quarta-feira, 27 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
Notícia da Semana Atualidades ( As Prisões do Mensalão)
A vida no cárcere
Como a chegada dos prisioneiros ilustres à Penitenciária da Papuda muda a rotina dentro e fora da maior cadeia do Distrito Federal
Izabelle Torres e Josie Jeronimo
Foram poucas as vezes que personagens ilustres da política e da economia brasileiras cruzaram os muros das penitenciárias do País como presidiários comuns. No sábado 16, Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu, figuras fundamentais na longa jornada que levou o Partido dos Trabalhadores do ABC paulista ao Palácio do Planalto, se transformaram na exceção da regra. Junto com a banqueira Kátia Rabello e outros políticos e empresários condenados no julgamento do mensalão, o grupo teve o destino que até hoje o País parecia reservar apenas a negros e pobres. Detidos desde o dia anterior, quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, decretou a prisão de parte dos condenados do mensalão, naquele sábado os três dos mais poderosos homens do partido que está no poder no Brasil há mais de uma década deixaram, ao menos oficialmente, de se chamar Delúbio, Genoino e Zé. Dentro da Penitenciária da Papuda, passaram a ser identificados apenas pelos números que todos os condenados do sistema prisional brasileiro recebem ao começar a cumprir suas penas.
PRESOS
Condenados têm dificuldade para se adaptar às
restrições impostas pela nova vida na cadeia
A situação, por quase inédita, se tornou inusitada. Dentro e fora da Papuda ninguém sabia, ao certo, como proceder com presos tão ilustres. Os agentes penitenciários se esforçaram ao máximo para tentar tratar Delúbio, Genoino e José Dirceu como mais três presidiários comuns. Ofereceram colchões velhos, finos e não exatamente cheirosos para cobrir as camas de concreto, forneceram a mesma refeição que todos os outros detentos recebem e, até, trataram os condenados famosos com a típica frieza que marca a relação de captores e capturados. Mas, apesar disso tudo, não colocaram em prática a regra que determina que todos os presidiários tenham seus cabelos cortados com máquina dois e a barba sempre aparada. Com uma semana de cadeia, José Dirceu manteve as suas já famosas madeixas grisalhas intactas e o cavanhaque de Genoino não perdeu sequer um fio. Há relatos de que até o controvertido bigode de Delúbio Soares se manteve intacto.
A ex-dona do Banco Rural Kátia Rabello e a ex-secretária de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, só chegaram ao complexo da Papuda na terça-feira 19. As duas, ao contrário dos condenados masculinos, estão presas nas dependências do 19o Batalhão da Polícia Militar, dentro da própria penitenciária. As duas têm tomado banhos de sol no pátio do batalhão, sempre acompanhadas por agentes prisionais.
Desde o dia 15, quando se entregaram à Polícia Federal, os condenados do mensalão têm tido dificuldade para se adequar à nova rotina de presidiários. O primeiro choque de realidade veio quando entraram na sala de custódia da ala federal da Papuda. Todos eles levavam pequenos volumes com objetos pessoais, como barbeadores elétricos, aparelhos eletrônicos para música, nécessaire com produtos de higiene pessoal. Tudo foi confiscado pelos agentes. Os condenados passaram quatro horas em pé na sala de custódia, enquanto suas coisas eram catalogadas e guardadas, e as celas eram higienizadas para recebê-los.
Com as pernas doendo pela longa espera, os novos detentos estavam ansiosos pela chegada às celas. Inicialmente ficaram nas individuais na ala federal, que têm seis metros quadrados cada uma. À noite, se depararam com o cubículo com o chão devidamente varrido, mas as espumas que cobriam a cama de alvenaria tinham aparência e cheiro de suor. Alguns deles tiveram a impressão de que os colchonetes haviam servido a outros detentos na noite anterior. Ainda agitados, os mensaleiros sofreram para encarar a escuridão e o desconforto. Os comprimidos contra insônia levados por Delúbio foram barrados. Dirceu reclamou de dificuldade para dormir tão cedo, uma vez que o toque de recolher e o apagar das luzes no presídio acontece às 20h. Os oito livros que levara para os momentos de insônia não tiveram serventia.
CHEGADA
Já no primeiro dia como prisioneiros,
condenados tiveram bens pessoais apreendidos
Na segunda-feira 18, o juiz de execuções penais, Ademar Vasconcelos, autorizou a ida dos presos em regime semiaberto para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR). Dirceu, Genoino e Delúbio ganharam o direito de circular nos corredores do setor. No lugar da cela individual, foram para uma coletiva, uma espécie de galpão com pouco mais que 25 metros quadrados, equipado com três beliches. Além dos mensaleiros, outros dois presos em regime semiaberto ocupam a cela coletiva. A maior frustração dos mensaleiros que chegaram ao CIR foi a falta de acesso à internet nos computadores da biblioteca da Papuda. Os advogados solicitaram ao juiz de execução pelo menos 15 minutos diários de acesso à rede. O pedido ainda não foi atendido. É na biblioteca que os livros de Dirceu ficam confiscados.
Na Papuda, os presos do semiaberto acordam às 6h da manhã. O silêncio das celas é quebrado por detentos que passam arrastando carrinhos de metal com canecas de plástico e sacos com pães feitos na padaria da Papuda. É o café da manhã dos nove mil presos, inclusive dos condenados do mensalão. Cada preso ganha apenas um pão besuntado de margarina de latão, quantidades industriais compradas em licitação. Não tem segunda dose. O pão seco e dormido – armazenado em estoque – é acompanhado por uma caneca de leite com achocolatado, geralmente servido quente. A má qualidade e a quentura do líquido no calor do Cerrado fez com que a bebida ganhasse o nome de “Chernobyl”. Às 11h30 começa a distribuição das marmitas de alumínio, a chamada “xepa”. No cardápio não há espaço para verduras e legumes. Arroz, feijão, farofa de farinha de mandioca. Só a porção de carne é diferente, variando entre carne assada, cozida ou frango. Os detentos comem com colher de plástico.
Na ala do semiaberto, as visitas não são obrigadas a passar pelo mesmo sistema rígido de triagem feito nos outros setores. A partir da apresentação de documentos na primeira cancela da Papuda, o visitante demora cerca de 20 minutos para falar com os presos. Mesmo assim, José Dirceu pediu que a filha de três anos não fosse ao presídio. Não quer que ela se submeta ao ambiente. Delúbio também implorou à família que não levem o pai, Antonio Soares. Seu Catonho, como é conhecido, tem 83 anos e o ex-tesoureiro do PT teme que sua saúde seja abalada ao ver o filho preso.
No Congresso, distante pouco mais de 100 quilômetros do maior complexo prisional do Distrito Federal, não havia outro assunto a dominar as rodas de parlamentares no cafezinho da Câmara ou do Senado. Ao longo da semana ao menos três comboios de parlamentares cruzaram os portões da Papuda para conversar com os presos. Em geral, foram conversas rápidas, mas as blusas de cor azul-clara, com a palavra “interno” impressa em branco no lado esquerdo do peito, e as calças surradas com as quais os três estavam vestidos foram os detalhes que parecem ter mais impressionado os parlamentares. Mais de um deputado fez questão de descrever as franciscanas vestimentas dos ex-colegas.
ALÍVIO
Carcereiros não rasparam as madeixas grisalhas de Dirceu
nem o emblemático cavanhaque de José Genoino
Nas conversas, os três mais ouviram do que falaram. Um dos momentos de maior euforia ocorreu na segunda-feira 18, quando o grupo de deputados que visitava os encarcerados contou que havia manifestações de apoio na rua. Eles ficaram sabendo também, que no último dia 15, enquanto se entregavam à Polícia Federal país afora, o Movimento dos Sem-Terra (MST), historicamente ligado ao PT, ocupava fazendas na região de São Paulo. Seu líder, José Rainha Junior, não fez cerimônia ao anunciar a insatisfação do movimento com as prisões e garantir que mais manifestações estão sendo articuladas. Em resposta ao apoio recebido, Dirceu, Genoino e Delúbio divulgaram na terça-feira 19 uma carta manuscrita agradecendo e afirmando que não aceitariam humilhação.
Assim como os outros moradores da Papuda, Dirceu, Delúbio e os outros condenados custarão R$ 1.500 mensais aos cofres públicos, com direito a três refeições diárias. Muitos reclamam que a comida não é suficiente. No presídio há uma lanchonete. No local é possível comprar sanduíche de presunto a R$ 4, e refrigerante, por R$ 5. Além do “lanche”, há produtos como papel higiênico, creme dental e sabonete. É frequente a falta de produtos de higiene pessoal. O jantar é servido até às 18h. Quando terminam a ceia, os presos gritam palavras de ordem, ensaiam uivos e acabam com o silêncio da unidade prisional. O protesto é chamado de “o lamento das 18h”. Uma ladainha com a qual os condenados do mensalão terão que se acostumar.
VISITA
Ao menos três comboios com parlamentares cruzaram os mais de 100 km
que separam o Congresso Nacional da Penitenciária da Papuda para ver
de perto como estão vivendo os ex-colegas de plenário na cadeia
Fotos: Ezequiel Neves / Ag. O Globo; Marcelo Ferreira/CB/D.A Press; Sérgio Lima/Folhapress; Adriano Machado
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Notícia da Semana Atualidades (Pirataria na Somália)
África
A milionária cadeia da pirataria na Somália
Estudo mostra que sequestro de navios no Chifre da África rendeu até US$ 400 milhões entre 2005 e 2012, e passou a ter investidores. Por Gabriel Bonis, de Londres
UK Ministry of Defence
Estudo mostra que sequestro de navios no Chifre da África rendeu até US$ 400 milhões entre 2005 e 2012, e passou a ter até mesmo investidores
De Londres
A pirataria teve sua era de ouro nos mares internacionais entre os séculos 16 e 17. Era uma atividade extremamente lucrativa e, em grande parte ilegal, já que apenas os corsários tinham autorização de seus governos para atacar e saquear navios de nações inimigas. Quatro séculos depois, os piratas ainda parecem capazes de ganhar grandes quantias em dinheiro. Entre abril de 2005 e dezembro de 2012, eles lucraram entre 339 e 413 milhões de dólares em resgates na costa da Somália e no Chifre da África. Os dados estão em um relatório lançado na sexta-feira 1 pela UNODC, escritório da ONU para drogas e crime, o Banco Mundial e a Interpol.
O estudo foi feito a partir de dados e evidências de entrevistas com ex-piratas, autoridades governamentais, banqueiros e outros envolvidos no combate à pirataria. Ao menos 179 barcos foram sequestrados no período, com cerca de 85% deles liberados após pagamento de resgates, que alimentaram uma vasta cadeia de atividades criminais em escala global. O relatório analisou a situação do Djibouti, Etiópia, Quênia, Seychelles e Somália.
Segundo o levantamento, o dinheiro dos resgates foi investido em outras atividades como tráfico, financiamento de milícias, tráfico de pessoas, novas atividades de pirataria e aumento das capacidades militares da Somália. Além do comércio da erva estimulante khat, que é uma droga legal na Somália, para lavar parte dos recursos e dar “aparência legal” a essas quantias.
Descobriu-se com o estudo que essa cadeia econômica é uma opção atrativa para “investidores”. As atividades analisadas foram apoiadas financeiramente por uma amostra de 59 “financiadores”. E os dados mostram que os mais ricos financiam as atividades criminosas em troca de lucros entre 30% e 75% dos valores dos resgates, enquanto os piratas que abordam os navios ficam com menos de 0.1% do total. Eles costumam receber uma taxa entre 30 mil e 75 mil dólares por navio invadido.
A economia da pirataria movimenta um mercado por alimentos, prostitutas, advogados e até mesmo verificadores de notas que podem identificar falsificações. Da mesma forma que as comunidades locais se “beneficiam” com o comércio de produtos e serviços aos piratas, as milícias também lucram com taxas cobradas pelo controle dos portos. Em um dos portos de Mogadíscio, capital da Somália, os piratas têm um acordo para pagar um imposto de 20% para o grupo terrorista al-Shabab, ligado à al-Qaeda, que assumiu a autoria do ataque que matou dezenas de pessoas em um shopping center no Quênia em 21 de setembro deste ano.
O grupo controla diversas parte da Somália, um país que há décadas lida com ausência de um governo central forte e enfrenta conflitos internos severos entre senhores da guerra e outros grupos armados. Entre 1991 e 2012, o país ficou sem um Parlamento e um governo central articulado, o que contribuiu para que regiões inteiras fossem ao caos da insegurança e falta de estrutura.
No cenário internacional, a Somália é classificada por diversos teóricos como um “rogue state” (algo como um Estado desonesto, em tradução livre), pois sua instabilidade interna ameaçaria a paz mundial. Outros analistas também enquadram o país como “estado falido”, cuja a definição não é clara, mas envolve a total ou parcial incapacidade de um estado em manter princípios básicos de sua soberania como garantir a segurança da população, manter suas fronteiras protegidas, oferecer serviços básicos e garantir a aplicação interna das leis e da ordem. Sem esses requisitos, a Somália se transformou em um dos paraísos da pirataria.
E esse fato tem grande impacto global, pois representa um risco para a segurança internacional e, principalmente, porque ameaça as atividades comerciais em uma rota marítima valiosa. Segundo o relatório, a pirataria custa à economia global cerca de 18 bilhões de dólares por ano em aumento dos custos em comércio. O surto de pirataria também reduziu a atividade marítima no Chifre da África, prejudicando o turismo e a pesca nos países do leste africano desde 2006.
Devido à complexidade do problema, e os interesses comerciais europeus e dos EUA em uma das rotas marítimas comerciais mais importantes do mundo - a de entrada e saída para o Canal de Suez -, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) mantém, desde 2008, a Operação Escudo do Oceano (em tradução livre) para combater a pirataria no Chifre da África, no Golfo de Aden e no Oceano Índico. A organização faz a segurança de navios cargueiros e conduz patrulhas de dissuasão para evitar que barcos sejam sequestrados e suas tripulações feitas reféns.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Notícia da Semana Atualidades (Crise migratória na Itália)
Centenas de imigrantes são resgatados em Lampedusa, na costa da Itália
Governo italiano volta a pressionar UE por nova política para lidar com crise migratória
25 de outubro de 2013 | 9h 32
O Estado de S. Paulo
ROMA - Navios da Marinha e da guarda costeira da Itália resgataram mais de 700 imigrantes nas águas entre a Sicília e o norte da África durante a noite, em mais um incidente da crise imigratória que já custou centenas de vidas neste mês.Barcos de patrulha conduziram cinco operações e entre os resgatados estão dezenas de mulheres e crianças, disseram autoridades nesta sexta-feira, 25.
Giuseppe Lami/ Efe
Vítimas de naufrágio chegam à ilha de Lampedusa
Centenas de pessoas resgatadas foram levadas para um centro de recepção de imigrantes já superlotado na ilha de Lampedusa. O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, pressionou os líderes da União Europeia reunidos em Bruxelas a aumentar a ajuda a países do Mediterrâneo, incluindo Itália, Grécia e Malta, que têm recebido o maior impacto da crise migratória.
A Itália aumentou as patrulhas nas rotas marítimas entre Líbia e Tunísia e a Itália desde que mais de 360 imigrantes provenientes da Eritreia se afogaram no início de outubro, quando a embarcação em que estavam naufragou próximo a Lampedusa. Um segundo barco afundou uma semana depois, deixando uma estimativa de 200 pessoas desaparecidas.
O centro de recepção da ilha enfrenta dificuldades para lidar com a chegada de imigrantes em fuga da guerra civil na Síria e da crise política no Egito e outros países árabes e africanos, que têm lançado inúmeras pessoas em perigosas travessias do Mediterrâneo a bordo de precárias embarcações. Mais de 32 mil imigrantes realizaram a viagem até o sul da Itália via barco este ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas. / REUTERS
Assinar:
Postagens (Atom)
-
Ufsc 2013 Questão 01 A educação em Esparta Ensinavam a ler e escrever apenas o estritamente necessário. O resto da educação visav...
-
2007/2 Recente visita do Presidente George W Bush ao Brasil, teve entre seus principais pontos, a utilização do etanol como combustível...