domingo, 28 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Battisti: A vida em liberdade

Com documento de identidade e CPF em mãos, o ex-terrorista italiano Cesare Battisti começa a viver fora da clandestinidade no litoral paulista

Por Luiza Villaméa Fotos Rafael Hupsel
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REFÚGIO
Entre o mar e a Mata Atlântica, Battisti se hospeda na casa de um líder sindical
Debaixo da chuva fina e incessante, o italiano Cesare Battisti, 56 anos, caminha tranquilo pelas ruas de uma pequena cidade do litoral paulista. Usando uma jaqueta de couro emprestada pelo dirigente sindical Magno de Carvalho, 64 anos, Battisti esfrega as mãos vigorosamente enquanto fala sobre a região. “Aqui a Mata Atlântica está bem preservada”, diz. “E a pesca é farta, principalmente de tainha”. Depois de ficar mais de quatro anos atrás das grades e apenas dois dias em liberdade na capital paulista, Battisti passa boa parte do tempo caminhando pelas praias e matas das redondezas. Só reclama do frio, na marca dos 12oC na tarde da segunda-feira 22. “Nem pareço italiano”, diz. “Nunca gostei de frio.” Conhecido pelos moradores da cidade como o escritor italiano César – a versão em português de seu primeiro nome –, ele pretendia começar a vida em liberdade na capital paulista, onde chegou na manhã do dia 9 de junho, horas após deixar o presídio da Papuda, em Brasília. Com o prédio onde estava hospedado cercado por jornalistas e alvo de manifestantes contrários à sua permanência no Brasil, o ex-terrorista achou melhor deixar a cidade.
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"A reação não foi da Itália, e sim de
um governo decadente e direitista"

Tarso Genro, ex-ministro da Justiça
Ainda sem documentos, instalou-se na casa de veraneio que Carvalho mantém há 14 anos e, de lá, começou a organizar seu futuro no País. Por meio de mensagens enviadas pelo computador, ele retoma contatos e trata de agradecer àqueles que foram levar-lhe apoio na cadeia. “O que vivi no Brasil foi surpreendente, supera a típica solidariedade política”, diz. “Pessoas que não me conheciam viajavam de todo o País para me visitar.” Embora uma extensa rede de apoio tenha, de fato, sido criada em torno de Battisti, sua não extradição para a Itália ainda provoca controvérsia. Há 30 anos, ele foi condenado à revelia em seu país de origem como autor de quatro homicídios, ocorridos nos anos 1970, sob a responsabilidade da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). 

Antigo militante dos PAC, Battisti, que já havia sido condenado por subversão e participação em grupo armado, assume ações de assalto com armas, mas nega ter participado de operações que culminaram em mortes. “Eu já havia saído da organização quando ocorreram as mortes”, afirma. Depois de uma longa temporada no México e outra na França, ele entrou no Brasil clandestinamente em 2004, mas acabou preso três anos depois. Na sequência de uma longa batalha jurídica, que incluiu uma crise diplomática entre a Itália e o Brasil, em junho o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente um recurso do governo italiano contra uma decisão do presidente da República no final do ano passado. À época, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a extraditar Battisti, sob o argumento de que sua vida correria riscos na Itália, o que causou a ira do governo italiano.
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TENSÃO
O premier Silvio Berlusconi já avisou o Itamaraty que vai
recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda
 

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A primeira etapa da trajetória de Battisti como cidadão estrangeiro vivendo legalmente no País foi superada no dia 15 de agosto, quando ele recebeu a cédula provisória de estrangeiro emitida pelo Ministério da Justiça. Na semana passada, foi a vez de o italiano receber o número do CPF. Ainda esta semana, ele vai à capital paulista abrir uma conta bancária e se encontrar com seu editor, Evandro Martins Fontes, da Editora Martins Fontes. Seu mais recente livro, “Ao Pé do Muro”, está em fase de tradução – Battisti escreve em francês – e tem como tema os anos que passou preso no Brasil. Previsto para chegar às livrarias em dezembro, “Ao Pé do Muro” será lançado simultaneamente na França, pela Editora Flammarion. 

Battisti, que atualmente vive de recursos arrecadados por uma rede de apoio em diferentes países, acredita que em breve poderá se sustentar com os direitos autorais de suas obras, como fazia até 2007. Enquanto isso, ele planeja criar no País uma versão nacional da ONG Literatura Furiosa, fundada há duas décadas na França pelo brasileiro Luiz Rosas, 58 anos. Da cidade de Amiens, 120 quilômetros ao norte de Paris, onde mora, Rosas conta que o trabalho envolve o incentivo à leitura a analfabetos funcionais. Com verbas da União Europeia, a organização também desenvolve atividades em Portugal e na República Democrática do Congo, na África. “Sempre convidamos escritores para debates com os alunos”, diz Rosas. “Nos anos 1990, o escritor Cesare Battisti foi convidado pelo menos três vezes.” No ano passado, quando o italiano ainda estava preso, Rosas foi contatado por um antropólogo de Brasília, emissário de Battisti, que começou as tratativas para o projeto. Rosas se empolgou com a ideia, até mesmo pela perspectiva de retornar ao Rio de Janeiro, que deixou em 1973 e nunca mais voltou.
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NOVA FASE
O italiano ao deixar o presídio, autorizado a morar no Brasil
Do litoral paulista, Battisti usa o computador para se comunicar com o futuro parceiro de atividade cultural. No dia a dia, o italiano demonstra um certo comedimento para acionar o celular – não por temer escutas, mas para economizar os créditos. Em contrapartida, é generoso ao cozinhar para as pessoas que o visitam. Na maioria das vezes, prepara peixes comprados na praia, direto dos pescadores. Entre as visitas que recebeu no litoral paulista estão as filhas Valentina, 27 anos, e Charlène, 16, que vivem em Paris com a mãe, com quem Battisti foi casado. Elas passaram 15 dias na cidade. “Eles têm uma relação muito próxima, muito afetuosa”, diz o matemático argentino Carlos Lungarzo, 62 anos, da Anistia Internacional, que esteve com a família. Valentina, que é bióloga especializada em genética e está terminando o doutorado, começou inclusive a fazer planos para vir morar com o pai. Battisti, por sua vez, pensa até em se naturalizar brasileiro. Mesmo se não levar adiante a iniciativa, ele terá que viver no Brasil o resto da vida. Se deixar o País, corre o risco de ser preso e enfrentar um novo processo de extradição.

Em território na­cional, apesar da per­manência garantida pelo Supremo Tribunal Federal, Battisti enfrenta um grupo de brasileiros dispostos a protestar contra a sua presença no Brasil. Para as questões práticas do cotidiano, porém, não faltou apoio. “Ele teve várias ofertas de lugares para ficar quando fosse libertado”, diz Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), dono da casa na qual Battisti passa os dias organizando o futuro. “O Cesare se integrou tão bem na cidade que já ganhou presentes dos moradores, como carnes de caça e peixes.” Carvalho conheceu o italiano ao visitá-lo no presídio de Brasília como representante da Conlutas, a central à qual o Sintusp está filiado.
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VIDA REAL
Ainda esta semana Battisti quer abrir uma conta bancária em São Paulo
O dirigente sindical é um dos muitos brasileiros da extensa lista que Battisti pretende agradecer por se posicionar a seu favor na disputa com a Itália. O rol, segundo Battisti, é liderado pelo atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que, em janeiro de 2009, como ministro da Justiça, concedeu-lhe o status de refugiado político. Na batalha jurídica que permeou o processo, a condição foi posteriormente cassada pelo Supremo. Lembrando que o refúgio político foi concedido com base em decisões anteriores do próprio Supremo, Genro afirmou à ISTOÉ que, sim, receberia Battisti, e que valeu a pena comprar a briga: “Ganhou a democracia.” Para Genro, a reação do governo italiano no decorrer do processo não reflete a posição de todo o país. “A reação não foi da Itália, e sim de um governo decadente e direitista, que tem fortes acusações contra si. Escolheram uma bandeira para tentar uma falsa articulação política nacionalista. Não deu certo”, disse o governador. Suas expectativas em relação a Battisti em liberdade também são muito claras: “Que ele seja um cidadão digno, trabalhe, escreva e respeite o nosso país.”
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Fonte:http://www.istoe.com.br/reportagens/154793_BATTISTI+A+VIDA+EM+LIBERDADE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage


Ver também sobre política no Brasil: http://www.istoe.com.br/reportagens/154942_IDELI+O+ASSESSOR+E+AS+ONGS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

domingo, 21 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Papa anuncia Rio de Janeiro como sede da próxima JMJ, em 2013

O anúncio foi feito ao término da 26ª Jornada, realizada em Madri, que reuniu na cidade espanhola cerca de 2 milhões de peregrinos católicos de 193 países. O papa, de 84 anos, expressou seu desejo de viajar à capital fluminense para presidir o evento

O papa Bento XVI anunciou neste domingo que a cidade do Rio de Janeiro acolherá a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2013, durante discurso para centenas de milhares de jovens católicos reunidos na eucaristia que encerra a JMJ de Madri.

O anúncio foi feito ao término da 26ª Jornada, realizada em Madri, que reuniu na cidade espanhola cerca de 2 milhões de peregrinos católicos de 193 países. O papa, de 84 anos, expressou seu desejo de viajar à capital fluminense para presidir o evento. "Tenho o prazer de anunciar que a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013, será o Rio de Janeiro. Peçamos ao Senhor já desde este momento que ajude os jovens de todo o mundo que tiverem de se preparar para que possam se reunir novamente com o papa nessa bela cidade brasileira", declarou Bento XVI em espanhol.


"Queridos amigos, antes de nos despedir, os jovens da Espanha entregam aos do Brasil a cruz das Jornadas Mundiais da Juventude, como Sucessor de Pedro, confio esta grande incumbência a todos os aqui presentes: levem o conhecimento e o amor de Cristo por todo o mundo. Ele quer que vocês sejam seus apóstolos no século XXI e os mensageiros de sua alegria. Não o decepcionem!", acrescentou.

Logo após anunciar a cidade, vários jovens brasileiros começaram a ondear bandeiras brasileiras e aplaudir, enquanto os católicos espanhóis entregavam a Cruz dos Jovens aos brasileiros no altar levantado na base aérea de Quatro Ventos, em Madri. A Jornada Mundial da Juventude foi criada em 1984, quando após concluir o Ano Santo da Redenção, o então papa João Paulo II entregou uma cruz de madeira de quatro metros de altura aos jovens, convidando-os a levá-la por todo o mundo.

Desde então, foram realizadas jornadas em Roma (1985), Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (Espanha, 1989), Czestochowa (Polônia, em 1991), Denver (Estados Unidos, em 1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma novamente (no Jubileu, 2000), Toronto (2002), Colônia (Alemanha, 2005), Sydney (Austrália, 2008) e, por fim, Madri neste ano.

Até a JMJ de Toronto, os encontros eram realizados a cada dois anos. A partir de Colônia, passaram a ocorrer a cada três anos e agora volta novamente a dois anos de diferença para evitar que o evento coincida em 2014 com a realização da Copa do Mundo, no Brasil. Nos anos entre os encontros mundiais, todos os anos essas jornadas se realizam em nível diocesano em cada país.
(Com EFE)
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/papa-anuncia-rio-de-janeiro-como-sede-da-proxima-jmj-em-2013



domingo, 14 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


O que há de real na crise

O planeta tremeu nos últimos dias. Os problemas enfrentados por Estados Unidos e alguns países da Europa derrubaram bolsas no mundo todo. Até que ponto os prognósticos apocalípticos são verdadeiros? O planeta está realmente em risco?

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TENSÃO 
Obama enfrenta uma crise política que pode colocar em risco a
saúde financeira dos Estados Unidos e de parte da Europa
BRASIL
Novos indicadores confirmaram para a presidente Dilma que o
Brasil continua acelerando e será pouco afetado pela crise global
Na semana passada, o cientista político Jean-Claude Trichet, um francês de 67 anos com mais de quatro décadas de experiência no mercado financeiro, declarou que a atual crise econômica é a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Isso nada significaria, se ele não fosse o presidente do Banco Central Europeu – e por isso suas afirmações reverberaram com a força de um tsunami. Dias antes, a agência Standard & Poor’s também havia espalhado pânico ao rebaixar a avaliação de risco dos Estados Unidos da categoria AAA para AA+. De acordo com a S&P, o país deixou de ser 100% confiável em termos financeiros, diagnóstico suficiente para provocar histeria nos investidores e desencadear perdas gigantescas nas principais bolsas de valores globais. Mas não foi só. Na lógica insana do mercado, essa entidade quase etérea que se manifesta com força máxima nos momentos de crise, o mundo estaria prestes a assistir ao início da derrocada americana. A recessão planetária seria uma questão de tempo. Além de Estados Unidos e Europa, nações emergentes como o Brasil ficariam seriamente expostas à hecatombe econômica global. Em resumo: uma tragédia anunciada e provavelmente sem antídotos para combatê-la.
Seria ingênuo afirmar que não existe crise, mas não é exagero dizer que ela certamente não é tão feia quanto parece. Basta dar uma espiada no que andam dizendo algumas das vozes mais lúcidas da área financeira. Prêmio Nobel de Economia, o americano Paul Krugman, um crítico moderado do governo Obama, chamou de “cara de pau” a iniciativa da S&P. Para quem não se lembra, essa agência foi uma das responsáveis pela crise do subprime de 2008, ao respaldar instituições que estavam à beira da falência. Ou seja, credibilidade não é um atributo que deva ser associado a empresas como a S&P. Professor da Fundação Getulio Vargas e ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira define assim a decisão da agência: “A S&P agiu de forma tresloucada”, disse ele à ISTOÉ. A presidente Dilma Rousseff classificou o rebaixamento de “precipitado e incorreto” e não foram poucos os artigos publicados nos principais jornais do mundo com críticas ferozes à redução da nota.
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PROTESTOS
Cenas cada vez mais comuns nos EUA: manifestação de opositores de
Obama (acima) e passeata em prol de empregos em Los Angeles (abaixo)
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Krugman toca em um ponto crucial para colocar a crise em seu devido lugar. “Não é a matemática orçamentária que está fazendo com que os Estados Unidos pareçam pouco confiáveis, e sim a política”, escreveu ele em sua coluna no “The New York Times”. Que a situação financeira dos Estados Unidos inspira cuidados, não é novidade. Na última década, o país sofreu uma série de turbulências, desde o estouro da bolha das empresas de internet em 2001 à concordata do centenário banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008. O brutal aumento da dívida pública, o PIB em marcha lenta e a redução do volume de investimentos agravaram o quadro enfrentado pelo presidente democrata Barack Obama, mas o caos não tem a dimensão projetada pelos opositores ultraconservadores abrigados no Partido Republicano. 

Divergências entre democratas e republicanos permeiam a história americana. Mas agora há uma diferença notável: é a primeira vez que os Estados Unidos se apresentam divididos em questões de âmbito internacional. Durante todo o século XX e nos primeiros anos do século XXI, querelas em assuntos internos (a ampliação dos direitos civis de minorias, benefícios previdenciários, punições a criminosos, para citar alguns exemplos) se tornaram rotina na política do país. As decisões que transcendiam o aspecto local, porém, sempre foram tomadas com a concordância de democratas e republicanos. Em 1999, embora sofresse forte oposição, o democrata Bill Clinton conseguiu a aprovação de seus rivais na política para bombardear a ex-Iugoslávia. Hoje parece difícil de acreditar, mas foi isso mesmo. Clinton teve apoio irrestrito para lançar foguetes contra uma nação encravada no coração da Europa. Também amparado por oponentes, o republicano George W. Bush invadiu o Iraque em 2003. No governo Obama, a guerra política pode provocar estragos duradouros na economia global. Essa é a diferença em comparação à crise de 2008. Antes, tratava-se apenas de um problema financeiro. Agora, o que está em jogo é um embate pautado por tensões pré-eleitorais. “Nossos problemas são causados por um único lado – mais especificamente, pela ascensão de uma direita extremista que prefere criar crises a ceder um único centímetro nas suas exigências”, escreveu Krugman.
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QUE CRISE?
A usina de Santo Antônio vai receber investimentos
de R$ 15 bilhões e gerar 25 mil empregos
Obama carrega o peso de não ter articulado apoios fiéis no Congresso e no Senado, equívoco que seus antecessores não cometeram. Se essas questões não provocassem danos além das fronteiras americanas, o mundo não estaria tão atento ao acirramento das diferenças entre democratas e republicanos. O problema é que, enquanto os Estados Unidos estiverem fracos, muitas nações serão atingidas. Na Europa, a crise enfrentada por países sensíveis a qualquer turbulência, como Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Irlanda, tende a se intensificar. Na semana passada, especulou-se sobre a possibilidade de as agências rebaixarem a avaliação de risco da França, a exemplo do que a Standard & Poor’s fez com os Estados Unidos. O motivo? Se os Estados Unidos não são nota AAA, por que economias menos pujantes seriam?

O mesmo raciocínio vale para países emergentes como o Brasil. Até que ponto a economia brasileira, que nos últimos anos tem dado sinais de vitalidade, será afetada pela crise dos Estados Unidos? Em um artigo publicado na semana passada no jornal “Valor Econômico”, o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto usou uma imagem divertida para traduzir o efeito cascata nas bolsas mundiais. Segundo ele, a racionalidade do mercado é a mesma dos carneiros de Panurge, célebre personagem criado pelo escritor francês François Rabelais. Assim que um dos carneiros foi arremessado ao mar, os outros fielmente o seguiram. “O mercado é a manada”, escreveu Delfim. “É o contágio. Todos seguem todos, supondo que o vizinho sabe o que está fazendo.” Diante dos indicadores econômicos positivos, que até agora não deram sinais de declínio, não faz sentido apostar que o Brasil passará sufoco no futuro próximo, como acreditaram nos últimos dias os carneiros suicidas do mercado financeiro. Especialistas ouvidos por ISTOÉ concordam que o País está preparado para enfrentar o fantasma da recessão americana. “A crise vai impactar menos o Brasil do que em qualquer outro momento”, diz Carlos de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio. “Temos a grande vantagem de possuir gordura para queimar.” Segundo José Augusto Castro, presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros, o pessimismo está fora de cogitação. “O peso agora é mais psicológico do que econômico.” Ex-presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni faz sua análise baseada em números. “O Brasil provavelmente continuará crescendo em torno de 4% em 2011 e 2012”, diz. “Será um resultado muito melhor do que a queda de 0,6% obtida em 2009.” Colunista de ISTOÉ, o economista Ricardo Amorim afirma que o Brasil não passará ileso, por ser impossível isolar o País do cenário internacional. Ele, porém, concorda que seremos menos afetados. “Temos munição para diminuir a taxa de juros e, assim, estimular a atividade econômica e a expansão do crédito.” No governo, o discurso otimista também está presente. “Não há motivo para desespero”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).
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No setor privado, a confiança não foi abalada. “O mercado brasileiro é sólido, temos renda e demanda”, afirma José Drummond Júnior, presidente da Whirpool para a América Latina. Homem mais rico do País, Eike Batista apareceu com destaque nos jornais depois de perder alguns bilhões de reais com a queda disparatada das ações. “Não perdi o sono”, diz Eike. “Há uma lista enorme de empresas que pretendem colocar seu dinheiro no Brasil.” De acordo com o relatório World Investiment Report 2011, apresentado recentemente pela ONU, o Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais recebem investimentos estrangeiros. E tudo indica que a trajetória continuará ascendente. Neste ano, os ingressos de recursos diretos vindos do Exterior e voltados para o setor produtivo atingiram no primeiro semestre a marca recorde de US$ 32,5 bilhões, o melhor resultado desde o início da série histórica do Banco Central iniciada em 1947. Apenas a indústria automotiva deve despejar US$ 15 bilhões no País nos próximos cinco anos. Na área de infraestrutura, os números surpreendem. O Estaleiro Atlântico Sul, no complexo industrial de Suape, em Pernambuco, deve receber R$ 35 bilhões de investimentos até 2020 e gerar até lá 30 mil empregos diretos. 

Há exemplos de empreendimentos bilionários em diversas regiões do Brasil. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o campeão na geração de empregos é o Estado de Rondônia, onde estão sendo construídas no Rio Madeira as usinas de Jirau e Santo Antônio, que vão consumidor juntas R$ 22 bilhões. Na hidrelétrica de Santo Antônio, trabalham diretamente 20 mil pessoas, número que deve subir para 25 mil nos próximos meses. 

A produção industrial, um dos principais indicadores do vigor econômico de um país, também está em alta. Setores como o de tecnologia da informação, farmacêutico e automobilístico apresentaram crescimento acima de 6% no primeiro semestre. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos a indústria automotiva se manteve estagnada no mesmo período. O que impulsiona esse movimento é o aumento brutal da massa de consumidores. Nos últimos dois anos, 13,3 milhões de pessoas foram incoporadas ao mercado consumidor, fenônemo que causa uma cadeia de efeitos positivos. Entre abril de 2010 e abril de 2011, o faturamento do varejo brasileiro subiu mais de 10%.
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Enquanto o mundo continuava febril, uma série de novos indicadores confirmou nos últimos dias a recém-conquistada força econômica do Brasil. Na quinta-feira 11, o Banco Central anunciou que as reservas internacionais superaram pela primeira vez a marca de US$ 350 milhões. O dinheiro funciona como uma espécie de escudo protetor, blindando a moeda brasileira e evitando que o País seja arrastado pela instabilidade nos Estados Unidos e na Europa. “Com essas reservas, o País pode navegar com tranquilidade”, diz o empresário Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Política de Gestão, órgão instituído no governo Dilma. Também na quinta-feira, a agência japonesa de classificação de risco R&I elevou a nota do Brasil para a categoria BBB. Segundo a empresa, a classificação subiu graças principalmente ao “impressionante fortalecimento do mercado interno.” Informações como essas são exemplos precisos de mudanças no tabuleiro de forças da economia global. Nestes novos tempos, os emergentes caminham para ocupar espaços até então reservados aos países ricos. Especialmente para nações como Brasil e China, o apocalipse está muito longe de acontecer.
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Fonte:http://www.istoe.com.br/reportagens/151504_O+QUE+HA+DE+REAL+NA+CRISE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage


domingo, 7 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


No Próximo sábado 13/08 completa 50 anos da construção do Muro de Berlim

1961: Construção do Muro de Berlim

 

Em 13 de agosto de 1961, guardas da RDA começaram a fechar com arame farpado e concreto a fronteira que separava as partes oriental e ocidental de Berlim, bem como Berlim Ocidental do território da Alemanha Oriental.

 
O funcionário do Serviço de Defesa da Constituição de Berlim que estava de plantão no segundo final de semana de agosto de 1961 não esperava ocorrências extraordinárias. Mas já na madrugada de sábado para o domingo, dia 13, ele foi surpreendido à 1h54 pela notícia de que o tráfego de trens entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental fora suspenso.
A abrangência do fato, porém, só ficou clara quando o dia amanheceu. A República Democrática Alemã (RDA) dera início à construção de um muro entre as duas partes de Berlim, cortando o acesso de 16 milhões de alemães ao Ocidente. "A fronteira em que nos encontramos, com a arma nas mãos, não é apenas uma fronteira entre um país e outro. É a fronteira entre o passado e o presente", era a interpretação ideológica do governo alemão-oriental.
Reação às fugas
A RDA via-se com razão ameaçada em sua existência. Cerca de 2 mil fugas diárias tinham sido registradas até aquele 13 de agosto de 1961, ou seja, 150 mil desde o começo do ano e mais de 2 milhões desde que fora criado o "Estado dos trabalhadores e dos camponeses". O partido SED puxou o freio de emergência com o auxílio de arame farpado e concreto, levantando um muro de 155 quilômetros de extensão que interrompia estradas e linhas férreas e separava famílias.
Ainda dois meses antes, Walter Ulbricht, chefe de Estado e do partido, desmentira boatos de que o governo estaria planejando fechar a fronteira: "Não tenho conhecimento de um plano desses, já que os operários da construção estão ocupados levantando casas e toda a sua mão-de-obra é necessária para isso. Ninguém tenciona construir um muro".
Nos bastidores, porém, corriam os preparativos, sob a coordenação de Erich Honecker e com a bênção da União Soviética. Guardas da fronteira e batalhões fiéis ao politburo encarregaram-se da tarefa. Honecker não tinha a menor dúvida: "Com a construção da muralha antifascista, a situação na Europa fica estabilizada e a paz, salvaguardada".
As potências ocidentais protestaram, mas nada fizeram. Para os berlinenses de ambos os lados da fronteira, a brutalidade do muro passou a fazer parte do cotidiano. Apenas 11 dias após a construção, morreu pela primeira vez um alemão-oriental abatido a tiros durante tentativa de fuga. A última vítima dos guardas da fronteira foi Chris Gueffroy, morto em fevereiro de 1989.
Queda após 28 anos
Por mais de duas décadas, o Muro de Berlim foi o símbolo por excelência da Guerra Fria, da bipolarização do mundo e da divisão da Alemanha.
Ainda no início de 1989, Honecker, no poder desde 1971, manifestava confiança em sua estabilidade: "O muro ainda existirá em 50 ou em cem anos, enquanto não forem superados os motivos que levaram à sua construção".
Apenas dez meses depois, em 9 de novembro daquele ano, os habitantes de ambas as partes da cidade caíam incrédulos nos braços uns dos outros, festejando o fim da muralha que acabou sendo derrubada pouco a pouco e vendida aos pedaços como suvenir. Menos de um ano depois, o país dividido desde o fim da Segunda Guerra foi unificado, mas a verdadeira integração entre as duas partes é um processo que ainda não terminou.
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,608522,00.html



 
Doris Bulau (lk)



Notícia da Semana Atualidades

66 Anos dos Genocídios de Hiroshima e Nagasaki 


No último sábado dia o6 de agosto, foi lembrado os 66 anos da bomba atômica de Hiroshima, a primeira das duas bombas lançadas pelos Estados Unidos contra o Japão em 1945. A segunda bomba foi lançada sobre a cidade de Nagasaki no dia 09 de agosto, o que culminou com a rendição do Japão no dia 14 de agosto de 1945.
O resultado foram mais de 200 mil pessoas mortas com o impacto da bomba e milhares que posteriormente morreram com os efeitos da radiação sentidos ainda hoje.


Para saber Mais: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5281375-EI8143,00-Hiroshima+lembra+o+horror+nuclear+com+olhares+em+Fukushima.html

sábado, 30 de julho de 2011

Notícia da Semana Atualidades


O que os atentados da Noruega revelam sobre a crise econômica
Atentado na Noruega é a ponta de um fenômeno que pode ser catastrófico para a humanidade
Por Ricardo Cabral

Vivemos hoje uma das maiores crises econômicas das últimas três décadas. Nos cadernos de economia da grande mídia, os fatos aparecem isolados, como recessões pontuais desconectadas umas das outras. A verdade, porém, é que a crise que hoje assombra a Europa teve início há exatos quatro anos – e seus desdobramentos podem ser muito mais graves do que imaginamos.

Em 2007, uma crise imobiliária fortíssima atingiu os Estados Unidos, quando milhares de cidadãos, impulsionados pelo crédito fácil, contraíram altas dívidas em hipotecas. Com o aumento das taxas de juros e a diminuição dos preços dos imóveis, uma quantidade surpreendente de americanos teve seu patrimônio dilacerado. Ao cabo de alguns meses, a situação levou a uma onda de calotes e de baixas no consumo. Em 2008, as circunstâncias eram tais que acabaram deflagrando o estouro de uma bolha financeira, cujo marco inicial foi o colapso do Lehman Brothers e do Merrill Lynch.

A ameaça de quebra de bancos e seguradoras, à época, gerou um abalo profundo nas principais bolsas ao redor do mundo e levou crise a diversos países, centrais e periféricos, na entrada do ano de 2009. Poucos foram os Estados que seguraram a onda, como o Brasil, que experimentava um processo de intenso crescimento econômico no último triênio do governo Lula.

Nesse contexto, ao longo dos últimos dois anos, observamos diversos pacotes de austeridade econômica tentando ser aprovados nos parlamentos europeus, enquanto Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, por exemplo, caíam em profunda depressão. Assim, para responder às crises, dos EUA à Zona do Euro, bilhões de dólares de contribuintes eram utilizados para sanar os prejuízos deixados por banqueiros e megainvestidores milionários.

Agora, ainda que os jornais pouco falem sobre o assunto estruturalmente, estamos em uma intensa crise do sistema capitalista. Além de se espalhar pela Europa – atingindo outros países, como a Alemanha e a Itália –, ela está de volta aos EUA, com a crise da dívida, e já ameaça chegar ao Brasil, durante o governo Dilma.

“Somente uma crise – real ou pressentida – produz mudança verdadeira. Quando a crise acontece, as ações que são tomadas dependem das ideias que estão à disposição. Esta, eu acredito, é nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las em evidência e acessíveis até que o politicamente impossível se torne o politicamente inevitável.”

A conclusão é de Milton Friedman, o guru do capitalismo neoliberal. E ele tem toda razão. Neste momento, como vemos nos movimentos populares europeus, os danos abandonaram a virtualidade do capital financeiro para atingir a vida real, com sérios prejuízos socioeconômicos, já que a pauta anticrise dos governos é a mesma: privatizações e cortes profundos nos direitos sociais.


Nesse contexto, abre-se um leque de possibilidades de futuros acontecimentos. Um deles, de que o atentado na Noruega é símbolo, é a ascensão de governos neofascistas, como já vimos acontecer depois da Crise de 29. O episódio norueguês, como sabemos, não é um caso singular. Na Suécia, um homem foi preso na cidade de Malmö, acusado de envolvimentos em uma dúzia de tiroteios contra imigrantes. Nos EUA, o Tea Party ganha força. Na Alemanha, com o recém-fundado A Liberdade, já são quatro os partidos de extrema-direita. Na França, pesquisas apontam que a Frente Nacional, ultraconservadora, pode chegar ao segundo turno. Na Holanda, o Partido para a Liberdade do Povo Holandês, também de extrema-direita, acabou de conquistar 15,5% de votos nas eleições de 2010. 

Outra possibilidade, que cabe à (verdadeira) esquerda mundial, é aproveitar o momento de mobilização popular para mostrar as contradições inerentes ao capitalismo, um sistema que não pode ser reformado, como pregam os socialdemocratas. Um sistema de organização socioeconômica que deixa, hoje, mais de dois bilhões de pessoas em situação de fome e que faz aumentar, cada vez mais, a distância entre ricos e pobres. A juventude mundial, que ocupa as praças ao redor do mundo, de Portugal ao Egito, deseja mudanças. Mas sem organização política, sem um projeto de sociedade, elas não acontecem. E que venha a luta.

Ricardo Cabral é jornalista e pesquisa na área de comunicação, cultura e política. Entre em contato com o autor pelo twitter @_ricardocabral

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