% da população da América do Sul.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o PIB do bloco alcançará US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano), e seu território passará a 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul).
Em comunicado, o Itamaraty afirma que "a incorporação da Venezuela altera o posicionamento estratégico do bloco, que passa a estender-se do Caribe ao extremo sul do continente. O Mercosul se afirma, também, como potência energética global tanto em recursos renováveis quanto em não renováveis".

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Caso do Mensalão)


O julgamento do século

Depois de sete anos, o STF inicia o julgamento dos 38 réus do mensalão. Como a tendência é pela punição, o clima entre os acusados é de salve-se quem puder

Izabelle Torres e Claudio Dantas Sequeira
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HORA DA VERDADE
No plenário do STF, os 11 ministros começam a
julgar o processo do mensalão na quinta-feira 2
Nesta quinta-feira 2, após sete anos de expectativa, o Supremo Tribunal Federal dará início ao julgamento mais emblemático da história política do País. Durante esse tempo, o processo que apura a denúncia do esquema de compra de apoio parlamentar pelo PT ganhou volume e substância. Nas suas mais de 50 mil páginas, há centenas de relatórios de diligências feitas pela Polícia Federal e o Ministério Público, além dos depoimentos de 394 testemunhas. Os 38 réus, agora na iminência de serem sentenciados e acuados pela crescente pressão da opinião pública, demonstraram nos últimos dias que o instinto de sobrevivência já fala mais alto. Em vez do discurso afinado, quase corporativo, que adotavam no início da ação, os acusados passam a trocar acusações às vésperas do julgamento. As estratégias de defesa definitivamente mudaram. A regra que os advogados devem adotar no tribunal é a do cada um por si. 

Apesar dos discursos públicos de confiança na absolvição, os principais réus do processo revelam um estado de ânimo bem diferente em conversas particulares. Há um desânimo generalizado entre eles, decorrente da sensação real de que o espaço para a impunidade está cada vez menor e que o julgamento terá, de fato, consequências. O ex-ministro José Dirceu é um exemplo notório desse pessimismo. Apontado pelo Ministério Público como o “chefe da quadrilha”, Dirceu entrou em profunda depressão, segundo colaboradores próximos e ex-colegas de governo. Ele se tornou a síntese da fragmentação petista. Em conversas com amigos e empresários, Dirceu não esconde sua apreensão. Tem o semblante cansado e mantém o olhar distante. Em nada faz lembrar o confiante ministro que ditava as ordens na antessala da Presidência da República. Dirceu acha que será condenado e até preso. Acredita que sua sentença será usada para atender aos anseios da opinião pública. “Serei um símbolo desse julgamento”, reclamou com amigos. No decorrer do processo, o ex-ministro da Casa Civil esperava a solidariedade de parte dos réus, especialmente dos integrantes do chamado núcleo político do esquema. Sua defesa alegará que, depois de ter virado ministro, ele afastou-se da gestão do PT e, portanto, não tem responsabilidade por eventuais desvios do partido. Mas Dirceu não espera mais que esta tese seja endossada pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares e peloex-presidente da legenda, José Genoíno. Ele sabe que no PT suas alegações acabaram entendidas como uma tentativa de jogar toda a culpa pela montagem e operação do esquema no colo dos colegas e ex-dirigentes do partido. Se até alguns meses atrás tudo levava a crer que os réus iam para o STF com um discurso afinado, o que se observa agora é um cenário de divergências internas que pode resultar numa guerra de versões, conforme apurou ISTOÉ em conversas com advogados, réus e ministros do Supremo.

Segundo um dos ministros do Supremo, “houve notáveis mudanças de argumentos” ao longo do processo. Em sua defesa inicial e nos depoimentos que prestou à Justiça, Delúbio chegou a bancar a tese de que a ideia de fazer caixa 2 para ajudar aliados partiu exclusivamente dele. A versão consta das alegações finais de outros réus, como Anderson Adauto, José Genoíno e do próprio José Dirceu. Mas os advogados de Delúbio concluíram, nos últimos dias, que assumir a culpa não seria a melhor saída, pois sempre se soube que dentro do próprio PT havia uma rígida hierarquia. “Ninguém tomaria uma decisão importante, como a de levantar recursos financeiros, sem autorização de cima”, diz um militante ligado a Delúbio. Para se livrar da condenação por formação de quadrilha e corrupção ativa, cuja pena máxima é de 15 anos de cadeia, o ex-tesoureiro vai argumentar que houve apenas caixa 2. Ou seja, o dinheiro distribuído pelo publicitário Marcos Valério a políticos de diferentes legendas não seria para comprar apoio dentro do Congresso, mas apenas para quitar dívidas eleitorais. “Delúbio é o símbolo da solidariedade e do sangue vermelho. Mas não há provas de que houve compra de votos”, afirma seu advogado Sebastião Ferreira Leite.

A defesa de Delúbio, portanto, se chocará com os argumentos de Dirceu. O ex-ministro, por sua vez, transfere para o ex-deputado José Genoíno a responsabilidade pelas decisões partidárias. Para se defender, Genoíno dirá que, em 2002, quando o crime supostamente ocorreu, estava em campanha para o governo de São Paulo, o que teria lhe afastado das atividades partidárias. A versão de Genoíno devolve a responsabilidade para Delúbio Soares, que, segundo o ex-deputado, tinha total autonomia sobre as contas da legenda. “Em 2007, Genoino foi acusado nove vezes do crime de peculato, foi absolvido em todas. Ele estava em campanha, ora!”, diz o advogado Luiz Fernando Pacheco.

As divergências e transferências de responsabilidades entre as defesas não se restringirão ao núcleo político dos réus. O advogado do publicitário Duda Mendonça sugere que o empresário Marcos Valério, pivô do esquema, teria feito várias remessas para o exterior, não apenas a Duda. Embora o Ministério Público e a CPI dos Correiros não terem conseguido identificar outros pagamentos, um documento de 16 páginas, assinado pelos advogados Tales Castelo Branco e Frederico Crissiúma, que depois foram substituídos por Luciano Feldens, sustenta a versão das múltiplas remessas. Enquanto a defesa de Duda complica Marcos Valério, este, por sua vez, repassa a culpa para Delúbio. Advogado do publicitário, Marcelo Leonardo defenderá a tese de que seu cliente desconhecia os motivos dos pagamentos solicitados pelo tesoureiro do PT. Ele afirma que os empréstimos obtidos no Banco Rural e no BMG foram todos regulares e legais, conforme perícia da Polícia Federal. Esses valores saíram do banco para a conta da SMP&B e foram devidamente registrados no sistema do Banco Central – versão corroborada pela defesa do Banco Rural. Diz ainda que o dinheiro proveniente do fundo Visanet pertencia a uma empresa privada e nunca transitou em contas do Banco do Brasil. “Não há recursos públicos nos valores distribuídos por Marcos Valério a pedido do PT”, afirma.
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"DEU ERRADO"
Na sede da CUT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares disse que a engenharia
montada para quitar dívidas do PT desmoronou. Na casa da família em
Minas Gerais, José Dirceu (abaixo) é o retrato do abatimento
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Além do jogo individualizado para salvar a própria pele, há outra peculiaridade na atitude dos réus, como já perceberam os ministros que vão julgar o caso. Tanto nas alegações finais quanto nos documentos anexados de última hora, as defesas têm insistido em uma estratégia para desmontar a acusação de formação de quadrilha, que recai sobre nove dos 38 réus. Na avaliação de um dos ministros, se a tentativa de rebater os argumentos do Ministério Público referentes a esse delito for bem sucedida, o núcleo político conseguiria blindar o PT. Isto porque seria possível alegar que, se não houve associação de pessoas para praticar o crime, não houve o mensalão. Pelo menos neste aspecto, os petistas tendem a adotar um mesmo discurso. 

Como um último recurso, as defesas de alguns dos réus vão tentar apontar supostas falhas do processo. O advogado de José Dirceu, José Luis Oliveira, alegará que as provas produzidas na fase pré-judicial, apresentadas na denúncia do procurador-geral não foram corroboradas na fase judicial. “A absoluta inexistência de provas aptas a um decreto condenatório tem como primeiro responsável o próprio Ministério Público, que nem mesmo buscou produzir uma prova válida”, diz. No Supremo, no entanto, essas explicações dificilmente serão aceitas. A maioria dos ministros está afinada com a opinião pública. Carmen Lúcia, Rosa Weber, Joaquim Barbosa e o presidente Carlos Ayres Britto têm demonstrado internamente total intolerância com a corrupção. Britto, inclusive, adotou precauções para barrar quaisquer artimanhas dos advogados para adiar o julgamento. Preparou defensores públicos, caso alguém fique sem representante legal, e fez acordo com os colegas para que questões já julgadas, como o desmembramento do processo, sejam decididas em rito sumário. 

Conforme apurou ISTOÉ, no entanto, alguns dos integrantes do Supremo vão optar por marcar posição e demonstrar que não se deixarão influenciar pelo apelo popular. Isso deve se traduzir em ponderações mais longas sobre as defesas dos réus, o que não significa relaxamento no ato de julgar. O ministro Marco Aurélio Mello é um deles. Avesso às pressões, ele vai destacar em seus votos os argumentos usados pelos advogados. Mello é um dos ministros que mais vezes falou sobre o caso, sempre ressaltando a necessidade de um julgamento imparcial e “sem atropelos”. Sob essa tese, espera-se que os votos de Cezar Peluso, Luiz Fux e Celso de Mello sejam pela absolvição de réus que tiveram mero papel coadjuvante no esquema. Mesmo assim, apenas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, ligados ao PT, devem acatar a tese de crime eleitoral, defendida pelo PT, segundo relato de técnicos do próprio Supremo. 

Seja como for, por precaução os advogados dos 38 réus resolveram manter seus clientes longe dos holofotes. Nenhum deles deve comparecer ao Supremo até que sejam pronunciadas as sentenças. Nos últimos dias, aliás, a maioria dos réus optou pela discrição. Dirceu, depois de uma temporada na casa da mãe em Passa Quatro, em Minas Gerais, foi para São Paulo, de onde acompanhará o julgamento. Também no centro das acusações, o ex-presidente do PT José Genoíno resolveu tirar dez dias de férias, a partir da próxima semana, para acompanhar o julgamento na capital paulista. Na semana passada, Genoíno cumpriu sua rotina de trabalho normal como assessor especial do ministro da Defesa, Celso Amorim, mas acompanhou de perto todas as notícias a seu respeito. Na quinta-feira 26, reuniu-se com seu advogado Luiz Fernando Pacheco. “Genoíno ficou preocupado com as manifestações dos advogados réus ao longo da semana”, disse um amigo do petista. Marcos Valério, que mora numa mansão de muros altos em um bairro nobre de Belo Horizonte, só saiu de casa, na última semana, para ir ao escritório do sócio Rogério Toletino. 

Delúbio optou por acompanhar o julgamento do sítio da família em Goiânia. Mas, ao contrário dos outros réus, o ex-tesoureiro preferiu a exposição pública ao recolhimento. Nos últimos meses, o ex-tesoureiro fez um périplo pelo interior de Goiás e de Mato Grosso para tentar provar sua inocência durante encontros organizados pelo PT. Também fez visitas a Brasília e a São Paulo. Na terça-feira 24, Delúbio apareceu sorridente num ato em sua defesa na sede da CUT, no Setor de Diversões Sul, em Brasília. Para um auditório com mais de 70 pessoas, ele disse que a engenharia financeira que montou para quitar as dívidas do PT e dos partidos aliados desmoronou. “Deu errado, deu essa confusão toda”, disse o ex-tesoureiro. Em conversas reservadas, Delúbio afirma que espera pelo pior. “Dificilmente escaparei”, admite. 

Outro réu que preferiu manter-se em evidência nas vésperas do julgamento foi o autor das denúncias, Roberto Jefferson. Ele foi reeleito presidente do PTB na Convenção Nacional do partido, em Brasília, no último dia 19. Há duas semanas, anunciou sua internação no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro, onde fez uma angiotomografia e cintilografia miocárdia - tomografia computadorizada de tórax e abdômen. Também comunicou que seus médicos marcaram para o sábado 28 a retirada de um tumor no pâncreas que, segundo ele, “não é câncer”. Ao contrário de Delúbio, porém, Jefferson desafia o tribunal: “Não há condição de me condenarem”. Com a palavra, o Supremo. 
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domingo, 24 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Crise no Paraguai)


Segurança para os brasiguaios está garantida, diz 

ministro

Carmelo Caballero afirma que país está retomando o controle da

 ordem interna para reduzir possíveis ameaças

Terra e AFP
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Sob tensão provocada pelas críticas do Brasil à destituição do presidente Fernando Lugo, o novo governo do Paraguai intensifica as negociações para dar garantias de segurança aos brasiguaios (agricultores brasileiros que moram em território paraguaio). O novo ministro do Interior, Carmelo Caballero, responsável pela condução da política interna no país, disse que a questão é uma das prioridades do presidente Federico Franco.
"O que vocês chamam de brasiguaios merece todo o nosso respeito. Vamos conversar muito e analisar essa situação", disse Caballero. "A segurança deles está não só garantida por palavras, mas por ações. Estamos retomando o controle da ordem interna para reduzir as ameaças de insegurança."
Os brasiguaios, que vivem na sua maioria na região de fronteira do Brasil com o Paraguai, queixam-se da falta de apoio das autoridades paraguaias. Os agricultores contam que, em geral, são ameaçados por carperos (sem-terra paraguaios) e sofrem discriminação porque não são considerados paraguaios. Muitos estão no país há mais de duas décadas e tiveram filhos, que nasceram no território paraguaio.
O novo presidente Federico Franco chamou ontem os brasiguaios de "cidadãos paraguaios", na tentativa de desfazer o desconforto. O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, também prometeu dar atenção ao tema. No entanto, ele lembrou que a questão agrária no Paraguai é delicada.
No país vizinho, agricultores chamados de campesinos têm força política, depois que passaram a se organizar em entidades específicas, e conquistaram espaço político. Lugo foi um dos defensores do fortalecimento desses grupos. Paradoxalmente, um conflito no campo entre agricultores e agentes da polícia agravou a situação política de Lugo motivando seu impeachment.
Processo relâmpago
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Cuaraguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o 
Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.
A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.

domingo, 17 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Rio+20)


Rio, capital da Terra

Duas décadas depois da Eco-92, cidade recebe líderes mundiais para delinear o futuro do planeta; debates começam com confronto entre emergentes que querem fundos e ricos que evitam colocar a mão no bolso

Reportagem de Michel Alecrim
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NAÇÕES UNIDAS
Instalação com bandeiras dos países
participantes no Forte de Copacabana
Até a sexta-feira 22, o Riocentro está sob o domínio da Organização das Nações Unidas, responsável pela Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. É nesta “nação verde” que representantes de quase todos os países membros da ONU tentarão firmar compromissos para que a economia global continue crescendo, mas garantindo que as gerações futuras também tenham um planeta para explorar. 

É justamente pensando nelas que o principal – e mais aquecido – debate é intitulado “O futuro que queremos”. Técnicos e diplomatas quebram a cabeça e discutem a formulação de um documento que pode ser abençoado ou repudiado pelos líderes e autoridades mundiais que começam a chegar à capital na terça 19. Se fosse apenas um protocolo de intenções, seria mais fácil. Mas, passadas duas décadas desde a Eco 92, as expectativas, ambições e responsabilidades estão bem maiores. O tamanho do desafio também. No melhor dos mundos, o evento vai amarrar compromissos em questões como a erradicação da pobreza, produção de formas de energia mais limpas, preservação das florestas e oceanos e, principalmente, quem pagará a conta dos itens anteriores. Tarefa nada fácil.

Pelo menos, os formuladores do documento partem do consenso de que o desenvolvimento sustentável é o único caminho para evitar um colapso futuro da produção mundial. Mas, na hora em que é perguntado quem vai arcar com os investimentos iniciais desse capitalismo mais consciente, ninguém levanta a mão no pavilhão 4 do Riocentro. O bloco G77 – que reúne 130 países emergentes, entre os quais o Brasil – quer a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para projetos na área. Nenhum país rico se predispôs a assinar essa fatura. Há divergências menos reluzentes, mas que dão uma ideia da dificuldade de afinar o discurso que levará ao documento final. Exemplos: na proposta para erradicação da pobreza, os Estados Unidos querem que o texto fale de “extrema” pobreza, e o G77 discorda; o Japão quer a transferência de tecnologia de países ricos para os em desenvolvimento, mas os americanos e os europeus não aprovam. Até o Vaticano entra para discordar na parte que fala de igualdade e outros assuntos relacionados a sexo.
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INTRODUÇÃO
Um dos eventos paralelos da Rio+20, a exposição
"Biomas do Brasil" apresenta a rica biodiversidade nacional
Tanto trabalho pode ir para o ralo caso os líderes não aprovem o texto. Antes do início da convenção, era esperada a chegada de mais políticos do primeiro time, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos declinaram, mas isso não diminui a importância do evento. Pois mesmo quem não vem enviará seus mais bem preparados assessores. O secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang, comparou os dias de negociação que antecedem a reunião de cúpula a uma maratona. Diplomatas que acompanham a redação do documento “O Futuro que queremos” afirmam que só há consenso em relação a 25% dos pontos discutidos. Ele cobrou empenho dos países para que o Mundo não fique decepcionado. “Que ninguém se engane. A Rio+20 deve inspirar todas as nações e todas as partes para agir aqui e agora”, exortou o diplomata. O pragmatismo do chinês não encontra eco na sociedade civil, que esperava compromissos mais ousados em relação à emissão de gases poluentes e às mudanças climáticas. Apesar disso, o negociador-chefe brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, se diz otimista em relação ao avanço das discussões, mas faz cobranças: “Os ricos têm que dar o dinheiro prometido”. A mesma ideia foi defendida pela presidenta Dilma Rousseff em discurso durante a abertura dos trabalhos. “Meio ambiente não é adereço”, afirmou. 

Para assinar – ou não – o documento, são esperados 154 chefes de Estado ou de governo ou seus respectivos vices, segundo expectativa da ONU. Todos registraram pedido de pronunciamento na plenária da conferência. O Itamaraty estima que mais de 130 autoridades máximas estarão presentes na Rio+20. A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, decidiu participar na última hora e requisitou a reserva de 80 quartos para seu staff. Foi a senha para que se iniciasse o maior corre-corre na cidade. E o “jeitinho” brasileiro deu o ar da graça. Palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, o Sambódromo virou dormitório para 10.200 pessoas, representantes indígenas entre elas. Lá foram instalados 200 banheiros químicos, contratados 50 agentes de segurança e ônibus para locomoção dos abrigados no local. 

O burburinho está apenas começando. Já nos primeiros dias de conferência, a cidade sentiu os efeitos no trânsito, que ficou mais engarrafado nas principais vias expressas. Motivo de apreensão antes do início dos trabalhos, o clima de segurança prevaleceu. Especialista no assunto e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Newton Oliveira ressalta que, pelo fato de mais de 20 comunidades estarem hoje ocupadas permanentemente pela polícia — com as instalações das Unidades de Polícia pacificadoras (UPPs) —, a operação poderia preservar o comando civil e usar as Forças Armadas apenas como tropas auxiliares. Menos armamento pesado daria um clima mais ameno à cidade. Mas o Comando Militar do Leste (CML), que coordena toda a operação, não quis correr esse risco e informou que tem amparo para atuar nas ruas como força de segurança pública no período da Rio+20 por força de medida tomada pela presidenta Dilma Rousseff, em janeiro deste ano. Segundo o CML, a excepcionalidade está amparada na Constituição.
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CASA CHEIA
Estudantes e visitantes se reúnem no Espaço Humanidades para
ouvir palestra sobre o papel do professor na educação ambiental 
Tudo para que, em segurança, os líderes mundiais cheguem, se instalem, façam discursos, peguem suas canetas e voltem para casa com a certeza de ter participado de um momento histórico, no qual 20 anos depois as nações se reúnem para achar meios de esticar a vida útil da nossa casa.
Até a sexta-feira 22, o Riocentro está sob o domínio da Organização das Nações Unidas, responsável pela Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. É nesta “nação verde” que representantes de quase todos os países membros da ONU tentarão firmar compromissos para que a economia global continue crescendo, mas garantindo que as gerações futuras também tenham um planeta para explorar. 

É justamente pensando nelas que o principal – e mais aquecido – debate é intitulado “O futuro que queremos”. Técnicos e diplomatas quebram a cabeça e discutem a formulação de um documento que pode ser abençoado ou repudiado pelos líderes e autoridades mundiais que começam a chegar à capital na terça 19. Se fosse apenas um protocolo de intenções, seria mais fácil. Mas, passadas duas décadas desde a Eco 92, as expectativas, ambições e responsabilidades estão bem maiores. O tamanho do desafio também. No melhor dos mundos, o evento vai amarrar compromissos em questões como a erradicação da pobreza, produção de formas de energia mais limpas, preservação das florestas e oceanos e, principalmente, quem pagará a conta dos itens anteriores. Tarefa nada fácil.

Pelo menos, os formuladores do documento partem do consenso de que o desenvolvimento sustentável é o único caminho para evitar um colapso futuro da produção mundial. Mas, na hora em que é perguntado quem vai arcar com os investimentos iniciais desse capitalismo mais consciente, ninguém levanta a mão no pavilhão 4 do Riocentro. O bloco G77 – que reúne 130 países emergentes, entre os quais o Brasil – quer a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para projetos na área. Nenhum país rico se predispôs a assinar essa fatura. Há divergências menos reluzentes, mas que dão uma ideia da dificuldade de afinar o discurso que levará ao documento final. Exemplos: na proposta para erradicação da pobreza, os Estados Unidos querem que o texto fale de “extrema” pobreza, e o G77 discorda; o Japão quer a transferência de tecnologia de países ricos para os em desenvolvimento, mas os americanos e os europeus não aprovam. Até o Vaticano entra para discordar na parte que fala de igualdade e outros assuntos relacionados a sexo.
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"A Rio+20 deve inspirar todas as nações e
todas as partes para agir aqui e agora"

Sha Zukang, secretário-geral da Rio+20 
Tanto trabalho pode ir para o ralo caso os líderes não aprovem o texto. Antes do início da convenção, era esperada a chegada de mais políticos do primeiro time, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos declinaram, mas isso não diminui a importância do evento. Pois mesmo quem não vem enviará seus mais bem preparados assessores. O secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang, comparou os dias de negociação que antecedem a reunião de cúpula a uma maratona. Diplomatas que acompanham a redação do documento “O Futuro que queremos” afirmam que só há consenso em relação a 25% dos pontos discutidos. Ele cobrou empenho dos países para que o Mundo não fique decepcionado. “Que ninguém se engane. A Rio+20 deve inspirar todas as nações e todas as partes para agir aqui e agora”, exortou o diplomata. O pragmatismo do chinês não encontra eco na sociedade civil, que esperava compromissos mais ousados em relação à emissão de gases poluentes e às mudanças climáticas. Apesar disso, o negociador-chefe brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, se diz otimista em relação ao avanço das discussões, mas faz cobranças: “Os ricos têm que dar o dinheiro prometido”. A mesma ideia foi defendida pela presidenta Dilma Rousseff em discurso durante a abertura dos trabalhos. “Meio ambiente não é adereço”, afirmou. 

Para assinar – ou não – o documento, são esperados 154 chefes de Estado ou de governo ou seus respectivos vices, segundo expectativa da ONU. Todos registraram pedido de pronunciamento na plenária da conferência. O Itamaraty estima que mais de 130 autoridades máximas estarão presentes na Rio+20. A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, decidiu participar na última hora e requisitou a reserva de 80 quartos para seu staff. Foi a senha para que se iniciasse o maior corre-corre na cidade. E o “jeitinho” brasileiro deu o ar da graça. Palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, o Sambódromo virou dormitório para 10.200 pessoas, representantes indígenas entre elas. Lá foram instalados 200 banheiros químicos, contratados 50 agentes de segurança e ônibus para locomoção dos abrigados no local. 

O burburinho está apenas começando. Já nos primeiros dias de conferência, a cidade sentiu os efeitos no trânsito, que ficou mais engarrafado nas principais vias expressas. Motivo de apreensão antes do início dos trabalhos, o clima de segurança prevaleceu. Especialista no assunto e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Newton Oliveira ressalta que, pelo fato de mais de 20 comunidades estarem hoje ocupadas permanentemente pela polícia — com as instalações das Unidades de Polícia pacificadoras (UPPs) —, a operação poderia preservar o comando civil e usar as Forças Armadas apenas como tropas auxiliares. Menos armamento pesado daria um clima mais ameno à cidade. Mas o Comando Militar do Leste (CML), que coordena toda a operação, não quis correr esse risco e informou que tem amparo para atuar nas ruas como força de segurança pública no período da Rio+20 por força de medida tomada pela presidenta Dilma Rousseff, em janeiro deste ano. Segundo o CML, a excepcionalidade está amparada na Constituição. 

Tudo para que, em segurança, os líderes mundiais cheguem, se instalem, façam discursos, peguem suas canetas e voltem para casa com a certeza de ter participado de um momento histórico, no qual 20 anos depois as nações se reúnem para achar meios de esticar a vida útil da nossa casa.
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domingo, 10 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Caso Yoki)


Caso Yoki

Amante de Marcos Matsunaga deverá ser ouvida amanhã

Segundo advogado da família do empresário, outras duas pessoas devem ser ouvidas, incluindo o reverendo que celebrou o casamento de Marcos e Elize

Naiara Infante Bertão
A viúva Elize Matsunaga chega ao DHPP, em São Paulo
A viúva Elize Matsunaga chega ao DHPP, em São Paulo, nesta quarta-feira (Nilton Fukuda/AE)
Elize pode pegar entre 12 e 30 anos de prisão
A amante do executivo da Yoki Marcos Matsunaga, morto e esquartejado pela mulher em maio, deverá depor nesta segunda-feira no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, conforme disse ao site de VEJA o advogado da família do empresário morto, Luiz Flávio D'Urso.
Segundo o advogado de Elize Araújo Kitano Matsunaga, esposa de Marcos, a defesa quer que a amante confirme dois fatos: que passou grande parte dos dias 17,18 e 19 de maio com a empresário enquanto Elize, a filha e a babá visitavam sua família em Chopenzinho, no Paraná (a 394 km de Curitiba) e também que a amante ganhou um carro de Marcos no valor de apoximadamente 100 mil reais por volta desta época.
D'Urso, advogado da família do empresário, se reunirá com o delegado responsável pelo caso, Mauro Dias Gomes, também na segunda-feira para pedir à polícia que esclareça alguns pontos do caso.
"Quero que o delegado ouça novamente o reverendo (Renê, da Igreja Anglicana) que alertou Marcos sobre o perigo de ter armas em casa aproximadamente uma semana antes dele desaparecer", afirma D'Urso. O reverendo teria se encontrado com Marcos em um domingo que ele fora sozinho à igreja e falado que não era bom ele manter sua coleção de aproximadamente 30 armas em casa. Para o advogado da família, a conversa pode ter sido motivada por conta de alguma confissão de Elize ou comentário feito ao referendo.
D'Urso argumenta que se for comprovado que Elize planejou o crime na noite do dia 19 de maio, a sentença será mais dura. Ao contrário, se Elize agiu por impulso, uma eventual sentença seria mais branda. "A surpresa e a emoção podem atenuar a conduta", explica o advogado. Elize pode pegar entre 12 e 30 anos de cadeia.
O reverendo Renê, da Catedral Anglicana de São Paulo, casou Elize e Marcos, batizou sua filha e era o conselheiro do casal. Renê chegou a prestar depoimento antes de Elize confessar o crime, mas o advogado da família acredita que seria necessário um novo depoimento e vai fazer este pedido para o delegado nesta segunda-feira.
"Também queremos que o guarda rodoviário que parou e multou Elize enquanto ela levava as partes do corpo de Marcos deponha e esclareça se ela estava sozinha e como se comportou", diz D'Urso. Depois de atirar, matar e esquartejar o marido, Elize colocou partes de seu corpo em sacos plásticos azuis e os jogou em região de mata de Cotia (SP).

domingo, 3 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Jogos Olímpicos de Munique 1972)


Fürstenfeldbruck – desastre na base aérea
Por volta das 16h30, graças aos comentários ao vivo transmitidos na TV e no rádio no apartamento dos reféns, os terroristas palestinos viram como a polícia estava se posicionando para invadir o prédio. Os seqüestradores imediatamente exigiram a retirada dos atiradores e um vôo para o Cairo com os reféns israelenses. Os negociadores alemães concordaram com essa exigência depois que o Ministro Federal do Interior, Genscher, satisfeito com o fato dos reféns ainda estarem vivos, deu permissão.
Às 10h22 da noite, os terroristas foram transportados em dois helicópteros  para a base militar de Fürstenfeldbruck, a oeste de Munich, onde o plano era dominá-los. Os membros da equipe de gerenciamento da crise, incluindo Genscher e Daume, foram na frente em outro helicóptero acompanhados do chefe do serviço secreto israelense Zvi Zamir, e do Presidente do partido dominante da Bavária, o CSU, Franz Josef Strauss, e esperaram na torre do aeroporto.


Mas o plano idealizado pelo Chefe de Polícia de Munique, Georg Wolf, não funcionou: depois que dois palestinos inspecionaram o  Boeing 727 fornecido por volta das 10h40 da noite, os oficiais de polícia abriram fogo. Mas estavam em menor número e não conseguiram colocar todos os oito terroristas fora de ação de uma sóp vez. Somente três dos palestinos foram mortos. Os outros começaram um tiroteiro com as forças de segurança que durou muitas horas. Durante a ação, o policial Anton Fliegerbauer foi ferido mortalmente no andar térreo da torre. 
Erros desastrosos– como a trágica missão fracassou
Naquela noite em Fürstenfeldbruck, houve um contratempo após o outro. Para começar, toda a movimentação para libertar os reféns foi uma completa surpresa porque a polícia, disfarçada de funcionários da base, havia deixado o avião pouco antes dos helicópteros pousarem. A missão anti-terror mais parecia uma missão suicida para os oficiais que não tinham nenhum treinamento especial. 

Os franco-atiradores da polícia incluíam caçadores amadores e atiradores esportivos, e eram apenas cinco, porque até a equipe que gerenciava a crise chegar, supunha-se que havia apenas cinco atacantes. Os helicópteros não pousaram na posição planejada, deixando os atiradores em posições difíceis. Além disso, não tinham armas de precisão, nem capacetes ou coletes a prova de balas, e tiveram que agir sem rádio e sem contato visual pois, por um erro, não foram fornecidos walkie-talkies e equipamentos de visão noturna. Para piorar as coisas, os reforços pedidos ficaram presos em congestionamentos, enquanto outras unidades foram para o aeroporto de Riem, em Munique, porque a missão de controle simplesmente havia mencionado um “aeroporto”.
Quando os oficiais adicionais finalmente chegaram à pista de decolagem em suas vans blindadas, exigindo mais uma vez a rendição, OS terroristas lançaram uma granada em um dos helicópteros e atiraram no outro. Os reféns, que estavam amarrados às suas poltronas, não tiveram chance de escapar. Eles morreram em meio a fogo, fumaça e a uma saraivada de balas. Era meia noite e dez de 6 de setembro de 1972.
Às 1h32 da manhã, quando finalmente a última bala foi disparada, a dimensão da tragédia era evidente.  Todos os nove reféns morreram, assim como cinco dos oito terroristas. Dois atacantes ficaram gravemente feridos, e um levemente. Um policial foi morto e dois outros sofreram ferimentos graves. Muitos outros tiveram ferimentos leves.
 Mal-entendido trágico
A princípio, nenhuma declaração oficial foi feita no local da tragédia em Fürstenfeldbruck, porque as comunicações via rádio e a linha telefônica da torre foram interrompidas. Isso levou a um trágico mal-entendido: ‘Todos os reféns estão livres e ilesos!” foi a informação que o porta-voz do governo, Conrad Ahlers, divulgou quase meia-noite. Às 23h30, a agência de notícias Reuters espalhou pelo mundo a manchete: “Todos os reféns israelenses foram libertados”. Na manhã de 6 de setembro, as bancas de jornais exibiam manchetes completamente contraditórias, já que a trágica verdade não havia sido anunciada até as 3 da manhã.
A definição para a missão fracassada para libertar os reféns era uma só: um completo desastre. “Amadorismo evidente” foi o o veredito do chefe do serviço secreto israelense, General Zamir. O Chanceler da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, descreveu os eventos alguns dias depois como “uma prova chocante da incompetência alemã’.
Os Jogos Olímpicos foram interrompidos por um dia, com as bandeiras hasteadas a meio mastro. Na cerimônia fúnebre em 6 de setembro, o Presidente do Comitê Olímpico Internacional, Presidente Avery Brundage, declarou: “Os Jogos devem continuar”. Mas já não eram “Jogos Felizes” depois do ataque terrorista.
A equipe israelense partiu em 7 de setembro com os caixões de seus companheiros. Foram acompanhados pelo ex-prefeito de Munique, Hans-Jochen Vogel, e o Presidente do Conselho da Comunidade Judaica na Alemanha, Werner Nachmann, como representantes da República Federal da Alemanha, a bordo de um vôo especial da El Al para Tel Aviv.
Os corpos dos terroristas foram transferidos para Tripoli em 11 de setembro de 1972, a pedido do revolucionário e líder da Líbia, Colonel Gaddafi, onde receberam um funeral de heróis.

Como Montar uma Aula: Planejamento