segunda-feira, 2 de junho de 2014
sábado, 31 de maio de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Copa do Mundo)
# Vai ter uma grande copa...apesar de todos os problemas
Mesmo com as obras inacabadas, dinheiro público jogado fora e a violência dos protestos, os brasileiros estão prestes a desfrutar de um período histórico: o melhor campeonato de futebol em décadas
Amauri Segalla
Na semana
passada, quem esteve na Granja Comary, em Teresópolis, local de treinos
da Seleção Brasileira de Futebol, observou um espetáculo que se repete
quase todos os dias. Nas primeiras horas da manhã, uma densa neblina
cinzenta encobre o lugar, mas pouco depois ela é substituída por um sol
luminoso. Não poderia haver imagem mais precisa para descrever as
contradições da Copa do Mundo no Brasil. A Copa da incompetência, das
obras prometidas e não entregues, dos protestos violentos e do
oportunismo das greves está envolta por uma espessa camada de sombras,
como se nuvens escuras anunciassem uma tempestade que se aproxima. Mas
há uma outra Copa também, tão radiante quanto os dias ensolarados de
Teresópolis, e que poderá ser conhecida e reverenciada nos pés hábeis de
craques como Neymar e dos jogadores brasileiros concentrados na Granja
Comary. Sim, vai ter Copa, mas não uma só. Uma escancara, para o mundo
inteiro ver, as profundas mazelas nacionais. A outra será um torneio
extraordinário de futebol, provavelmente o melhor em décadas, marcado
por talentos excepcionais, rivalidades à flor da pele, embates para
entrar na história.
ÍDOLO
Neymar na saída de um amistoso do Brasil:
o que ele tem a ver com o dinheiro público desperdiçado?
As duas faces da Copa são expostas todos os
dias – e certamente cada vez mais, até o apito final da competição. Na
terça-feira 27, durante um protesto contra o Mundial, um índio disparou
uma flecha em direção a um grupo de policiais que acompanhava o ato em
Brasília. O artefato atingiu a perna de um soldado, ferindo-o. Na mesma
terça, o lateral-esquerdo Marcelo, o último jogador que faltava para
completar o grupo dos 23 convocados, se apresentou na Granja Comary. A
flechada e o sorriso farto de Marcelo ao se encontrar com o técnico Luiz
Felipe Scolari são exemplos acabados do que está por vir. De um lado,
confrontos que produzem vítimas. De outro, a festa do futebol.
PROTESTO
Índio dispara flecha contra policiais diante do Estádio Mané Garrincha,
em Brasília. Abaixo, o soldado atingido
Por que, afinal, tantas pessoas amam odiar a
Copa no Brasil? Desde as legítimas manifestações que começaram em junho
do ano passado, construiu-se a imagem de que o Mundial é responsável
pelas desgraças da nação. Essa percepção está correta? Talvez ela seja
resultado de uma mentira contada a partir de 2007, quando o Brasil foi
escolhido sede da Copa. Autoridades de governos, integrantes notáveis do
Comitê Organizador Local (COL) e a própria imprensa disseram, ou pelo
menos insinuaram, que o torneio de futebol seria o antídoto para todos
os males nacionais. Teríamos, enfim, aeroportos reluzentes, estradas
seguras, metrôs confortáveis, segurança pública eficiente. Quase nada
disso virou realidade. Pior ainda: ao desapontamento juntaram-se
denúncias de corrupção e muito dinheiro jogado na lata do lixo. O
resultado é conhecido. Hoje em dia, um contingente enorme de brasileiros
associa imediatamente Copa a roubalheira, futebol a ineficiência, Fifa a
abusos. Daí a possibilidade de amplos protestos durante a Copa. Para
contê-los, o governo federal aposta na militarização das ruas, com
tanques do Exército e policiais da Força Nacional de Segurança.
FESTA
Ruas decoradas em Natal: por que não admitir que a
Copa é bacana para um País como o Brasil?
A Copa será realizada num momento em que o
Brasil dá motivos para o descontentamento. Basta dar uma olhada em
alguns indicadores para conhecer o alto grau de incivilidade a que nos
submetemos diariamente. Na semana passada, saíram os resultados do “Mapa
da Violência”, estudo anual que detalha as mortes por causas extremas. O
Brasil retrocedeu mais de três décadas, atingindo a maior taxa de
homicídios de que se tem registro desde 1980. Isso depois de incontáveis
anúncios de políticas de segurança e após vultosos investimentos
financeiros. Só os brasileiros sabem como tem sido difícil admirar o
País. O transporte público é horrível. A economia não anda. Hospitais
matam em vez de salvar. Falta água. Tudo é caro. São flagelos demais
para uma nação inteira ignorar. “A população nas ruas é uma indicação de
que os canais existentes para exercer a cidadania não são suficientes”,
diz Gustavo Azenha, diretor do centro de estudos brasileiros da
Columbia University.
FORÇAS NAS RUAS
Tropa do Exército na base aérea de Salvador (abaixo) e treinamento
de policiais em Brasília: atentos às manifestações
E o futebol, como fica nessa história?
Reconheça-se que fizemos quase tudo errado, mas por que não admitir que é
bacana demais uma Copa do Mundo no Brasil? Por que não separar os
problemas da nação de algo totalmente diferente – as jogadas geniais, os
dribles desconcertantes, os gols sensacionais? O que Neymar tem a ver
com o dinheiro público despejado vergonhosamente nos estádios? Ou Messi?
Ou Cristiano Ronaldo? Os três são as maiores estrelas do torneio e
certamente entrarão para a história como figuras gigantescas do futebol.
Por que não desfrutar, neste momento único, do que elas têm para
oferecer? Dentro dos gramados, a Copa do Brasil vai reunir, como poucas
vezes se viu, uma constelação de craques no auge da forma, seleções que
são verdadeiros esquadrões e tudo isso sob os olhos de uma torcida que
sabe celebrar como ninguém. “Como o Brasil é o País mais festejado do
mundo do futebol, cria-se a expectativa de ser uma Copa inesquecível”,
diz Tostão, titular da Seleção tricampeã em 1970 e hoje um analista
reconhecidamente independente.
Mesmo fora do universo do futebol, a Copa
não deixará apenas legados nefastos. Há algo de positivo também. No
turismo, espera-se a chegada de 600 mil visitantes, mas esse não é o
único ponto favorável. “Com a Copa, o Brasil vai economizar na
propaganda dos destinos, o que normalmente tem um custo enorme”, diz
Elzário Pereira da Silva Júnior, presidente da Associação Brasileira de
Profissionais do Turismo. “O Mundial será benéfico para o turismo do
País inclusive depois de acabar.” Em termos de infraestrutura, a Copa
acelerou obras importantes. É um absurdo as reformas dos aeroportos não
terem terminado a tempo, mas elas pelo menos estão em andamento. Sem a
Copa, as autoridades teriam disposição política para começá-las? Muitas
obras de mobilidade urbana também saíram do papel graças ao torneio de
futebol. No Rio, o corredor expresso Transcarioca, que liga a Barra ao
Aeroporto do Galeão, terá 20 de suas 45 estações funcionando durante os
jogos, e as demais devem ficar prontas até o final do ano. Em Itaquera,
onde se dará a partida inaugural, as obras viárias do entorno do estádio
devem melhor a vida dos moradores do bairro periférico de São Paulo. A
Copa trará nuvens pesadas para os céus brasileiros, mas o sol brilhará
também.
Com reportagem de Camila Brandalise
Fotos: Sérgio Lima/Folhapress, Bruno Kelly/Reuters; Luciano da Matta/A Tarde/Ag. O Globo; Andre Borges/ComCopa
Fotos: Sérgio Lima/Folhapress, Bruno Kelly/Reuters; Luciano da Matta/A Tarde/Ag. O Globo; Andre Borges/ComCopa
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/365953_VAI+TER+UMA+GRANDE+COPA+APESAR+DE+TODOS+OS+PROBLEMAS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Notíca da Semana Atualidades (Missão da ONU no Congo)
Um brasileiro no coração das trevas
A dura missão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da mais importante operação da ONU no mundo. Ele tem a tarefa de dar fim ao maior conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial, com quase seis milhões de mortos
Por Yan Boechat (yan@istoe.com.br) (textos e fotos), enviado especial ao Congo
As primeiras
horas da manhã da quinta-feira 17 de abril estavam especialmente quentes
na densa floresta que serve de fronteira natural entre a República
Democrática do Congo e Uganda. Antes de se embrenhar pela vereda de
terra entre as árvores, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz retirou
o colete à prova de balas e o capacete. ?Se algo acontecer, é preciso
ser ágil?, explicou. ?O caminho é perigoso, as emboscadas são comuns.? O
general tinha usado esse equipamento de mais de 15 quilos, capaz de
segurar balas de fuzil AK-47, durante todo o trajeto de 40 quilômetros
entre o batalhão da ONU na cidade de Beni e a trilha que o levaria a uma
base rebelde conquistada pelo Exército congolês uma semana antes.
Santos Cruz vestia a farda camuflada das
Forças Armadas brasileiras. No ombro esquerdo, a bandeira do Brasil. No
direito, a palavra ?comandos?, que em todo o mundo militar carrega o
mesmo significado: ali está um soldado das tropas de elite, um cara
durão, preparado para sobreviver na adversidade. Três pequenas estrelas
costuradas nas pontas do colarinho o distinguem como um general de
divisão. Além do FAL, o fuzil usado pelo Exército brasileiro há quase
três décadas, Santos Cruz levava uma pistola Glock 9mm no coldre colado à
coxa direita.
À medida que avançava, o acesso no terreno
úmido da floresta tropical a poucos quilômetros ao sul da linha do
Equador ia se estreitando. O sol logo desapareceu sob a copa das
árvores. Santos Cruz teve a sensação de que estava na Amazônia. ?É igual
ao Brasil, não muda nada?, disse. Na longa marcha até a principal base
conquistada do grupo inimigo, a paisagem dava ideia de como havia sido o
combate: troncos perfurados por tiros, árvores derrubadas pelo impacto
das RPGs, o chão coberto por um tapete metálico de cápsulas deflagradas.
Cartazes escritos à mão indicavam a localização de minas e explosivos.
Um pouco mais adiante, covas rasas ao lado da trilha ainda exalavam o
cheiro forte dos corpos recém-enterrados pelos vencedores. ?Muitos foram
queimados, outros enterramos aqui mesmo, é menos trabalho?, explicou um
soldado congolês ao lado do amontoado de terra fofa onde as moscas
tentavam encontrar caminho para chegar aos restos putrefatos dos
inimigos.
Foram três horas de uma caminhada tensa.
Com os rebeldes ainda a poucos quilômetros dali, o risco de uma
emboscada não recomendava pausas para descanso. A tropa só parou ao
chegar a Medina, um vilarejo improvisado no meio da floresta que o grupo
radical islâmico ADF usava como uma de suas maiores bases no Congo.
Logo começaram a surgir da floresta centenas de soldados. Sujos e
cansados, carregando colares de munição e armamento pesado, eles
saudavam Santos Cruz. Pela primeira vez, viam naquele front de batalha
um militar tão graduado da ONU. O general brasileiro apertou a mão dos
oficiais que combateram os rebeldes islâmicos. Aos soldados, distribuiu
cigarros congoleses baratos, comprados a US$ 1 o maço.
?Force Commander?
No Congo, a patente de Santos Cruz importa
menos que seu cargo na hierarquia militar da ONU. Ele é o
comandante-geral da Monusco, a maior e mais importante missão das Nações
Unidas no mundo, com um contingente de mais de 22 mil homens de 20
diferentes países e orçamento anual de quase US$ 1,5 bilhão. É uma
missão histórica, em que o conceito de manutenção da paz foi alterado
para imposição da paz. Não se trata apenas de semântica. Os capacetes
azuis, pela primeira vez desde 1948, têm autorização para caçar, prender
e matar aqueles que o Conselho de Segurança considerar inimigos. Na
prática, isso significa que os soldados das Nações Unidas podem dar o
primeiro tiro, tornando-se, assim, uma força de agressão ? a primeira
desde a criação da organização.
O militar brasileiro foi indicado e
responde ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e ao
Conselho de Segurança. No Congo, ele divide o comando da missão com um
representante civil, o alemão Martin Kobler. São os dois que têm, ao
menos oficialmente, a última palavra em qualquer decisão, militar e
civil. A guerra no Congo dura quase 20 anos e já deixou cerca de 5,5
milhões de pessoas mortas. Nenhum outro conflito armado matou tantos
seres humanos desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de ser o primeiro brasileiro a
comandar forças militares de agressão desde a campanha da FEB na Itália,
um ano e pouco atrás, em Brasília, onde mora, Santos Cruz estava mais
preocupado com caminhões-pipa no Nordeste brasileiro do que com
guerrilheiros africanos. O general foi compulsoriamente para a reserva
em 2012, ao ser preterido para ascender à patente de general de
exército. Com a carreira militar encerrada, trabalhava na divisão
militar da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da
República, em Brasília, cuidando de assuntos como a participação do
Exército na distribuição de água potável em regiões afetadas pela seca.
?Eu havia abandonado a farda, estava lá, engravatado, num gabinete da
Esplanada, quando recebi, em março de 2013, uma ligação de Nova York?,
contou ele à ISTOÉ no mês passado, enquanto comia com as mãos uma coxa
de galinha frita na cantina do quartel-general da ONU em Goma, a capital
da província do Kivu do Norte, onde estão concentrados 95% dos
capacetes azuis no país. ?Foi uma surpresa , mas não demorei três
segundos para aceitar aquele convite inesperado.?
ATIVO
Santos Cruz viaja pelo menos três vezes por semana a regiões
isoladas do leste do Congo; em casa, gosta de assistir
aos telejornais da rede de tevê Al Jazeera
Santos Cruz é um homem que ri pouco.
Natural da cidade de Rio Grande, no litoral gaúcho, o general aparenta
ter bem menos que os 62 anos que vai completar no dia 1º de junho.
Mantém seus 74 quilos com uma rotina de atleta. Corre dez quilômetros,
dia sim, dia não, e segue um programa rígido de exercícios físicos. O
sotaque forte dos gaúchos se foi faz tempo, assim como o hábito de tomar
chimarrão. O militar deixou o Rio Grande do Sul aos 15 anos, quando foi
aceito na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, em
1968. ?O que ficou foi a paixão pelo Internacional de Porto Alegre?, diz
ele. Toda vez que seu time vence o Grêmio, Santos Cruz liga para um
irmão torcedor do rival.
Em Goma, o general brasileiro vive em uma
confortável casa de dois quartos, próxima do quartel-general da ONU, que
divide com um alto funcionário civil das Nações Unidas. Dois
brasileiros fazem a escolta pessoal do general e um grupo de seis
soldados das forças especiais uruguaias, equipados com fuzis FAL e uma
caminhonete com uma metralhadora Mag instalada na carroceria, completam o
time da segurança. Se ele está em casa, os uruguaios fazem patrulha em
frente ao seu portão. Se ele se desloca, lá estão os mesmos soldados
cercando seu veículo. O general não dá um passo sem que ao menos oito
homens estejam acompanhando seus movimentos.
Carlos Alberto dos Santos Cruz, casado, três filhos e avô de um menino, fez uma carreira típica no Exército brasileiro. Poucos anos depois de graduar-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1974, seguiu para o que parece ser a obsessão dos militares nacionais: a Amazônia. Lá se tornou um especialista em guerra na selva. Nas duas décadas seguintes, sempre esteve, de uma forma ou de outra, próximo da floresta. Comandou pelotões de fronteira na região Norte e um batalhão de infantaria em Mato Grosso. Não à toa, dos seis brasileiros que lhe prestam assistência direta no Congo, quatro são especialistas em guerra na selva ou têm experiência na Amazônia.
Carlos Alberto dos Santos Cruz, casado, três filhos e avô de um menino, fez uma carreira típica no Exército brasileiro. Poucos anos depois de graduar-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1974, seguiu para o que parece ser a obsessão dos militares nacionais: a Amazônia. Lá se tornou um especialista em guerra na selva. Nas duas décadas seguintes, sempre esteve, de uma forma ou de outra, próximo da floresta. Comandou pelotões de fronteira na região Norte e um batalhão de infantaria em Mato Grosso. Não à toa, dos seis brasileiros que lhe prestam assistência direta no Congo, quatro são especialistas em guerra na selva ou têm experiência na Amazônia.
Agressividade
A grande virada na carreira do general veio
em 2006, quando foi apontado como o chefe militar da missão da ONU no
Haiti. Foi por conta de sua ação enérgica na tomada da favela Cité
Soleil, um enclave de criminosos em Porto Príncipe, a capital do país,
que o general brasileiro chamou a atenção dos burocratas das Nações
Unidas. Quase 40 dias de batalha ? com baixas civis duramente criticadas
por organizações humanitárias ? garantiram a tomada do local pelas
tropas da Minustah, majoritariamente brasileiras. Ao final do período em
que liderou a missão, a ONU pediu ao Brasil que mantivesse Santos Cruz
no comando da operação por pelo menos mais um ano. O Exército, no
entanto, recusou o pedido e o general gaúcho retornou ao País. ?A
atitude agressiva e a determinação em agir e correr riscos foram
determinantes para que seu nome fosse lembrado em Nova York. Ele está
aqui no Congo por causa do Haiti e não pela influência política do
Brasil no Conselho de Segurança?, diz um experiente analista de
inteligência das Nações Unidas.
No amplo complexo militar e civil que a ONU
montou em Goma para ser o quartel-general de sua missão no Congo,
Santos Cruz é um dos poucos oficiais a andar armado o tempo todo. A
pistola 9mm sempre está ao alcance da mão e, por onde se desloca,
carrega o fuzil FAL de fabricação argentina que pegou emprestado do
batalhão uruguaio instalado na cidade. Mesmo em seu escritório ? uma
sala simples, de cerca de seis metros quadrados, instalada em um
contêiner ?, invariavelmente o fuzil está encostado na parede, ao lado
de sua cadeira. ?Ele gosta de manter essa imagem, mostrando aos soldados
que, mais que um general, é um soldado como todos eles?, diz o major
Pethias Mdoka, do Exército Malaui, que atuou diretamente com o
brasileiro no último ano.
Santos Cruz chegou ao Congo em julho de
2013, num momento de fragilidade da missão. Após quase 15 anos atuando
no país, a ONU tinha sofrido sua maior derrota e humilhação havia poucos
meses. Em novembro de 2012 um grupo rebelde supostamente financiado por
Uganda, o M23, derrotou o Exército congolês, invadiu Goma e forçou os
capacetes azuis a se refugiarem nos quartéis, deixando a população civil
à mercê dos invasores. Foi a partir dessa derrota que as Nações Unidas
decidiram criar uma força especial de ataque, a Force Intervention
Brigade (FIB), e dar carta branca para o ataque. Santos Cruz recebeu a
missão de expulsar o M23 de Goma, retomar a cidade e reconquistar a
confiança da população e da comunidade internacional na ONU.
A grande batalha
Na longa planície que liga Goma ao vilarejo
de Kibati, o primeiro foguete disparado por um lançador Katiuscha de
fabricação russa caiu cerca de 400 metros abaixo da trincheira escavada
no topo do pequeno morro em que Santos Cruz observava a movimentação das
tropas. O segundo, 400 metros atrás. ?Foi uma ação típica de ajuste de
tiro da artilharia. Eles sabiam que estávamos lá e tentavam nos
acertar?, contou o general. A terceira explosão aconteceu a menos de 30
metros. Deitados na trincheira, os militares puderam ouvir os estilhaços
voando sobre suas cabeças. Em seguida, o M23 passou a atingir a
periferia de Goma, logo atrás da elevação onde estava Santos Cruz. ?Foi
naquele momento que decidi atacar e ordenei que nossos helicópteros e
nossa artilharia abrissem fogo contra eles.?
Naquela tarde do dia 21 de agosto de 2013,
pela primeira vez na história, a ONU abandonou sua política de isenção e
neutralidade e partiu para o ataque, apoiando o Exército congolês tanto
com artilharia e fogo aéreo quanto com homens no solo. ?Foi uma batalha
intensa, com centenas de mortos e com características muito semelhantes
àquelas da Segunda Guerra Mundial?, disse o general. Da trincheira,
observando o avanço das tropas e os disparos de artilharia, vieram-lhe à
cabeça velhos filmes da Segunda Guerra. ?E de repente eu estava lá,
como um dos personagens, participando daquele filme?, contou ele.
Logo no primeiro dia de combate, com
foguetes e morteiros explodindo a poucos metros da base de comando,
Santos Cruz começou a forjar a imagem do general que gosta de estar no
campo de batalha. ?Ele mostrou que não é um político, que não aceita
ficar no escritório e trata os soldados de igual para igual?, disse à
ISTOÉ o general tanzaniano James Mwakibolwa, que atuou na defesa de
Goma. Ao longo de toda a campanha contra o M23, o general brasileiro
esteve no front. Hoje, ao menos três vezes por semana, vai de
helicóptero às áreas mais remotas do leste do Congo para ver de perto
como estão sendo conduzidas as operações contra as dezenas de grupos
armados que permanecem ativos na região. Para muitos na ONU, Santos Cruz
se expõe em excesso. ?Esse não é o papel de um general, de um ?force
comander?. Ele é um alvo muito valioso e parece fazer isso apenas para
criar uma imagem de durão?, critica um oficial indiano. Já Santos Cruz
tem uma explicação mais singela. ?Eu poderia dizer que vou ao front por
questões estratégicas, para incentivar meus homens ou mesmo para dar a
impressão à população local de que a ONU se importa com ela?, disse o
general pouco antes de embarcar em um helicóptero Orix a caminho de uma
vila atacada em meados de abril por um grupo rebelde. ?Tudo isso é
verdade, mas o que me leva mesmo ao front é o fato de que eu gosto muito
de estar lá, de estar perto dos soldados. Eles me dão coragem e me
rejuvenescem.?
A batalha de Goma durou sete dias e forçou o
M23 a recuar. A cidade estava liberada e em dois meses o grupo rebelde
financiado por Uganda, um dos mais bem armados da região, foi derrotado.
?Santos Cruz chegou ao Congo com uma atitude absolutamente distinta da
de todos os outros comandantes que estiveram por lá na última década,
uma atitude muito proativa. É claro que essa não é a solução para todos
os problemas, mas, sem dúvida, trouxe mudanças?, diz Jason Stearns,
autor do aclamado ?Dancing in the Glory of Monsters: The Collapse of the
Congo and the Great War of Africa? (Dançando pelos Monstros: o Colapso
do Congo e a Grande Guerra da África), ainda não publicado no Brasil.
A guerra do Congo é um conflito complexo,
com muitos atores e interesses econômicos e geopolíticos variados. Seu
início tem raízes no genocídio perpetrado pela etnia hutu contra os
tutsis, em Ruanda, há 20 anos. A matança desestabilizou toda a região
dos Grandes Lagos Africanos, no centro do continente, e dragou para a
guerra seis países ? Ruanda e Uganda, de um lado, e Congo, Tanzânia,
Zimbábue e Angola, do outro. O Congo foi o palco de todas as batalhas do
que ficou conhecido como a Grande Guerra Africana.
Oficialmente, o conflito terminou com um
acordo de paz em 2002. Com o país destruído, com a absoluta ausência do
Estado e uma diversidade de riquezas em uma vasta área sem controle e
lei, dezenas de grupos armados passaram a dominar regiões inteiras do
país. Desde então, o leste do Congo vive uma guerra sem-fim, com
milícias lutando entre si, contra o próprio Exército congolês e contra
exércitos estrangeiros, como as Forças Armadas de Ruanda, que ainda
caçam os hutus responsáveis pelo genocídio de 20 anos atrás. Os civis
são as maiores vítimas. Estima-se que até hoje entre 5,5 milhões e seis
milhões de pessoas tenham morrido. Outros três milhões vivem em campos
de refugiados. Dezenas de milhares de mulheres foram vítimas de estupros
coletivos, que se tornaram uma arma de guerra.
Diante de um cenário tão complexo, Santos
Cruz sabe que não será por meio de armas, tanques e helicópteros que a
situação será resolvida. ?A saída sempre é política e passa pelo
fortalecimento do Estado?, disse ele. ?Minha missão aqui é proteger os
civis e desarmar os grupos rebeldes, que, na verdade, são apenas
criminosos que se aproveitam da ausência do Estado. O problema não é
étnico ou ideológico, como pode ter sido no início, há duas décadas.
Hoje a razão desse conflito é econômica, porque esse é um dos países
mais ricos do mundo.?
O Congo possui vastas reservas minerais.
Estima-se que em seu subsolo esteja guardado algo como US$ 24 trilhões
em ouro, cobalto, cobre, diamante e coltan, um mineral amplamente
utilizado na produção de notebooks e celulares e do qual o país é o dono
da maior reserva do mundo. Quase todos os grupos rebeldes que atuam no
leste do país exploram essas riquezas e usam nações vizinhas para
exportá-las para os Estados Unidos, Europa e Ásia. ?Não resta muito a
Santos Cruz além de ser o homem corajoso desse show?, observou Fidel
Bafilemba, um dos coordenadores da organização Enought Project, que
acompanha de perto a crise congolesa há vários anos. ?Não há muito o que
ele possa fazer sem que a comunidade internacional tome a decisão de
parar de importar as riquezas minerais do Congo a preços baixíssimos,
como ocorre hoje.?
A posição de Fidel não é muito diferente da
de outros integrantes de entidades que atuam no país. A organização
Médicos Sem Fronteiras, que mantém no Congo sua maior operação no mundo,
também é bastante crítica ao novo papel que a ONU vem tendo no
conflito. ?A decisão de abandonar o papel de neutralidade está
comprometendo todo o serviço humanitário que tem sido desenvolvido aqui
nos últimos anos?, diz Bertrand Perrochet, chefe da missão belga da
Médicos Sem Fronteiras no Congo. ?A população não sabe mais se um
helicóptero branco da ONU vai distribuir medicamentos ou balas.?
No início da tarde do sábado 19 de abril, o
general Santos Cruz embarcou na caminhonete Land Cruiser blindada que
tem à sua disposição para saborear um típico churrasco gaúcho no
batalhão do Uruguai, o Urubatt. O quartel-general do contingente de mais
de 700 soldados uruguaios fica nas proximidades do aeroporto de Goma e é
uma espécie de segunda casa para o general e para os seis brasileiros
que atuam diretamente como seus motoristas, auxiliares administrativos e
seguranças. Nos 15 dias em que a reportagem de ISTOÉ acompanhou a
rotina do militar brasileiro, Santos Cruz só foi capaz de soltar uma
gargalhada nas duas vezes em que esteve no Urubatt. Ali parece ser o
único lugar em que ele consegue relaxar. ?Eu respeito muito as ONGs, mas
acho que muito mais poderia ser feito. Milhões e milhões são gastos
aqui, mas não há coordenação, não se vê esse dinheiro sendo aplicado
diretamente na melhoria do país.? Ele trata as críticas que recebe como
meras especulações. ?Ainda não houve um caso concreto de problemas pela
cor dos veículos ou helicópteros.?
Santos Cruz é presença constante nas festas
mensais promovidas pelo batalhão do Uruguai e que atraem tanto
militares quanto civis a serviço da ONU. Batizadas de Tango Bar, as
noitadas são agitadas e a pista de dança, quase sempre animada com
música latina, é incrementada pela sirene vermelha de um caminhão
estacionado ao lado do bar montado para atender a clientela sedenta por
momentos de descontração. Na última festa, organizada no dia 12 de
abril, Santos Cruz vestia calça jeans, uma camisa social branca e um
colete de lã vermelho. Aproveitou a pista de dança para descontrair.
Nas próximas semanas, Santos Cruz será
oficializado pelo Conselho de Segurança da ONU como o escolhido para
liderar a missão no Congo por mais um ano. Apesar de não confirmar, ele
já foi consultado por Nova York se aceitaria ficar mais 12 meses à
frente da Monusco ? e aceitou. ?Quando voltar para o Brasil, vou andar a
cavalo?, conta ele, um praticante do Concurso Completo de Equitação,
espécie de triatlo hípico responsável por matar quase uma dezena de
cavaleiros no mundo todos os anos. ?O concurso completo é o esporte que
mais se aproxima de uma batalha militar, você corre riscos o tempo todo e
eu preciso disso para viver.?
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/362169_UM+BRASILEIRO+NO+CORACAO+DAS+TREVAS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Marco Civil da Internet)
Internet
O marco civil faz história e manda recado
O Brasil lidera o ataque à hegemonia dos EUA na internet. Por Cynara Menezes
Nelson Almeida / AFP
Ao lado da presidenta Dilma Rousseff na abertura do evento NetMundial
em São Paulo, Tim Berners-Lee, considerado o “pai da internet”, deu o
tom da calorosa recepção internacional que se seguiria à aprovação do
Marco Civil. “Estou pedindo que todos os países sigam o exemplo do
Brasil e da Europa. É um exemplo fantástico de como o governo pode ter
um papel positivo no desenvolvimento da rede”, disse.
Embora a imprensa brasileira tenha
preferido destacar a decisão da ministra Rosa Weber, do STF, a favor da
realização de uma CPI exclusiva da Petrobras, vários jornais do mundo
trouxeram artigos sobre a aprovação de forma entusiástica, sobretudo na
França, país coorganizador do evento. O jornal Le Monde trouxe reportagem de primeira página sob o título “O Brasil lidera a batalha contra a hegemonia norte-americana na web”.
O presidente da Associação Francesa para a
Nomeação de Domínios de Internet em Cooperação (Afnic), Mattieu Weil,
que estava em São Paulo para o evento, declarou-se otimista. “Nós não
vamos fazer a revolução em dois dias, mas o Brasil está bem posicionado
para fazer avançar a reforma da governança da internet. Está próximo aos
princípios europeus, e, ao mesmo tempo, possui a confiança dos países
menos desenvolvidos.”
A sanção também foi alvo dos elogios de
Vinton Cerf, outro dos criadores da internet e atualmente
vice-presidente do Google, como uma “iniciativa multipartidária que
oferece importantes garantias para proteger a plataforma web e os
direitos dos usuários”, e também de Nnenna Nuakanma, uma das criadoras
da Fundação de Software Livre e Open Source para a África, que
parabenizou os brasileiros.
O objetivo dos ativistas da rede é chegar a uma espécie de Constituição mundial da internet que possa garantir no futuro que endereços, nomes de domínios e protocolos não estejam mais, como hoje, sob a tutela dos EUA. Como disse a ministra francesa para as relações digitais, Axelle Lemaire, em São Paulo: “A web não deveria ser como o Velho Oeste, onde o que vale é a lei do mais forte”. Um disparo direto ao domínio norte-americano.
O objetivo dos ativistas da rede é chegar a uma espécie de Constituição mundial da internet que possa garantir no futuro que endereços, nomes de domínios e protocolos não estejam mais, como hoje, sob a tutela dos EUA. Como disse a ministra francesa para as relações digitais, Axelle Lemaire, em São Paulo: “A web não deveria ser como o Velho Oeste, onde o que vale é a lei do mais forte”. Um disparo direto ao domínio norte-americano.
Vários especialistas apontaram que o
Marco Civil brasileiro avança no sentido de mudar a governança da
internet no mundo. “A neutralidade torna
inadmissível qualquer restrição da rede por motivos comerciais ou de
qualquer outra natureza”, disse Dilma Rousseff. Pela primeira vez, a
presidenta foi ao Facebook responder ao vivo às dúvidas dos internautas
em relação ao projeto, principalmente quanto à possibilidade de
“censura” que vários setores quiseram associar ao projeto. Pelo
contrário, disse Dilma, a lei “assegura a liberdade de expressão, a
privacidade e o respeito aos direitos humanos”.
À frente do projeto como relator há três anos, o deputado
Alessandro Molon (PT-RJ) denunciou haver uma guerra de informação contra
o projeto, que começou com a resistência das teles à neutralidade da
rede e continua agora no campo da “guerra política”. “Ou é
desinformação, desconhecimento sobre o projeto, ou é guerra política,
para que a sociedade civil fique contra. Esta história de dizer que se
pretende tolher a liberdade de expressão, por exemplo, é uma mentira sem tamanho. É um antídoto contra a censura, isso sim”, disse Molon.
O princípio da neutralidade, um dos itens centrais do Marco Civil e o mais combatido pelo lobby das
teles, estabelece que a rede deve ser igual para todos, sem diferença
quanto ao tipo de uso. Ou seja, ao comprar um plano de internet o
usuário paga somente pela velocidade contratada e não de acordo com o
tipo de conteúdo (vídeos, e-mails, chats) que pretende acessar. No dia
seguinte à sanção por Dilma, as operadoras de telefonia já estavam nos
jornais dizendo que poderão vender serviços diferenciados, cobrando
mais.
“Isso não se pode fazer, seria quebrar a neutralidade”,
disse Molon. Embora o Marco Civil preveja que os provedores de conexão
ficam proibidos de guardar os registros de acesso a aplicações da
internet, houve polêmica sobre o artigo 15, alvo de
pedido de veto à presidenta por ativistas. O artigo prevê que as
empresas devem manter o registro do rastro digital do usuário por seis
meses, o que foi visto como ameaça à privacidade.
Para Alessandro Molon, trata-se de falta de entendimento sobre a lei. “Sem essa guarda
de dados seria impossível combater a impunidade. Foi um pedido da
Polícia Federal e do Ministério Público, mas o que as pessoas não sabem é
que os dados são sigilosos e só podem ser revelados sob ordem
judicial”, disse o deputado, admitindo, porém, que a
presidenta Dilma ainda pode fazer modificações no artigo na redação do
decreto que regulamentará o Marco Civil.
A sessão do Senado
que aprovou o projeto, na terça-feira 22, esquentou, com bate-boca
entre os senadores Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, e o
petista Lindbergh Farias, que pretende se lançar ao governo do Rio.
Aécio pediu um mês de prorrogação para análise e criticou a “pressa” do
governo em sua aprovação. Lindbergh rebateu dizendo que os tucanos davam
um “tiro no pé” ao querer atrasar a votação do projeto, que contava com
mais de 350 mil assinaturas pedindo urgência. Começou uma troca de
acusações sobre quem trabalha mais ou menos e a sessão precisou ser
suspensa para acalmar os ânimos.
Após a aprovação, o clima no Palácio do
Planalto era de franca comemoração, a despeito da decisão de Rosa Weber.
Entre os assessores da presidenta, o Marco Civil já era considerado o
“grande gol do ano”. Com uma vitória particular para Dilma, que, ao
reforçar a investida contra o domínio norte-americano na internet, se
viu vingada das denúncias de espionagem de seu governo feitas por Edward
Snowden no ano passado.
“Esses fatos são inaceitáveis e continuam sendo
inaceitáveis. Atentam contra a própria natureza da internet”, criticou a
presidenta ao discursar na abertura do NetMundial. A africana
Nnenna Nwakanma, que representava a sociedade civil no evento, fez
questão de agradecer a Snowden na abertura. “Para todos nós que amamos a
internet, e todos nós que estamos aqui, e a alguém chamado Edward,
Edward Snowden, obrigado”, disse Nwakanma. Dilma sorriu e aplaudiu de
pé.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/797/o-marco-faz-historia-e-manda-recado-3282.html
domingo, 13 de abril de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Ucrânia, Rússia e EUA)
Ucrânia: Negócio EUA-Rússia
- Publicado em Terça, 08 Abril 2014 16:33
Por Pepe Escobar
Diário Liberdade
Ucrânia - Redecastorphoto - Quando vocês estiverem lendo isso, a Rússia já terá invadido a Ucrânia. Pelo menos, é o que o Supremo Comandante Aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, o general da Força Aérea dos EUA, Philip Breedlove, anda espalhando. Breedlove-Supremo diz que os russos estão "prontos p'ra sair em ataque" e podem facilmente tomar o leste da Ucrânia. A imprensa-empresa ocidental já tirou do armário os coletes à prova de bala.
"O coração da matéria – encoberto por uma barreira de histeria – é que nem Washington nem Moscou querem que a Ucrânia apodreça como ferida purulenta" |
Disputa
Enquanto a Otan – abreviatura de Divisão Europeia do Pentágono – entra em surto, sobretudo quando fala seu Secretário-Geral, o ridículo Anders Fogh Rasmussen, dinamarquês, que está de partida, vejamos o que realmente se passa, baseados em vazamentos dos dois campos, de Lavrov e do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry.
O coração da matéria – encoberto por uma barreira de histeria – é que nem Washington nem Moscou querem que a Ucrânia apodreça como ferida purulenta. Moscou disse a Washington, oficialmente, que não tem intenção de "invadir" a Ucrânia. E Washington contou a Moscou que, apesar de toda sua retórica demente, não quer expandir a Otan nem para a Ucrânia, nem para a Geórgia.
Faça Washington o que fizer, não conseguirá convencer o Kremlin de que o putsch em Kiev não foi orquestrado, em grande parte, por bandidos aliados ao Kaghanato dos Nulands – da Secretária-Assistente de Estado dos EUA, Victoria Nuland. Ao mesmo tempo, o Kremlin sabe que o tempo corre a seu favor – e que, assim, até considerar a "invasão" do leste da Ucrânia seria totalmente contraproducente.
Facções de Kiev
Juntem a briga de gatos entre as enlouquecidas facções em Kiev, dos fascistas de "Santa" Yulia "Matem todos os russos" Timoshenko; a Gazprom aumentando o preço do gás natural, em 80%; e o Fundo Monetário Internacional pronto para lançar mais um de seus sujos ajustes estruturais na Ucrânia, que fará a Grécia parecer Cinderela brincando num jardim de rosas, e tudo que Moscou precisa fazer é sentar, relaxar e assistir à carnificina (interna).
O mesmo se aplica aos países bálticos – que, nos termos da histeria da Otan, podem ser invadidos semana que vem. Como os países do Báltico são parte da Otan, é esperável, sim, que os Robocops de Bruxelas enlouqueçam total. Mas só neoconservadores arrogantes/ ignorantes marca-registrada acreditam que Moscou romperia complexas relações políticas/comerciais com a Europa – especialmente com a Alemanha – arriscando uma guerra quente pelos países bálticos. Os alemães não querem guerra nem fria nem quente. Ainda que, em evento extremamente improvável, isso acontecesse, o que faria a Otan super-macho, sob ordens do Pentágono? Invadir território russo?
Não se aproveita, nem como piada ruim.
"Quanto à prioridade de Berlin, é pelo menos tentar afastar a União Europeia de um crash monumental, que implica manter a bordo o Clube Med e a Europa Central igualmente devastados economicamente, ao mesmo tempo em que combate contra o crescimento de um imundo neofascismo 'normalizado'" |
Quanto à prioridade de Berlin, é pelo menos tentar afastar a União Europeia de um crash monumental, que implica manter a bordo o Clube Med e a Europa Central igualmente devastados economicamente, ao mesmo tempo em que combate contra o crescimento de um imundo neofascismo "normalizado". "Massivo erro de avaliação", aos olhos dos alemães, não dá nem para o começo. Por que acrescentar um confronto com Moscou a essa bouillabaise indigerível?
Novo eixo em casa
Epifanias de alta arrogância, como o editorial doThe Guardian de 31/3[1] ("ele ganhou uma península, mas perdeu um país") são sem sentido. O mesmo vale para a servil Polônia, em surto, pedindo mais "proteção" à máfia de Bruxelas.
Como esperado, a imprensa-empresa ocidental está espalhando que Putin teria "piscado", quando telefonou ao presidente Obama dos EUA para tentar acertar um pacote-solução – que inclui, crucialmente importante, a federalização da Ucrânia. O governo Obama, apesar de congregar a mais espantosa seleção de mediocridades, sabe que essa é a única via racional à frente. E não há "pressão" que dobre Moscou. Vão longe os dias a go-go de impor qualquer coisa a Boris Yeltsin, beberrão serial. Ao mesmo tempo, Moscou é negociador realista – e sabe perfeitamente que a única solução possível para a Ucrânia tem de ser construída com Washington.
Sem Otan
A Ucrânia assim é, na essência, um detalhe – a "Europa" não passa de assistidor fraco e dependente. Com quem contar, na "Europa"? Com aquela não−entidade estilo Magritte, sem cara, Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy? Quem já esteve em Bruxelas sabe que "Europa" permanece como grupamento de principados que se bicam em incontáveis línguas. Maquiavel facilmente a definiria nesses termos.
Além do mais, o governo Obama não tem nem ideia do que quer na Ucrânia. Uma "democracia constitucional"? Moscou pode até concordar com isso, embora sabendo, baseada em montes e montes de razões históricas/culturais, que o plano está condenado ao fracasso. Mas a linha vermelha dos russos já foi demarcada por eles, alto e claro, várias e várias vezes: nada de bases da Otan na Ucrânia.
Negociadores racionais em Washington – minoria comprovada – com certeza já perceberam que se não se joga bola com Moscou, a Rússia jogará muito duro no contexto das negociações no P5+1 (membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha) sobre o dossiê nuclear iraniano.
Só cegos não verão que Moscou e Teerã caminham na direção de uma parceria estratégica mais próxima, como Moscou e Pequim. Já há em casa um eixo geopolítico estratégico real – Moscou-Pequim-Teerã – e todo o mundo em desenvolvimento já percebeu que é aí que está a ação verdadeira. Mas no que tenha a ver com a Ucrânia, o fato mais flagrante é que, aí, se trata, completamente, de EUA e Rússia.
Fonte: http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/4024-ucrania-negocio-eua-russia
quarta-feira, 9 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Forças de Segurança Nacional)
Com 2.700 militares, forças de segurança ocupam sábado o Complexo da Maré
Blindados do Exército e da Marinha serão usados na operação, além de aeronaves, viaturas de transporte e de logística
Agência BrasilAs informações foram divulgadas hoje (3), em entrevista coletiva, pelo general Ronaldo Lundgren, chefe do Centro de Operações do Comando Militar do Leste (CML). A força de pacificação atuará até o dia 31 de julho deste ano, dentro do conceito jurídico de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Segundo Lundgren, a ação de sábado será embasada na experiência anterior, adquirida em operações no Haiti e no Complexo do Alemão. Haverá um número telefônico 0800 para denúncias, inclusive sobre a atuação dos militares. "A tropa esta preparada para atuar. Não quero dizer que não possam ocorrer falhas, mas vamos atuar para corigi-las", disse o general.
Blindados do Exército e da Marinha serão usados na operação, além de aeronaves, viaturas de transporte e de logística. Os militares ocuparão pontos estratégicos nas comunidades, para preservação da ordem pública e proteção das pessoas e do patrimônio. O comando da força de pacificação será do general Roberto Escoto.
De acordo com o general Lundgren, não haverá mandado de busca coletivo, como na operação do último domingo (30), quando o conjunto de favelas foi ocupado pelas policias Civil e Militar. "Não pedimos mandado de busca coletivo. Vamos agir pontualmente", explicou o general.
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/355997_COM+2+700+MILITARES+FORCAS+DE+SEGURANCA+OCUPAM+SABADO+O+COMPLEXO+DA+MARE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
sexta-feira, 28 de março de 2014
Notícia da Semana Atualidades (50 anos do Golpe Militar no Brasil)
CIA financiou Igreja em marchas pró-golpe militar, diz Frei Betto
Guilherme Balza*
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
Em entrevista ao UOL, o dominicano descreve os conflitos no interior da igreja durante a ditadura e explica como se operou a mudança de lado da CNBB, que inicialmente celebrou o golpe com agradecimentos a Nossa Senhora Aparecida, mas depois se constituiu como força de resistência ao regime. O religioso revela ainda que a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) financiou as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, manifestações populares que antecederam o golpe militar.
UOL - O que o senhor estava fazendo em 31 de março de 1964?
Frei Betto - Na verdade o golpe foi no dia 1º. Essa história de 31 é invenção dos milicos porque tinham vergonha do 1º de abril. O golpe foi oficialmente no dia 1º de abril, quando Jango sai do Brasil e se refugia no Uruguai. Eu estava participando do Congresso Latino-americano de Estudantes em Belém, no Pará.
Quem é Frei Betto
-
Frade dominicano e escritor, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 69, mineiro de Belo Horizonte, era um jovem estudante adepto da Teologia da Libertação quando as tropas derrubaram o presidente João Goulart, em 1964. Foi preso pela primeira vez dois meses após o golpe, permanecendo 15 dias detido. O segundo cárcere foi mais longo, entre 1969 e 73, e mais cruel: o frade foi submetido a sessões torturas nos porões do DOI-Codi, em São Paulo, comandado pelo Coronel Brilhante Ustra.
Nos dias posteriores ao golpe, o militante religioso foi testemunha da derrota dos progressistas no embate com conservadores dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), fato que resultou no apoio da Igreja Católica aos militares ao menos até 1968, quando o regime aprofundou a repressão e a violação de direitos humanos.
Autor de três livros sobre os anos de chumbo ("Cartas da Prisão", "Diário de Fernando" e "Batismo de Sangue"), Frei Betto relata que o Ato Institucional nº. 5 (AI-5) e o aumento da perseguição a religiosos, assim como a ascensão de bispos progressistas, provocaram uma virada na igreja, que passou a se opor aos militares até o final do regime, com a chancela do Vaticano.
Frei Betto - A notícia veio de maneira difusa, confusa, de que havia movimento de tropas, que o Jango tinha passado por Brasília, depois ido a Porto Alegre e de lá saído ao Uruguai, porque estava deposto. O Congresso foi desfeito porque ali participavam estudantes de quase todos os países da América Latina, muitos deles acostumados a golpes militares. Eles sentiram que a coisa ia endurecer. Estava hospedado na casa do arcebispo de Belém dom Alberto Gaudêncio Ramos porque eu era dirigente da Juventude Estudantil Católica (JEC) e da Ação Católica também. Fui pra casa de um militante da JEC chamado Lauro Cordeiro. E ali fiquei, de ouvido colado no rádio, tentando entender o que estava acontecendo, e fomos tomando consciência, a partir do dia 2 ou 3 [de abril], de que realmente havia um golpe militar, que começava uma repressão. Nós esperávamos uma reação das forças esquerda, do PCB (Partido Comunista Brasileiro), da Ação Popular, das Ligas Camponesas, reação que nunca veio. Praticamente os militares assaltaram o poder sem precisar dar nenhum tiro.
UOL - Essa reação não ocorreu por quê?
Frei Betto - Não ocorreu porque era um blefe. Realmente a esquerda não estava suficientemente organizada. Primeiro, não acreditava que houvesse um golpe, porque havia um mito de que o Jango detinha pleno controle das Forças Armadas. E que os generais que eram ministros dele jamais haveriam de traí-lo. O esquema militar do Jango era um mito que se alimentava. Em segundo, porque a esquerda era muito proselitista, mas não fazia um trabalho de organização popular. Não havia um trabalho de base como houve depois da ditadura. Era uma esquerda muito mais discursiva, ideológica, mas que não tinha uma capacidade de mobilização popular como se imaginava que tinha ou se esperava que tivesse para reagir ao golpe.
UOL - Naquele momento o que lhe passava pela cabeça?
Frei Betto - Meu pai já tinha vivido sob uma ditadura, de [Getúlio] Vargas, já tinha sido preso, nos anos 30, teve que deixar o Rio de Janeiro, onde exercia a advocacia, e voltar a Minas porque forças de Vargas cercearam qualquer possibilidade dele de arrumar emprego. Ele me descrevia a ditadura como uma coisa cruel, assassina, com censura, sem nenhuma liberdade de expressão. Comecei a esperar que a mesma coisa viesse a acontecer. E fui atingido na pele só no dia 6 de junho de 1964, quando eu voltei ao Rio de Janeiro, onde morava, e ali eu fui preso com a direção da JEC, da JUC (Juventude Universitária Católica) e da Ação Católica, pelo serviço secreto da Marinha na madrugada de 5 para 6 de julho.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/03/20/cia-financiou-igreja-em-marchas-pro-golpe-diz-frei-betto.htm
sexta-feira, 21 de março de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Ucrânia e União Europeia)
União Europeia e Ucrânia assinam acordo de associação
Pacto de aproximação é o mesmo que foi rejeitado pelo presidente deposto Viktor Yanukovich em novembro e desencadeou onda de protestos pelo país
O premiê interino da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, chega para a reunião com líderes da União Europeia em Bruxelas
(Geroges Gobet/AFP)
Leia também: Duma aprova anexação da Crimeia e Obama anuncia novas sanções
"A assinatura da parte política do acordo União Europeia-Ucrânia simboliza a importância que damos às relações e que seguiremos em frente", disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Esse apoio político à Ucrânia se junta à ajuda econômica de 1 bilhão de euros que a Comissão Europeia propôs na quarta-feira e que consistirá de empréstimos a médio prazo para ajudar a Ucrânia a sair da profunda crise econômica e financeira que vive.
Os líderes europeus pretendem enviar assim um sinal à Russia cujo Parlamento ratificou nesta sexta-feira a incorporação da Crimeia, até antes da crise uma república autônoma parte da Ucrânia.
Cooperação – O acordo de associação deverá "promover a aproximação gradual" entre União Europeia e Ucrânia sobre os "valores comuns e vínculos privilegiados" que são compartilhados pelas partes e também para fomentar a participação da Ucrânia nas políticas comunitárias e em seus programas e agências. Além disso, oferece um marco apropriado para o diálogo político em todas as áreas de interesse mútuo e serve para "promover, preservar e reforçar a paz e a estabilidade".
É também o ponto de partida para fortalecer as condições econômicas e comerciais que levem a Ucrânia para uma integração gradual no mercado interno da UE, inclusive o estabelecimento de uma área de livre-comércio. Também deverá facilitar a cooperação em matéria de Justiça, liberdade e segurança com o objetivo de fortalecer o estado de direito e o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/uniao-europeia-e-ucrania-assinam-acordo-de-associacao
sexta-feira, 14 de março de 2014
Notícia da Semana Atualidades (Brasil destino de refugiados)
Brasil se consolida como destino para refugiados do mundo todo
Número de solicitações aprovadas cresceu 227% entre 2012 e 2013
TerraA fama da receptividade brasileira com os refugiados vem desde a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1951, ocorrida em Genebra, na Suíça, que elaborou o Estatuto dos Refugiados, do qual o Brasil é signatário. De acordo com a legislação brasileira, refugiado é todo aquele que foi forçado a abandonar o país de origem para preservar a sua vida e a de sua família por temores fundados de perseguição causados por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas.
O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão Pires Junior, aponta dois fatores como responsáveis pelo crescimento no número de refugiados. O primeiro deles está relacionado às estatísticas de pesquisa que têm apontado uma alteração no fluxo tradicional de migrantes. Antes, as migrações ocorriam do eixo norte para o sul, agora se dão no eixo sul-sul, entre nações em desenvolvimento.
A segunda causa citada pelo secretário está ligada ao fato de o Brasil ter consolidado a imagem de uma terra de oportunidades em virtude dos grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016. Para Abrão, o Brasil atingiu um nível desenvolvimento econômico equilibrado e sustentável do mesmo modo que tem afirmado a sua tradição em ser um País democrático e receptivo. “A conjunção desses fatores faz com que aquelas pessoas que necessitam de proteção para suas vidas cada vez mais enxerguem no Brasil um porto seguro. Portanto, essa elevação no número de pedidos de refugiados está diretamente relacionada a uma melhoria na imagem pública do nosso País no exterior”, completou.
De acordo com o levantamento do Ministério da Justiça, os refugiados no Brasil são de 80 nacionalidades diferentes. Colômbia (1.152), Angola (1.062), República Democrática do Congo (617), Síria (333) e Libéria (258) são os países com maior número de pedidos aprovados. Na outra ponta da lista, estão nações que possuem apenas um refugiado em terras brasileiras: Uruguai, Ucrânia, Romênia, Nicarágua, Moçambique, Kuwait, Índia, Hungria, Estados Unidos, Eslovênia e Cabo Verde.
“Quando uma pessoa está sob risco, a primeira atitude dela é a de buscar proteção aonde ela alcançar imediatamente. Agora, se ela tem condições de buscar proteção em um país onde ela possa se planejar, o que a experiência nos mostra é que o que mais motiva as pessoas ao escolher um país é, primeiro, a proximidade e o visto. Depois, a proximidade cultural, a presença de familiares naquele país, a presença de amigos, a presença de comunidades de conterrâneos em número significativo e, evidentemente, que nesse processo ela levará em conta se o país para onde está se dirigindo é capaz de dar a proteção ao que ela precisa”, salientou o secretário nacional de Justiça.
No Brasil, em média, a análise de pedido de refúgio tem levado em torno de oito a dez meses após ingresso na Coordenação Geral de Assuntos para Refugiados, incluída a fase de recurso, quando interposta pelo solicitante junto ao Ministério da Justiça. “Ainda durante a solicitação do processo de refúgio o estrangeiro passa a ter direitos iguais a qualquer brasileiro. Ele pode requisitar documentação, contribuir, pagar seus tributos. A única coisa que muda efetivamente para o momento em que o refúgio for efetivamente concluído é a situação jurídica duradoura”, disse Abrão.
Se o pedido for negado, o estrangeiro precisa deixar o País em até oito dias sob pena de deportação. No entanto, a legislação permite que ele recorra da decisão ou tente a permanência por outras formas. “Caso o pedido tenha sido indeferido pelo Conare, ele poderá ingressar com recurso junto ao Ministério da Justiça ou poderá solicitar ao Conselho Nacional de Migração alguma outra regularização que seja por outros critérios econômicos que não aqueles de perseguição que ele nos fez”, completou o secretário.
Bagagem cultural
“Os refugiados são pessoas que trazem uma bagagem cultural, profissional, no caso dos jovens e adultos, que podem contribuir tanto para a própria economia do nosso País quanto para melhorar a nossa sociedade culturalmente. É importante que a sociedade entenda isso e que possa, dentro da sua capacidade, acolher essas pessoas e permitir que elas reconstruam a vida delas no Brasil”, ressaltou Luiz Fernando Godinho Santos, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) no Brasil.
A entidade tem um escritório central em Brasília e está presente por meio de parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas. “O Brasil tem uma legislação moderna, uma sociedade civil engajada, comprometida e envolvida com essa resposta aos refugiados que chegam ao Brasil e a gente analisa isso de forma positiva.
Esse aumento do número é um retrato momentâneo. No ano que vem pode cair ou aumentar”, avalia Godinho, complementando que o fato de o Brasil ser um país livre de conflitos, diversificado étnica e culturalmente, e com liberdade para praticar credos e expressar opiniões contribui para tornar o País atraente aos olhos dos refugiados.
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/352381_BRASIL+SE+CONSOLIDA+COMO+DESTINO+PARA+REFUGIADOS+DO+MUNDO+TODO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
Assinar:
Postagens (Atom)
-
Ufsc 2013 Questão 01 A educação em Esparta Ensinavam a ler e escrever apenas o estritamente necessário. O resto da educação visav...
-
2007/2 Recente visita do Presidente George W Bush ao Brasil, teve entre seus principais pontos, a utilização do etanol como combustível...
