domingo, 2 de outubro de 2011

Notícia da Semana Atualidades

50 Anos da Renúncia de Jânio Quadros


O populismo como religião

Em campanhas sucessivas, o professor de geografia que não fizera sucesso como advogado atraiu eleitores para um caminho que dispensou projetos políticos e programas ideológicos. Nascia o janismo


Julho de 1948 - Como vereador, fiscaliza o desperdício de verduras em feiras livres da cidade de São Paulo. Jânio, que tinha sido eleito como suplente, tomou posse depois que os mandatos dos políticos do Partido Comunista Brasileiro foram cassados
Julho de 1948 - Como vereador, fiscaliza o desperdício de verduras em feiras livres da cidade de São Paulo. Jânio, que tinha sido eleito como suplente, tomou posse depois que os mandatos dos políticos do Partido Comunista Brasileiro foram cassados - Acervo Iconographia

















Ele foi uma coleção de singularidades e paradoxos. Jânio Quadros segundo a certidão de batismo, o filho do médico Gabriel Nogueira Quadros e da dona de casa Leonor Silva Quadros resolveu, ainda menino, acrescentar um “da Silva” e juntar o mais comum dos sobrenomes ao prenome inspirado em Janus, o deus bifronte. Virou Jânio da Silva Quadros. Nascido em Campo Grande, inventou, quando estudante em Curitiba, um estranhíssimo sotaque sem parentesco com Mato Grosso, com o Paraná ou com qualquer região. O acento personalíssimo só pode ser encontrado na voz dos imitadores.
A política no rádio
Numa época em que a televisão ainda engatinhava, osjingles radiofônicos eram uma forte arma de convencimento. Jânio teve vários, além do célebre e excelente Varre, Varre, Vassourinha.
A vocação política e o estilo sublinhado pelo absurdo emergiram na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O candidato a primeiro-secretário do Centro Acadêmico XI de Agosto já exibia trajes desleixados e cabelos em desalinho, parecia pouco asseado, bebia com muita competência, apreciava frases empoladas e surpreendia concorrentes ortodoxos com métodos extravagantes. Passou boa parte da campanha sentado num barril, com chapéu de palha na cabeça circundado por uma faixa com três palavras: “Vote em Jânio”.
Vitorioso, o caçador de votos permaneceu adormecido até 1947, quando os alunos do Colégio Dante Alighieri decidiram conseguir uma vaga na Câmara Municipal para o professor de geografia que não fizera sucesso como advogado criminalista nem ingressara na carreira diplomática “por não corresponder aos padrões estéticos”. A direção dos ventos mudou em 1948, quando o suplente de vereador assumiu uma cadeira na Câmara Municipal.
O discurso que prometia varrer a bandalheira, punir os desonestos e enquadrar os ineptos encontrou um adversário perfeito: Adhemar de Barros, que consolidara a hegemonia regional e, simultaneamente, a imagem de corrupto. Como toda religião populista, o janismo  dispensou projetos políticos ou programas ideológicos. Bastavam frases de efeito valorizadas pela voz do único deus. “É a luta do tostão contra o milhão” ou “É preciso acabar com tudo isso que aí está”.
Em campanhas sucessivas, o domador das multidões com vassouras desfraldadas elegeu-se deputado estadual, prefeito de São Paulo, governador, deputado federal e presidente da República. Em apenas 13 anos, Jânio foi tudo. 
Adhemar de Barros (1901 - 1969)













 ADHEMAR DE BARROS (1901-1969)

Ao longo dos anos 50, a vassoura de Jânio e o trevo de Adhemar de Barros protagonizaram o Fla-Flu da política paulista. Hegemônicos desde 1938, quando o filho de fazendeiros de Piracicaba foi nomeado interventor por Getúlio Vargas, os ademaristas não conseguiram resistir ao inimigo que prometia varrer a corrupção. “Rouba, mas faz”, retrucavam os partidários de Adhemar, que voltariam ao poder depois da renúncia. “Sinto saudade dele”, contou Jânio em 1980. “Era a minha referência.”

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/o-populismo-como-religiao

Para mais informações: http://veja.abril.com.br/tema/50-anos-da-renuncia-de-janio-quadros

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades

Metal cumpre missão no primeiro fim de semana do Rock in Rio



Depois de noite com hits radiofônicos e refrões grudentos, bandas promovem catarse no festival


Terra


000_Hkg5392739.jpg


O primeiro final de semana do Rock in Rio 4 foi uma ascendente: na sexta-feira (23), o pop de Katy Perry e Rihanna esbanjou hits radiofônicos. No sábado (24), o pop rock de "refrões chicletes" de Capital Inicial e Red Hot Chili Peppers puxaram um coro de 100 mil pessoas. Para fechar o domingo (25), o metal de Motörhead, Slipknot e Metallica cumpriu sua missão em uma catarse coletiva.

Sexta


O dia pop do Rock in Rio teve duas novas divas do pop atual: Rihanna e Katy Perry, que não fizeram feio e entregaram o que público queria. Hits radiofônicos, coreografias, decotes e poucas surpresas. Talvez quem mais tenha "perdido" nessa história seja Elton John, lenda viva da música, mas que ficou um pouco deslocado nesta escalação pop.

Sábado


O dia do reecontro do Rock in Rio com suas guitarras. NX Zero, Stone Sour, Capital Inicial, Snow Patrol e Red Hot Chili Peppers reuniram um bom punhado de hits para os fãs de pop e rock. Com sucessos de sobra, a banda de Anthony Kiedis e Flea montou um bom setlist, mas com muitos altos e baixos. A entrada do competente guitarrista Josh Klinghoffer faz o show continuar, mas deixa no ar a lacuna de John Frusciante, responsável pela maior parte de hits dos californianos.

Domingo


Novas bandas, novo público. A Cidade do Rock foi invadida por camisetas pretas e cabelos compridos. O dia do metal entregou o que prometia: peso. A trinca infalível de Motörhead, Slipknot e Metallica jogou em equipe. Lenda viva do rock, Lemmy Kilmister levou seus fãs ao delírio em plena forma aos 65 anos. Já os mascarados do Slipknot fizeram uma apresentação impecável. Incendiaram a arena e puxaram um coro com sucessos como Before I Forget e Duality. Com este terreno pronto, o Metallica não teve dificuldades para fechar com chave de ouro. Em boa fase do quarteto formado por James Hetfield, Rob Trujillo, Kirk Hammett e Lars Ulrich, canções como Enter Sandman, Nothing Else Matters, One e Sad But True praticamente fazem o show sozinhas.


Serviços


Trânsito


O esquema de trânsito do Rock in Rio não funcionou. As filas do ônibus tomaram conta na saída da Cidade do Rock. Quem não optava por este meio, chegava a andar até 5km para achar um táxi e correr o risco de ter que pagar um preço fechado fora do taxímetro. O bloqueio dos carros e táxi nem sempre é respeitado, fazendo com que o acesso seja baseado em informações desencontradas.


Alimentação


Filas e mais filas. Além dos preços abusivos (um hambúrguer pode custar de R$ 7 a R$ 13), a demora pelo atendimento chega a 45 minutos nos horários de pico. Com o serviço de cartão de crédito e débito inoperante em diversos postos, o estresse não era somente dos consumidores, mas também dos funcionários visivelmente insatisfeitos.

Banheiros


Se no primeiro dia os banheiros funcionaram bem, no segundo e no terceiro estes viraram lagos, e não eram de água. Com as filas, muitos usuários começaram a fazer suas necessidades onde bem entendiam. No terceiro dia, o odor se tornou insuportável em diversos banheiros para quem se arriscava a caminhar sobre as longas poças.

"Máfia do barril"


Com a fila nos bares, muitos comerciantes circularam entre o público com barris de cerveja e vendendo um copo a R$ 7. No esquema vale pagar até R$ 250 para que o vendedor fique servindo apenas um determinado grupo. Ao serem abordados, eles afirmam que não possuem mais o produto, mas seguem servindo as pessoas da roda com exlusividade.


Rock in Rio 4


Considerado um dos maiores festivais do mundo, o Rock in Rio cresceu, deixou o Brasil, mas retornou ao País em 2011 em sua quarta edição.


A festa da música começou na sexta-feira (23) com nomes renomados da música pop. No Palco Mundo, cantaram Claudia Leitte, Katy Perry, Elton John e Rihanna. No sábado (24), foi o rock pop de NX Zero, Stone Sour, Capital Inicial, Snow Patrol e do Red Hot Chili Peppers que agitou o público.


Fechando o primeiro fim de semana do Rock in Rio 4, muito metal e peso com Glória, Coheed and Cambria, Motörhead, Slipknot e Metallica, no domingo (25).


A segunda bateria de shows começa com clima dançante e muito soul de Janelle Monáe, Kesha, Jamiroquai e o veterano Stevie Wonder, na quinta-feira (29). O pop novamente é convocado na sexta-feira (30) ao som de Ivete Sangalo, Lenny Kravitz e Shakira.


No sábado (1/10), o Maná, Maroon 5 e o Coldplay se revezam com os brasileiros do Skank e o cantor Frejat no Palco Mundo. A despedida do Rock in Rio 4 fica com Pitty, Evanescence, System of a Down e Guns N´Roses.


Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/163105_METAL+CUMPRE+MISSAO+NO+PRIMEIRO+FIM+DE+SEMANA+DO+ROCK+IN+RIO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

domingo, 18 de setembro de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Ameaça skinhead

Depois do PCC, a polícia de São Paulo está diante de um de seus maiores desafios: como enfrentar o aumento das gangues violentas e organizadas ideologicamente

Flávio Costa
Assista à conversa do repórter Flávio Costa com o ex-skinhead e escritor David Vega :
thumbs_skinheads255.jpg
 

img4.jpg
INTOLERÂNCIA
Tatuagens skinheads no corpo de Lucas Rosseti, acusado de matar a facadas
Eugênio Bozola e Murilo Rezende da Silva (no detalhe) no crime da rua Oscar Freire
chamada.jpg
A polícia de São Paulo está diante de um desafio de dimensão e complexidade semelhantes à luta contra o Primeiro Comando da Capital, o PCC. Divididas em correntes que representam de maneira caricatural todas as matizes do espectro ideológico, gangues de skinheads se proliferam nos centros urbanos, tendo como alvo preferencial gays, negros, nordestinos e judeus. Nas últimas semanas, uma série de ataques com a marca dessa facção se impôs sobre a cidade, atordoando as forças policias, que tentam aprender a lidar com esses delinquentes que misturam violência com ideologia. “São grupos fechados e com normas rígidas de conduta capazes de matar ou morrer por uma ideologia, o que dificulta ainda mais o trabalho das autoridades de segurança pública”, afirma a antropóloga Adriana Dias, do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo (Leer-USP). 

Povoado por jovens de diferentes origens sociais, com idades que variam entre 15 e 28 anos, o mundo dos skinheads é um círculo vicioso de violência. Nos últimos dois anos, as brigas ficaram ainda mais acirradas com o aumento do número de integrantes de gangues que rejeitam o preconceito racial e a homofobia. Autointituladas anarquistas e comunistas, elas são inimigas de gangues de ideais neonazistas, ou de ideologia nacionalista e conservadora, como os Carecas do ABC. O caldeirão ferve porque todos se encontram nos mesmos lugares. O show da banda inglesa Cock Sparrer em uma casa noturna no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, no dia 3 de setembro, por exemplo, foi uma tragédia anunciada. Havia membros de pelo menos 20 facções antes do início do evento. Houve um violento confronto que fugiu ao controle da polícia presente ao local. Entre as dezenas de feridos, um morto, Johni Raoni Falcão Galanciak, 25 anos, golpeado com 20 facadas. Guilherme Losano Oliveira, o “Treze”, foi preso pelo crime. Atualmente ele está envolvido com neonazistas, segundo policiais, e foi amigo de Galanciak. A antropóloga Adriana considera as penas imputadas às gangues muito brandas. “A impunidade colabora para um ambiente de intolerância cada vez maior.”

Titular da Delegacia de Crimes Raciais e de Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi), a delegada Margarette Barreto afirma que sua equipe já mapeou 25 gangues que agem de maneira violenta em São Paulo. O lugar mais recorrente dos conflitos é a rua Augusta, na zona central. Quase uma semana depois do confronto de Pinheiros, ISTOÉ apurou que skinheads foram acusados de cortar a garganta de um adolescente de 15 anos, membro da facção Carecas do Subúrbio, de orientação nacionalista. “Quando eu estava saindo da boate, eles me perseguiram e me cortaram com uma garrafa”, disse o jovem, que levou 12 pontos no pescoço.
img2.jpg
VIOLÊNCIA
David Vega (acima) escreveu um livro sobre suas experiências com neonazistas.
Guilherme “Treze” é preso pela polícia pelo assassinato do ex-amigo Johni Galanciak
img3.jpg
Outro caso característico do crime de ódio é o duplo assassinato do analista de sistemas Eugênio Bozola e do modelo Murilo Rezende da Silva, em um apartamento na rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins, região nobre de São Paulo. O autor do crime, Lucas Rosseti, 21 anos, chegou a escrever em sua conta no Twitter que “estava infiltrado no mundo gay”, antes de cometer o assassinato no final do mês passado. As vítimas foram mortas a facadas no apartamento de Bozola, que hospedava o modelo e Rosseti. As fotos do corpo de Rosseti, feitas no dia da sua detenção, no dia 10, mostram tatuagens de símbolos ligados aos skinheads, como soco-inglês, caveiras e a bandeira nacional rodeada por machados. Agora, a polícia investiga se ele tem envolvimento com facções radicais.

Foram registrados também pelo menos quatro casos de agressão contra nordestinos e negros por skinheads nos últimos dois meses em São Paulo. E esse tipo de violência ideológica atinge outras capitais brasileiras. No dia 7 de setembro, neonazistas agrediram um casal homossexual na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Distúrbios provocados por essas gangues foram anotados este ano no Recife e em cidades do Rio Grande do Sul. Mas há aqueles que querem dissociar o movimento do preconceito. Um protesto intitulado “Nazismo Nunca Mais”, organizado por “antifascistas” foi marcado para o sábado 17 na avenida Paulista, a fim de pontuar que há grupos contrários à violência. 

Violência conhecida de perto pelo estudante de sociologia, David Vega, 22 anos. Entre os 16 e 18, ele se envolveu com skinheads de orientação neonazista e participou de várias missões, entre elas xingar homossexuais e se envolver em arruaças. O apoio dos pais e a constante sensação de medo o fizeram se afastar das antigas amizades. “Você vive numa sociedade secreta, praticamente excluído do convívio social”, afirma. “Eles não se permitem questionar nada nem tentam entender o outro.” Da experiência restou um livro, “Cadarços Brancos” (Ed. Giostri). Os skinkeads apenas são democráticos quando o assunto é destilar seu ódio. A mais recente vítima foi a Miss Universo eleita no dia 12 de setembro em São Paulo, a angolana Leila Lopes, que se tornou alvo de injúrias raciais na internet. Em inglês e português, neonazistas expressaram sua revolta em fóruns contra a vitória de uma negra com xingamentos como “Filha de King Kong” e “Macaca”.
img.jpg
Skinheads_(C1)3.jpg

Como Montar uma Aula: Planejamento