domingo, 2 de outubro de 2011

Notícia da Semana Atualidades

50 Anos da Renúncia de Jânio Quadros


O populismo como religião

Em campanhas sucessivas, o professor de geografia que não fizera sucesso como advogado atraiu eleitores para um caminho que dispensou projetos políticos e programas ideológicos. Nascia o janismo


Julho de 1948 - Como vereador, fiscaliza o desperdício de verduras em feiras livres da cidade de São Paulo. Jânio, que tinha sido eleito como suplente, tomou posse depois que os mandatos dos políticos do Partido Comunista Brasileiro foram cassados
Julho de 1948 - Como vereador, fiscaliza o desperdício de verduras em feiras livres da cidade de São Paulo. Jânio, que tinha sido eleito como suplente, tomou posse depois que os mandatos dos políticos do Partido Comunista Brasileiro foram cassados - Acervo Iconographia

















Ele foi uma coleção de singularidades e paradoxos. Jânio Quadros segundo a certidão de batismo, o filho do médico Gabriel Nogueira Quadros e da dona de casa Leonor Silva Quadros resolveu, ainda menino, acrescentar um “da Silva” e juntar o mais comum dos sobrenomes ao prenome inspirado em Janus, o deus bifronte. Virou Jânio da Silva Quadros. Nascido em Campo Grande, inventou, quando estudante em Curitiba, um estranhíssimo sotaque sem parentesco com Mato Grosso, com o Paraná ou com qualquer região. O acento personalíssimo só pode ser encontrado na voz dos imitadores.
A política no rádio
Numa época em que a televisão ainda engatinhava, osjingles radiofônicos eram uma forte arma de convencimento. Jânio teve vários, além do célebre e excelente Varre, Varre, Vassourinha.
A vocação política e o estilo sublinhado pelo absurdo emergiram na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O candidato a primeiro-secretário do Centro Acadêmico XI de Agosto já exibia trajes desleixados e cabelos em desalinho, parecia pouco asseado, bebia com muita competência, apreciava frases empoladas e surpreendia concorrentes ortodoxos com métodos extravagantes. Passou boa parte da campanha sentado num barril, com chapéu de palha na cabeça circundado por uma faixa com três palavras: “Vote em Jânio”.
Vitorioso, o caçador de votos permaneceu adormecido até 1947, quando os alunos do Colégio Dante Alighieri decidiram conseguir uma vaga na Câmara Municipal para o professor de geografia que não fizera sucesso como advogado criminalista nem ingressara na carreira diplomática “por não corresponder aos padrões estéticos”. A direção dos ventos mudou em 1948, quando o suplente de vereador assumiu uma cadeira na Câmara Municipal.
O discurso que prometia varrer a bandalheira, punir os desonestos e enquadrar os ineptos encontrou um adversário perfeito: Adhemar de Barros, que consolidara a hegemonia regional e, simultaneamente, a imagem de corrupto. Como toda religião populista, o janismo  dispensou projetos políticos ou programas ideológicos. Bastavam frases de efeito valorizadas pela voz do único deus. “É a luta do tostão contra o milhão” ou “É preciso acabar com tudo isso que aí está”.
Em campanhas sucessivas, o domador das multidões com vassouras desfraldadas elegeu-se deputado estadual, prefeito de São Paulo, governador, deputado federal e presidente da República. Em apenas 13 anos, Jânio foi tudo. 
Adhemar de Barros (1901 - 1969)













 ADHEMAR DE BARROS (1901-1969)

Ao longo dos anos 50, a vassoura de Jânio e o trevo de Adhemar de Barros protagonizaram o Fla-Flu da política paulista. Hegemônicos desde 1938, quando o filho de fazendeiros de Piracicaba foi nomeado interventor por Getúlio Vargas, os ademaristas não conseguiram resistir ao inimigo que prometia varrer a corrupção. “Rouba, mas faz”, retrucavam os partidários de Adhemar, que voltariam ao poder depois da renúncia. “Sinto saudade dele”, contou Jânio em 1980. “Era a minha referência.”

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/o-populismo-como-religiao

Para mais informações: http://veja.abril.com.br/tema/50-anos-da-renuncia-de-janio-quadros

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades

Metal cumpre missão no primeiro fim de semana do Rock in Rio



Depois de noite com hits radiofônicos e refrões grudentos, bandas promovem catarse no festival


Terra


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O primeiro final de semana do Rock in Rio 4 foi uma ascendente: na sexta-feira (23), o pop de Katy Perry e Rihanna esbanjou hits radiofônicos. No sábado (24), o pop rock de "refrões chicletes" de Capital Inicial e Red Hot Chili Peppers puxaram um coro de 100 mil pessoas. Para fechar o domingo (25), o metal de Motörhead, Slipknot e Metallica cumpriu sua missão em uma catarse coletiva.

Sexta


O dia pop do Rock in Rio teve duas novas divas do pop atual: Rihanna e Katy Perry, que não fizeram feio e entregaram o que público queria. Hits radiofônicos, coreografias, decotes e poucas surpresas. Talvez quem mais tenha "perdido" nessa história seja Elton John, lenda viva da música, mas que ficou um pouco deslocado nesta escalação pop.

Sábado


O dia do reecontro do Rock in Rio com suas guitarras. NX Zero, Stone Sour, Capital Inicial, Snow Patrol e Red Hot Chili Peppers reuniram um bom punhado de hits para os fãs de pop e rock. Com sucessos de sobra, a banda de Anthony Kiedis e Flea montou um bom setlist, mas com muitos altos e baixos. A entrada do competente guitarrista Josh Klinghoffer faz o show continuar, mas deixa no ar a lacuna de John Frusciante, responsável pela maior parte de hits dos californianos.

Domingo


Novas bandas, novo público. A Cidade do Rock foi invadida por camisetas pretas e cabelos compridos. O dia do metal entregou o que prometia: peso. A trinca infalível de Motörhead, Slipknot e Metallica jogou em equipe. Lenda viva do rock, Lemmy Kilmister levou seus fãs ao delírio em plena forma aos 65 anos. Já os mascarados do Slipknot fizeram uma apresentação impecável. Incendiaram a arena e puxaram um coro com sucessos como Before I Forget e Duality. Com este terreno pronto, o Metallica não teve dificuldades para fechar com chave de ouro. Em boa fase do quarteto formado por James Hetfield, Rob Trujillo, Kirk Hammett e Lars Ulrich, canções como Enter Sandman, Nothing Else Matters, One e Sad But True praticamente fazem o show sozinhas.


Serviços


Trânsito


O esquema de trânsito do Rock in Rio não funcionou. As filas do ônibus tomaram conta na saída da Cidade do Rock. Quem não optava por este meio, chegava a andar até 5km para achar um táxi e correr o risco de ter que pagar um preço fechado fora do taxímetro. O bloqueio dos carros e táxi nem sempre é respeitado, fazendo com que o acesso seja baseado em informações desencontradas.


Alimentação


Filas e mais filas. Além dos preços abusivos (um hambúrguer pode custar de R$ 7 a R$ 13), a demora pelo atendimento chega a 45 minutos nos horários de pico. Com o serviço de cartão de crédito e débito inoperante em diversos postos, o estresse não era somente dos consumidores, mas também dos funcionários visivelmente insatisfeitos.

Banheiros


Se no primeiro dia os banheiros funcionaram bem, no segundo e no terceiro estes viraram lagos, e não eram de água. Com as filas, muitos usuários começaram a fazer suas necessidades onde bem entendiam. No terceiro dia, o odor se tornou insuportável em diversos banheiros para quem se arriscava a caminhar sobre as longas poças.

"Máfia do barril"


Com a fila nos bares, muitos comerciantes circularam entre o público com barris de cerveja e vendendo um copo a R$ 7. No esquema vale pagar até R$ 250 para que o vendedor fique servindo apenas um determinado grupo. Ao serem abordados, eles afirmam que não possuem mais o produto, mas seguem servindo as pessoas da roda com exlusividade.


Rock in Rio 4


Considerado um dos maiores festivais do mundo, o Rock in Rio cresceu, deixou o Brasil, mas retornou ao País em 2011 em sua quarta edição.


A festa da música começou na sexta-feira (23) com nomes renomados da música pop. No Palco Mundo, cantaram Claudia Leitte, Katy Perry, Elton John e Rihanna. No sábado (24), foi o rock pop de NX Zero, Stone Sour, Capital Inicial, Snow Patrol e do Red Hot Chili Peppers que agitou o público.


Fechando o primeiro fim de semana do Rock in Rio 4, muito metal e peso com Glória, Coheed and Cambria, Motörhead, Slipknot e Metallica, no domingo (25).


A segunda bateria de shows começa com clima dançante e muito soul de Janelle Monáe, Kesha, Jamiroquai e o veterano Stevie Wonder, na quinta-feira (29). O pop novamente é convocado na sexta-feira (30) ao som de Ivete Sangalo, Lenny Kravitz e Shakira.


No sábado (1/10), o Maná, Maroon 5 e o Coldplay se revezam com os brasileiros do Skank e o cantor Frejat no Palco Mundo. A despedida do Rock in Rio 4 fica com Pitty, Evanescence, System of a Down e Guns N´Roses.


Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/163105_METAL+CUMPRE+MISSAO+NO+PRIMEIRO+FIM+DE+SEMANA+DO+ROCK+IN+RIO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

domingo, 18 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Ameaça skinhead

Depois do PCC, a polícia de São Paulo está diante de um de seus maiores desafios: como enfrentar o aumento das gangues violentas e organizadas ideologicamente

Flávio Costa
Assista à conversa do repórter Flávio Costa com o ex-skinhead e escritor David Vega :
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INTOLERÂNCIA
Tatuagens skinheads no corpo de Lucas Rosseti, acusado de matar a facadas
Eugênio Bozola e Murilo Rezende da Silva (no detalhe) no crime da rua Oscar Freire
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A polícia de São Paulo está diante de um desafio de dimensão e complexidade semelhantes à luta contra o Primeiro Comando da Capital, o PCC. Divididas em correntes que representam de maneira caricatural todas as matizes do espectro ideológico, gangues de skinheads se proliferam nos centros urbanos, tendo como alvo preferencial gays, negros, nordestinos e judeus. Nas últimas semanas, uma série de ataques com a marca dessa facção se impôs sobre a cidade, atordoando as forças policias, que tentam aprender a lidar com esses delinquentes que misturam violência com ideologia. “São grupos fechados e com normas rígidas de conduta capazes de matar ou morrer por uma ideologia, o que dificulta ainda mais o trabalho das autoridades de segurança pública”, afirma a antropóloga Adriana Dias, do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo (Leer-USP). 

Povoado por jovens de diferentes origens sociais, com idades que variam entre 15 e 28 anos, o mundo dos skinheads é um círculo vicioso de violência. Nos últimos dois anos, as brigas ficaram ainda mais acirradas com o aumento do número de integrantes de gangues que rejeitam o preconceito racial e a homofobia. Autointituladas anarquistas e comunistas, elas são inimigas de gangues de ideais neonazistas, ou de ideologia nacionalista e conservadora, como os Carecas do ABC. O caldeirão ferve porque todos se encontram nos mesmos lugares. O show da banda inglesa Cock Sparrer em uma casa noturna no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, no dia 3 de setembro, por exemplo, foi uma tragédia anunciada. Havia membros de pelo menos 20 facções antes do início do evento. Houve um violento confronto que fugiu ao controle da polícia presente ao local. Entre as dezenas de feridos, um morto, Johni Raoni Falcão Galanciak, 25 anos, golpeado com 20 facadas. Guilherme Losano Oliveira, o “Treze”, foi preso pelo crime. Atualmente ele está envolvido com neonazistas, segundo policiais, e foi amigo de Galanciak. A antropóloga Adriana considera as penas imputadas às gangues muito brandas. “A impunidade colabora para um ambiente de intolerância cada vez maior.”

Titular da Delegacia de Crimes Raciais e de Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi), a delegada Margarette Barreto afirma que sua equipe já mapeou 25 gangues que agem de maneira violenta em São Paulo. O lugar mais recorrente dos conflitos é a rua Augusta, na zona central. Quase uma semana depois do confronto de Pinheiros, ISTOÉ apurou que skinheads foram acusados de cortar a garganta de um adolescente de 15 anos, membro da facção Carecas do Subúrbio, de orientação nacionalista. “Quando eu estava saindo da boate, eles me perseguiram e me cortaram com uma garrafa”, disse o jovem, que levou 12 pontos no pescoço.
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VIOLÊNCIA
David Vega (acima) escreveu um livro sobre suas experiências com neonazistas.
Guilherme “Treze” é preso pela polícia pelo assassinato do ex-amigo Johni Galanciak
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Outro caso característico do crime de ódio é o duplo assassinato do analista de sistemas Eugênio Bozola e do modelo Murilo Rezende da Silva, em um apartamento na rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins, região nobre de São Paulo. O autor do crime, Lucas Rosseti, 21 anos, chegou a escrever em sua conta no Twitter que “estava infiltrado no mundo gay”, antes de cometer o assassinato no final do mês passado. As vítimas foram mortas a facadas no apartamento de Bozola, que hospedava o modelo e Rosseti. As fotos do corpo de Rosseti, feitas no dia da sua detenção, no dia 10, mostram tatuagens de símbolos ligados aos skinheads, como soco-inglês, caveiras e a bandeira nacional rodeada por machados. Agora, a polícia investiga se ele tem envolvimento com facções radicais.

Foram registrados também pelo menos quatro casos de agressão contra nordestinos e negros por skinheads nos últimos dois meses em São Paulo. E esse tipo de violência ideológica atinge outras capitais brasileiras. No dia 7 de setembro, neonazistas agrediram um casal homossexual na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Distúrbios provocados por essas gangues foram anotados este ano no Recife e em cidades do Rio Grande do Sul. Mas há aqueles que querem dissociar o movimento do preconceito. Um protesto intitulado “Nazismo Nunca Mais”, organizado por “antifascistas” foi marcado para o sábado 17 na avenida Paulista, a fim de pontuar que há grupos contrários à violência. 

Violência conhecida de perto pelo estudante de sociologia, David Vega, 22 anos. Entre os 16 e 18, ele se envolveu com skinheads de orientação neonazista e participou de várias missões, entre elas xingar homossexuais e se envolver em arruaças. O apoio dos pais e a constante sensação de medo o fizeram se afastar das antigas amizades. “Você vive numa sociedade secreta, praticamente excluído do convívio social”, afirma. “Eles não se permitem questionar nada nem tentam entender o outro.” Da experiência restou um livro, “Cadarços Brancos” (Ed. Giostri). Os skinkeads apenas são democráticos quando o assunto é destilar seu ódio. A mais recente vítima foi a Miss Universo eleita no dia 12 de setembro em São Paulo, a angolana Leila Lopes, que se tornou alvo de injúrias raciais na internet. Em inglês e português, neonazistas expressaram sua revolta em fóruns contra a vitória de uma negra com xingamentos como “Filha de King Kong” e “Macaca”.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Após década turbulenta, EUA questionam reação aos ataques

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LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON


É como se a névoa de pó e escombros que subiu naquela manhã de 11 de Setembro em Nova York encobrisse o país inteiro, e os segundos da queda das Torres Gêmeas ensurdecessem os Estados Unidos por dez anos.
Custou uma década, mas os tabus e as dúvidas que tomaram governo e sociedade com os atentados em Manhattan, no Pentágono e na Pensilvânia começam a se dissipar. O país de 11/9/2011 é mais cético que o de 12/9/2001.
Esse despertar é notado por gente da direita e da esquerda do espectro político, como Charles Kupchan, Robert Kagan e Joseph Nye; por ativistas desencantados e por uma população mais desconfiada do que ocorreu naquele dia e do que foi feito depois em nome dele.
O mundo é outro, sem dúvida, e a importância dos atentados já seria inegável mesmo que só para expor ao planeta --e revelar a si mesma-- as impotências daquela que reivindicou para si o termo superpotência.
Mas o quanto dessas transformações nasceu ali, e o quanto delas foi apenas catalisado pela tragédia --essa conta, em dez anos, mudou.

"O 11 de Setembro transformou a política externa americana por uma década, e só agora a forma de os EUA lidarem com o mundo está voltando ao normal", diz Charles Kupchan, pesquisador do Council on Foreign Relations.
"Quando examinarmos esse período o veremos mais como uma aberração histórica do que uma transformação histórica", afirma Kupchan, que integrou o Conselho de Segurança Nacional no governo Bill Clinton.
A ascensão chinesa já estava lá, bem como o avanço da América Latina (seja a emergência do Brasil, ou a onda de governos de esquerda) e a perda de peso político da aliada Europa.
Os EUA apenas demoraram a notá-los --vácuo hoje mais visto como acelerador, e não causador, do processo.
"Nunca me convenci da tese da apolaridade global, e não acho que a estrutura do sistema internacional tenha mudado tanto assim", afirma Robert Kagan, estrategista e colunista conservador que esteve no Departamento de Estado de Ronald Reagan.
"Às vezes, as pessoas, ao olharem para trás, veem um passado imaginário no qual os EUA podiam fazer tudo que quisessem, mas isso nunca existiu", completa.
Na alusão cabem os neoconservadores que dominaram os primeiros anos do governo de George W. Bush e desencadearam uma reação hoje amplamente vista como apressada e exagerada.
Não há consenso se esse lapso, no longo prazo, parirá um país mais introvertido ou mais aberto ao mundo.
Nesse espectro minúsculo de história, três pontos são dados como certos, por ora: o ápice do unilateralismo ficou em 2003, no Iraque; Barack Obama mudou a retórica, mas não corrigiu o rumo externo dos EUA; e são as limitações da crise econômica que ditarão o envolvimento americano no mundo.

DIREITOS CIVIS
Em dez anos, o que já se sabe ter sido afetado de forma duradoura é a maneira de os EUA se defenderem e tratarem suas vulnerabilidades.
Essa mudança de visão afetou o país em algo que o define: as liberdades civis, antes um paradigma social, cultural e político americano, foram afrouxadas.
Analistas alertam que isso prevalecerá --mais do que a radicalização política que costuma ser atribuída às divisões acirradas na última década, mas surgida antes.
O 11 de Setembro tornou os americanos mais lenientes ao atropelamento da Constituição pelo Executivo, à tortura, à supressão de direitos, à prisão sem acusação nem julgamento, a Guantánamo.
Tanta leniência culminou em desencanto, diz Medea Benjamin, uma das principais ativistas antiguerra dos EUA: "Passaram dez anos, e pouco conseguimos. As pessoas cansaram".
Mais pessimista é Michael Ratner, presidente do Centro para Justiça Criminal e defensor de parte dos detentos esquecidos em Guantánamo.
"Obama não mudou quase nada. Isso tornou a depravação da liberdade uma característica permanente de nosso sistema."


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/973771-apos-decada-turbulenta-eua-questionam-reacao-aos-ataques.shtml

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Enchentes no Vale do Itajaí

As enchentes em Itajaí pode atingir 80% da cidade e se equiparar com as enchentes de 2008. Vamos torcer para não se repetir.
Abaixo o link da defesa civil de Itajaí, Brusque e Blumenau.


Itajaí: http://defesacivil.itajai.sc.gov.br/


Brusque: http://www.brusque.sc.gov.br/web/noticias.php?cod=26&categoria=76


Blumenau: http://www.blumenau.sc.gov.br/defesa/boletimnivel.asp

Imagens da tarde de 08/09 em Itajaí

Imagens feitas dos rios em Itajaí nesta tarde por volta das 17:00 hs.





Comunicado

Univali suspende atividades letivas nos dias 08 e 09/09. Também suspenderam aulas a Rede estadual de ensino no Vale do Itajaí, Rede Municipal de Ensino de Itajaí, Colégio São José, Colégio Salesiano, Colégio Unificado e Curso Técnico Geração.

Situação das chuvas no Vale do Itajaí

O Vale do Itajaí está em estado de alerta. A Furb Universidade Regional de Blumenau suspendeu as atividades acadêmicas a partir das 12:00 hs desta quinta-feira 08/09.
No link seguinte você pode conferir a situação das barragens: http://www.deinfra.sc.gov.br/barragens/situacao-em-tempo-real/ 
Confira o boletim da defesa civil de Blumenau: http://www.blumenau.sc.gov.br/defesa/boletimnivel.asp
Mais informações no decorrer da tarde.

domingo, 4 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades


A política por trás dos atos ‘culturais’ dos estudantes chilenos

Para driblar a necessidade de autorização oficial para protestos, jovens promovem eventos de música, dança e teatro em que divulgam suas ideias

Cecília Araújo, de Santiago
Estudantes fazem "Corrida pela Educação" no palácio presidencial de La Moneda para exigir educação gratuita no Chile
Estudantes fazem "Corrida pela Educação" no palácio presidencial de La Moneda para exigir educação gratuita no Chile(Martin Bernetti / AFP)
Nas últimas semanas, toda vez em que se passa em frente ao palácio presidencial La Moneda, se escuta uma música alta. O estilo varia com o dia e o horário: pode ser pop, rock, jazz, metal, eletro. Caminhando pouco mais de um quarteirão em direção à sua origem, chega-se à Universidade do Chile. De lá, o barulho chega a incomodar os ouvidos pela altura. Na porta da universidade, se postam diariamente vários alunos ligados ao movimento estudantil e seus “colaboradores”: DJs, músicos, dançarinos, atores... Atualmente, apenas uma faculdade de todo o campus segue tendo aulas - os próprios alunos escolhem semanalmente se voltarão a estudar na semana seguinte, ou não. Na falta das aulas, os mais engajados optam pelo “voluntariado” em prol da “educação gratuita” e do “fim do lucro".

Entenda o caso


  1. • Em maio, estudantes chilenos tomaram as ruas do país para protestar contra a má qualidade do ensino - e as manifestações seguem ocorrendo quase que diariamente.
  2. • Entre as reivindicações, das quais recebem apoio da maioria da população, exigem principalmente educação gratuita.
  3. • Em resposta, o presidente, Sebastián Piñera, lançou um plano de reforma para o setor, que amplia bolsas de estudos e créditos a taxas baixas a alunos pobres, mas a proposta não foi bem recebida.
  4. • No dia 26 de agosto, os confrontos entre polícia e manifestantes causaram a primeira morte: um adolescente de 16 anos, que foi baleado durante a greve geral (quando centrais sindicais se uniram aos jovens).
Pelas ruas, pedem colaborações financeiras aos passantes para continuarem a divulgação de seus ideais – em grande parte utópicos. Com o dinheiro, promovem eventos: apresentações quase diárias de música, dança e teatro. Desses encontros, podem surgir surpreendentemente atos e marchas sobre o tema. “Há manifestações que acontecem do nada”, opina um deles. Mas a grande maioria deles é combinada previamente, principalmente pelas redes sociais.
Na tarde desta sexta-feira acontece um desses atos programados, desta vez por um “basta à violência contra a educação”, motivado pela noite violenta de 25 de agosto que terminou com a morte de um adolescente e dezenas de feridos. Como as manifestações tem que ser solicitadas e aprovadas pelo governo antes de serem realizadas, os estudantes usam desses atos - que não deixam de ser uma forma de protesto político, só que mais ameno - para divulgar os seus ideais. Esse é um ato pontual, que não foi feito em um lugar central da cidade para reunir muita gente, mas os organizadores acreditam que ações pontuais também ajudam a conscientizar as pessoas. “Decidimos fazer o nosso protesto no bairro Brasil, onde está o colégio, para fazermos nossa parte ao lado do movimento estudantil pelas melhorias na educação”, disse o professor da entidade docente do Chile (Colégio de Professores do Chile), Luis Vicente.
Mais cedo, houve uma marcha não aprovada pelo governo promovida pela Assembleia Coordenadora de Estudantes do Ensino Médio no Chile (Aces) para protestar contra a exclusão de seus representantes na primeira audiência com o presidente Sebástian Piñera, marcada para sábado às 10 horas da manhã. A manifestação, contudo, durou pouco mais de uma hora, contando com algumas poucas centenas de estudantes, e logo foi interrompida pela polícia.
Frequência - Na Universidade Católica, o cenário de mobilização se repete – embora menos drástico. Nesta semana, 16 das 33 faculdades já voltaram às aulas. Mesmo assim, além dos estudantes que estão de fato assistindo às classes, marcam presença diária na universidade também aqueles que organizam fóruns e debates sobre o sistema educacional, e outros que se aproveitam da mobilização para entreter-se ao lado dos outros colegas. São muitos os estudantes de escolas privadas que também se envolvem no movimento estudantil. Esteban Hermosilla, de 20 anos, estudante da faculdade privada Instituto Profissional do Chile, defende a representatividade desses alunos no movimento, que, segundo ele, até agora se focam somente em instituições que recebem aporte público. “Muitos estudantes com poucas condições acabam tendo que entrar em universidades privadas. Pedimos uma reforma que abranja também esses estudantes, para que possam requerer uma participação do estado em seus gastos”, defende.

Como Montar uma Aula: Planejamento