domingo, 24 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Crise no Paraguai)


Segurança para os brasiguaios está garantida, diz 

ministro

Carmelo Caballero afirma que país está retomando o controle da

 ordem interna para reduzir possíveis ameaças

Terra e AFP
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Sob tensão provocada pelas críticas do Brasil à destituição do presidente Fernando Lugo, o novo governo do Paraguai intensifica as negociações para dar garantias de segurança aos brasiguaios (agricultores brasileiros que moram em território paraguaio). O novo ministro do Interior, Carmelo Caballero, responsável pela condução da política interna no país, disse que a questão é uma das prioridades do presidente Federico Franco.
"O que vocês chamam de brasiguaios merece todo o nosso respeito. Vamos conversar muito e analisar essa situação", disse Caballero. "A segurança deles está não só garantida por palavras, mas por ações. Estamos retomando o controle da ordem interna para reduzir as ameaças de insegurança."
Os brasiguaios, que vivem na sua maioria na região de fronteira do Brasil com o Paraguai, queixam-se da falta de apoio das autoridades paraguaias. Os agricultores contam que, em geral, são ameaçados por carperos (sem-terra paraguaios) e sofrem discriminação porque não são considerados paraguaios. Muitos estão no país há mais de duas décadas e tiveram filhos, que nasceram no território paraguaio.
O novo presidente Federico Franco chamou ontem os brasiguaios de "cidadãos paraguaios", na tentativa de desfazer o desconforto. O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, também prometeu dar atenção ao tema. No entanto, ele lembrou que a questão agrária no Paraguai é delicada.
No país vizinho, agricultores chamados de campesinos têm força política, depois que passaram a se organizar em entidades específicas, e conquistaram espaço político. Lugo foi um dos defensores do fortalecimento desses grupos. Paradoxalmente, um conflito no campo entre agricultores e agentes da polícia agravou a situação política de Lugo motivando seu impeachment.
Processo relâmpago
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Cuaraguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o 
Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.
A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.

domingo, 17 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Rio+20)


Rio, capital da Terra

Duas décadas depois da Eco-92, cidade recebe líderes mundiais para delinear o futuro do planeta; debates começam com confronto entre emergentes que querem fundos e ricos que evitam colocar a mão no bolso

Reportagem de Michel Alecrim
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NAÇÕES UNIDAS
Instalação com bandeiras dos países
participantes no Forte de Copacabana
Até a sexta-feira 22, o Riocentro está sob o domínio da Organização das Nações Unidas, responsável pela Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. É nesta “nação verde” que representantes de quase todos os países membros da ONU tentarão firmar compromissos para que a economia global continue crescendo, mas garantindo que as gerações futuras também tenham um planeta para explorar. 

É justamente pensando nelas que o principal – e mais aquecido – debate é intitulado “O futuro que queremos”. Técnicos e diplomatas quebram a cabeça e discutem a formulação de um documento que pode ser abençoado ou repudiado pelos líderes e autoridades mundiais que começam a chegar à capital na terça 19. Se fosse apenas um protocolo de intenções, seria mais fácil. Mas, passadas duas décadas desde a Eco 92, as expectativas, ambições e responsabilidades estão bem maiores. O tamanho do desafio também. No melhor dos mundos, o evento vai amarrar compromissos em questões como a erradicação da pobreza, produção de formas de energia mais limpas, preservação das florestas e oceanos e, principalmente, quem pagará a conta dos itens anteriores. Tarefa nada fácil.

Pelo menos, os formuladores do documento partem do consenso de que o desenvolvimento sustentável é o único caminho para evitar um colapso futuro da produção mundial. Mas, na hora em que é perguntado quem vai arcar com os investimentos iniciais desse capitalismo mais consciente, ninguém levanta a mão no pavilhão 4 do Riocentro. O bloco G77 – que reúne 130 países emergentes, entre os quais o Brasil – quer a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para projetos na área. Nenhum país rico se predispôs a assinar essa fatura. Há divergências menos reluzentes, mas que dão uma ideia da dificuldade de afinar o discurso que levará ao documento final. Exemplos: na proposta para erradicação da pobreza, os Estados Unidos querem que o texto fale de “extrema” pobreza, e o G77 discorda; o Japão quer a transferência de tecnologia de países ricos para os em desenvolvimento, mas os americanos e os europeus não aprovam. Até o Vaticano entra para discordar na parte que fala de igualdade e outros assuntos relacionados a sexo.
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INTRODUÇÃO
Um dos eventos paralelos da Rio+20, a exposição
"Biomas do Brasil" apresenta a rica biodiversidade nacional
Tanto trabalho pode ir para o ralo caso os líderes não aprovem o texto. Antes do início da convenção, era esperada a chegada de mais políticos do primeiro time, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos declinaram, mas isso não diminui a importância do evento. Pois mesmo quem não vem enviará seus mais bem preparados assessores. O secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang, comparou os dias de negociação que antecedem a reunião de cúpula a uma maratona. Diplomatas que acompanham a redação do documento “O Futuro que queremos” afirmam que só há consenso em relação a 25% dos pontos discutidos. Ele cobrou empenho dos países para que o Mundo não fique decepcionado. “Que ninguém se engane. A Rio+20 deve inspirar todas as nações e todas as partes para agir aqui e agora”, exortou o diplomata. O pragmatismo do chinês não encontra eco na sociedade civil, que esperava compromissos mais ousados em relação à emissão de gases poluentes e às mudanças climáticas. Apesar disso, o negociador-chefe brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, se diz otimista em relação ao avanço das discussões, mas faz cobranças: “Os ricos têm que dar o dinheiro prometido”. A mesma ideia foi defendida pela presidenta Dilma Rousseff em discurso durante a abertura dos trabalhos. “Meio ambiente não é adereço”, afirmou. 

Para assinar – ou não – o documento, são esperados 154 chefes de Estado ou de governo ou seus respectivos vices, segundo expectativa da ONU. Todos registraram pedido de pronunciamento na plenária da conferência. O Itamaraty estima que mais de 130 autoridades máximas estarão presentes na Rio+20. A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, decidiu participar na última hora e requisitou a reserva de 80 quartos para seu staff. Foi a senha para que se iniciasse o maior corre-corre na cidade. E o “jeitinho” brasileiro deu o ar da graça. Palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, o Sambódromo virou dormitório para 10.200 pessoas, representantes indígenas entre elas. Lá foram instalados 200 banheiros químicos, contratados 50 agentes de segurança e ônibus para locomoção dos abrigados no local. 

O burburinho está apenas começando. Já nos primeiros dias de conferência, a cidade sentiu os efeitos no trânsito, que ficou mais engarrafado nas principais vias expressas. Motivo de apreensão antes do início dos trabalhos, o clima de segurança prevaleceu. Especialista no assunto e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Newton Oliveira ressalta que, pelo fato de mais de 20 comunidades estarem hoje ocupadas permanentemente pela polícia — com as instalações das Unidades de Polícia pacificadoras (UPPs) —, a operação poderia preservar o comando civil e usar as Forças Armadas apenas como tropas auxiliares. Menos armamento pesado daria um clima mais ameno à cidade. Mas o Comando Militar do Leste (CML), que coordena toda a operação, não quis correr esse risco e informou que tem amparo para atuar nas ruas como força de segurança pública no período da Rio+20 por força de medida tomada pela presidenta Dilma Rousseff, em janeiro deste ano. Segundo o CML, a excepcionalidade está amparada na Constituição.
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CASA CHEIA
Estudantes e visitantes se reúnem no Espaço Humanidades para
ouvir palestra sobre o papel do professor na educação ambiental 
Tudo para que, em segurança, os líderes mundiais cheguem, se instalem, façam discursos, peguem suas canetas e voltem para casa com a certeza de ter participado de um momento histórico, no qual 20 anos depois as nações se reúnem para achar meios de esticar a vida útil da nossa casa.
Até a sexta-feira 22, o Riocentro está sob o domínio da Organização das Nações Unidas, responsável pela Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. É nesta “nação verde” que representantes de quase todos os países membros da ONU tentarão firmar compromissos para que a economia global continue crescendo, mas garantindo que as gerações futuras também tenham um planeta para explorar. 

É justamente pensando nelas que o principal – e mais aquecido – debate é intitulado “O futuro que queremos”. Técnicos e diplomatas quebram a cabeça e discutem a formulação de um documento que pode ser abençoado ou repudiado pelos líderes e autoridades mundiais que começam a chegar à capital na terça 19. Se fosse apenas um protocolo de intenções, seria mais fácil. Mas, passadas duas décadas desde a Eco 92, as expectativas, ambições e responsabilidades estão bem maiores. O tamanho do desafio também. No melhor dos mundos, o evento vai amarrar compromissos em questões como a erradicação da pobreza, produção de formas de energia mais limpas, preservação das florestas e oceanos e, principalmente, quem pagará a conta dos itens anteriores. Tarefa nada fácil.

Pelo menos, os formuladores do documento partem do consenso de que o desenvolvimento sustentável é o único caminho para evitar um colapso futuro da produção mundial. Mas, na hora em que é perguntado quem vai arcar com os investimentos iniciais desse capitalismo mais consciente, ninguém levanta a mão no pavilhão 4 do Riocentro. O bloco G77 – que reúne 130 países emergentes, entre os quais o Brasil – quer a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para projetos na área. Nenhum país rico se predispôs a assinar essa fatura. Há divergências menos reluzentes, mas que dão uma ideia da dificuldade de afinar o discurso que levará ao documento final. Exemplos: na proposta para erradicação da pobreza, os Estados Unidos querem que o texto fale de “extrema” pobreza, e o G77 discorda; o Japão quer a transferência de tecnologia de países ricos para os em desenvolvimento, mas os americanos e os europeus não aprovam. Até o Vaticano entra para discordar na parte que fala de igualdade e outros assuntos relacionados a sexo.
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"A Rio+20 deve inspirar todas as nações e
todas as partes para agir aqui e agora"

Sha Zukang, secretário-geral da Rio+20 
Tanto trabalho pode ir para o ralo caso os líderes não aprovem o texto. Antes do início da convenção, era esperada a chegada de mais políticos do primeiro time, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos declinaram, mas isso não diminui a importância do evento. Pois mesmo quem não vem enviará seus mais bem preparados assessores. O secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang, comparou os dias de negociação que antecedem a reunião de cúpula a uma maratona. Diplomatas que acompanham a redação do documento “O Futuro que queremos” afirmam que só há consenso em relação a 25% dos pontos discutidos. Ele cobrou empenho dos países para que o Mundo não fique decepcionado. “Que ninguém se engane. A Rio+20 deve inspirar todas as nações e todas as partes para agir aqui e agora”, exortou o diplomata. O pragmatismo do chinês não encontra eco na sociedade civil, que esperava compromissos mais ousados em relação à emissão de gases poluentes e às mudanças climáticas. Apesar disso, o negociador-chefe brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, se diz otimista em relação ao avanço das discussões, mas faz cobranças: “Os ricos têm que dar o dinheiro prometido”. A mesma ideia foi defendida pela presidenta Dilma Rousseff em discurso durante a abertura dos trabalhos. “Meio ambiente não é adereço”, afirmou. 

Para assinar – ou não – o documento, são esperados 154 chefes de Estado ou de governo ou seus respectivos vices, segundo expectativa da ONU. Todos registraram pedido de pronunciamento na plenária da conferência. O Itamaraty estima que mais de 130 autoridades máximas estarão presentes na Rio+20. A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, decidiu participar na última hora e requisitou a reserva de 80 quartos para seu staff. Foi a senha para que se iniciasse o maior corre-corre na cidade. E o “jeitinho” brasileiro deu o ar da graça. Palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, o Sambódromo virou dormitório para 10.200 pessoas, representantes indígenas entre elas. Lá foram instalados 200 banheiros químicos, contratados 50 agentes de segurança e ônibus para locomoção dos abrigados no local. 

O burburinho está apenas começando. Já nos primeiros dias de conferência, a cidade sentiu os efeitos no trânsito, que ficou mais engarrafado nas principais vias expressas. Motivo de apreensão antes do início dos trabalhos, o clima de segurança prevaleceu. Especialista no assunto e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Newton Oliveira ressalta que, pelo fato de mais de 20 comunidades estarem hoje ocupadas permanentemente pela polícia — com as instalações das Unidades de Polícia pacificadoras (UPPs) —, a operação poderia preservar o comando civil e usar as Forças Armadas apenas como tropas auxiliares. Menos armamento pesado daria um clima mais ameno à cidade. Mas o Comando Militar do Leste (CML), que coordena toda a operação, não quis correr esse risco e informou que tem amparo para atuar nas ruas como força de segurança pública no período da Rio+20 por força de medida tomada pela presidenta Dilma Rousseff, em janeiro deste ano. Segundo o CML, a excepcionalidade está amparada na Constituição. 

Tudo para que, em segurança, os líderes mundiais cheguem, se instalem, façam discursos, peguem suas canetas e voltem para casa com a certeza de ter participado de um momento histórico, no qual 20 anos depois as nações se reúnem para achar meios de esticar a vida útil da nossa casa.
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domingo, 10 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Caso Yoki)


Caso Yoki

Amante de Marcos Matsunaga deverá ser ouvida amanhã

Segundo advogado da família do empresário, outras duas pessoas devem ser ouvidas, incluindo o reverendo que celebrou o casamento de Marcos e Elize

Naiara Infante Bertão
A viúva Elize Matsunaga chega ao DHPP, em São Paulo
A viúva Elize Matsunaga chega ao DHPP, em São Paulo, nesta quarta-feira (Nilton Fukuda/AE)
Elize pode pegar entre 12 e 30 anos de prisão
A amante do executivo da Yoki Marcos Matsunaga, morto e esquartejado pela mulher em maio, deverá depor nesta segunda-feira no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, conforme disse ao site de VEJA o advogado da família do empresário morto, Luiz Flávio D'Urso.
Segundo o advogado de Elize Araújo Kitano Matsunaga, esposa de Marcos, a defesa quer que a amante confirme dois fatos: que passou grande parte dos dias 17,18 e 19 de maio com a empresário enquanto Elize, a filha e a babá visitavam sua família em Chopenzinho, no Paraná (a 394 km de Curitiba) e também que a amante ganhou um carro de Marcos no valor de apoximadamente 100 mil reais por volta desta época.
D'Urso, advogado da família do empresário, se reunirá com o delegado responsável pelo caso, Mauro Dias Gomes, também na segunda-feira para pedir à polícia que esclareça alguns pontos do caso.
"Quero que o delegado ouça novamente o reverendo (Renê, da Igreja Anglicana) que alertou Marcos sobre o perigo de ter armas em casa aproximadamente uma semana antes dele desaparecer", afirma D'Urso. O reverendo teria se encontrado com Marcos em um domingo que ele fora sozinho à igreja e falado que não era bom ele manter sua coleção de aproximadamente 30 armas em casa. Para o advogado da família, a conversa pode ter sido motivada por conta de alguma confissão de Elize ou comentário feito ao referendo.
D'Urso argumenta que se for comprovado que Elize planejou o crime na noite do dia 19 de maio, a sentença será mais dura. Ao contrário, se Elize agiu por impulso, uma eventual sentença seria mais branda. "A surpresa e a emoção podem atenuar a conduta", explica o advogado. Elize pode pegar entre 12 e 30 anos de cadeia.
O reverendo Renê, da Catedral Anglicana de São Paulo, casou Elize e Marcos, batizou sua filha e era o conselheiro do casal. Renê chegou a prestar depoimento antes de Elize confessar o crime, mas o advogado da família acredita que seria necessário um novo depoimento e vai fazer este pedido para o delegado nesta segunda-feira.
"Também queremos que o guarda rodoviário que parou e multou Elize enquanto ela levava as partes do corpo de Marcos deponha e esclareça se ela estava sozinha e como se comportou", diz D'Urso. Depois de atirar, matar e esquartejar o marido, Elize colocou partes de seu corpo em sacos plásticos azuis e os jogou em região de mata de Cotia (SP).

domingo, 3 de junho de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Jogos Olímpicos de Munique 1972)


Fürstenfeldbruck – desastre na base aérea
Por volta das 16h30, graças aos comentários ao vivo transmitidos na TV e no rádio no apartamento dos reféns, os terroristas palestinos viram como a polícia estava se posicionando para invadir o prédio. Os seqüestradores imediatamente exigiram a retirada dos atiradores e um vôo para o Cairo com os reféns israelenses. Os negociadores alemães concordaram com essa exigência depois que o Ministro Federal do Interior, Genscher, satisfeito com o fato dos reféns ainda estarem vivos, deu permissão.
Às 10h22 da noite, os terroristas foram transportados em dois helicópteros  para a base militar de Fürstenfeldbruck, a oeste de Munich, onde o plano era dominá-los. Os membros da equipe de gerenciamento da crise, incluindo Genscher e Daume, foram na frente em outro helicóptero acompanhados do chefe do serviço secreto israelense Zvi Zamir, e do Presidente do partido dominante da Bavária, o CSU, Franz Josef Strauss, e esperaram na torre do aeroporto.


Mas o plano idealizado pelo Chefe de Polícia de Munique, Georg Wolf, não funcionou: depois que dois palestinos inspecionaram o  Boeing 727 fornecido por volta das 10h40 da noite, os oficiais de polícia abriram fogo. Mas estavam em menor número e não conseguiram colocar todos os oito terroristas fora de ação de uma sóp vez. Somente três dos palestinos foram mortos. Os outros começaram um tiroteiro com as forças de segurança que durou muitas horas. Durante a ação, o policial Anton Fliegerbauer foi ferido mortalmente no andar térreo da torre. 
Erros desastrosos– como a trágica missão fracassou
Naquela noite em Fürstenfeldbruck, houve um contratempo após o outro. Para começar, toda a movimentação para libertar os reféns foi uma completa surpresa porque a polícia, disfarçada de funcionários da base, havia deixado o avião pouco antes dos helicópteros pousarem. A missão anti-terror mais parecia uma missão suicida para os oficiais que não tinham nenhum treinamento especial. 

Os franco-atiradores da polícia incluíam caçadores amadores e atiradores esportivos, e eram apenas cinco, porque até a equipe que gerenciava a crise chegar, supunha-se que havia apenas cinco atacantes. Os helicópteros não pousaram na posição planejada, deixando os atiradores em posições difíceis. Além disso, não tinham armas de precisão, nem capacetes ou coletes a prova de balas, e tiveram que agir sem rádio e sem contato visual pois, por um erro, não foram fornecidos walkie-talkies e equipamentos de visão noturna. Para piorar as coisas, os reforços pedidos ficaram presos em congestionamentos, enquanto outras unidades foram para o aeroporto de Riem, em Munique, porque a missão de controle simplesmente havia mencionado um “aeroporto”.
Quando os oficiais adicionais finalmente chegaram à pista de decolagem em suas vans blindadas, exigindo mais uma vez a rendição, OS terroristas lançaram uma granada em um dos helicópteros e atiraram no outro. Os reféns, que estavam amarrados às suas poltronas, não tiveram chance de escapar. Eles morreram em meio a fogo, fumaça e a uma saraivada de balas. Era meia noite e dez de 6 de setembro de 1972.
Às 1h32 da manhã, quando finalmente a última bala foi disparada, a dimensão da tragédia era evidente.  Todos os nove reféns morreram, assim como cinco dos oito terroristas. Dois atacantes ficaram gravemente feridos, e um levemente. Um policial foi morto e dois outros sofreram ferimentos graves. Muitos outros tiveram ferimentos leves.
 Mal-entendido trágico
A princípio, nenhuma declaração oficial foi feita no local da tragédia em Fürstenfeldbruck, porque as comunicações via rádio e a linha telefônica da torre foram interrompidas. Isso levou a um trágico mal-entendido: ‘Todos os reféns estão livres e ilesos!” foi a informação que o porta-voz do governo, Conrad Ahlers, divulgou quase meia-noite. Às 23h30, a agência de notícias Reuters espalhou pelo mundo a manchete: “Todos os reféns israelenses foram libertados”. Na manhã de 6 de setembro, as bancas de jornais exibiam manchetes completamente contraditórias, já que a trágica verdade não havia sido anunciada até as 3 da manhã.
A definição para a missão fracassada para libertar os reféns era uma só: um completo desastre. “Amadorismo evidente” foi o o veredito do chefe do serviço secreto israelense, General Zamir. O Chanceler da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, descreveu os eventos alguns dias depois como “uma prova chocante da incompetência alemã’.
Os Jogos Olímpicos foram interrompidos por um dia, com as bandeiras hasteadas a meio mastro. Na cerimônia fúnebre em 6 de setembro, o Presidente do Comitê Olímpico Internacional, Presidente Avery Brundage, declarou: “Os Jogos devem continuar”. Mas já não eram “Jogos Felizes” depois do ataque terrorista.
A equipe israelense partiu em 7 de setembro com os caixões de seus companheiros. Foram acompanhados pelo ex-prefeito de Munique, Hans-Jochen Vogel, e o Presidente do Conselho da Comunidade Judaica na Alemanha, Werner Nachmann, como representantes da República Federal da Alemanha, a bordo de um vôo especial da El Al para Tel Aviv.
Os corpos dos terroristas foram transferidos para Tripoli em 11 de setembro de 1972, a pedido do revolucionário e líder da Líbia, Colonel Gaddafi, onde receberam um funeral de heróis.

domingo, 27 de maio de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Centenário da Guerra do Contestado)


Guerra do Contestado é tema de debate

Sociólogo José de Souza Martins vai discutir conflito com repórteres do 'Estado' nesta quinta-feira, em São Paulo

25 de março de 2012 | 3h 07
Estado de S.Paulo
A Guerra do Contestado (1912-1916), ocorrida na divisa entre Santa Catarina e Paraná e considerada a maior rebelião civil do País no século 20, será tema de um debate promovido pelo Estado nesta quinta-feira, 29, das 12h às 14h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O debate ocorrerá no Teatro Eva Herz e a entrada é franca. O auditório tem capacidade para receber 200 pessoas.
Reportagem trouxe memórias de infância de sobreviventes da maior rebelião civil do século 20 - Reprodução
Reprodução
Reportagem trouxe memórias de infância de sobreviventes da maior rebelião civil do século 20
O debate Meninos do Contestado terá a participação do professor de Sociologia José de Souza Martins, titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso de movimentos sociais, e dos repórteres Leonencio Nossa e Celso Junior, que contarão os bastidores do caderno especial Meninos do Contestado, publicado pelo Estado em fevereiro para marcar os 100 anos do início da guerra. Também será exibido um vídeo produzido pelos dois jornalistas em Santa Catarina, região do conflito, com depoimentos de sobreviventes e reprodução de fotos da época.
As origens da guerra remontam a 1910, quando a Brazil Railway, subsidiária da Lumber Company, concluía a construção do trecho da ferrovia São Paulo-Rio Grande do Sul no território disputado por Santa Catarina e Paraná, o Contestado. A Lumber conseguiu concessão do governo para explorar pinhos e imbuias nos 15 quilômetros de cada lado da ferrovia.
Com isso, 4 mil trabalhadores recrutados em outros Estados para as obras foram demitidos e expulsos de cabanas levantadas nas margens da estrada. A eles se juntaram andarilhos messiânicos que viviam em terras entregues à Lumber e federalistas foragidos do Rio Grande do Sul.
Cenário. O Brasil de 1912 ainda vivia sob o impacto da proclamação da República, duas décadas antes. Representantes do setor agrário de São Paulo e Minas e militares eram os protagonistas de um regime com instituições tomadas pela corrupção e que não conseguia evitar rebeliões nas cidades e no interior.
O presidente Hermes da Fonseca, um militar de carreira, mantinha a política do tio, Deodoro, proclamador da República, e de Floriano Peixoto de aniquilar defensores da monarquia. A presença de federalistas, adversários de Floriano, no movimento do Contestado foi usado pelo governo para esquecer o desastre de Canudos, de 1897, e enviar o Exército para mais uma batalha no sertão, dessa vez no Sul do País. Mesmo deixando 10 mil mortos e um rastro de destruição, o conflito segue pouco conhecido pela maioria dos brasileiros.
Martins vai abordar as causas e o contexto político do País na época da guerra. Colunista do Estado, Martins pesquisou movimentos milenaristas no Brasil, dentre eles o do Contestado - em 1979, ele visitou a região e conheceu cenários de episódios da guerra. Dentre outros livros relativos ao tema escreveu Os Camponeses e a Política no Brasil (Editora Vozes) e O Sujeito Oculto (Editora da UFRGS).

domingo, 20 de maio de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Caso Chen Guangcheng)


Ativista chinês chega aos EUA para iniciar vida como estudante universitário

Chen Guangcheng estava em prisão domiciliar por denunciar programas de aborto e esterilizações forçadas em mulheres

REDAÇÃO ÉPOCA COM EFE
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Ativista chinês Chen Guangcheng chega aos Estados Unidos com a mulher (Foto: Ramin Talaie/EFE)

O ativista político chinês Chen Guangcheng, chegou neste sábado (19) aos Estados Unidos, após fugir de sua prisão domiciliar. Ele vai iniciar uma nova vida como estudante universitário em Nova York.
Chen, que é cego, foi protagonista de grande discussão diplomática entre os governos de Washington e Pequim. O chinês chegou com esposa e dois filhos ao aeroporto de Newark, em Nova Jersey, após 13 horas de voo da United Airlines, depois que as autoridades chinesas deram permissão para eles saíssem do país.
Tanto funcionários de alto escalão da administração do governo americano, como líderes do Congresso deram as boas-vindas ao ativista.
O legislador republicano de Nova Jersey, Chris Smith, que intercedeu no caso, comemorou o desfecho do conflito diplomático. "Os Chen finalmente poderão descansar. Seus filhos agora poderão se recuperar de um trauma emocional que nenhuma criança deveria suportar”, disse Smith, presidente da subcomissão sobre Direitos Humanos da Câmara de Representantes.
Cego desde os 5 anos, Chen foi condenado a quatro anos de prisão em 2006 por denunciar programas de aborto e esterilizações forçadas em milhares de mulheres em sua província, como parte da política do "filho único" vigente na China. 
O ativista permaneceu internado este mês no hospital Chaoyang, em Pequim, recebendo tratamento na perna que foi lesionada durante sua fuga da prisão domiciliar na cidade de Nanquim, na noite de 21 de abril.
O dissidente chegou a Pequim com a ajuda de amigos ativistas e se refugiou durante seis dias na Embaixada americana, da qual saiu para ser hospitalizado.
Na última quarta-feira, funcionários do Escritório de Segurança Pública da província de Shandong visitaram Chen no hospital de Chaoyang e levaram os formulários para que ele e sua família solicitassem seus passaportes.
AC

sábado, 12 de maio de 2012

Notícia da Semana Atualidades (O Poder da Generosidade)


O poder da generosidade

Livro de professor da Universidade de Harvard revoluciona a teoria da seleção natural de Darwin ao mostrar que o grupo pode alcançar muito mais sucesso quando atua de forma coletiva e em benefício dos outros

Rachel Costa
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Encontrar explicações convincentes para a origem e a evolução da vida sempre foi uma obsessão para os cientistas. Tanto que, quando Charles Darwin criou a teoria da seleção natural, na segunda metade do século XIX, parecia ter encontrado a solução para o intrincado quebra-cabeça da evolução da vida no planeta Terra. A competição constante, embora muitas vezes silenciosa, entre os indivíduos, teria preservado as melhores linhagens, afirmava o naturalista britânico. Assim, um ser vivo com uma mutação favorável para a sobrevivência da espécie teria mais chances de sobreviver e espalhar essa característica para as futuras gerações. Após consecutivas linhagens, a tendência seria de que todos os indivíduos fossem descendentes daquele com a boa mutação, e que quem não a possuísse desaparecesse. Ao fim, sobreviveriam os mais fortes, como interpretou o filósofo Herbert Spencer, no início do século XX – ideia erroneamente atribuída a Darwin. Um século e meio depois, um biólogo americano agita a comunidade científica internacional ao ousar complementar a teoria da seleção darwinista. Segundo Edward Wilson, da Universidade de Harvard, considerado o pai da sociobiologia, ganhador de dois prêmios Pulitzer na categoria de não ficção e um dos mais respeitados acadêmicos da atualidade, o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso, segundo o americano. 

Ao cravar essa tese, defendida no recém-lançado “A Conquista Social da Terra” (W.W. Norton & Company, 2012), uma compilação de pouco mais de 300 páginas, Wilson pôs à prova o benefício de agir em causa própria, presente na seleção individual de Darwin. O americano não contraria a teoria darwinista, mas afirma que ela é insuficiente para se entender a evolução, que aconteceria em múltiplos níveis – o individual, como proposto por Darwin, e o de grupo. Afinal, se o mais importante era fazer com que seus genes seguissem adiante, por que muitas vezes o indivíduo era capaz de se sacrificar pelo outro? A luta constante pela sobrevivência realmente explicou muita coisa, mas não foi capaz de lançar luz sobre uma característica intrigante, observada pelo próprio Darwin: o comportamento altruísta – chave da teoria de Wilson. “A seleção individual é importante, mas não explica tudo”, disse à ISTOÉ o diretor do centro de bem-estar da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, Robert Cloninger.
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A nova teoria da evolução de Wilson arrebatou não só a comunidade científica como as mais importantes publicações internacionais. Os jornais “The New York Times”, “The Wall Street Journal” e “The Washington Post” e as revistas “Newsweek” e “New Yorker” são apenas algumas das publicações que dedicaram páginas e páginas à chegada da nova obra às prateleiras – sem contar as prestigiadas revistas científicas “Nature” e “Scientific American”. O trabalho do acadêmico de Harvard foi baseado nas espécies sociais, tais quais vários tipos de abelhas, formigas e nós, humanos. As espécies sociais são 3% do total dos animais do planeta, mas representam 50% de sua biomassa. Para Wilson, só esse dado já seria suficiente para explicar o sucesso desses grupos e constatar que a colaboração entre os indivíduos conta pontos positivos na evolução. Algo semelhante já havia sido observado pelo próprio Darwin no livro “A Evolução das Espécies”. Tentando explicar o altruísmo, o naturalista britânico percebeu que, se esse comportamento aparentemente não oferecia vantagem direta para o indivíduo, parecia ser capaz de garantir um benefício ao grupo. Porém ainda não era claro por que ser altruísta se o egoísmo parecia mais benéfico. “Os animais não precisam competir sempre”, disse à ISTOÉ o professor de antropologia da Universidade de Washington Robert Sussman, autor do livro “Origens da Cooperação e do Altruísmo” (2009). “Quando a cooperação representa uma vantagem para o grupo, os genes que a promovem são lançados à próxima geração, favorecendo esse grupo em relação aos outros”, afirmou Wilson em uma entrevista ao ensaísta científico Carl Zimmer. “Assim, a seleção ocorre no nível do grupo, embora não deixe de acontecer no nível individual.” 

“A Conquista Social da Terra” surgiu para se fazer repensar a importância da cooperação, em especial entre os seres humanos. Afinal, se o sacrifício por um parente para a proteção dos genes, propalado pela seleção por parentesco, faz sentido em comunidades de abelhas e de formigas, falta-lhe complexidade para abarcar o ser humano, muitas vezes capaz de se sacrificar por razões bem mais subjetivas, como crenças e ideais. “Nos seres humanos há três aspectos que devem ser levados em conta para explicar a evolução: o corpo físico, os pensamentos e a psique”, afirma Robert Cloninger. “Darwin foca seu trabalho na evolução do corpo, por isso a explicação fica incompleta.” Por ter consciência, a pessoa é capaz de julgar se irá agir a favor ou contra o outro, podendo, inclusive, basear essa decisão em atos que esse mesmo sujeito praticou no passado. Alguém que sempre age de modo egoísta, por exemplo, pode ser rejeitado pelo restante do grupo. “As manifestações de generosidade nos seres humanos são diferentes e mais variadas que as observadas em outros animais”, disse à ISTOÉ o biólogo Michael Wade, que pesquisa evolução e comportamento na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Wade publicou, no fim de abril, um estudo mostrando que, embora o altruísmo esteja presente em várias espécies, o mecanismo pelo qual ele se dá varia. “Existem diferentes tipos de altruísmo, para diferentes ambientes. É o ambiente que determina como ajudar seu vizinho.”
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Trabalhar em conjunto para um fim comum e, com isso, prosperar é também agir com altruísmo. Numa bucólica vila encravada em pleno centro da capital paulista, cerca de 100 pessoas colaboram umas com as outras no âmbito profissional. São produtores culturais, fotógrafos, jornalistas e programadores que formam a Casa da Cultura Digital, onde várias pequenas empresas promovem um intercâmbio de trabalho e cooperam mutuamente. Num ambiente em que não há espaço para a competição e as despesas são divididas, o negócio cresce. 

A Casa da Cultura Digital é um exemplo de modelo de sucesso para a organização de empresas tendo como base o altruísmo. Para o americano Steve Denning, autor de vários livros sobre liderança empresarial, a teoria da evolução em grupo defendida pelo cientista ajuda a entender essa e outras fórmulas vitoriosas. Outro exemplo seria o modo como a americana Apple organiza suas equipes de trabalho, mantidas em separado e muitas vezes proibidas de dialogar entre si. Para muitos, essa decisão representa uma perda, na medida em que dificulta o compartilhamento de ideias gestadas pelos times. Denning, porém, lança outro olhar a partir do livro de Wilson. Se a colaboração se dá entre o próprio grupo, mas não para outros grupos – que muitas vezes são entendidos como o inimigo contra o qual se deve lutar –, caberia refletir sobre o seguinte ponto: “Os ganhos ao se suprimir a concorrência interna entre as equipes não compensariam as perdas de não deixá-las dialogar?”, escreveu, em um artigo recém-publicado no site da revista americana “Forbes”.
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Na neurociência, por exemplo, especialistas tentam identificar os mecanismo cerebrais acionados quando se é generoso. “Seres humanos são capazes de se sacrificar por um desconhecido completo ou por um ideal. Isso não é visto em outras espécies”, afirma o neurocientista brasileiro Jorge Moll, do instituto D’Or, no Rio de Janeiro. O pesquisador é conhecido no meio acadêmico por seus estudos sobre a resposta cerebral às ações altruístas. Ele e sua equipe mostraram, por meio de exames de ressonância magnética, que ao se praticar ações altruístas são acionadas as mesmas áreas do cérebro ligadas à recompensa. Como se, ao se doar dinheiro, por exemplo, a sensação percebida fosse a mesma de quando se ganha dinheiro. “Para o cérebro, o que temos é um sentimento de recompensa, assim vale perder para ajudar o outro.” As amigas Flávia Constant, Paula Saldanha e Letícia Verona decidiram se unir e agir por pessoas que elas não conheciam diante da tragédia que matou mais de 900 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro. Elas não moravam no local nem perderam amigos ou parentes, mas, imbuídas de altruísmo, arregaçaram as mangas e financiaram a construção de quatro casas no distrito de Vieira, em Teresópolis, porque acharam que não podiam ficar alheias à catástrofe. “Não tinha como não ajudar”, diz Letícia.

A generosidade presente no ato das três amigas do Rio de Janeiro também pode ser explicada pela ação da ocitocina, um neurotransmissor muito comum durante a amamentação e que age sobre a capacidade de empatia do indivíduo. “Em experimentos, tem-se visto que os altos níveis de ocitocina durante a lactação deixam tanto a mãe mais cuidadosa com a prole quanto mais agressiva com quem é de fora”, diz Moll. Comportamento que em muito lembra aquele descrito por Wilson para explicar a colaboração entre o próprio grupo, mas não necessariamente com indivíduos de outras comunidades.
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Nos seres humanos, os modos como um grupo se relaciona com o outro estão ainda sujeitos a fortes influências culturais. “No plano das sociedades, temos características de individualismo e coletivismo e, no plano individual, temos indivíduos mais voltados para a autonomia ou mais interdependentes”, diz a pesquisadora Maria Lucia Seidl-de-Moura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ela e seu grupo têm buscado compreender o modo como esses elementos são organizados para o desenvolvimento das sociedades. “Não se pode falar que as mais altruístas sejam mais evoluídas, mas é possível perceber que essa característica está mais presente em algumas organizações sociais que em outras”, diz, citando o exemplo do Japão, onde a estrutura social aposta no coletivo e os indivíduos se desenvolvem sob uma cultura de interdependência. Essa capacidade colaborativa se torna evidente em situações como a vivida na ilha após o terremoto de 11 de março de 2011, que exigiu a união do povo para a reconstrução do país. Outros países famosos pela capacidade de se organizar e agir coletivamente em prol da comunidade, quase de forma profissional, para assim alcançarem o bem comum e progredirem, são os Estados Unidos e as sociedades nórdicas, como a Noruega. 

Especificamente no exemplo japonês está outro entendimento para o altruísmo, distinto da biologia evolucionista, na qual o conceito é aplicado para explicar a capacidade de um indivíduo abdicar de se reproduzir em prol de outro. Aqui, o altruísmo é apreendido como uma capacidade intrínseca do ser humano de ajudar o próximo, e que pode ser desenvolvida. “Como se fosse uma bagagem dos bebês que pode ser estimulada ao longo da infância e depois”, diz Maria Lúcia. Por isso, muitos defendem a possibilidade de fortalecer esses laços entre as pessoas.
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Um exemplo é o trabalho “Ativando empatias”, iniciado no Canadá e que começa a ser implementado no Brasil pela organização internacional Ashoka. “Mapeamos no Brasil em torno de 15 empreendedores sociais para implementar a ação no País”, diz Mônica de Roure, diretora da Ashoka Brasil. A iniciativa, pensada para em um primeiro momento acontecer em escolas, entende o olhar para o outro como uma espécie de antídoto capaz de barrar um fenômeno cada vez mais comum: a violência perpetrada nos casos de bullying. E também como motor para o desenvolvimento comunitário. “Hoje temos claro que nosso sucesso depende do sucesso do outro. Não adianta, por exemplo, eu trabalhar em uma empresa saudável se ela está em uma comunidade doente. É preciso ter um olhar global para seguirmos adiante”, afirma Rogério Arns, superintendente do Instituto Camargo Corrêa e filho da criadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. 

A nova teoria de evolução colocou a comunidade científica em polvorosa, mas está longe de ser unanimidade. Wilson comprou uma briga ao contestar a validade das tentativas mais bem aceitas pelos cientistas contemporâneos para explicar a presença do altruísmo nas espécies, as teorias de seleção por parentesco e a do gene egoísta (leia quadro) – ambas fundadas na ideia de que o altruísmo, no fim, não passaria de uma estratégia egoísta para se passar adiante os genes do indivíduo. Em entrevista à ISTOÉ, Carl Zimmer diz que falta a Wilson testar a hipótese que apresenta. Nigel Barber, nome de peso na biopsicologia e autor de “Bondade em um Mundo Cruel: as Origens do Altruísmo” (tradução livre), também critica o trabalho. “Insistir na ideia de seleção de grupo é fazer pseudociência.” Para o cientista, ainda prevalece o conceito de seleção por parentesco. Ainda não se sabe se a teoria de Wilson entrará para a história como uma revolução à teoria da seleção natural. Mas ela combina muito mais com o conceito de humanidade.
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