domingo, 14 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


O que há de real na crise

O planeta tremeu nos últimos dias. Os problemas enfrentados por Estados Unidos e alguns países da Europa derrubaram bolsas no mundo todo. Até que ponto os prognósticos apocalípticos são verdadeiros? O planeta está realmente em risco?

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TENSÃO 
Obama enfrenta uma crise política que pode colocar em risco a
saúde financeira dos Estados Unidos e de parte da Europa
BRASIL
Novos indicadores confirmaram para a presidente Dilma que o
Brasil continua acelerando e será pouco afetado pela crise global
Na semana passada, o cientista político Jean-Claude Trichet, um francês de 67 anos com mais de quatro décadas de experiência no mercado financeiro, declarou que a atual crise econômica é a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Isso nada significaria, se ele não fosse o presidente do Banco Central Europeu – e por isso suas afirmações reverberaram com a força de um tsunami. Dias antes, a agência Standard & Poor’s também havia espalhado pânico ao rebaixar a avaliação de risco dos Estados Unidos da categoria AAA para AA+. De acordo com a S&P, o país deixou de ser 100% confiável em termos financeiros, diagnóstico suficiente para provocar histeria nos investidores e desencadear perdas gigantescas nas principais bolsas de valores globais. Mas não foi só. Na lógica insana do mercado, essa entidade quase etérea que se manifesta com força máxima nos momentos de crise, o mundo estaria prestes a assistir ao início da derrocada americana. A recessão planetária seria uma questão de tempo. Além de Estados Unidos e Europa, nações emergentes como o Brasil ficariam seriamente expostas à hecatombe econômica global. Em resumo: uma tragédia anunciada e provavelmente sem antídotos para combatê-la.
Seria ingênuo afirmar que não existe crise, mas não é exagero dizer que ela certamente não é tão feia quanto parece. Basta dar uma espiada no que andam dizendo algumas das vozes mais lúcidas da área financeira. Prêmio Nobel de Economia, o americano Paul Krugman, um crítico moderado do governo Obama, chamou de “cara de pau” a iniciativa da S&P. Para quem não se lembra, essa agência foi uma das responsáveis pela crise do subprime de 2008, ao respaldar instituições que estavam à beira da falência. Ou seja, credibilidade não é um atributo que deva ser associado a empresas como a S&P. Professor da Fundação Getulio Vargas e ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira define assim a decisão da agência: “A S&P agiu de forma tresloucada”, disse ele à ISTOÉ. A presidente Dilma Rousseff classificou o rebaixamento de “precipitado e incorreto” e não foram poucos os artigos publicados nos principais jornais do mundo com críticas ferozes à redução da nota.
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PROTESTOS
Cenas cada vez mais comuns nos EUA: manifestação de opositores de
Obama (acima) e passeata em prol de empregos em Los Angeles (abaixo)
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Krugman toca em um ponto crucial para colocar a crise em seu devido lugar. “Não é a matemática orçamentária que está fazendo com que os Estados Unidos pareçam pouco confiáveis, e sim a política”, escreveu ele em sua coluna no “The New York Times”. Que a situação financeira dos Estados Unidos inspira cuidados, não é novidade. Na última década, o país sofreu uma série de turbulências, desde o estouro da bolha das empresas de internet em 2001 à concordata do centenário banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008. O brutal aumento da dívida pública, o PIB em marcha lenta e a redução do volume de investimentos agravaram o quadro enfrentado pelo presidente democrata Barack Obama, mas o caos não tem a dimensão projetada pelos opositores ultraconservadores abrigados no Partido Republicano. 

Divergências entre democratas e republicanos permeiam a história americana. Mas agora há uma diferença notável: é a primeira vez que os Estados Unidos se apresentam divididos em questões de âmbito internacional. Durante todo o século XX e nos primeiros anos do século XXI, querelas em assuntos internos (a ampliação dos direitos civis de minorias, benefícios previdenciários, punições a criminosos, para citar alguns exemplos) se tornaram rotina na política do país. As decisões que transcendiam o aspecto local, porém, sempre foram tomadas com a concordância de democratas e republicanos. Em 1999, embora sofresse forte oposição, o democrata Bill Clinton conseguiu a aprovação de seus rivais na política para bombardear a ex-Iugoslávia. Hoje parece difícil de acreditar, mas foi isso mesmo. Clinton teve apoio irrestrito para lançar foguetes contra uma nação encravada no coração da Europa. Também amparado por oponentes, o republicano George W. Bush invadiu o Iraque em 2003. No governo Obama, a guerra política pode provocar estragos duradouros na economia global. Essa é a diferença em comparação à crise de 2008. Antes, tratava-se apenas de um problema financeiro. Agora, o que está em jogo é um embate pautado por tensões pré-eleitorais. “Nossos problemas são causados por um único lado – mais especificamente, pela ascensão de uma direita extremista que prefere criar crises a ceder um único centímetro nas suas exigências”, escreveu Krugman.
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QUE CRISE?
A usina de Santo Antônio vai receber investimentos
de R$ 15 bilhões e gerar 25 mil empregos
Obama carrega o peso de não ter articulado apoios fiéis no Congresso e no Senado, equívoco que seus antecessores não cometeram. Se essas questões não provocassem danos além das fronteiras americanas, o mundo não estaria tão atento ao acirramento das diferenças entre democratas e republicanos. O problema é que, enquanto os Estados Unidos estiverem fracos, muitas nações serão atingidas. Na Europa, a crise enfrentada por países sensíveis a qualquer turbulência, como Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Irlanda, tende a se intensificar. Na semana passada, especulou-se sobre a possibilidade de as agências rebaixarem a avaliação de risco da França, a exemplo do que a Standard & Poor’s fez com os Estados Unidos. O motivo? Se os Estados Unidos não são nota AAA, por que economias menos pujantes seriam?

O mesmo raciocínio vale para países emergentes como o Brasil. Até que ponto a economia brasileira, que nos últimos anos tem dado sinais de vitalidade, será afetada pela crise dos Estados Unidos? Em um artigo publicado na semana passada no jornal “Valor Econômico”, o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto usou uma imagem divertida para traduzir o efeito cascata nas bolsas mundiais. Segundo ele, a racionalidade do mercado é a mesma dos carneiros de Panurge, célebre personagem criado pelo escritor francês François Rabelais. Assim que um dos carneiros foi arremessado ao mar, os outros fielmente o seguiram. “O mercado é a manada”, escreveu Delfim. “É o contágio. Todos seguem todos, supondo que o vizinho sabe o que está fazendo.” Diante dos indicadores econômicos positivos, que até agora não deram sinais de declínio, não faz sentido apostar que o Brasil passará sufoco no futuro próximo, como acreditaram nos últimos dias os carneiros suicidas do mercado financeiro. Especialistas ouvidos por ISTOÉ concordam que o País está preparado para enfrentar o fantasma da recessão americana. “A crise vai impactar menos o Brasil do que em qualquer outro momento”, diz Carlos de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio. “Temos a grande vantagem de possuir gordura para queimar.” Segundo José Augusto Castro, presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros, o pessimismo está fora de cogitação. “O peso agora é mais psicológico do que econômico.” Ex-presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni faz sua análise baseada em números. “O Brasil provavelmente continuará crescendo em torno de 4% em 2011 e 2012”, diz. “Será um resultado muito melhor do que a queda de 0,6% obtida em 2009.” Colunista de ISTOÉ, o economista Ricardo Amorim afirma que o Brasil não passará ileso, por ser impossível isolar o País do cenário internacional. Ele, porém, concorda que seremos menos afetados. “Temos munição para diminuir a taxa de juros e, assim, estimular a atividade econômica e a expansão do crédito.” No governo, o discurso otimista também está presente. “Não há motivo para desespero”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).
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No setor privado, a confiança não foi abalada. “O mercado brasileiro é sólido, temos renda e demanda”, afirma José Drummond Júnior, presidente da Whirpool para a América Latina. Homem mais rico do País, Eike Batista apareceu com destaque nos jornais depois de perder alguns bilhões de reais com a queda disparatada das ações. “Não perdi o sono”, diz Eike. “Há uma lista enorme de empresas que pretendem colocar seu dinheiro no Brasil.” De acordo com o relatório World Investiment Report 2011, apresentado recentemente pela ONU, o Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais recebem investimentos estrangeiros. E tudo indica que a trajetória continuará ascendente. Neste ano, os ingressos de recursos diretos vindos do Exterior e voltados para o setor produtivo atingiram no primeiro semestre a marca recorde de US$ 32,5 bilhões, o melhor resultado desde o início da série histórica do Banco Central iniciada em 1947. Apenas a indústria automotiva deve despejar US$ 15 bilhões no País nos próximos cinco anos. Na área de infraestrutura, os números surpreendem. O Estaleiro Atlântico Sul, no complexo industrial de Suape, em Pernambuco, deve receber R$ 35 bilhões de investimentos até 2020 e gerar até lá 30 mil empregos diretos. 

Há exemplos de empreendimentos bilionários em diversas regiões do Brasil. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o campeão na geração de empregos é o Estado de Rondônia, onde estão sendo construídas no Rio Madeira as usinas de Jirau e Santo Antônio, que vão consumidor juntas R$ 22 bilhões. Na hidrelétrica de Santo Antônio, trabalham diretamente 20 mil pessoas, número que deve subir para 25 mil nos próximos meses. 

A produção industrial, um dos principais indicadores do vigor econômico de um país, também está em alta. Setores como o de tecnologia da informação, farmacêutico e automobilístico apresentaram crescimento acima de 6% no primeiro semestre. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos a indústria automotiva se manteve estagnada no mesmo período. O que impulsiona esse movimento é o aumento brutal da massa de consumidores. Nos últimos dois anos, 13,3 milhões de pessoas foram incoporadas ao mercado consumidor, fenônemo que causa uma cadeia de efeitos positivos. Entre abril de 2010 e abril de 2011, o faturamento do varejo brasileiro subiu mais de 10%.
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Enquanto o mundo continuava febril, uma série de novos indicadores confirmou nos últimos dias a recém-conquistada força econômica do Brasil. Na quinta-feira 11, o Banco Central anunciou que as reservas internacionais superaram pela primeira vez a marca de US$ 350 milhões. O dinheiro funciona como uma espécie de escudo protetor, blindando a moeda brasileira e evitando que o País seja arrastado pela instabilidade nos Estados Unidos e na Europa. “Com essas reservas, o País pode navegar com tranquilidade”, diz o empresário Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Política de Gestão, órgão instituído no governo Dilma. Também na quinta-feira, a agência japonesa de classificação de risco R&I elevou a nota do Brasil para a categoria BBB. Segundo a empresa, a classificação subiu graças principalmente ao “impressionante fortalecimento do mercado interno.” Informações como essas são exemplos precisos de mudanças no tabuleiro de forças da economia global. Nestes novos tempos, os emergentes caminham para ocupar espaços até então reservados aos países ricos. Especialmente para nações como Brasil e China, o apocalipse está muito longe de acontecer.
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Fonte:http://www.istoe.com.br/reportagens/151504_O+QUE+HA+DE+REAL+NA+CRISE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage


domingo, 7 de agosto de 2011

Notícia da Semana Atualidades


No Próximo sábado 13/08 completa 50 anos da construção do Muro de Berlim

1961: Construção do Muro de Berlim

 

Em 13 de agosto de 1961, guardas da RDA começaram a fechar com arame farpado e concreto a fronteira que separava as partes oriental e ocidental de Berlim, bem como Berlim Ocidental do território da Alemanha Oriental.

 
O funcionário do Serviço de Defesa da Constituição de Berlim que estava de plantão no segundo final de semana de agosto de 1961 não esperava ocorrências extraordinárias. Mas já na madrugada de sábado para o domingo, dia 13, ele foi surpreendido à 1h54 pela notícia de que o tráfego de trens entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental fora suspenso.
A abrangência do fato, porém, só ficou clara quando o dia amanheceu. A República Democrática Alemã (RDA) dera início à construção de um muro entre as duas partes de Berlim, cortando o acesso de 16 milhões de alemães ao Ocidente. "A fronteira em que nos encontramos, com a arma nas mãos, não é apenas uma fronteira entre um país e outro. É a fronteira entre o passado e o presente", era a interpretação ideológica do governo alemão-oriental.
Reação às fugas
A RDA via-se com razão ameaçada em sua existência. Cerca de 2 mil fugas diárias tinham sido registradas até aquele 13 de agosto de 1961, ou seja, 150 mil desde o começo do ano e mais de 2 milhões desde que fora criado o "Estado dos trabalhadores e dos camponeses". O partido SED puxou o freio de emergência com o auxílio de arame farpado e concreto, levantando um muro de 155 quilômetros de extensão que interrompia estradas e linhas férreas e separava famílias.
Ainda dois meses antes, Walter Ulbricht, chefe de Estado e do partido, desmentira boatos de que o governo estaria planejando fechar a fronteira: "Não tenho conhecimento de um plano desses, já que os operários da construção estão ocupados levantando casas e toda a sua mão-de-obra é necessária para isso. Ninguém tenciona construir um muro".
Nos bastidores, porém, corriam os preparativos, sob a coordenação de Erich Honecker e com a bênção da União Soviética. Guardas da fronteira e batalhões fiéis ao politburo encarregaram-se da tarefa. Honecker não tinha a menor dúvida: "Com a construção da muralha antifascista, a situação na Europa fica estabilizada e a paz, salvaguardada".
As potências ocidentais protestaram, mas nada fizeram. Para os berlinenses de ambos os lados da fronteira, a brutalidade do muro passou a fazer parte do cotidiano. Apenas 11 dias após a construção, morreu pela primeira vez um alemão-oriental abatido a tiros durante tentativa de fuga. A última vítima dos guardas da fronteira foi Chris Gueffroy, morto em fevereiro de 1989.
Queda após 28 anos
Por mais de duas décadas, o Muro de Berlim foi o símbolo por excelência da Guerra Fria, da bipolarização do mundo e da divisão da Alemanha.
Ainda no início de 1989, Honecker, no poder desde 1971, manifestava confiança em sua estabilidade: "O muro ainda existirá em 50 ou em cem anos, enquanto não forem superados os motivos que levaram à sua construção".
Apenas dez meses depois, em 9 de novembro daquele ano, os habitantes de ambas as partes da cidade caíam incrédulos nos braços uns dos outros, festejando o fim da muralha que acabou sendo derrubada pouco a pouco e vendida aos pedaços como suvenir. Menos de um ano depois, o país dividido desde o fim da Segunda Guerra foi unificado, mas a verdadeira integração entre as duas partes é um processo que ainda não terminou.
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,608522,00.html



 
Doris Bulau (lk)



Notícia da Semana Atualidades

66 Anos dos Genocídios de Hiroshima e Nagasaki 


No último sábado dia o6 de agosto, foi lembrado os 66 anos da bomba atômica de Hiroshima, a primeira das duas bombas lançadas pelos Estados Unidos contra o Japão em 1945. A segunda bomba foi lançada sobre a cidade de Nagasaki no dia 09 de agosto, o que culminou com a rendição do Japão no dia 14 de agosto de 1945.
O resultado foram mais de 200 mil pessoas mortas com o impacto da bomba e milhares que posteriormente morreram com os efeitos da radiação sentidos ainda hoje.


Para saber Mais: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5281375-EI8143,00-Hiroshima+lembra+o+horror+nuclear+com+olhares+em+Fukushima.html

sábado, 30 de julho de 2011

Notícia da Semana Atualidades


O que os atentados da Noruega revelam sobre a crise econômica
Atentado na Noruega é a ponta de um fenômeno que pode ser catastrófico para a humanidade
Por Ricardo Cabral

Vivemos hoje uma das maiores crises econômicas das últimas três décadas. Nos cadernos de economia da grande mídia, os fatos aparecem isolados, como recessões pontuais desconectadas umas das outras. A verdade, porém, é que a crise que hoje assombra a Europa teve início há exatos quatro anos – e seus desdobramentos podem ser muito mais graves do que imaginamos.

Em 2007, uma crise imobiliária fortíssima atingiu os Estados Unidos, quando milhares de cidadãos, impulsionados pelo crédito fácil, contraíram altas dívidas em hipotecas. Com o aumento das taxas de juros e a diminuição dos preços dos imóveis, uma quantidade surpreendente de americanos teve seu patrimônio dilacerado. Ao cabo de alguns meses, a situação levou a uma onda de calotes e de baixas no consumo. Em 2008, as circunstâncias eram tais que acabaram deflagrando o estouro de uma bolha financeira, cujo marco inicial foi o colapso do Lehman Brothers e do Merrill Lynch.

A ameaça de quebra de bancos e seguradoras, à época, gerou um abalo profundo nas principais bolsas ao redor do mundo e levou crise a diversos países, centrais e periféricos, na entrada do ano de 2009. Poucos foram os Estados que seguraram a onda, como o Brasil, que experimentava um processo de intenso crescimento econômico no último triênio do governo Lula.

Nesse contexto, ao longo dos últimos dois anos, observamos diversos pacotes de austeridade econômica tentando ser aprovados nos parlamentos europeus, enquanto Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, por exemplo, caíam em profunda depressão. Assim, para responder às crises, dos EUA à Zona do Euro, bilhões de dólares de contribuintes eram utilizados para sanar os prejuízos deixados por banqueiros e megainvestidores milionários.

Agora, ainda que os jornais pouco falem sobre o assunto estruturalmente, estamos em uma intensa crise do sistema capitalista. Além de se espalhar pela Europa – atingindo outros países, como a Alemanha e a Itália –, ela está de volta aos EUA, com a crise da dívida, e já ameaça chegar ao Brasil, durante o governo Dilma.

“Somente uma crise – real ou pressentida – produz mudança verdadeira. Quando a crise acontece, as ações que são tomadas dependem das ideias que estão à disposição. Esta, eu acredito, é nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las em evidência e acessíveis até que o politicamente impossível se torne o politicamente inevitável.”

A conclusão é de Milton Friedman, o guru do capitalismo neoliberal. E ele tem toda razão. Neste momento, como vemos nos movimentos populares europeus, os danos abandonaram a virtualidade do capital financeiro para atingir a vida real, com sérios prejuízos socioeconômicos, já que a pauta anticrise dos governos é a mesma: privatizações e cortes profundos nos direitos sociais.


Nesse contexto, abre-se um leque de possibilidades de futuros acontecimentos. Um deles, de que o atentado na Noruega é símbolo, é a ascensão de governos neofascistas, como já vimos acontecer depois da Crise de 29. O episódio norueguês, como sabemos, não é um caso singular. Na Suécia, um homem foi preso na cidade de Malmö, acusado de envolvimentos em uma dúzia de tiroteios contra imigrantes. Nos EUA, o Tea Party ganha força. Na Alemanha, com o recém-fundado A Liberdade, já são quatro os partidos de extrema-direita. Na França, pesquisas apontam que a Frente Nacional, ultraconservadora, pode chegar ao segundo turno. Na Holanda, o Partido para a Liberdade do Povo Holandês, também de extrema-direita, acabou de conquistar 15,5% de votos nas eleições de 2010. 

Outra possibilidade, que cabe à (verdadeira) esquerda mundial, é aproveitar o momento de mobilização popular para mostrar as contradições inerentes ao capitalismo, um sistema que não pode ser reformado, como pregam os socialdemocratas. Um sistema de organização socioeconômica que deixa, hoje, mais de dois bilhões de pessoas em situação de fome e que faz aumentar, cada vez mais, a distância entre ricos e pobres. A juventude mundial, que ocupa as praças ao redor do mundo, de Portugal ao Egito, deseja mudanças. Mas sem organização política, sem um projeto de sociedade, elas não acontecem. E que venha a luta.

Ricardo Cabral é jornalista e pesquisa na área de comunicação, cultura e política. Entre em contato com o autor pelo twitter @_ricardocabral

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Grécia, entre a raiva e a resistência
Assim que foram aprovadas as medidas orçamentárias, o povo saiu às ruas: “Nunca tínhamos visto isso. A partir de hoje estão em guerra com o povo grego, o senhor presidente está no lixo da história”.
Por Elpida Niku, de Desinformémonos

Atenas, Grécia. O ano de 2010 na Grécia foi de plena incerteza. Depois de ganhar as eleições em outubro de 2009, o primeiro ministro Giorgos Papandreu anunciou que “sim, havia dinheiro” para que a economia grega seguisse normalmente. Alguns meses depois decidiu que não havia, e que o país teria de solicitar ajuda financeiro ao FMI e à União Européia. Durante todo esse tempo, os políticos apareceram nas telas dos principais meios de comunicação para comentar o tema: se havia ou não dinheiro, se a economia colapsaria ou não, se havia necessidade de pedir empréstimos para seguir pagando as dívidas.
A população grega se encontrava aterrorizada. Enquanto os políticos falavam de números incompreensíveis, as pessoas se perguntavam o que tudo isso significaria para sua vida diária, sem entender a quem deviam e por quê. Até que chegou o momento em que decidiram se mobilizar. Foi lançada uma convocatória anônima por meio das redes sociais da internet para que os habitantes saíssem às ruas e se reunissem na praça central de Atenas em Sintagma, onde se localiza o parlamento grego.
Assim, na tarde do dia 25 de maio a população começou a se encontrar na frente do parlamento do país. Foi impressionante a quantidade de pessoas que chegavam. A partir desse dia, os gregos se reúnem na frente do parlamento todas as tardes. Ali permanecem por horas, fazendo soar o barulho das colheres nas panelas, carregando nas mãos bandeiras gregas e de outros países, assobiando, gritando palavras de ordem espontâneas incessantemente. O clima é festivo. Não se trata de queixar-se, ou pedir algo; se trata de manifestar um enorme e decisivo descontentamento. “Nunca mais farão decisões sem nós”. Trata se de um estamos aqui e não estamos de acordo. “Não estamos de acordo em viver numa falsa democracia, onde aqueles que decidem a respeito de nossas vidas o façam sem nossa presença”, comentavam as pessoas entre si.
E assim seguiu a situação por mais de um mês, e o governo se viu obrigado a anunciar mudanças no seu gabinete. Ao mesmo tempo, estabeleceu uma data na qual aprovaria as novas medidas de austeridade, que consistem em um aumento de impostos para a maioria dos gregos, privatizações de empresas estatais e cortes sociais fatais para uma população já pressionada, que sofre por alto nível de desemprego e vive um futuro incerto. “Poderíamos suportar muito sofrimento se contássemos com alguma perspectiva para o futuro”, conta um dos manifestantes. “Mas com essas medidas não há futuro. Não há futuro para nós nem para nossos filhos”.
A data anunciada para a aprovação das medidas foi dia 29 de junho. A assembléia popular da praça de Sintagma, que acontece todos os dias às 21h com participação do povo, decidiu estar presente nas ruas nesse dia e no anterior, pressionando para que as medidas anti-sociais não fossem aprovadas. Também os sindicatos oficiais, pressionados por suas bases, anunciaram greve geral de 48h para esses dias.
O dia 29 de junho amanheceu bonito. Viam-se dezenas de pessoas se juntarem em três pontos de encontro que haviam sido estipulados na assembleia para cercar o Parlamento e impedir que os deputados entrassem no edifício. A brutalidade policial se deflagrou desde cedo, quando foram feitas as barricadas nas ruas principais para fechar o caminho dos parlamentares. Os policiais reprimiram os manifestantes violentamente, atirando bombas de gás lacrimogêneo e batendo com os cassetetes.
Ao mesmo tempo, as pessoas se concentravam na praça Sintagma. Os microfones anunciavam a chegada dos ônibus procedentes de diferentes cidades do país carregados de pessoas que vinham para protestar contra as medidas de austeridade. Os manifestantes entravam na praça carregando cartazes, batendo palmas, gritando palavras de ordem, para depois se juntarem em frente ao Parlamento. As estações de metrô também se encontravam abarrotadas de pessoas de diferentes bairros de Atenas que vinham para se juntar- ao protesto.
Enquanto isso, dentro do Parlamento se iniciou a discussão sobre as novas medidas. A população ateniense protestava pacificamente no centro da cidade. Por volta das 14h a polícia começou a atacar sem precedentes. Com uma quantidade imensa de lacrimogêneos, cujo uso legal é restrito a condições de guerra, o corpo policial dispersava a população que se manifestava. Os cassetetes policiais golpeavam indiscriminadamente idosos, mulheres e crianças, deixando um saldo de pelo menos 500 pessoas feridas. Quebraram pernas, cortaram cabeças e causaram dificuldades respiratórias na grande maioria dos que ali se manifestavam. Chegaram a jogar gás lacrimogêneo dentro das estações de metrô do centro da cidade, onde as pessoas justamente buscavam refúgio dos gases da praça e onde também um grupo de médicos socorria os feridos. Ainda que muitos manifestantes tivessem comparecido já preparados com máscaras e panos para se protegerem das armas policiais, a quantidade com o qual foram atacados supera a imaginação de qualquer um. O centro de Atenas foi cenário de guerra por mais de 12 horas, durante as quais uma nuvem de gases cobriu o céu, que permaneceu cinza por horas.  
Ao mesmo tempo, um grupo de jovens emputecidos desprendia o pavimento das ruas próximas à praça e atiravam pedras contra a polícia. Alguns manifestantes se aproximavam desses jovens para explicar que o que faziam, longe de ajudar, dava pretextos para a polícia continuar atacando. Muitos ouviram o pedido e pararam. No entanto, existem vídeos que mostram “manifestantes” vestidos de negro, como esses rapazes, saindo ou entrando nas filas policiais.
O que se tentou fazer foi provocar medo na população para que essa não saísse às ruas. Mas a brutal repressão causou o efeito contrário. A indignação frente à brutalidade policial fez com que depois de cada ataque as pessoas voltassem ao lugar de protesto com mais força que antes. Muitas vezes, os manifestantes revoltavam-se tanto pelo comportamento dos policiais que se juntavam e, sem outra arma que sua própria voz, os forçava a retroceder. A solidariedade entre os participantes foi impressionante. Se alguém não conseguia respirar ou enxergar, sempre era auxiliada por alguém. Havia muitas pessoas circulando pelo centro da cidade carregando e distribuindo um líquido que alivia os sintomas produzidos pelos gases. Mãos dispostas a ajudar carregavam as pessoas que já não podiam mais se mover. E cada vez que se ouviam os disparos das bombas as pessoas batiam palma cada vez mais forte, incentivando a resistência.
Assim se passaram quase três horas, até o momento em que começou a correr o boato de que as medidas haviam sido aprovadas, com 155 dos 300 deputados votando a favor. “Já sabíamos que votariam assim”, comentou uma mulher de 50 anos que estava nas ruas desde manhã.
“Estamos lutando por uma gloriosa derrota, por nossa dignidade. Nos falam na TV sobre os moleques que jogam pedra e sei lá mais  o quê. Pois na verdade agora que queimem tudo, já que nada é nosso mesmo”.
“Hoje vivemos uma guerra”, comenta sua companheira que descansa um pouco ao seu lado, esgotada já de tantos gases. “Nunca tínhamos visto isso. A partir de hoje estão em guerra com o povo grego, o senhor presidente está no lixo da história”.
Depois de tantas horas de repressão, a polícia optou por terminar de uma vez por todas com o protesto. Um grupo especial de policiais que andava de motos tomou as ruas centrais da cidade. Eram cerca de 50 motos por vez, avançando em uma velocidade assassina pelas ruas cheias de gente. Enquanto corriam atiravam gás lacrimogêneo contra as pessoas que estavam no caminho e espancavam com cassetetes àqueles que não saíam de sua frente. Chegaram a lançar gases nas ruas turísticas da cidade, onde pessoas comiam em restaurantes e turistas passeavam.
“Eu vi eles passando várias vezes por aqui, debaixo da minha casa, batendo nas pessoas”, conta uma das manifestantes que vive próxima à praça de Sintagma. “Aterrorizam o mundo inteiro, são brutos. Da minha varanda eu atirei potes neles. Faz um mês que eu estou nas ruas, na praça, e o que eles estão fazendo é inconcebível. Mas não vamos parar. Estava pior quando ficávamos em nossas casas agüentando mudos tudo o que eles estão fazendo”.
Ainda assim as pessoas não se retiraram e seguiram resistindo, voltando incessantemente à praça até que, por volta das 23h, dezenas de policiais cercaram a praça Sintagma, proibindo que os presentes permanecessem em frente ao Parlamento. Muita gente ficou em frente às fileiras de policiais por horas, questionando “por que não nos deixam passar?”. Durante as primeiras horas do dia seguinte, a polícia se retirou e a população regressou à praça. Pouco a pouco limparam as ruas e a praça, recolheram pedras, garrafas de gás, tendas destruídas. O acampamento foi armado de novo para receber as pessoas que dia 30 de junho se juntavam ali de novo.

30 de junho: “Ao invés de nos debilitar, nos fizeram mais fortes”
No dia seguinte da repressão brutal que a polícia grega desencadeou contra o povo grego, o centro de Atenas se encheu de gente mais uma vez. Milhares de pessoas saíram de novo para denunciar o comportamento policial do dia anterior. Desta vez, a raiva do povo se sentia no ambiente e dava calafrios. Durante horas as pessoas permaneceram paradas em frente às fileiras policiais que protegiam o Parlamento, falando com eles, lhes insultando, pedindo que renunciassem.
Um jovem revoltadíssimo lhes atira uma garrafa de água. Alguns manifestantes pedem para que pare. Outros o defendem dizendo: “Não, já superaram nossos limites, são uns brutos e não entendem nada. Eu não estou encapuzado, tenho dois filhos e o que fizeram ontem é imperdoável, se portaram como cães ferozes”. Por lá estava também um padre, descontrolado, que gritava especificamente com um policial: “Eu te conheço, ontem você mandou meu filho para o hospital, você é meu vizinho, sei onde você mora e onde é a escola dos seus filhos”.
“O que vão dizer aos seus filhos amanhã quando perguntarem em que trabalha o pai? Vão ter de dizer que estão matando a população. Como conseguem dormir à noite?”, gritava outro manifestante. E seu companheiro complementava: “Ontem vocês falavam que iam foder com a gente, que não temos trabalho e que por isso estamos nas ruas. Quero ver quando vocês estiverem sem trabalho, quem vai estar do lado de vocês?”
Na praça, abaixo, já estavam montadas as tendas e as mesinhas dos diferentes postos de trabalho e também se viam dezenas de garrafas de gás lacrimogêneo que as pessoas recolheram e penduraram em diferentes partes da praça. Como todas as noites desde o dia 25 de maio, a assembleia popular começou às 21h. O assunto da discussão era o rechaço à repressão estatal e à classe política e pela democracia direta. “O que aconteceu ontem foi a destruição total da democracia, a destruição de um sistema no qual o povo manda. Todos eles, ali no Parlamento, deveriam abrir um dicionário. Mas é que não havia outra maneira de voltar as medidas, só assim, afogando nossas vozes por horas com gás lacrimogêneo. Mas o que não sabiam é que ao invés de nos debilitar, nos fariam mais fortes”, disse uma senhora.
Nessa assembleia se escutaram mensagens de solidariedade da Islândia, Egito e Argentina, alimentando o ânimo para a continuidade da resistência. O clima era festivo. As pessoas aplaudiam sem parar, com cada vez mais força. “Nós, tontos que somos, votávamos por eles até agora, mas chega, esse movimento é nossa vida, nosso futuro, não vamos sair até que eles se vão”.
Tradução de Gabriela Moncau
Site do Desinformémonos: http://desinformemonos.org/
Fonte: http://carosamigos.terra.com.br/

domingo, 3 de julho de 2011

Notícia da Semana Atualidades


Pacote grego passa, e crise sai de 'férias'
01 de julho de 2011

Folha de S.Paulo (SP)
Aprovação de detalhamento do ajuste fiscal abre caminho para que o país receba nova parcela de ajuda externa

Medidas de arrocho provavelmente vão trazer de volta atos de protesto no segundo semestre deste ano

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A ATENAS

Os deputados sem gravata, na grande maioria, as deputadas em trajes mais vistos em "resorts" do que no Parlamento. Foi assim que passou ontem, por 155 votos a 136, o detalhamento das medidas que compõem o duro pacote de ajuste fiscal grego, no valor de € 78 bilhões (R$ 176 bi), aprovado na véspera.
Os trajes de férias correspondiam, simbolicamente, ao novo momento da crise: entrou em férias de verão.
É o que deixa claro o comunicado da Comissão Europeia, o braço executivo do conglomerado de 27 países europeus, ao saudar o segundo voto favorável: "Cumprem-se as condições para tomar uma decisão sobre o desembolso do próximo pedaço de assistência financeira à Grécia e para um rápido progresso no segundo pacote de assistência".
Traduzindo: a "troika" UE/Fundo Monetário Internacional/Banco Central Europeu deve liberar tanto os € 12 bilhões que permitem à Grécia fechar as contas até setembro como um segundo plano de socorro, em tese no valor de € 120 bilhões, para cobrir o período que vai até 2014, sem que o país se veja constrangido a dar calote na sua dívida.

PERDA DE CONTROLE
Mas as férias terminam com a chegada do outono em setembro (hemisfério norte).
Entre aprovar um pacote impopular e implementá-lo, há uma distância que talvez o governo não ultrapasse.
O ceticismo aparece na coluna de Costas Iordanidis para o jornal "Kathimerini" ("O Diário"): "Porque as privatizações muito provavelmente não avançarão depressa o suficiente, porque o mecanismo de cobrança de impostos certamente falhará e porque a recessão continuará, há um sério risco de revolta social, de violência incontrolável e de perda de controle, como os eventos [de quarta-feira] ilustraram vividamente".

CETICISMO
O ceticismo é razoável pelo menos em três pontos, recessão, privatizações e impostos. A privatização é o forte do pacote: pretende-se levantar € 50 bilhões em três anos e meio, quando nos 17 anos mais recentes a Grécia só conseguiu privatizar ativos pela metade desse valor.
Pior: apenas cerca de um quarto do total previsto está apto para venda, de acordo com o instituto de pesquisas Barômetro da Privatização.

IMPOSTOS
O ministro de Finanças admite que ainda é "preciso completar o novo sistema nacional de impostos e usar meios inteligentes de combater a evasão fiscal, incluindo levantar o sigilo bancário".
Como os novos impostos entram hoje em vigor, e o sistema ainda está manco, pouca gente acredita que a evasão baixará dos 35% que se calcula ser o tamanho atual da economia submersa.
Não é à toa que a nota de felicitações da União Europeia termina lembrando "o duro trabalho que ainda há por fazer".
Só não lembra que em setembro voltará à Grécia a missão da "troika" para verificar se os trabalhos estão sendo de fato feitos. Se não estiverem, reaparece toda a tensão dos últimos três meses.
Fonte: http://www.portaldoeconomista.org.br/noticias/pacote-grego-passa-e-crise-sai-de-ferias.html

domingo, 26 de junho de 2011

Aviso para Avaliação Bimestral de Sociologia Turma 101 dia 29/06

Caros alunos, vocês devem votar no tema da enquete até dia 28/06 às 18:00 h o tema mais votado será tema da avaliação. A turma 102 terá até o dia 04/07 às 18:00 h para votação do tema.

Como Montar uma Aula: Planejamento