domingo, 4 de março de 2012

Notícia da Semana Atualidades (Caso Marighella - Golpe Militar de 1964)


A farsa na morte de Marighella

"Eu vi os policiais colocando o corpo no banco de trás do carro", revela o fotógrafo que registrou a imagem do guerrilheiro executado. Essa testemunha desmancha a versão dos militares para esconder como foi abatido o inimigo número 1 da ditadura

Alan Rodrigues
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MENTIRA E VERDADE
A primeira foto é a da versão oficial que o fotógrafo Sérgio
Jorge foi obrigado a registrar. A segunda é uma nova
reprodução feita por ele: um modelo foi usado para mostrar
como estava Marighella antes da encenação policial
A primeira foto acima, à esquerda, correu o mundo depois da noite de 4 de novembro de 1969. Ela era vista como prova da iminente vitória do governo contra a oposição armada à ditadura militar brasileira. Carlos Marighella, 58 anos, o terrorista mais caçado do País, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização responsável por dezenas de assaltos a bancos e explosões de bombas, estava morto. Amigo de Fidel Castro, celebrado pela Europa como principal comandante da guerra revolucionária na América do Sul, Marighella tinha levado quatro tiros numa emboscada policial na alameda Casa Branca, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Segundo a versão dos militares, o guerrilheiro fora atraído para um “ponto” com religiosos dominicanos simpatizantes da ALN e trocara tiros com os agentes que varejavam o local do encontro. Um conceituado fotógrafo da revista “Manchete”, Sérgio Vital Tafner Jorge, então com 33 anos, fez o clique da câmara rolleiflex que registrou Marighella estirado no banco traseiro do fusca dos dominicanos. Barriga à mostra, calça aberta, dois filetes de sangue escorrendo pelo rosto.

“Foi tudo uma farsa”, revela agora à ISTOÉ Sérgio Jorge, que está com 75 anos. “Eu vi os policiais colocando o Marighella no banco de trás do carro”. Naquela noite, Jorge estava no Estádio do Pacaembu à espera dos melhores ângulos de um Corinthians x Santos quando ficou sabendo da morte do guerrilheiro. Ele abandonou o estádio antes mesmo de a notícia ser confirmada pelos alto-falantes do Pacaembu e recebida com um urro de comemoração pela torcida. Acompanhado de outros quatro fotógrafos, Jorge chegou à alameda Casa Branca pouco depois das 20 horas. O que ele viu ali – e foi proibido de documentar – era diferente do que aparece na famosa foto estampada depois nas páginas da “Manchete” e em dezenas de outras publicações. Jorge está decidido a contar para a Comissão da Verdade, que o governo federal vai instalar no próximo mês, a armação que testemunhou. Já foi pensando nisso que, no mês passado, com a ajuda de um amigo que serviu de modelo e um fusquinha emprestado, Jorge procurou reproduzir numa nova foto exatamente o que presenciou no dia 4 de novembro de 1969. O resultado é a segunda cena da página anteior, à direita: o amigo de Jorge, representando Marighella, ocupa o banco da frente do carro, numa posição distinta daquela que a polícia fez questão de espalhar. Eram os anos de chumbo e havia muita coisa para ser escondida.
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NO MESMO CENÁRIO
O fotógrafo Sérgio Jorge volta ao mesmo ponto da alameda
Casa Branca para contar a armação que testemunhou
Os mais famosos retratos da ditadura começam a contar suas verdadeiras histórias. Sérgio Jorge ganhou coragem de revelar a farsa da morte de Marighella depois que o fotógrafo-perito Silvaldo Leung Vieira contou, no dia 5 de janeiro, ao jornal “Folha de S. Paulo” que sua foto do jornalista Vladimir Herzog morto nas dependências do DOI-Codi, em 1975, era – como já se sabia – uma encenação criada pelos militares. Vieira está atrás de uma indenização do Estado brasileiro, pois julga que teve prejudicada sua carreira de funcionário público. Já Sérgio Jorge quer apenas acertar contas com o passado. “Vi que tinha chegado a hora de contar. O Brasil mudou”, diz ele. Durante mais de 40 anos, Jorge remoeu os fatos daquela noite, que é capaz de reconstituir em detalhes. Ele e os outros fotógrafos, logo que chegaram à alameda Casa Branca, foram recebidos aos gritos pelo temido delegado do Dops, Sérgio Paranhos Fleury, o homem que comandou o cerco a Marighella. “Não quero ouvir um clique! Todos encostados no muro, com as máquinas no chão!”, ordenou Fleury. Ninguém ousou desobedecer. “Era uma loucura, ficamos vendo tudo aquilo acontecer sem poder registrar nada”, diz Jorge. Marighella estava no banco da frente, com uma perna para dentro do carro e outra para fora, os dois braços caídos e quase nada de sangue na roupa. Três policiais retiraram o corpo do fusca (veja reconstituição acima) e o deitaram na calçada. Abriram a calça de Marighella e revistaram seus bolsos. Tentaram, então, recolocá-lo no banco de trás. “Mas não conseguiam e foi preciso que um dos policiais desse a volta no automóvel e puxasse o corpo para dentro.” A ação durou cerca de 40 minutos até que os fotógrafos foram autorizados a fotografar. Chegando perto do carro, Sérgio Jorge pôde ver que havia uma pasta atrás do banco dianteiro e, sobre o assento de trás, uma peruca e uma capa.

Na presença de Sérgio Jorge e dos demais fotógrafos, os policiais, sem nenhum constrangimento, encenavam um número que viria a se tornar corriqueiro naqueles tempos: o teatro do confronto entre guerrilheiros urbanos e as forças da repressão. A ditadura no Brasil deixou um saldo macabro de 475 adversários mortos, 163 deles ainda desaparecidos. Foi a partir de 1969, o ano da morte de Marighella, que o regime militar ingressou em seu período mais duro e a eliminação de inimigos passou a ser regra. As execuções de militantes de esquerda, sem chance de prisão, tornaram-se tão comuns quanto os laudos fantasiosos de inquéritos policiais destinados apenas a escamotear uma política oficial de extermínio. No caso de Carlos Marighella, o esclarecimento de sua morte é especialmente problemático, pois existem pelo menos três versões conflitantes para ela. Primeiro há a versão dos militares, segundo a qual ele foi varado por uma rajada de metralhadora quando, do banco de trás do fusca dos dominicanos, reagiu a tiros a uma ordem de prisão do delegado Fleury. A perícia, entretanto, acabou concluindo que não saíra um tiro sequer da arma de Marighella. Desse modo, a tese da polícia parece não ser mais que um esforço para esconder a provável execução sumária do guerrilheiro, além de uma tentativa de driblar uma complicação extra do episódio: a suspeita de que, naquela noite, foi o fogo amigo que matou também uma jovem policial e um dentista alemão que casualmente passava pelo local no momento do tiroteio (outro delegado, um desafeto de Fleury, acabou baleado na virilha). A segunda versão é a dos dois frades dominicanos que a polícia usou como isca para Marighella. Em seu julgamento, os religiosos sustentaram que o guerrilheiro foi executado no meio da rua, longe do fusca em que eles estavam. Por fim, o Grupo Tortura Nunca Mais, em 1996, adotou as conclusões de um laudo em que legistas garantem que Marighella foi morto com um tiro no peito à queima-roupa, que seccionou-lhe a aorta, e alvejado ainda por outros três disparos.
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O CASO VLADO 
O fotógrafo-perito que registrou a encenação do suposto
suicídio de Vladimir Herzog também reconheceu a montagem
Carlos Marighella era autor do “Manual do Guerrilheiro Urbano”, um confuso texto de 50 páginas que jovens esquerdistas de todo o mundo liam como uma bíblia. Figura principal dos cartazes amarelos que a ditadura espalhava com retratos de terroristas, vinha sendo caçado pelo Dops e monitorado pela máquina de informações dos Estados Unidos. Um ano antes de sua morte, o consulado americano em São Paulo já informara seu governo sobre as relações de Marighella com os dominicanos. Agora, o depoimento exclusivo de Sérgio Jorge à ISTOÉ – e que ele se dispõe a prestar também à Comissão da Verdade, instituída pelo governo para esclarecer as mortes ocorridas durante a ditadura – poderá jogar uma nova luz sobre os fatos, embora ainda seja difícil fazer conjecturas sobre as intenções específicas dos policiais que transferiram o corpo de Marighella para o banco de trás do carro.

Sérgio Jorge foi o primeiro fotógrafo do País a ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo. Ele conta que, quando chegou à redação da “Manchete” com a foto do cadáver de Marighella, teve o cuidado de relatar a seu chefe a armação que tinha visto. Ouviu como resposta que a versão de Fleury seria a definitiva e, sempre avesso à política, resolveu se calar. “Todo mundo me dizia para não me meter com essas coisas que era muito perigoso”, diz ele. O caso só voltou a perturbá-lo cinco anos atrás, no momento em que começou a selecionar fotografias para um livro em seu arquivo pessoal, com mais de 60 mil imagens. As fotos de Marighella não estão com ele: foram parar num arquivo da revista “Manchete”, recentemente leiloado. “Dos fotógrafos que estavam comigo naquele dia, só eu estou vivo. Cheguei à conclusão de que não posso levar para o túmulo a história verdadeira”, diz Sérgio Jorge. “Sempre tive muito medo, mas com a Comissão da Verdade acho que chegou a hora.”
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COMBATE
Há mais de quatro décadas, Simas denunciou a farsa
Nilmário Miranda, um dos representantes da comissão do Ministério da Justiça que, em 1996, responsabilizou o Estado brasileiro pela morte de Marighella, considera importante o depoimento de Sérgio Jorge. “Isso vai ajudar a Comissão da Verdade a regatar os fatos históricos”, diz ele. “Ao invés de suicídios, assassinatos cruéis. Ao invés de fugas da prisão, desaparecimentos forçados. Ao invés de tiroteios simulados, execuções à queima-roupa.” O advogado de presos políticos Mário Simas, que foi a primeira voz a afrontar a versão oficial da morte de Marighella, quando fazia a defesa dos frades dominicanos, espera que o depoimento de Jorge possa, finalmente, contribuir para o esclarecimento do caso. “No processo, lancei dez dúvidas sobre a versão oficial que nunca foram respondidas pelo Estado”, diz ele. Simas, que presidiu a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, não tem dúvidas sobre o modo de ação da polícia: “O delegado Fleury era um caçador sem escrúpulos, que não respeitava nada para chegar a seus objetivos.”

Aos 86 anos, a mulher de Marighella, Clara Charf, se espanta ao saber das revelações de Sérgio Jorge. Ela estranha que seu marido, que não sabia dirigir, estivesse ocupando o banco do motorista do fusca. Mas acredita que este depoimento possa enterrar de vez a versão “mentirosa” da polícia. “É um impulso muito grande para a revisão da história”, diz ela. É uma expectativa idêntica à do ex-militante Otávio Ângelo, certamente um dos últimos companheiros que viram Marighella vivo. Membro do Grupo Tático Armado da ALN, Otávio Ângelo estava no derradeiro “ponto” que Marighella cumpriu no fim da tarde do dia 4 de novembro de 1969, antes de ir para a alameda Casa Branca. Eles se encontraram no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo e, segundo Otávio Ângelo, Marighella se mostrava muito preocupado com a segurança da organização por causa da prisão de vários militantes. “Ele parecia nervoso, apreensivo”, relembra. “Falava que estávamos no cerco e que, se não conseguíssemos sair desse cerco, não sobreviveríamos.” A previsão de Marighella, como se vê, acabaria cumprida em poucas horas.
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quinta-feira, 1 de março de 2012

Temporal em Blumenau Provoca Estragos

Um temporal na cidade de Blumeneu-SC provocou estragos em alguns bairros, além da queda de energia deixando o trânsito lento e engarrafado.  A Universidade Regional de Blumenau - FURB suspendeu as aulas na noite de hoje devido o temporal e falta de energia no campus I.
A Celesc ainda não tem previsão para o restabelecimento do fornecimento da energia elétrica. Veja abaixo algumas imagens:








domingo, 26 de fevereiro de 2012

Notícia da semana Atualidades (Base brasileira na Antártica)



Antártica: avião que vai resgatar brasileiros está no Chile


Incêndio na Estação Comandante Ferraz, na Antártica
Estação Comandante Ferraz pegou fogo na madrugada de sábado. Ministério da Defesa confirmou mortes de dois militares; um terceiro ficou ferido

O Ministério da Defesa confirmou no sábado a morte de dois militares no incêndio, que ocorreu por volta de 2 horas da madrugada na Praça de Máquinas, local onde ficam os geradores de energia. São eles o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos. Os corpos foram encontrados na tarde de sábado. Um Inquérito Policial Militar foi aberto para apurar as causas do incêndio.

Estão em Punta Arenas trinta pesquisadores, um alpinista, um representante do Ministério do Meio Ambiente e doze funcionários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, além do militar ferido. Lá, foram recebidos por militares brasileiros.
"Num ato de heroísmo, eles estiveram justamente no local de maior risco, na tentativa de debelar o incêndio e não conseguiram", declarou a Agência Brasil o ministro da Defesa, Celso Amorim. "Todos os pesquisadores e funcionários civis foram resgatados e já se encontram no Chile".
Segundo o ministro, praticamente toda a estação foi destruída pelas chamas. "Todo o núcleo central da base, que é onde estão concentradas essas instalações, foi perdido", disse. "O grau exato do que aconteceu ainda precisa ser objeto de perícia, mas a avaliação é de que realmente perdeu-se praticamente tudo". Amorim afirmou que ainda não é possível saber quando a estação voltará a operar, mas que o planejamento para que isso ocorra o mais rápido possível terá início já na próxima semana.
Programa continua – Apesar das perdas, o ministro garantiu que o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) não será encerrado. "Esse é um projeto de trinta anos de empenho da sociedade brasileira, que tem todo o apoio do governo e do Congresso brasileiro", declarou. "O programa antártico é um motivo de orgulho para nós, de modo que vamos continuar".
Segundo informações da Marinha do Brasil, os familiares dos oficiais tinham sido informados do desaparecimento e estariam recebendo todo o apoio das Forças Armadas. A Marinha também declarou que está acompanhando os familiares do primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros, que se feriu no acidente e está internado.
A nova base brasileira na Antártica terá uma arquitetura nova, mais "completa e orgânica", afirmou neste domingo o ministro da Defesa, Celso Amorim. Segundo ele, o planejamento para a nova base começa nesta segunda-feira.
"A nossa ideia é imediatamente, já, chamar arquitetos para fazer desenhos, inclusive um desenho mais novo. Não estou dizendo que é por isso que aconteceu o incêndio, mas, obviamente, a base começou há 30 anos, então, ali ela foi agregando um pedaço ou outro. Agora já podemos pensar numa coisa para o futuro, digamos, de maneira mais completa, mais orgânica”, disse Amorim.
Amorim ressaltou que ainda não é possível avaliar os danos na estação incendiada, nem precisar quando a nova base estará pronta.
Tempo ruim – As condições meteorológicas na região da estação neste sábado eram muito ruins, afirmou a Marinha, em nota. Com isso, o chefe da Comandante Ferraz e os integrantes do chamado ‘grupo-base’ – conjunto de militares responsáveis pela manutenção das instalações – foram transferidos para a base chilena Eduardo Frei, a trinta quilômetros da estação brasileira.
Assim que as condições climáticas melhorarem, a Marinha pretende enviar ao local uma equipe do grupo-base, liderada pelo chefe da estação. Eles ajudarão no trabalho de perícia e no resgate dos dois corpos. Os militares contarão com o apoio do navio “Lautaro”, da Armada do Chile. Uma embarcação da Marinha brasileira também foi designada para a tarefa.
Governo brasileiro – O ministro da Defesa, Celso Amorim, já havia divulgado uma nota no começo da tarde deste sábado em que se dizia consternado com a informação do acidente na estação. Ele informou ter recebido a notícia logo no início da manhã e, em seguida, comunicou o fato à presidente Dilma Rousseff. Na sequência, entrou em contato com os ministros de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para tratar do assunto.
Amorim disse que recebeu da Marinha um relato de todas as providências tomadas para contenção do incêndio na base e auxílio imediato a todos que se encontravam no local. O ministro acrescentou que vem acompanhando de perto os desdobramentos do acidente e as ações de apoio aos brasileiros e suas famílias.
O titular da Defesa relatou também a conversa que teve com seu colega chileno, o ministro Andrés Allamand, na qual agradeceu todo o apoio prestado pelo país vizinho no socorro e traslado das vítimas. O embaixador brasileiro em Santiago, Frederico Araújo, acompanhado de diplomatas e adidos militares, foi enviado a Punta Arena para prestar apoio aos brasileiros no local.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Notícia da Semana Atualidades ( Caso Eloá)


Espetáculo de uma tragédia

A condenação de Lindemberg Alves Fernandes põe fim ao show que foi o caso Eloá, do começo até o final

Flávio Costa
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PRESA 
Eloá foi mantida em cárcere privado por cinco dias
"Cem anos de prisão para esse assassino!”, “Bruxa, você tem ir para cadeia com ele!", “Justiça, Justiça!”, “Mãe, você vai vencer!”. O caso Eloá terminou como começou, como um espetáculo sob os holofotes. O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, condenado a 98 anos e 10 meses de prisão por matar a ex-namorada de 15 anos depois de mantê-la em cárcere privado por cinco dias em outubro de 2008 (o mais longo de São Paulo), provocou comoção pública e mobilizou um batalhão superior a cem jornalistas e câmeras que se espremeram em frente ao Fórum de Santo André. Durante quatro dias, o julgamento alimentou o noticiário constante na tevê e na internet. Em torno deste cinturão midiático, dezenas de pessoas empunhavam cartazes com dizeres a favor da condenação, disputavam avidamente uma senha – não mais que 50 – para acompanhar o júri, xingavam, aplaudiam, urravam, ou esperavam impacientemente por alguma informação nova a respeito do destino do acusado. 

O show prosseguiu dentro do tribunal, com atuações dramáticas da acusação e da defesa. E ninguém desempenhou melhor seu papel no espetáculo do júri do que a advogada Ana Lúcia Assad, defensora de Lindemberg desde do início do caso. Por vezes estridente, outras agressiva, ela protagonizou diálogos ásperos com as testemunhas, com a promotora Daniela Hashimoto, e até com a juíza Milena Dias, além de ameaçar abandonar o plenário algumas vezes. No segundo dia de julgamento, durante o depoimento da perita Dairse Aparecida Lopes, ela chegou a dizer que magistrada “deveria voltar a estudar”. Eleita vilã do momento pelo público, a advogada chegou a pedir um colete à prova de balas e apoio à diretoria da OAB de Santo André por temer por sua segurança e da equipe formada por duas assistentes. “Não sou ré, estou apenas garantindo o direito constitucional de defesa do meu cliente”, disse ela. O clima pesou a ponto de a promotora pedir que a imprensa e o público respeitassem o trabalho da advogada.
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NO TRIBUNAL 
Lindemberg durante o julgamento: comoção do
público e cobertura intensa da imprensa
A tese da defesa não obteve êxito junto aos jurados – seis homens e uma mulher. Ela pediu condenação de Lindemberg por homicídio culposo (sem intenção de matar) com a colaboração da imprensa e da policia militar. Na época, a mídia montou acampamento diante do prédio onde ocorreu o cárcere e acompanhou por cinco dias, como em uma novela, o desenrolar do caso e as negociações entre polícia e seqüestrador. Tanto que apresentadores de televisão e jornalistas o entrevistaram, por telefone, enquanto ele mantinha Eloá e a amiga, Nayara Rodrigues, como reféns. Isso teria atrapalhado as negociações da PM, que “cometeu uma ação desastrada ao invadir o apartamento”, segundo a defesa. Em seu depoimento, o primeiro sobre o caso, Lindemberg disse que não premeditou o crime e que atirou somente após a equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da PM paulista invadir o apartamento. “Infelizmente... ela fez um movimento de se levantar no sofá e eu atirei nela. Foi um ato impulsionado (sic)”.
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"Não sou ré, estou apenas garantindo o direito
constitucional de defesa do meu cliente"

Ana Lúcia Assad, advogada de Lindemberg,
que foi hostilizada pelo público
Venceram os argumentos da acusação: de que crime foi premeditado, praticado com requintes de crueldade, e de que réu sempre teve intenção de matar a ex-namorada. “Ela era apenas um objeto nas mãos de Lindemberg. Ele tinha ódio dela”, afirmou a promotora. Ao fim, o réu foi condenado por 12 crimes, incluindo o homicídio duplamente qualificado por motivo torpe (contra Eloá), duas tentativas de homicídio (contra Nayara e o sargento Atos Antonio Valeriano, o primeiro negociador), cárcere privado e disparos de arma de fogo. É difícil saber o quanto o clamor popular influenciou os jurados. “A pressão pode induzir ao pré-julgamento, é algo inevitável”, diz Paulo Freitas Ribeiro, advogado criminalista e professor de processo penal da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, lembrando que os julgamentos tentam neutralizar esse tipo de situação para que prevaleça a opinião formada a partir dos dados apresentados durante o processo.” Antes de receber a sentença, Lindemberg pediu perdão à família de Eloá. “Sei que estou em dívida com ela”, disse. Detido desde o início no presídio de Tremembé (SP), é lá que ele irá pagá-la. 
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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Notícia da Semana Atualidades


A tensão volta às Malvinas

Movimentação de navio de guerra e chegada do príncipe William revoltam argentinos e reacendem ameaça de conflito

Luciani Gomes
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FOGO 
Manifestantes queimam bandeira da Inglaterra: para a presidente
Cristina Kirchner, “ato de provocação” merece repúdio da ONU
Acostumado a ser tratado com reverência, o príncipe William, segundo na linha de sucessão ao trono britânico, se tornou uma espécie de pária na Argentina. Sua chegada às Ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses), como piloto de helicóptero da Força Aérea Real, e o envio à região de um navio de guerra desencadearam uma onda de indignação no país, a começar pela própria presidente Cristina Kirchner, que afirmou se tratar de “atos de provocação”. Em tese, William, filho de Lady Di e neto da rainha Elizabeth II, estaria em inocente missão de treinamento – ideia refutada pelos argentinos. Na semana passada, centenas deles foram protestar diante da Casa Rosada, a sede do governo em Buenos Aires, e alguns mais exaltados queimaram bandeiras da Inglaterra. Em discurso que mereceu aplausos de outros políticos, Cristina disse que vai denunciar o Reino Unido ao Conselho de Segurança e à Assembleia-Geral da ONU, pelo que chamou de “militarização do Atlântico Sul”. O caso preocupa por trazer à memória a guerra vencida pelos ingleses em 1982, que deixou um saldo de quase mil soldados mortos. 

Por ora, Cristina conseguiu um importante apoio de seus vizinhos. Durante a 11a Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), realizada há uma semana, vários países da América do Sul declararam apoio à presidente e, em conjunto, adotaram uma medida hostil. Navios militares com bandeiras das Malvinas não serão recebidos em diversos portos do continente, entre os quais os brasileiros. “É o que se pode fazer”, diz Carlos Vidigal, professor de história da Universidade de Brasília. “Mais do que isso, configuraria um posicionamento belicoso em relação ao Reino Unido.” Vale lembrar que a posição oficial do Brasil diante da questão é a mesma desde 1982. O governo brasileiro defende a soberania da Argentina nas Malvinas, mas propõe uma solução pacífica para o problema.
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REALEZA 
Príncipe William (à esq.) analisa mapas nas Malvinas:
petróleo estaria por trás do renovado interesse inglês na região
Por que esse pequeno arquipélago de 12 mil metros quadrados ao sul do território argentino é tão disputado? “Até pouco tempo atrás, os ingleses ficavam pescando e administrando as ilhas”, diz o argentino Héctor Luiz Saint-Pierre, diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Agora, a possibilidade de existência de petróleo está tornando as Malvinas alvo de interesses econômicos.” De 1982 até 1990, Argentina e Reino Unido não mantiveram relações diplomáticas. Os laços só foram restabelecidos durante o governo argentino de Carlos Menem (1989-1999), que propôs um apaziguamento. “Uma vez que os dois países concordassem em não discutir soberania, iriam tentar aproximações em outros assuntos”, diz Maurício Santoro, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas. Os moradores das Malvinas não querem que a administração seja passada para a Argentina e é isso que dá respaldo ao Reino Unido em refutar negociações. “Os habitantes das Falklands são britânicos por escolha”, diz Santoro. “É mais interessante para eles permanecer como está.”
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Notícia da Semana Atualidades

Secretaria autoriza entrada de comida para crianças que permanecem na AL da Bahia


Policiais militares em greve ocupam o prédio; Força Nacional cerca o local

Agência Brasil
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A Secretaria de Segurança Pública da Bahia autorizou nesta terça-feira (7) a entrada de alimentos e material de higiene para quatro crianças que ainda estão dentro do prédio da Assembleia Legislativa do estado. No local, policiais militares em greve aguardam resultados das negociações com o governo.
De acordo com o chefe da Comunicação Social da 6ª Região Militar, tenente-coronel Márcio Cunha, a entrada de comida foi solicitada pela equipe de negociação da secretaria que está dentro do prédio. "Havia quatro crianças com fome e a secretaria autorizou a entrada de alimentos para essas crianças e material de higiene", destacou.
A saída de crianças do prédio começou na noite de segunda-feira. Até a madrugada, oito crianças haviam deixado o prédio, sendo uma de colo, acompanhada de cinco adultos.
Em meio ao cerco montado em volta da Assembleia Legislativa, uma cena inusitada. Parentes dos policiais militares grevistas fizeram uma homenagem ao comandante das forças de segurança da Bahia, general Gonçalves Dias, que faz aniversário nesta terça-feira (7).
Acampados em frente ao prédio, os parentes cantaram os parabéns para o general. O deputado baiano Sargento Isidoro, que é pastor, fez uma oração. O general se aproximou da grade que separa a tropa de 800 homens do Exército das famílias acampadas e agradeceu a homenagem.

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