domingo, 8 de abril de 2012

Notícia da Semana Atualidades ( Centenário do Naufrágio do Titanic)


As novas descobertas sobre o Titanic

Às vésperas de completar 100 anos da maior tragédia do início do século XX, pesquisadores jogam luz sobre as possíveis causas do acidente - de problemas de fabricação até miragem

André Julião e João Loes
No domingo 8, vai ao ar o documentário “100 anos de Titanic por James Cameron”, às 20h30 no canal por assinatura, National Geographic. Confira, em vídeo, trechos do programa :
titanicsite.jpg
 
chamada.jpg
MONUMENTAL 
Foram quatro anos de construção até a entrega do navio
img.jpg
Quando a linha de cruzeiros de luxo inglesa White Starline procurou o estaleiro irlandês Harland and Wolff, em 1908, para encomendar o maior, mais luxuoso e mais seguro transatlântico de todos os tempos, não havia nem espaço no canteiro de obras da empresa para acomodar os primeiros módulos do que viria a ser o Titanic. Quatro anos depois, porém, o esforço dos 15 mil funcionários do estaleiro tinha 46 mil toneladas, acomodava 2.435 passageiros, valia o equivalente, hoje, a US$ 171 milhões (R$ 311,7 milhões) e estava pronto para zarpar. O Titanic era, de fato, o maior, o mais luxuoso e o mais seguro navio de todos os tempos, uma verdadeira maravilha da engenharia, exatamente como a White Starline havia encomendado. A confiança era tanta que a embarcação foi anunciada a clientes em potencial como sendo impossível de afundar. Pois na noite do dia 14 de abril de 1912, durante a viagem inaugural, o transatlântico que colecionava superlativos afundou. E a ele foi atribuído um último superlativo: o de palco da maior tragédia humana do começo do século XX.
Hoje, 100 anos depois do acidente que tirou a vida de 1.523 pessoas, ainda se discute o naufrágio como se ele tivesse acontecido ontem. “Ainda nos importamos com o Titanic e nos importaremos daqui a 500 anos porque sua história diz muito sobre a condição humana”, diz o historiador e escritor inglês Tim Maltin, autor do livro “A Very Deceiving Night” (“Uma noite muito enganadora”, 2011, sem tradução para o português). Para ele, a ambição de construir um navio inafundável sintetiza o ingênuo desejo humano de controle absoluto diante das infinitas combinações de problemas que a realidade pode criar. “Pensamos que, nos precavendo, conseguimos antecipar tudo o que pode dar errado”, diz. “E o desastre do Titanic é uma prova de que nunca daremos conta de tudo.” As mais recentes pesquisas sobre a tragédia do transatlântico têm se debruçado sobre a série de coincidências e falhas que ocorreram naquela noite. Há uma série de fatores envolvidos – desde problemas estruturais do navio até alinhamentos celestes –, mas uma das maiores novidades seria um fenômeno ótico que impediu os vigias de verem o iceberg.

É o que propõem os estudos de Maltin após seis anos de pesquisa. Em parceria com um dos maiores estudiosos em miragens do mundo, o astrônomo Andrew Young, da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, o historiador inglês propôs que os vigias, na noite do naufrágio, não viram o iceberg a tempo de manobrar o navio por causa de um fenômeno óptico causado pelo clima do Atlântico Norte. Chamado de super-refração, ele acontece quando o ar está extremamente frio, dobra a luz emitida por objetos na linha-d’água para baixo. Dessa forma, a certa distância, o horizonte verdadeiro fica encoberto por uma névoa escurecida que se parece muito com águas calmas no escuro. Segundo Maltin, no caso do Titanic, essa névoa encobriu o iceberg, impedindo que os vigias o vissem a tempo de evitar a colisão. “As águas por onde o Titanic navegou naquela noite, apesar de muito calmas, funcionaram como uma espécie de zona de abate da natureza”, afirma o historiador. “As diferenças de pressão, temperatura e opacidade do ar se juntaram para enganar uma das tripulações mais experientes da época.”

Para chegar a essa conclusão, Maltin recuperou os diários de bordo de dezenas de navios que navegaram pelas mesmas águas que o Titanic singrou naquela noite. Na documentação, o historiador diz ter percebido que muitas dos relatos coincidem com o fenômeno da super-refração. Fala-se, inclusive, que o SS Californian, o navio mais próximo do Titanic, não teria respondido aos pedidos de ajuda do transatlântico irlandês por causa da super-refração. A ilusão de óptica teria desviado os raios de luz dos refletores usados por ambas as embarcações, que tentaram se comunicar por código morse visual, já que o rádio não funcionou bem naquela noite.

Outros estudos contemporâneos têm jogado luz sobre novos agentes que podem ter contribuído para o naufrágio. Rebites mal colocados, operadores de rádio desatentos, marés altas, alinhamentos celestes, variações climáticas e até chaves esquecidas estão entre os novos suspeitos (leia quadro na pág. 63). Nenhum, porém, explica sozinho a tragédia que começou na noite do dia 14 de abril e foi terminar na madrugada do dia 15, com o maior transatlântico do mundo repousando em duas partes a quatro mil metros de profundidade. “Temos 250 horas de filmagens em alta definição feitas por submarinos e robôs”, conta o oceanógrafo e arqueólogo Bob Ballard, o primeiro a descobrir os restos do navio, em 1985. “E sempre que descemos até lá encontramos novidades, principalmente nas partes internas do navio, onde os objetos estão mais bem preservados.”

Ainda há muito o que explorar e aprender nos locais onde hoje repousam a proa e a popa do Titanic. O problema é que, embora o espaço ocupado pelos restos do navio seja tratado pelos especialistas como sítio arqueológico, oficialmente não há legislação para proteger os 38,4 quilômetros quadrados de lodo ocupados pelo que sobrou da maravilha dos mares. Assim, louças, roupas e até partes da estrutura do transatlântico vêm sendo sistematicamente roubadas por turistas e saquea­dores de relíquias que visitam o local e alimentam direta ou indiretamente o milionário mercado de leilões desse tipo de objeto (leia à esq.), enquanto outros tantos rumam para as estantes de quem desembolsou os ­US$ ­60 mil (R$ 109,4 mil) cobrados para visitar a tragédia. “Comparei as fotos que fiz do naufrágio em 1985 com as que tirei em outra expedição, em 2004”, conta Ballard. “As maiores mudanças foram as causadas por submarinos que estiveram lá depois de 1985”, diz. Interromper a violação do sítio é permitir que os restos do Titanic continuem revolvendo perguntas e, às vezes, até fornecendo respostas às novas gerações. 
img1.jpg
img2.jpg

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Notícia do dia Atualidades (30 anos da Guerra das Malvinas)


Entenda a Guerra das Malvinas
Conflito entre Argentina e Reino Unido completa 30 anos.
Disputa por arquipélago no sul do Atlântico opõe países até hoje.

Do G1, com agências internacionais*


O aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas reacendeu a memória de um conflito que divide até hoje argentinos e britânicos. Em fevereiro, o governo argentino pediu a reabertura de negociações sobre a soberania das ilhas e acusou o Reino Unido de militarizar a área após o envio de um navio britânico.

A campanha pela retomada das negociações ganhou o apoio do argentino Adolfo Pérez Esquivel, que lidera um documento assinado por um grupo de seis prêmios Nobel da Paz. Já o Reino Unido, onde o arquipélago é conhecido como Falklands, prepara uma comemoração discreta para lembrar as três décadas em que venceu o conflito.

A guerra começou em 2 de abril de 1982 após a
 Argentina invadir o arquipélago que considera sua extensão territorial histórica. O país entende que, ao se tornar independente em 1822, passou também a controlar as ilhas, que pertenciam aos espanhóis. Já os britânicos afirmam que dominam a região desde 1833, quando ocuparam e colonizaram o arquipélago.

Para os historiadores, o início da guerra foi a arma do ditador argentino, general Leopoldo Galtiere, para dar fôlego ao governo militar, já agonizante no país. A então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, que enfrentava uma crise de popularidade, reagiu com força.

No final de abril, 28 mil soldados em 100 navios chegaram ao arquipélago para defender seus 1.800 habitantes, considerados por Thatcher parte da “tradição e reserva britânica”. A Argentina contava com uma tropa com 12 mil soldados nas ilhas e cerca de 40 navios.

No dia 2 de maio, os britânicos afundaram o navio argentino General Belgrano, matando todos os 326 tripulantes. Dois dias depois, a embarcação britânica HMS Sheffield foi atingida por um míssil Exocet e afundou deixando 20 mortos.

A guerra, que durou 75 dias, só acabou em 14 de junho, com a rendição dos argentinos. Ao todo, 258 britânicos e 649 argentinos morreram no conflito.
mapa das ilhas malvinas (Foto: Editoria de Arte / G1)


As relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina só foram retomadas em 1990, mas ainda há rusgas. Desde então, o governo argentino mantém uma reivindicação pacífica das ilhas, mas o Reino Unido diz que a soberania do território não está em negociação.

Cerca de mil soldados britânicos patrulham as
 Malvinas e estão envolvidos em ações como construção de estradas e monitoramento de campos minados.

Exceto pela defesa, os cerca de 2,9 mil moradores da ilha atualmente são autossustentáveis. A venda de licenças para pescar garante boa parte da arrecadação, mas a agricultura também é importante. O
 Reino Unido explora a área ainda em busca de petróleo.

O turismo também vem crescendo ao longo dos anos no arquipélago, que recebe cerca de 5 mil cruzeiros por ano de turistas interessados na rica diversidade marinha e nas colônias de pinguins.

domingo, 1 de abril de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Carlinhos Cachoeira)


Quem tem medo de cachoeira

Bicheiro preso pela PF ameaça empresários e políticos com material explosivo. Gravações estariam escondidas numa chácara em Anápolis

Claudio Dantas Sequeira
chamada.jpg
DEVASTADOR
Pivô do escândalo que levou à queda de Waldomiro Diniz da Casa Civil em 2004,
Carlinhos Cachoeira diz ter em seu poder novos grampos contra políticos
Nas últimas semanas, a revelação das conexões do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos, empresários e policiais estremeceu a capital federal. O arsenal de informações contidas no inquérito da Operação Monte Carlo foi tão devastador que conseguiu silenciar uma das principais vozes da oposição, o senador Demóstenes Torres (DEM/GO). O parlamentar, porém, pode não ser o único a cair em desgraça sob a acusação de manter ligações perigosas com o contraventor. Para tentar entender por que Cachoeira atemoriza tanta gente, mesmo isolado numa pequena cela do presídio federal de Mossoró, Rio Grande do Norte, ISTOÉ ouviu pessoas ligadas a ele. Os relatos dão conta de um esquema milionário que abasteceu o caixa 2 de diferentes partidos. Os pagamentos eram acertados pelo próprio Cachoeira com os arrecadadores de campanha. E o que mais provoca temor em seus interlocutores e comparsas: a maioria dessas negociatas foi devidamente registrada pelo empresário da jogatina. 

Em pouco mais de uma década, o bicheiro acumulou um vasto e explosivo acervo de áudio e vídeo capaz de comprometer muita gente graúda. Na operação de busca e apreensão na casa de Cachoeira no início do mês, a PF encontrou dentro de um cofre cinco CDs avulsos. 
No entanto, outra parte do material – ainda mais explosivo – estava escondida em outro lugar, uma chácara em Anápolis (GO). O local sempre serviu como espécie de quartel-general para reuniões do clã Cachoeira, além de esconderijo perfeito para seu acervo de gravações. Conforme apurou ISTOÉ, nos vídeos que ainda estão em poder de Cachoeira não constam apenas reuniões políticas ou pagamentos de propina. Lá há registros de festinhas patrocinadas por ele com a presença de empresários e políticos. Uma artilharia capaz de constranger o mais desinibido dos parlamentares.
img2.jpg
FIM DE LINHA
Flagrado em conversas nada republicanas com o contraventor, o senador Demóstenes
Torres deixou a liderança do DEM no Senado. Constrangido, avalia renunciar ao mandato
O modus operandi de Cachoeira não é novidade. Em 2004, uma dessas gravações deflagrou o escândalo que levou à queda de Waldomiro Diniz, ex-assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Depois do escândalo, ele foi para a Argentina, de onde passou a operar. No Brasil, quem gerenciava o jogo para o bicheiro, num esquema que movimentou R$ 170 milhões em seis anos, era seu braço direito Lenine Araújo de Souza. Cachoeira também contratou arapongas bastante conhecidos em Brasília, como Jairo Martins, o sargento Dadá e o ex-delegado Onésimo de Souza. Consta do inquérito da PF que pelo menos 43 agentes públicos serviam a Cachoeira.“Quem detém informação tem o poder”, dizia o bicheiro. Antes de ser preso, ele recebia mensalmente gravações e um relatório dos monitoramentos dos alvos e dava novas diretrizes de ação, inclusive a elaboração de perfis de autoridades de interesse. Boa parte disso está guardada em seu QG, a chácara em Anápolis. Este mês, dois novos vídeos circularam na imprensa. Neles, o bicheiro conversa com o deputado federal Rubens Otoni (PT- GO) sobre pagamentos para a campanha do petista. Até agora, Otoni não se explicou. A divulgação da conversa com Otoni, porém, foi uma pequena amostra do poder do bicheiro. Apenas um dos vários recados que ele enviou a Brasília desde que foi preso em fevereiro. Pessoas próximas a Cachoeira dizem que ele ainda tem muita munição. As mensagens foram captadas pela cúpula petista, que acionou o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Ele reuniu-se com a mulher de Cachoeira, Andressa, no último dia 21, e pediu que convencesse o marido a se controlar, com a promessa de que conseguiria retirá-lo da cadeia em breve. Andressa voou para Mossoró e deu o recado de Thomaz Bastos ao bicheiro. Desde então, ele silenciou à espera do habeas corpus. 

Ao mesmo tempo, porém, Carlinhos Cachoeira mandou espalhar que possui gravações contra políticos de um amplo espectro partidário. É o caso, por exemplo, dos integrantes da chamada bancada do jogo que defendia a regularização dos bingos no País. Além do deputado goiano Jovair Arantes (PTB), arrolado no inquérito da Operação Monte Carlo, mantinham contatos frequentes com Cachoeira os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Lincoln Portela (PR-MG), Sandro Mabel (PR-GO), João Campos (PSDB-GO) e Darcísio Perondi (PMDB-RS). Todos têm mantido silêncio absoluto sobre a prisão de Cachoeira.
img1.jpg
ALVOS 
Segundo a PF, Cachoeira teria alimentado campanhas do governador
de Goiás, Marconi Perillo (acima), e do deputado petista Rubens Otoni (abaixo)
img.jpg
A lei do silêncio foi seguida também pelo senador Demóstenes, que, além de presentes, teria recebido pelo menos R$ 1 milhão do esquema do bicheiro. Para investigar essas e outras, Demóstenes teve seu sigilo bancário quebrado pelo STF na quinta-feira 29. Outro que em breve terá de se explicar é o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo. Segundo o inquérito da PF, Cachoeira indicava pessoas para cargos de confiança no governo Perillo. A PF suspeita ainda que o dinheiro repassado por Cachoeira às campanhas de vários políticos viria não só da contravenção, mas de contratos entregues a empreiteiras para quem o bicheiro serviu de intermediário.
img3.jpg

domingo, 25 de março de 2012

Notícia da Semana atualidades ( Dilma e o Brics)


Dilma viaja para cúpula dos Brics

A presidente estará na Índia nesta semana. Tema principal da reunião de cúpula dos emergentes deve ser a crise mundial e o comércio

REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA EFE


A presidente Dilma Rousseff viaja neste domingo (25) a Nova Délhi, onde participará da IV Cúpula dos Brics (grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A principal pauta da reunião deste ano será a análise da crise mundial e seu impacto no comércio.
A cúpula, que reúne os líderes de cinco das principais economias emergentes do mundo, será realizada nas próximas quarta e quinta-feira em Nova Délhi. Após o encerramento, Dilma continua na Índia na sexta-feira, em sua primeira visita oficial ao país.
A presidente embarcará na noite deste domingo (25) e chegará à capital indiana na terça-feira (27), mas não terá nenhuma atividade oficial até a noite da quarta, quando comparecerá a um jantar oferecido pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, aos líderes dos Brics.
Entre os assuntos que deverão ser debatidos na cúpula está a possível criação de um banco de desenvolvimento constituído com capital dos cinco países e que financiaria projetos nos próprios integrantes do grupo e em outras nações em desenvolvimento. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que integra a delegação brasileira na viagem, disse na sexta-feira a correspondentes estrangeiros que essa iniciativa está em uma fase "inicial", mas afirmou que o projeto desperta o "maior interesse" no governo. Segundo o ministro, a instituição que poderia nascer dentro dos Brics "não representaria um abandono dos outros organismos multilaterais", aos quais as economias emergentes reivindicam uma maior presença e poder de voto nas grandes decisões. "São coisas diferentes", disse Pimentel, afirmando que órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) têm certas limitações, entre as quais citou a impossibilidade de financiar diretamente empresas privadas, o que poderia ser feito pelo "banco dos Brics".
A criação do banco, entretanto, não será anunciada oficialmente nesta semana, de acordo com a subsecretária-geral de Política do Ministério de Relações Exteriores, Maria Edileuza Fontenele. Deve ser formado um grupo de trabalho que analisará a viabilidade "técnica" do projeto. Para Maria Edileuza, um dos assuntos mais delicados para esse projeto seria a formação do capital da instituição. 
Na IV Cúpula do Brics também serão analisados outros assuntos da agenda global relativos à paz e à segurança ou sobre a reforma das instituições multilaterais, embora a embaixadora tenha antecipado que os debates estarão focados nos aspectos econômico e comercial.
Segundo o FMI, em 2012 os países do Brics serão responsáveis por 56% do crescimento da economia mundial, enquanto os membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) responderão por somente 9% dessa expansão. Esse crescente peso econômico e um comércio entre os Brics que em 2011 somou US$ 250 bilhões demonstram, segundo Maria Edileuza, a tese de que o centro de gravidade da economia mundial deixou de estar nos países mais desenvolvidos.
Após o fim da cúpula dos Brics, Dilma debaterá assuntos bilaterais com a Índia em uma visita de Estado na qual está prevista a assinatura de acordos nas áreas de ciência e tecnologia, educação, igualdade de gêneros e cooperação.
Junto com Dilma viajam cerca de 60 empresários brasileiros, que participarão primeiro de encontros do setor privado dos países do Brics e depois de um seminário com representantes de companhias indianas. 
Dilma voltará ao Brasil no dia 31. Como o vice-presidente Michel Temer também estará no exterior, na Coreia do Sul, nesta semana, a presidência será assumida interinamente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

domingo, 18 de março de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Guerrilha do Araguaia)


Cerco aos fantasmas do Araguaia


Ao denunciar à Justiça o ex-militar Sebastião Curió, considerado o principal algoz da guerrilha, o Ministério Público abre caminho para outras ações criminais contra agentes da ditadura e acirra a oposição dos quartéis

Claudio Dantas Sequeira
chamada.jpg
CRIME CONTINUADO
Para o MP, a denúncia se justifica enquanto corpos
de desaparecidos do Araguaia não são localizados
No momento em que a caserna ainda se debate por conta da criação da Comissão da Verdade, outra iniciativa de peso mostra que a caça aos fantasmas da ditadura começou. Na quarta-feira 14, o Ministério Público Federal do Pará ajuizou a primeira ação criminal da história contra um agente da ditadura, o coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió. Na denúncia apresentada pelos procuradores Tiago Rabelo, André Raupp e Ivan Claudio Marx, o ex-militar, considerado o principal algoz da Guerrilha do Araguaia, é acusado pelos crimes de sequestro e ocultação de cadáver de cinco integrantes do PCdoB que lutaram na região de Xambioá: Maria Célia Corrêa (a Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (o Piauí) e Telma Regina Corrêa (Lia). Baseada em documentos oficiais e depoimentos de moradores e ex-militares, a investigação que começou em 2009 aponta Curió como responsável direto ou indireto pela prisão e morte dos guerrilheiros, cujos corpos foram enterrados em local até hoje desconhecido. O desaparecimento forçado alimenta a tese de crime continuado, previsto no Código Penal. “O fato concreto e suficiente é que, após a privação da liberdade das vítimas, ainda não se sabe o paradeiro de tais pessoas e tampouco foram encontrados seus restos mortais”, argumenta Rabelo.

Na tentativa de driblar a Lei da Anistia, os procuradores afirmam que o próprio Supremo Tribunal Federal utilizou-se de argumentos semelhantes em recentes extradições de ex-militares estrangeiros, o coronel uruguaio Manoel Cordeiro e o major argentino Norberto Raul Tozzo, ambos acusados de sequestros. “Embora o STF tenha decidido pela validade da Lei da Anistia, ela não se aplica nesses casos, pois sua aplicabilidade tem uma limitação temporal, que é de 1961 a 1979. Se o crime é continuado, ele existe até hoje”, explica o procurador Ivan Claudio Marx, que atua em Uruguaiana. Ele organiza o chamado grupo Justiça de Transição, que foi criado no ano passado dentro da Câmara Criminal do MPF, coordenada pela subprocuradora-geral Raquel Dodge. Integram a iniciativa membros do Ministério Público de São Paulo, Santa Catarina e Sergipe. Há diversas investigações em curso que podem resultar em futuras denúncias contra ex-militares. Marx, por exemplo, investiga crimes relacionados à Operação Condor, uma espécie de consórcio entre os regimes militares da América do Sul para perseguir e eliminar opositores.
img1.jpg
O PRIMEIRO ALVO
O coronel da reserva Sebastião Curiófoi acusado
pelos crimes de sequestro e ocultacão de cadáver
No Brasil, não há consenso sobre o total de desaparecidos durante a ditadura militar. Os números variam de 140 a 500. Sabe-se que, no caso da Guerrilha do Araguaia, são ao menos 70. “Até agora surgiram condições probatórias nesses cinco casos, mas podem surgir novas evidências de outras vítimas, arrolando mais responsáveis”, diz Marx. Ele estima uma condenação de dois a cinco anos de prisão para cada vítima. “Ainda não sabemos se as penas poderão ser somadas”, afirma. Embora não admitam oficialmente, os procuradores estão convencidos de que processos como esses podem forçar os militares a revelar a localização dos restos mortais dos desaparecidos. Seria o caminho mais fácil para escaparem à condenação, uma vez que a localização dos corpos suspenderia automaticamente a acusação de sequestro continuado.
Procurado por ISTOÉ, Curió se negou a dar declarações. Ele foi orientado pelo Exército a manter silêncio absoluto sobre o caso. Parentes e amigos confirmaram que o ex-militar ficou irritadíssimo com a ação do MPF, que, segundo ele, alimenta um clima de revanchismo. Uma saia justa, sem dúvida, para o ministro da Defesa, Celso Amorim, que vem atuando como algodão entre cristais nas negociações entre membros do governo e os comandos militares sobre a Comissão da Verdade. “Politicamente eu entendo que o MP é autônomo. Não tem nada a ver com revanchismo”, afirmou. Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o caso deverá ser avaliado pelo Supremo, por se tratar de uma questão jurídica nova.
img.jpg
OS AUTORES
Os procuradores Ivan Marx (à esq.) e
Tiago Rabelo ajuizaram a ação contra Curió
A discussão sobre a ação do Ministério Público, classificada pela OAB do Rio de Janeiro como “irrepreensível e patriótica”, dificilmente ficará restrita ao âmbito jurídico. Os clubes militares estão em polvorosa e, apesar do voto de silêncio a pedido dos comandantes das Forças Armadas, as discussões em foros da internet revelam tensão crescente. Para evitar o confronto, a presidenta Dilma Rousseff pediu a seus ministros a adoção de um discurso neutro. A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, por exemplo, comemorou timidamente a iniciativa do MPF. “Acredito que o Ministério Público está fazendo seu papel”, disse laconicamente. “Não tenho dúvida de que na democracia brasileira questões em relação à ditadura são absorvidas dentro da institucionalidade”, emendou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
img2.jpg

Como Montar uma Aula: Planejamento